O que faz de um designer um designer

Karim Rashid

Há alguns meses tive o imenso prazer de assistir a uma palestra do André Villas-Boas, um jornalista que virou designer, e dos bons. O André já publicou alguns livros, entre os quais o antológico “O que é e o que nunca foi design gráfico. Vou tentar compartilhar um pouquinho o que aprendi com ele nesse encontro.

O título da palestra era “Delimitação disciplinar”, que, segundo o autor , é um tema essencial para que a gente possa entender o que é que faz um designer ser reconhecido como tal.

Primeiro veio a definição de disciplina: é o ramo de conhecimento com o qual uma profissão se ocupa. E essa disciplina é reconhecida pela sociedade por 4 aspectos:

  1. O objeto: Um médico, por exemplo, se ocupa de tratar da saúde de uma pessoa sob o enfoque da doença, e todo mundo sabe disso. A doença é o objeto da medicina. A construção de edifícios é o objeto da engenharia civil. O projeto de produtos gráficos e tridimensionais é o objeto do designer, mas muitas pessoas não sabem disso, confundindo as áreas de atuação.
  2. O léxico, ou a terminologia: é a linguagem que o profissional usa para tratar do objeto de seu trabalho. Fonoaudiólogos têm um palavreado todo próprio, adequado para explicar as especificidades da profissão. Jornalistas, publicitários, advogados, engenheiros, idem. Os designers teimam em não usar o seu (ele citou como exemplo a famigerada logomarca, criada e usada no meio publicitário, mas que acaba sendo usada também por designers, mesmo não se sustentado tecnicamente. Designers deveriam usar as várias denominações corretas que estão à sua disposição: marca gráfica, identidade visual, etc).
  3. A metodologia: São as etapas, as técnicas, os métodos e os procedimentos próprios de cada profissão. Por ter muita gente atuando sem formação específica na área do design, nem sempre o método mais adequado é utilizado, fazendo com que o processo de criação seja muito intuitivo, e, portanto, mais identificado como arte do que como técnica. Esses dias conversei com uma manicure que me explicou que, na sua área, técnica é uma coisa muito séria e cobrada em todas as escolas. Na arquitetura, na odontologia, na fisioterapia também é assim. Por que será que só os designers acham que não precisam?
  4. A tradição fundadora: É a história da profissão, que legitima os modelos utilizados atualmente, pois são referenciados nas experiências passadas. Esses modelos são selecionados por meio de uma construção histórica com o intuito de valorizar e aprimorar o trabalho. Assim, hoje se faz uma cirurgia plástica utilizando técnicas que evoluíram ao longo da história da profissão. No design, já há história suficiente para fundamentar os atuais modelos. Por que os designers não explicam isso aos seus clientes?

Pois é. O André defende que a disciplina tem que ser delimitada justamente para haver autonomia de campo. Eu explico: a disciplina do design deve ser reconhecida socialmente pelas demais. Assim, para um assunto relacionado ao design, sempre se vai consultar um profissional dessa área, e não de outra, como acontece atualmente. Não passa pela cabeça de ninguém entrevistar um publicitário para falar sobre os avanços na pesquisa da AIDS (esse é um campo delimitado da medicina e das profissões do campo da saúde). Mas vira e mexe tem gente dando palpite sobre design sem ter nada a ver com a área.

Pense bem. Quem decide o que é arte? Os profissionais dessa disciplina, desde artistas a críticos especializados, passando por professores e curadores. Quem decide se o projeto de um edifício está bem feito? Os engenheiros e seu Conselho Regional. Já no design, qualquer um sente-se à vontade para alterar completamente um projeto gráfico ou de produto, sem a menor inibição. Isso quando não oferece esse serviço a terceiros, como é muito comum. Já vi vários escritórios de arquitetura oferecendo serviços de identidade visual com a maior desenvoltura.

Finalizando, o designer não é valorizado como profissional porque não se distingüe, não se posiciona, não se diferencia. Não deixa claro o objeto do seu trabalho quando atua em outras áreas (inclusive nas artes) usando o mesmo título profissional. Você já viu sair numa nota de jornal que as jóias da coleção foram criadas pelo médico fulano de tal? É que o cara não usa o seu título de médico para divulgar esse talento paralelo. Pois é, mas você cansa de ler que o cenário da peça de teatro foi criada pelo designer fulano de tal, e criar cenários não são objeto da disciplina design. É assim que a confusão começa. O designer também não usa os termos próprios da sua profissão (muitos nem os conhecem), não deixam claro para seus clientes a técnica projetual utilizada (e os pobres ficam achando que é pura inspiração), não fundamentam a escolha do método no registro histórico.

Não me admira que qualquer um se ache designer! Não me admira que não se consiga identificar um designer no meio de uma multidão. Aliás, está cheio de designer que nunca ouviu falar no André Villas-Boas e não tem sequer um livro de referência na estante. E não estou falando de micreiros não, estou falando daqueles com diploma mesmo!

Profissionalismo é a palavra-chave para qualquer um que queira ser respeitado na área em que escolheu para ganhar a vida. E isso implica fazer a lição de casa. Não é isso, André?

Lígia Fascioni |www.ligiafascioni.com.br

  • http://design.com.br/comunidade/fernando-galdino/ Fernando Galdino

    É disso aí que trata o Tcc do famoso Cuducos, Eduardo Gonçalves (2005) que foi tema de um dos meus primeiros posts aqui.

    Hj ele toca além de um blog pessoal o Cultura em processo que é tapa na cara da galera

    http://www.meiaduzia.com.br/culturaemprocesso/

    Num post:

    “design is when designers design a design to produce a design”
    John Heskett

    haha, coisa linda.

    Ele é de floripa, deviam tomar uma birita juntos (chama o André que pelo q sei eles são broders)

  • http://www.flickr.com/xgordinhox Matheus Dias

    Lígia, eu concordei com tudo o que você escreveu, desde as citações referentes à palestra do Villas-Boas até as opiniões pessoais ( profissionais?) sobre todos os problemas referentes à quem exerce o design. Porém no final do texto apareceu algo que me incomodou um pouco, como assim desenvolver cenários não é função do designer? Não é função do designer gráfico – minha profissão inclusive – mas sim do designer de interiores. Uma coisa que sempre acontece é de rebaixarem o pobre designer de interiores ao rótulo de decorador, mas a realidade não é essa, pois além de levar em conta o aspecto estético do ambiente como o decorador faz, o designer também leva em conta a funcionalidade do local.

    Enfim, quando as críticas são ferrenhas demais temos que tomar cuidado com o que falamos, pequenas observações que seriam apenas fatos expostos de forma incisiva acabam virando agressão para alguns leitores.

    No mais belo texto, realmente hoje em dia a disciplina anda esquecida…

  • Cleber

    olá Ligia,
    Como vc falou, O objeto de trabalho de um Médico é de solucionar problemas referentes a nossa Saúde, e por isso o procuramos.
    Muitas vezes em se falando de Design Gráfico, muitos não procuram os designers, mais sim os Publicitários.
    Será que um publicitário, não conseguirá atender a espectativa do cliente?:
    sendo este publicitário um especialista em Mídia Impressa, e design gráfico, sem formação em Design?
    Pois existem muitas pessoas que não são formadas nem em Design e nem em Publicidade, que fazem excelentes trabalhos,melhores que os formados.

    Mas um médico não pode dizer que não é formado em medicina, se não nunca terá pacientes. Por que supomos que tem uma graduação!

    Mas ninguém costuma perguntar para um designer se ele tem uma formação, se tem é apenas uma coisa a+.

    por que essa diferença!

  • http://design.com.br/comunidade/lgia-fascioni/ Lígia Fascioni

    Oi, Matheus!

    É mesmo, você tem toda razão no caso dos cenários. Acabei reproduzindo o exemplo que o André deu na palestra sem meditar suficientemente a respeito. Sempre achei que quem fazia cenários era o cenógrafo, que havia uma formação específica para isso, e que era relacionada à arquitetura. Ignorância minha mesmo, agora que você falou, parece ter tudo a ver com design de interiores (talvez fosse interessante um designer de interiores se manifestar e esclarecer tudo). Pois é, mais uma prova de que as disciplinas devem ser mais divulgadas…

    Sobre as críticas, é como andar num fio de navalha. Tem coisas que a gente jamais vai imaginar que poderia ofender alguém, e ofende. Mas se a pessoa ficar pisando muito em ovos, acaba não criticando nada (o que é sempre mais seguro e confortável, só que não faz as coisas andarem). É difícil mesmo, mas levando uns tapas aqui e ali acabo pegando o jeito…eheheh

  • http://design.com.br/comunidade/fernando-galdino/ Fernando Galdino

    publicamos para não ficarmos eternamente revisando nossos textos.

    (frase de algum cara bom que me escapa o nome agora)

    Não sei dizer se é trabalho ou não de um designer de interiores, de um cenógrafo, ou de um padeiro que a 30 anos atua em teatro amador e sempre faz os cenários… e acho q ninguém vai morrer disso.

    :)

  • BrnLng

    Pois é, Lígia! Não tirando o mérito do ótimo texto, acredito ser mto dificil essa definição do objeto/campo do design, como ficou explicitado, em parte, no caso de Interiores acima. E se design de interiores, gráfico, produto e interação tem algo em comum, o que é esse “algo?” Parece ser bem díficil d definir…

    Mas já acho q começaria bem se os classificados procurando por “designers” realmente procurassem por serviços d design (mesmo que eventuais), e não por operadores de corel draw, auto cad, 3d studio, ou estamparia (apenas arte-finalizando projetos já prontos). Já seria um bom começo. (Principalmente tb se n fosse carga horária de 44 horas semanais por R$600,00.)

  • BrnLng

    (esqueci d acrescentar: e 2 anos de experiência! huauhah)

    ah, só pra esclarecer: o design de interiores foi o primeiro campo do design que nasceu da arquitetura! nunca entendi pq ele é tão menosprezado… coitado. : ]

  • Rafael

    Pois então… dentro da própria faculdade rola essas dúvidas, mas afinal o que é o Design? Eu até hoje não vejo definido na minha cabeça todas as áreas que tem “Design” no nome, e se tem design, por que tem? Acredito que a palavra Design integre a esses nomes a atividade de resolver problemas, agregando um significado, um valor, otimizando certas coisas. Na faculdade já tive professor numa aula de Design de ambientes comentando sobre os móveis e luminárias e tudo mais, mas ela só falou de arquiteto. E então, o difícil é ver onde as coisas se separam e onde elas se juntam, ou até quando elas são parte de um todo…

  • http://design.com.br/comunidade/fernando-galdino/ Fernando Galdino

    Esse papo de “design nasceu da arquitetura” é um papo bem furado…

    então arquitetura nasceu da engenharia, engenharia nasceu de que? geografia?

    hora dessa escrevo um lance sobre o tema

  • Ruan Lopes

    Meu 1º comentario aqui espero não ofender ninguem !!!

    O Termo design teoricamente e isso :
    O Design e esforço criativo relacionado à configuração, concepção, elaboração e especificação de um artefato. Esse esforço normalmente é orientado por uma intenção ou objetivo, ou para a solução de um problema

    olha a diferenca :

    Engenharia:Ciência técnica e arte das construções civis

    Medicina : é uma das áreas do conhecimento humano ligada à manutenção e restauração da saúde

    O termo abrange muitas coisas e por isso que tem varias areas antigas que acrescentaram design no nome ( Como hair design,cake design,design de animacao,design social,design de interacao)fora varias outras
    Preucupacoes como resolver problemas,fazer projetos,ser criativo e outras coisas que os designer tanto de orgulham de ter,Varias outras profissoes se não todas as outras tambem tem que ter esse tipo de coisas.Pra mim esse sao os motivos que fazer o profissional formado em design acaba num studio finalizando projetos ou mexendo no corel ou simplismente não conseguindo definir o que o faz diferente de um micreiro e assumir uma posicao no mercado

    Para que perguntas como O QUE E DESIGN ? sejam respondidas sem milhoes de pontos de vista..o Termo tem que ser mas bem resolvido e tambem uma mudanca cultural para que entendam as diferencas

    acho que e isso…haha

  • BrnLng

    Fernando, pode até ser papo furado, mas tu tá devendo um artigo. hehehe

    Mantendo minha linha de raciocínio, imagine: A Engenharia e a Arquitetura são profissões antiquíssimas e sempre se misturaram um pouco, tudo dependia do profissional e do projeto. O Design (que pode ser considerado tão antigo quanto) só começou a ser *notado* separadamente destes dois há pouco. O lance de Ergonomia, Militares e blá, blá, é o mais recente, e deriva mais da Engenharia… mas antes disso, já existiam arquitetos que projetavam ambientes completos, incluindo desde veículos, até maçanetas e detalhes de tipografia em manuais. Eu acho meio q absurdo rolar essa raiva de arquitetos, quando a profissão de designer deve esse bocado à tanta gente.

  • Cleber

    Vcs que são bem mais esperiente do que eu, o que seria então o Designer gráfico?

    Se o design é uma profissão, precisa de um profissional, certo?
    e esse profissional seria o designer? certo?

    designer é o que estudou ou o que sabe fazer?

    O pedreiro não estudou, mais sabe fazer! e ai?

    todo designer uma dia foi um micreiro, mais nem todos micreiros viram designers…

    acredito que na faculdade existem pessoas que já estão formando e ainda são micreiros, pois não sabe fazer o que aprendeu!

    me esclareçam por favor…..

  • BrnLng

    Cleber, sua dúvida é a d mtos.

    Explicando e complicando: Micreiro é o cara que faz informática, não design. Veja na wikipédia, por exemplo, a diferença.

    Ah, tá… tem essa zona que os próprios designers fazem chamando os entusiastas (nome bem melhor, Ed) de micreiros. Pouco importa.

    Entusiastas podem (saber) fazer design gráfico. Entusiastas podem construir coisas maravilhosas e sublimes. E isso nem só no Design, como em qq outro campo.

    Um pedreiro pode fazer uma belíssima casa sozinho e sem ajuda. Só acredito q o caso seria a excessão q confirma uma regra, mas isso é pessoal e subjetivo até estudo científico em contrário. A única diferença entre uma peça gráfica projetada por um Designer e um Entusiasta é a responsabilidade do contrato (bem lembrado tb, Sr.Sturges).

    Dúvida respondida?

  • http://www.paulooliveira.wordpress.com LDDA Paulo Oliveira

    Bom voltando ao pega lá de cima (cenografia).

    Sim, Designer de Interiores pode e deve fazer cenografia sim. Porém esta área faz parte de um grupo de atividades voltadas à espetáculos e eventos.
    Para atuação neste ramo, faz-se necessário que o Designer (ou arquiteto, ou engenheiro, ou padeiro, ou costureira, ou babá…) tirem a DRT, que é uma “autorização” para trabalhar na área.
    Esta diz que a pessoa é capacitada em conhecimentos sobre segurança e vários outras caracteristicas necessárias para tal atuação.

    E BR, eu já postei um artigo aqui e em meu blog falando sobre as relações design x arquitetura x engenharia x física… resta eu conseguir localiza-lo rsrsrrs

    Sei que incomodou muuuuuuuita gente pra variar rsrsrrs
    Mas é a mais pura verdade.

  • http://www.paulooliveira.wordpress.com LDDA Paulo Oliveira

    só para refrescar a memória de quem leu, é um que digo que
    Deus não é nem nunca foi o primeiro arquiteto do universo, isso é balela de quem gosta e tem necessidade de endeusar sua profissão.
    Ele é sim o primeiro grande físico do universo pois a sua primeira ação foi:
    FIAT LUX!

    Isso nao quer dizer: levante-se esta parede, ou plante-se essa vegetação ali ou qualquer coisa, mas sim, FAÇA-SE A LUZ!

    E arquiteto não faz luz, ele pode sim trabalhar com a luz.
    Quem a faz é o físico.

  • Cleber

    +OU – BrnLng
    Sou estudadante de Publicidade, mais indentico muito com a área de design gráfico.
    Faço publicidade, não por queria fazer publicidade, mais sim pelo reconhecimento que o publicitário tem em relação ao designer (o que é verdade, e vejo muito isso por aqui). e tbm pela falta de Cursos Superiores de design da minha cidade.

    Bom eu como publicitário, o que me impediria de exercer a função de designer?
    Mesmo com estudos extra-curriculares e pós-graduação em design?

  • http://design.com.br/comunidade/lgia-fascioni/ Lígia Fascioni

    Nossa, como a gente aprende com esses comentários!
    Para mim, o BRNLNG (argh, que coisa difícl! Vai uma vogalzinha aí?)
    resume tudo muito bem: “A única diferença entre uma peça gráfica projetada por um Designer e um Entusiasta é a responsabilidade do contrato”. Ou seja, a atitude profissional.
    Precisa mais?

  • http://www.paulooliveira.wordpress.com LDDA Paulo Oliveira

    Pois é…
    eu tbm sempre me enrolo quando vou escrever a ele Ligia, por isso mesmo só coloco BR, pra facilitar ahahahahahaha
    Sobre o que o Cleber colocou em seú comentário, há que se fazer um comentário muito sério.
    Especializações….
    Aqui no Brasil há uma séria deturpação sobre as finalidades das especializações. As pessoas as fazem com uma intenção quando na verdade esta intenção já começa errada, isso pode ser até mesmo por causa das IES que já projetam errados os cursos.
    As especializações existem para tornar conhecido à leigos (ou aqueles que pouco conhecem sobre a área) os elementos, características e faces de um determinado assunto, ou área.
    No entanto, uma especialização (especialmente em áreas técnicas) JAMAIS deve servir de base para que alguém venha a utilizar isso como “nova denominação de competância profissional”.
    Logo, um arquiteto que faz especialização em Design de Interiores, jamais poderá chamar para si o título de designer de interiores pois ele não o é. Apenas fez uma especialização.
    Um publicitário que faz uma em Gráfico, jamais será um Designer Gráfico.
    Isso soa estranho mas é a mais pura verdade. Somente pode-se começar a chamar para si um determinado “título” de outra área após o mestrado.
    É aquela coisa: uma especialização em Filosofia não forma um professor em Filosofia. Apenas aumenta o conhecimento do fulano sobre a área, mas JAMAIS o tornará um filósofo ao ponto de levar tranquilamente uma aula de filosofia como realmente deve ser.
    Vi dias atras (na verdade por uns 3 sábados consecutivos) uma turma de especialização em Design de Interiores. As aulas começavam às 8 da manhã e, por volta das 3 da tarde os professores já liberavam as turmas. Por mais que ali dentro houvessem arquitetos e outros que já tem conhecimentos “semelhantes” aos do Design, certamente esta especialização não formará designers..
    Já tenho um artigo quase finalizado sobre isso. Em breve postarei.
    E sei que, assim como o Ed Sturges, sou tido como o “tio chato e turrão”, porém fazer o que se nao tenho medo de meter o dedo na ferida, doa a quem doer?
    Gostem ou não, é a verdade.

  • BrnLng

    Cleber, veja a pergunta ao contrário: Eu, apenas com formação como designer, posso atuar como publicitário?

    Posso. Se eu tiver um ‘portfolio’ adequado, acredito que os contratantes não seriam contra minha falta de formação na área. Ou seriam? Nesse caso não sei… mas não há nada para impedir isso, já que ambas áreas não são regulamentadas profissionalmente, até onde eu saiba.

    A resposta inversa seria a mesma.

    O que pega depois é a falta de conhecimento específico para interagir dentro desta nova área. Nada que um tempo de experiência não resolva, afinal ambas áreas tb tem algumas coisas em comum.

    Ligia, Paulo, chamem-me como quiserem! Vogais só quando extremamente necessárias! heheh

    Lembro desse teu artigo, Paulo—aliás, mto bom. Tb sou contra essa estupidez de “Deus = Arquiteto”, ridícula. Nem físico acho q presta, e sim, místico, mas isso deixa pra lá… ; ]

    E a idéia da responsabilidade o Ed Sturges descreveu mto bem no último artigo http://design.com.br/blog/dos-deveres/

    O problema é q é mais fácil falar q fazer… tenho minha culpa no cartório nisso tb.

    Uma coisa é certa: Definições mais claras e objetivas do q é Design, Técnico em design, áreas de atuação, etc, ligadas à área são sempre mto bem-vindas. O problema é q há mtas delas.

  • Cleber

    Agora está um pouco mais claro para mim.
    haja visto que CADA UM, tem as suas conclusões e as defedem com unhas e dentes!

    Leio muito sobre Design, e procuro me interar do que está rolando nesse universo tão complexo.
    e isso tem feito com que os meus trabalhos saiam com mais Qualidade e
    profissionalismo.

    Tenho um amigo que estudava Design e ele conseguiu tirar 3 pessoas da sua turma ( é serio, ele conseguiu mesmo) com a seguinte Ideia: PRA Que ESTUDADAR DESIGN, se a Faculdade não ensina FAZER, Mais sim A OLhar as coisas de modo Diferente!

    ??????
    isso existe realmente?

  • http://design.com.br/comunidade/lgia-fascioni/ Lígia Fascioni

    Cleber, se a faculdade realmente conseguisse fazer as pessoas olharem o mundo de um jeito diferente, só por isso já valeria o curso! Desculpe, mas esse seu amigo é meio sem noção: ora, para que viver se a gente vai morrer mesmo?

    Para mim, a função da faculdade não é ensinar a fazer, é ensinar a PENSAR, ensinar a APRENDER. Quando você aprende a aprender o mundo fica pequeno e nada mais é impossível. A pessoa aprende a resolver problemas, não fica mais limitada a receitas e formulários. Pena que ele perdeu essa parte…

  • Cleber

    Realmente ele é meio sem noção, rss, e perdeu a oportunidade.

    Acredito assim tbm. Mais pena que Tantos os Professores quanto alunos
    não estão preocupados em PRODUZIR conhecimentos e sim REPRODUZI-LO.
    è mais ou menos assim: Eu faço de conta que ensino e vc faz de conta que aprende, combinado?!

    É, sei que este assunto da muito pano pra manga!

    Vivendo, discutindo e apredendo

    Cleber Muniz

  • http://design.com.br/comunidade/lgia-fascioni/ Lígia Fascioni

    Oi, Paulo!

    Só uma observação: nem mesmo o mestrado dá o título profissional a alguém – apenas a gradução pode fazer isso. Por esse motivo, sou doutora em gestão do design, mas não sou designer. Assim como um pedagogo ou um jornalista que faz mestrado ou doutorado na engenharia de produção não se torna engenheiro. Ele continua com a titulação da sua formação de origem. A pessoa que é mestre em engenharia não necessariamente é engenheira (o pré-requisito para o registro no CREA é a graduação).

  • http://adrianasayuri.blogspot.com/ Adriana Sayuri

    Olá Ligia! Gostei muito do seu artigo e da repercussão que dele. Achei muito válida e assuntos como esse deveriam ser questionados muito mais vezes, pois não vejo nada sendo feito a respeito ainda…o que me revolta muito. Gostaria de saber a sua opinião sobre uma das consequencias sobre a falta de respeito em relação à nossa profissão que é a de profissionais pouco qualificados e sem formação alguma em design de conseguirem dirigir um estúdio de design. O que fazer a respeito? Ou então daquele pessoal de atendimento que geralmente é formado em publicidade ou administração e ter muito mais importância que o designer que executa os projetos, desconsiderando muitas vezes os conceitos criados pelo designer…e pior: pegando briefing sem um designer presente! Isso deveria acabar, não acha?

  • http://www.ligiafascioni.com.br Ligia Fascioni

    Oi, Adriana! Sobre isso já discutimos bastante aqui. Dá só uma olhada no post “sobre designers e micreiros” e diga o que você concluiu: http://design.com.br/blog/sobre-designers-e-micreiros/

    Abraços!

  • Luiz Chica

    Bom dia!
    Lígia, li e gostei.
    Acho que nós designers, (produto, gráfico e interiores), temos, um pequeno probleminha, que se chama, arquitetos, decoradores, engenheiros que se dizem designers, tem até cabeleireira que diz que faz design de sobrancelhas.
    Todo mundo hoje que fazer ou ser design, não importa se não sabem o que é ou não, não importa se estudaram pra isso, não importa se fazem apenas um cursinho de uma semana ou 4 anos de faculdade (como eu), o que importa hoje em dia é falar sobre design, pois é o assunto da moda.

  • http://makingart-br.blogspot.com Pedro Henrique

    O pior é que é um tipo de ciclo vicioso, primeiramente tem os “contratantes” que quando não são “muquiranas” são desinformados e acabam por escolher um “profissional” que fez um cursinho de corel draw e photoshop com umas pinceladas em DW, e esses bandidos acabam por cobrar preços em seus trabalhos que desvalorizam um centena de profissionais, veja as famosas identidades visuais, uma bem projetada, por uma pessoa mesmo, fica em torno de 1.500 reais, dai vem um… “desculpe o termo de baixo calão” fidirrapariga, de um muleke querer cobrar 15 reais por uma logo…

    triste…realemte triste… se temos uma parcela de culpa nisso tudo ela seria a de não nos posicionarmos e definirmos ” o que seria um padrão de “personalidade” para ser um design”
    com certeza para ser um médico vc precisa aprender sobre anatomia, sistemas, e uma cambada de outras coisas q querendo ou não vc precisa fazer e passar nos testes…!!!
    (de maneira nenhuma eu estou desmerecendo os auto didatas, pelo contrário, acredito q a melhor maneira de aprender e sentando na frente de u computador ou de uma prancheta e ficar la até ter alucinações)…

  • http://www.lxinterativa.com.br Rodrigo Xavier

    Ótimo post e discussão…mas pelo que percebi cada um tem um ponto de vista, a nossa profissão é muito relativa, temos que continuar seguindo em frente e lutando para a melhoria e definição da área e profissional.

    Abraços!

  • Vanessa

    Assunto polêmico mesmo… Um exemplo… Há pessoas que não sabem diferenciar arte de artesanato, pra elas, é tudo a mesma coisa… Vejo desenhos de “retratos” sendo vendidos em feiras que não possuem técnica nenhuma de desenho, são totalmente distorcidos, mas que fazem sucesso pra quem não entende nada! E dizem ser “igualzinho”!
    Isso é péssimo. Trabalho numa agência de propaganda e o cliente sempre quer fazer do jeito que ele julga ser o melhor… então, pra que contratar alguém da área? Ts ts ts…

  • adriana

    adorei saber mais um pouco sobre o design e ser tão bem informada sobre tudo que desejei saber sobre essa profissão tão pouco conhecida no Brasil,obrigada pela oportunidade e de conhecer sobre o que presiso

  • Webster

    Ótimo artigo.

    Quando a Lígia cita que no meio artístico os críticos especializados é que legitimam a produção de obras, lembrei das aulas de sociologia da cultura: autonomização da arte e conceito de “campo” de Bordieu. E tem gente que acha inútil |8-P

    Uma outra batalha diária dos designers que merece ser citada: doutrinar clientes e, freqüentemente, seus próprios superiores – quando são administradores de empresas e entendem lhufas de design, mas acham que sabem. Não se trata de arrogância nossa, mas requer jogo de cintura para passar a mensagem “desculpe, mas tu não sabes direito o que é design, deixa eu te ensinar…” Afinal, quando vou a um pneumologista escuto atentamente o que ele diz ao invés de pensar que domino o assunto porque um dia já tive tosse e tomei xarope.

    Quem tiver umas dicas a respeito poste æ, porque às vezes dá vontade de chutar o balde mesmo.

  • http://design.com.br/comunidade/ricardoalexandre/ Ricardo Martins

    Não precisamos apenas de designers; precisamos de designers que estudem. Muitas das discussões sobre o que é design, o que faz o designer, porque design e design gráfico não são a mesma coisa, enfim, sobre esses conceitos que parecem não existir, já estão estabelecidas e documentadas.

    Alguns designers tem crise existencial por não estudarem direito esse conhecimento que já está disponível. É claro que não está disponível nas faculdades medíocres e nem nos livros de auto-ajuda-designística, feitos pra vender e enganar os desavisados e desesperados por receitas prontas. Estão na teoria, na ciência, e na história, escritas em fontes respeitáveis, e que infelizmente ainda não foram traduzidas para o português.

    Em tempo: a visão de que o design gráfico se ocupa de produtos gráficos é defasada, assim como a visão de que o design de produto se ocupa de “produtos”. Design gráfico lida com mensagens visuais e design de produto já está na era do SSP (sistema-serviço-produto).

  • Gabriele

    Estou pensando em fazer faculdade de design.Que me recomendam?