Mendigos culturais
Dia desses fiquei chocada na sala de aula. Não devia, mas fiquei. A tarefa era projetar uma capa, e os alunos deveriam trazer um livro encapado com a peça gráfica para que se pudesse ter uma noção de como ficaria. Não vou comentar a pobreza de cultura visual. Vamos pular essa parte, por ora.
Um aluno apareceu com uma agenda encapada. Como era um modelo de couro estofado, a peça ficou cheia de emendas e remendos, numa lamentável apresentação para alguém que faz um curso tão predominantemente visual. Perguntei porque ele não tinha usado um livro em vez da agenda. A resposta foi taxativa, dita sem nenhum pudor ou constrangimento: “porque na minha casa não tinha nenhum livro, só um monte de agendas“. Gente, esse menino faz parte da parcela privilegiadíssima da sociedade brasileira que tem acesso ao ensino superior. Ele mora num lugar onde não existe um único volume impresso! Sua intimidade com os livros era tão pouca que nem ocorreu ao futuro designer pegar um emprestado na biblioteca, mesmo que só para fazer o trabalho.
Sinceramente, nessas horas bate um desespero e dá vontade de chorar. Como é um universitário não tem nenhum livro em casa? Como vivem os pais desse projeto de cidadão, aptos a pagar uma mensalidade correspondente a quase 3 salários mínimos, mas incapazes de ler um primário paulo coelho que seja. Pelo menos um dicionário, ó Deus! Essa progressista família não vive no interior do sertão nordestino, o pai certamente não é cortador de cana. Provavelmente eles assinam TV a cabo e cada membro porta seu celular último modelo. Assim, não deve ser porque “os livros no Brasil são muito caros”, como reza a lenda (os sebos estão cheios de coisas legais a preço de pipoca).
Uma pesquisa realizada ano passado pelo CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola) na região metropolitana de São Paulo, revelou, pasmem, que pelo menos 20% dos universitários não lêem livros. Você pensa que essa notícia é ruim? Prepare-se para uma pior: dos que disseram que lêem, a Bíblia foi citada como o livro mais influente. Duvido que eles leiam realmente a Bíblia, pois a linguagem é muito sofisticada e de difícil compreensão para não iniciados. Acredito que ela foi citada só porque é o livro mais conhecido, o primeiro que vem à mente de quem não quer passar vergonha. E o segundo livro mais influente? Vocês não vão acreditar, mas é ninguém menos que “O Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupéry. Sim, aquele mesmo das misses de antigamente!
Gente, como é que nossos futuros profissionais vão desenvolver o senso crítico com essas referências bibliográficas? Como vão se tornar cidadãos completos, com capacidade para se indignar com injustiças? Como vão adquirir cultura para se tornarem pessoas mais ricas e interessantes? Como a história do pensamento vai evoluir, com tão poucos pensantes?
Desse povo, 96% usam freqüentemente a Internet. Agora já deu para entender porque essa galera gosta de usar aquela língua esquisita para se comunicar nos chats e sites de relacionamento; simplesmente porque desconhecem os rudimentos do português.
Pelo que tenho visto em sala de aula, acontece algo muito parecido com os designers, mas com um agravante: além de muitos não saberem escrever, há uma parcela significativa que também carece de cultura visual (visitas freqüentes em livrarias e bancas de revistas, mesmo que só para olhar, já resolveriam grande parte do problema).
Essa falta de cultura, de pai e de mãe, tem provocado comportamentos medievais dignos da Idade das Trevas (não por acaso, uma época em que ninguém lia). No limite, faz com que jovens de “boa família” roubem e espanquem pessoas que consideram inferiores. Há pouco mais de 10 anos, um índio foi morto por jovens e promissores estudantes que tiveram a desfaçatez de se justificarem dizendo que achavam se tratar de um mendigo. A vítima da semana passada é uma empregada doméstica, alegadamente confundida com uma prostituta.
Sinceramente, dispenso a convivência com essa nobreza intelectual; se tiver que escolher, escolho sem titubear mendigos e prostitutas. Mendigos têm muitas histórias interessantes e, convém lembrar, a Bruna Surfistinha escreveu dois livros.
Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br
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Brincando nos campos do senhor…
Alguns mais tarde dirão que o titulo em nada lembra o texto, até poderei concordar mas para isso deverei antes de mais nada terminar esse texto para ver se tem ou não a ver com a proposta que seguirei.
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E esse caso aliás é muito complexo na hora de tentar jogar a culpa em alguém…
Vale ressaltar que quantidade, não é qualidade de aprendizagem. Não mesmo. Tenho colegas que lêem aos montes, sabem citar deus e o diabo, mas não sabem oque fazer com tanto conhecimento. São o que o Rubens define como “Esquizofrenicos” - pessoas que guardam memórias inúteis.
Nossa educação bancária forma esse tipo de gente, não leitores (pois ler é um saco enfadonho e sem utilidade) ou leitores funcionais (afinal, a professore pediu 80 bibliografias).
Claro, claro: não pode ser a única referência de um universitário, evidentemente. É que no texto fica a impressão de que é uma obra ruim, menor.
Ensino numa escola publica e meu maior problema é a evasão, minhas aulas são vista por uma média de vinte alunos, mesmo com bolsa escola, merenda e uma infinidade de geringonças, tais como, retroprojetores, videos, aulas extra-classe e gincanas, os veiculos (sites e revistas) que leio sobre educação, continuam a culpa o docente.
Com este texto que vc publico, é uma prova que a culpa não é do professor e sim do aluno, que mesmo numa instituição particular não vê necessidade de ler e apromira-se.
No meu caso a coisa não passa só no cunho de vontade de aluno, rola uma coisa de situação social, referência e influência do meio, mas deixei de acreditar na educação, por diversos fatores, no caso do índio queimado, eles tinha educação, mas faltava a instrução da educação básica, o lance de forma cidadão?
Provavelmente não, o ser humano é ruim. E isso é suficiente para não me assustar com coisas deste meio.
Ah, Lígia, desculpa por escrever tanto.
Abraço!
Acho que não é pq um indivíduo não lê livros, ou não têm costume de ler, que ele passa a ser um “projeto de cidadão” como vc disse. Existem N meios de disseminar a cultura, como teatro, Tv, cinema, jornal, enfim…todos esses meios são tão importantes quanto ler um livro. Ninguém condena as pessoas que não vão ao teatro, ou que não gostam de ir ao cinema, então pq condenar se elas não lêem livro? A cultura e o conhecimento estão espalhados nas mais variadas formas, não somente nos livros, embora eu ache muito importante e essencial o costume de ler livros.
Mas parabéns pelo artigo Lígia.
Ou seja, as instituições privadas são preenchidas por aqueles que acham mais fácil pagar para ter um diploma (que não são poucos) e - para aumentar ao que você chama de “parcela previlegiadíssima” de pessoas com acesso ao ensino superior - o governo querem eles lá!!! (A propósito, essa instiuição que você citou, provavelmente onde você estuda, é privada?)
Tamanho amadorismo desse artigo não condiz com a pessoa que você, aparentemente, julga ser.
Concordo com o comentário do Guilherme. Não é porque alguém não lê um livro sequer que vai deixar de ser um “cidadão completo”.
“Desse povo, 96% usam freqüentemente a Internet. Agora já deu para entender porque essa galera gosta de usar aquela língua esquisita para se comunicar nos chats e sites de relacionamento; simplesmente porque desconhecem os rudimentos do português” - Você já leu um livro (irônico, não?) chamado “Preconceito Linguístico” de Carlos Bagno? Só pra fundamentar meu comentário, vou resumir pra você: a língua portuguesa tem sim muitas regras, mas antes de ser suscetível a qualquer regra, ela é uma língua, que primordialmente é utilizada para comunicar. Se alguém é desprovido de cultura (restrita, nesse caso para conhecedores dos “rudimentos da língua portuguesa”), mas sabe utilizar a língua portuguesa para expressar alguma idéia - nem q seja p/ mandar um bjo pra qlquer pessoa - não podem ser subjugados apenas por não conhecerem as regras. Se ele conhece as regras ou não, não importa. O que importa é se ele sabe expressar: inerente a qualquer ser humano.
Esse papo de “línguas esquisitas da internet” é de gente velha (no sentido mais subjetivo da palavra), que não consegue acompanhar a evolução inevitável do mundo. É de pessoas assim que o DESIGN - enquanto arte dinâmica, evolutiva, moderna e criadora de tendências - não precisa.
Se eu quiser saber algo sobre Identidade Corporativa, já tenho certeza que o seu livro é que não vou ler. Pra quem escreve um artigo “furado” desses, não pode-se esperar algum aprendizado com um livro escrito pela mesma pessoa.
Que bom que vocês estão comentando!
Apesar de todas as formas de comunicação que temos disponíveis hoje, ainda penso que o livro é fundamental para que um cidadão tnha condições de formar uma opinião minimamente estruturada a respeito das coisas do mundo. Analfabetos também são cidadãos, eu concordo, só que muito mais sujeitos a servirem como massa de manobra e prejudicar a eles e à sociedade toda com votos equivocados por pura desinformação.
Concordo que ler não garante educação (apenas cultura) a ninguém, também conheço parvos cheios de diplomas e bibliotecas completas. Mas nunca conheci um só profissional (ou cidadão) brilhante que fosse, e que não tivesse o hábito de ler.
De qualquer maneira, é só uma opinião de alguém que já está com 41 anos (sou, portanto, de outra geração - meus primeiros programas de computador foram escritos em código hexadecimal!). Pode ser que eu mude de idéia, mas não encontrei ainda argumentos que me convencessem…
Também acho que pai e mãe fazem muito mais diferença que a escola (só que as pessoas estão tendo filhos sem condições de educá-los - educar não é só pagar escola).
Esta é uma preocupação que também tenho. Acho um absurdo chegar na faculdade federal, com um vestibular concorrido, e encontrar colegas escrevendo absurdamente errado (como que passaram na prova de redação?) e falando errado, cheios de gerundismos e neologismos (não que os neologismos sejam total - e sempre - errados).
Assumo: muitas vezes tenho vergonha. Não por mim, mas pela pessoa. Por favor, né? Cultura é afrodisíaco. A pessoa se sente melhor consigo mesma (eu, pelo menos, penso assim) quando consegue diferenciar alhos de bugalhos, quando tem o mínimo de bagagem pra ter uma conversa civilizada em qualquer lugar, ou qualquer pessoa que seja. Mas não é a cultura só pela quantidade, por dizer que sabe ou que leu, é pela qualidade, e pelo interesse, principalmente. É ler um bom livro pq aquilo lhe dá prazer, ou se interessar de saber das coisas, só por saber mesmo, por conhecer, por “aprender” mais, mesmo que seja um pouco cultura inútil, quem sabe um dia não vai servir?
Nesse final de semestre eu tive que escrever um ensaio pra disciplina história da arte, com máximo de 7 páginas, e, graças à farta biografia que achei, virou um artigo e ficou com 27 páginas. Escrevi por prazer, não pq precisava de nota na matéria, aprendi muito pq li bastante a respeito (me interessei pelo tema, que, por sinal, eu que escolhi) e, de presente, além de um 10 na nota, o professor ainda se comprometeu a publicar meu texto. Acho que só mais 1 outro aluno de minha turma fez um texto do nível do meu. A maioria parou nas 5 páginas, e ainda assim “enchendo lingüiça”. As pessoas esquecem que estamos numa faculdade pra aprender, e não pra passar.
Eu apenas expressei uma opinião e realmente acredito nela. O Google realmente nos fornece muita informação, mas para aprofundar o conhecimento, é preciso de livros sim. Ou a Amazon estaria numa canoa furada? Livros, sejam virtuais ou não, serão sempre livros, não importa a mídia, não interessa se eles estão ou não num pen-drive. O importante é que alguém os leia, é disso que estou falando!
Mas os alunos em questão, aos quais me referi, simplesmente não sabem estruturar uma linha de raciocínio que possa ser traduzida na nossa língua. Duvido que freqüentem teatro, cinema, leiam jornais ou tenham lido algum livro na net. Não é por que a maior biblioteca do mundo está disponível que as pessoas vão lá pegar os livros.
Sobre o livro citado “Preconceito lingüístico” eu, por acaso, veja só, já li sim. O autor mostra um ponto de vista interessante, mas por acaso há outros com os quais me identifiquei mais (isso é que torna legal o ato de ler - você conhecer pontos de vista diferentes - para citar apenas um dos muitos, Dietrich Schwanitz escreve que mais do que a fala, a escrita é a chave para o domínio de uma língua. Falando, a gente pode descrever coisas e pessoas, mas não dá para abstrair muito, o esforço para acompanhar o desenrolar da argumentação é muito grande. Por meio da escrita, é possível libertar a linguagem da situação concreta (fatos) e torná-la independente do contexto (idéias). Quando a gente fala, a emoção predomina sobre a objetividade; quando escreve ou lê, desenvolve muito mais a capacidade de abstração.)
É óbvio que o mundo tem espaço para todo mundo (para quem gosta ou não de ler). Apenas defendo que a parcela privilegiada que tem acesso à universidade deveria apresentar um pouco mais de domínio sobre a língua, deveria ser capaz de se expressar com mais clareza. Se não for assim, o que esperar dos que não tiveram acesso? Como posso recomendar profissionais que não conseguem se expressar e nem se comunicar com seus clientes?
Excelente artigo, parabéns!
Muito bom texto, Lígia!
Puxa, só tenho a lamentar se você desprezou um texto inteiro e selecionou somente duas palavras para concentrar todas as suas opiniões… Já expliquei em comentários anteriores o que eu quis dizer com a expressão “projeto de cidadão”.
Uma das coisas mais legais da prática da leitura é que a gente aprende a pegar a idéia geral, em vez de levar tudo ao pé da letra. A leitura do livro aqui, representa muito mais do que apenas pegar um volume e decifrar as suas palavras, ter ou não o hábito de freqüentar livrarias. O exemplo dado foi uma alegoria, sobre hábitos, prioridades e formação das pessoas que acabam decidindo o futuro do nosso país.
Ontem eu li uma frase que cabe bem aqui: “eu sou responsável pelo que escrevo, mas você é responsável pelo que você lê”…
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E humildade também.
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Não concordo com muita coisa e também detesto babação de ovo, mas nem por isso saio distribuindo coices nos comentários. O problema não é O QUE é dito, mas COMO é dito.
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E tenho dito.
Primeira polemica. Chamar de projeto de cidadão um fulano por não ler ou nao ter um livro em casa.
Peguem o geral alí moçada. O cara tá na FACULDADE o famoso ENSINO SUPERIOR gastando a grana do papai pra ganhar um papelzinho escrito uma profissão pomposa q nem garantirá um salário descente, ele terá de ganhar um por suas próprias capacidades e conhecimentos. Não ter um livro em casa não é a doença da situação, mas um forte sintoma de falta de interesse, conhecimento e capacidade de julgamento.
o google é lindo? claro q é, mas não seja estúpido. veja o tamanho da história da humanidade, veja tudo q foi feito, não está tudo no google, não pode estar, e mesmo q esteja a maneira de se experiementar isso é completamentente diferente.
Assita Wall-e q vc pode ter um exemplo (viu, semprecisar ler uma linha pq animação é mais legal dublada mesmo).
Teve gente aí usando a linguistica pra defender o apedeutismo, o famoso “comunicou comunicou”, ou seja, se passou a idéia tá valendo. Concordo, com ressalvas. Tem cara q realmente faz isso, q escreve pra comunicar, q acha q a escrita de outra forma além da formal pode passar a idéi a melhor, eu mesmo escrevi Bromco durante muito tempo (e ainda escrevo) pq acho q o M traz uma idéia de ignorância muito massa.
Mas esse tipo de coisa, brincar com a linguá, é uma coisa q se conquista, não é assim sair por aí fazendo suas corruptelas pelo msn, é preciso ter Licença Poética tirada apenas junto a Academia Brasileira de Letras ( por acaso vcs pensavam q este orgão não servia pra nada?). Então consigam suas licenças poéticas e depois conversamos.
Voltando.
Aqui não é velha guarda da era analógica, é um cara q está montando um e-commerce e escreve periodicamente num blog, assina uma penca de rss, mantém contato com um bando de gente massa no orkut, etecétera, ou “seje”, q tá afogado na era digital, mas q pagou 10 pilas feliz da vida por um “analista de bagé” num sebo, q é a mais pura finesse de cultura e escrito por um puta intelectual, mas q é mais engraçado que qualquer do Ari Toledo.
Assim espero que as luzes da cultura iluminem a geral, pq tenho medo de mais hora menos hora ser queimado como um mendigo/vizinho homônimo.
Bjs.
É triste alguém q não entende um texto sobre a falta de leitura discurdar dele… mas a ironia é linda.
Amadorismo não está naquela que escreve o artigo, mas naqueles que lêem e não conseguem entender uma única linha, e apenas escrevem uma resposta mal dada, com erros de lógica explícitos, argumentação enfadonha, que se tem que ir pulando as linhas para se conseguir chegar até o final.
E acho que o cúmulo de tudo é tentar colocar os meios de comunicação massivos e pós-massivos como principal fonte de cultura e aprendizado. Devem ser esses que ainda dão crédito à wikipedia e têm orgulho de colocá-la na bibliografia de seus trabalhos de matérias “teóticas chatas”… Deve ser esses também que encontram um site que diz o que é semiótica, e saem em seguida vomitando por aí “signo bla bla bla, signo bla bla bla”. Assim como devem ser esses que ainda procuram ver qual é o design que está na moda pra fazer igual, e também os que apresentam 5 versões de logotipos pro cliente, como também devem ser esses que fazem um curso de photoshop e um de illustrator e já se acham designers profissionais… Faça me o favor! É pura falta de responsabilidade estar no ensino superior e não se dedicar de corpo e alma a evoluir intelectualmente e estar apto a fazer melhor do que os que vieram antes de você! Imaturidade pura! Como disse a Lígia, estar cursando uma faculdade é privilégio, e disperdiçar essa chance com festas do CA, ou com trabalhos teóricos mal feitos, porque afinal o mercado não quer saber se você sabe historia da arte ou não, é de uma idiotice incabível para uma única pessoa! Esses anos que se passa na universidade será o tem po que lhes cabe para se formar um profissional completo, apto para sozinho exercer sua função, e não prorrogar para depois, e continuar fazendo trabalhos nas coxas porque o cliente é chato, porque o cliente num sabe nada, porque o cliente “bla bla bla signo”!
Há algum tempo conversando com um amigo mais velho (tenho 21 anos) ele me disse que percebeu que a nova geração está demorando mais tempo a amadurecer. O que antes caía a ficha da importância logo aos 19 anos agora acontece apenas aos 24, 25 anos, como lamentações infindáveis do tempo perdido e da oportunidade jogada fora… Essa história de cultura internet e cultura televisão é preguiça mental de pensar e de sentar a bunda e abrir um livro sem figuras pra ler. Mesmo que nã seja teórico, que seja literatura (aposto que o grande romance desses caras ou é Harry Potter ou Senhor dos Anéis… bom, ser for, menos mal, porque pelomenos conseguiram ler um livro com mais de 100 páginas…)…
Já escrevi demais…e espero que não tenha ofendido ninguém…
As novas tecnologias nivelaram por baixo o conhecimento porque conseguiram ajudar na preguiça. É mais cômodo. Parecem ovelhas arrebatadas, cegas pelo deslumbre dos milhares de bytes ao seu alcance.
Vivo no PC… fico muito na internet mas não consigo comparar o que aprendi lá (que é muito superficial) do que com um livro. Mas eu nem espero que isso seja entendido… a preguiça de fazer igual para experimentar e depois comentar…. ixe… isso demora…
Li ali atrás sobre a forma da escrita. Oremos para que o que o cara escreveu…”evolução da escrita” nunca se torne real. A falta de qualidade no ensino gerou algo que hj é visto naturalmente pelo mais novos como intenetês. Ridículo. Mas o futuro vem pra todos. Vamos ver se quando houver (se houver) mais maturidade e a grana aperte por falta de um emprego descente… a lembrança da falta de aprimoramento não venha na cabeça.
E de onde será que esse povo acha que tem muita gente na Faculdade? Para cada 1 outros 1000 não entram. Mesmo com esse monte de curso meia boca por aí…
Realidade de um não é a de todos…
Ótimo texto Lígia!
Tenho amigos que me sombaram alegando que eu era um idiota por gastar 400 em um colégio particular, parece que a cultura de ler e correr atrás é visto com olhos negros, nas escolas os garotos LEGAIS, são aqueles que normalmente tiram nota baixa, o “cool” da coisa e tirar 0,5 na prova, isso e transmitido como algo bom, e aquele que tira 10 é um CDF retardado, ai chega na facudade todo mundo percebe que o mundo mudou e que o buraco é mais fundo do que parece, mais ainda tem aqueles que preverem ficar no buraco mais que pelo menos ganha um certificado, e olha ele é esperto por que foi o amigo dele que fez o TCC.
Sinceramente não adianta mais ficar apontado as indiguinações ao ensino, o caso mesmo e resgatar o maximo de pessoas do buraco e mostrar que sem luta não á bariga cheia.
E também venhamos e convenhamos, sem pessoas ruins não saberiamos o que seria pessoas boas, sem pessoas burras não saberiamos o que seriam pessoas inteligêntes.
Já tinha lido o seu comentário sim, mas, diante de tanta fúria e tantas certezas, fiquei em dúvida se valeria a pena discutir com alguém que conhece meu trabalho tão profundamente lendo apenas uma coluna. De qualquer maneira, se você faz questão…
Achei seus pontos de vista interessantes, porém, creio que antes de formar uma opinião sobre a má qualidade e mediocridade das minhas aulas, seria útil perguntar aos meus alunos o que eles acham, concorda? Ou pelo menos assistir a uma aula (não que eu tenha algo a ensinar a você, seria só para formar uma opinião). Posso dar nomes e endereços de pessoas a quem você pode perguntar, se acha que vale a pena o trabalho…
Também não entendi o que você quis dizer com falta de ética e profissionalismo… não citei nomes, nem a turma, nem a escola. Apenas usei um caso real para expressar uma opinião. Sinceramente, me desculpe, mas não consigo ver onde está o problema. Quem sabe se você me ajudar, eu consigo perceber onde está o furo.
É claro que conheço os portais que você mencionou, mas os alunos aos quais me refiro, nunca ouviram falar, e não é por falta de sugestões minhas. Publico todas as minhas aulas no meu site antes de começar o curso e lá estão disponíveis todos os links e referências bibliográficas - boa parte nem olha. Aliás, conheço os meus alunos e sei que pobreza financeira não é o caso deste que serviu como exemplo, por isso tive tranqüilidade para fazer os comentários que fiz.
Pois é, e se você tem uma opinião forte e consegue estruturar tão bem o que diz, certamente é porque sua cultura não vem do Google (afinal, pelo menos “O alienista” do genial Machado de Assis você leu).
Como eu disse antes, Thayla, seus comentários são muito bem vindos. Só gostaria que você colhesse os dados com mais rigor antes de formar uma opinião. Estou à sua disposição.
Lembrei de dizer que talvez minhas aulas não sejam tão ruins, já que fui escolhida como nome de turma dos formandos do primeiro semestre, mesmo sendo apenas uma professora convidada (não faço parte do quadro). E tenho certeza de que eles não fizeram isso porque sou boazinha…
só uma pergunta a Ligia: o trabalho pedido por vc aos alunos, era uma ilustração de capa de um livro??? deveriam levar em consideração o texto em questão??? ou era apenas pra encapar mesmo???
Que bom que você pegou a idéia, era isso mesmo!
Sobre o trabalho, era para fazer o projeto gráfico da capa de um livro. A conceituação do projeto gráfico com as respectivas justificativas de escolha de cores, formas, alinhamentos e fontes tipográficas deveria vir em forma de texto na quarta capa. A idéia era que o aluno conseguisse estruturar uma linha de argumentação para convencer o cliente que aquelas não eram escolhas aleatórias, mas tinham um embasamento técnico consistente.
Todos conheciam o conteúdo do livro, que, apesar de fictício, era o mesmo do título da disciplina “Introdução à biônica” (os autores eram eles mesmos). Era também uma forma de avaliar se eles tinham entendido o que havia sido apresentado como conteúdo durante todo o curso, pois temas como proporção áurea, espirais logarítimicas, fractais e outros assuntos relacionados deveriam ser considerados no projeto.
Para fazer o projeto, o aluno deveria ir a livrarias para fazer o estudo preliminar de outros materiais voltados ao público que ele escolheu, bem como identificar os elementos gráficos que deveriam constar em uma capa: código de barras, logo da editora, etc.
Pedi para que eles imprimissem o projeto da maneira mais realista possível (houve quem aplicou contact para simular aplicação de verniz e coisas assim, outros usaram facas especiais) para que se pudesse ter uma idéia de como ficaria.
Por incrível que pareça, muitos esqueceram de colocar o nome do autor na capa e na lombada (não fizeram a lição de casa…) e apresentaram o texto (cheio de erros) com o kerning completamente desajustado. Alguns projetos ficaram muito legais, mas, se eu tivesse uma editora, ficaria preocupada em contratar alguns desses futuros designers para um projeto assim..
não vou negar q eu já tenha feito trabalhos da faculdade de qualquer maneira…(não curto muito hipocrisia) mas nunca fugia do fato de que minha falta de empenho me caracterizava como uma futura profissional limitada, o q é ruim pra nossa profissão… hj sinto falta de ter me dedicado mais durante a faculdade…
hj o q muda tdo isso pra mim é encarar esta realidade e ir atras do prejuizo…
não aceitar certas verdades só nos faz crescer menos do q realmente temos capacidade…
diria uma coisinha, não desista de tal aluno…. no fundo talves não seja o memonto dele… e mesmo q nunca chegue o momento dele, acredite na sua forma de ensinar.. muitas pessoas ainda clarearão a mente por conta disso….
Não desisto nem de alunos, nem de leitores…eheheh…
agora estou correndo pra sair, mas mais tarde volto pra contribuir com mais umas brasinhas nessa fogueira saudável do debate. mesmo quando há momentos de ataques pessoais e fugas do assunto e mal-entendidos…
Sou seu aluno, e já que você tocou no assunto sobre suas aulas, gostaria de colocar algumas observações que em aula achei melhor não divulgar.
Principalmente quando alunos estão apresentando trabalhos, percebo uma necessidade da sua parte em diminuir a moral dos seus apresentadores perante a turma, não é o que se fala a respeito da apresentação ou produto do colega, mas sim o modo como isso é colocado, em algumas apresentações alguns alunos já chegaram a chorar.
Lembrando também que apesar de você não ter mencionado nomes referenênte ao seu artigo, a turma sabe quem é esse aluno , e sua imágem não ficará muito boa depois desse bafafá todo.Ligia eu votei em você como melhor professora, pois no dia em que houve a votação tamém era dia de apresentação de trabalho, e eu nunca te vi tão “macia”, cheguei até a comentar com alguns colegas que você seria escolhida´.
Professora, gosto muito de sua aula, mas acho que quando se trata de avaliar alguém deve se tomar muito cuidado com as palavras e o modo como as emprega, principalmente quando se trata de ESTUDANTES.
concordo com a Thayla, e tabém acho que você não precisa tentar mudar o mundo.
Geramente quando há alguma apresentação o comentário é sempre o mesmo, (A SUA FALTA DE CUDADO COM AS PALAVRAS E O EMPREGO DELAS ).
Preferi utilizar um pseodônimo para não me prejudicar (desculp a minha falta de culura, mas tive que me expressar)
obrigado.
Embora não haja leis que obriguem as pessoas a fazer o ensino superior, muitas só fazem por imposição social, vaidade, para viver em um grupo social(não de ganhar dinheiro mas o que se gabam por ter ensino superior)
A realidade é uma só:
É possivel aprender sem uma faculdade(Sim)
É possivel não aprender nada em uma faculdade(Sim)
Um profissional que conta apenas com uma bagagem de photoshop e illustrator nunca vai ser um design, vai faltar uma bagagem cultural, lembrando que design não é arte é cultura, afinal a comunicação muda de cultura para cultura.
esse povo sempre distorce o conceito primario dos artigos..
parece politico !
tirar a atenção do centro do problema e procurar acobertar com porcaria !
pq ninguem entende o contexto? affff
Primeiramente, queria deixar claro que em nenhum momento meu objetivo é humilhar os alunos. Tento tomar o máximo de cuidado com as palavras que uso, sempre peço desculpas pelo tom, mas realmente me sinto na obrigação de dar um feedback sério. É que as pessoas não estão acostumadas com nada que não seja elogio (muitos deles falsos, pois é só a pessoa virar as costas para logo rirem do trabalho dela). Eu tento ser autêntica e realmente contribuir com a formação dos meus alunos - se há críticas, fiquem completamente à vontade para fazê-las sem a necessidade de usar pseudônimos. Ao contrário da maioria, estou bem acostumada a ouvir mais críticas do que elogios e presto bem atenção nelas para tentar analisar as minhas posturas.
Vejo muitos professores que distribuem nota 10 sem nenhum critério. Não consigo fazer isso, pois além de não achar justo com quem realmente merece, ainda contribuo para colocar no mercado de trabalho alguém que não está preparado.
Sobre ser nome de turma, queria dizer que isso não acrescenta nada ao meu currículo. Fico muito honrada com o reconhecimento e encaro isso como uma indicação que estou indo pelo rumo certo. Mas jamais mudaria a minha atitude para ganhar votos (que coisa mais absurda… Então os alunos votariam no professor mais bonzinho que está dando aula no dia da votação? Que viagem…).
Não pretendo ser unanimidade e sei que há vários alunos com restrição ao meu trabalho. Por coincidência, muitas vezes também tenho restrições aos trabalhos deles… isso não nos impede de viver em harmonia, um aprendendo com os pontos de vista dos outros.
Aderbal, seja lá quem você for, fique à vontade para me procurar e conversar.
Minhas avaliações sempre são sobre os trabalhos e justifico bem cada ponto para que a pessoa possa entender de onde saiu aquela nota.
Assim, não faz o menor sentido esse seu temor. De qualquer maneira, se quiser torcar e-mails mesmo sob pseundônimo, estou à disposição (ligia@ligiafascioni.com.br).