Formigas renascentistas

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Antonio Saez

Especialização é coisa para formigas”. Estava folheando uma revista em um café quando me deparei com essa bomba. A frase me fez pensar. Como assim? Lembrai, leitores, eu tenho um título de doutorado, strictu sensu. Quer mais especialista que isso? Era uma entrevista com o cartunista Aroeira, que dissertava sobre seus múltiplos talentos (além de excelente chargista, o moço também toca saxofone em uma banda). Já as formigas têm capacidade para aprender e fazer somente uma coisa durante toda a vida, que é carregar comida para dentro do formigueiro. São excelentes no que fazem, porém muito limitadas.

Para ele, o ser humano não precisa ser assim. Tive que ler a entrevista toda para entender o raciocínio, que para mim fez todo o sentido. Olha só: ele não quer dizer que uma pessoa não deva se especializar e todo mundo deva ser generalista (assim, nunca descobrirão a cura para o câncer, entre outras coisas importantíssimas). Especialização é essencial, bitolação é que é o problema! Você pode (e deve) ser especialista em alguma coisa, fazer algo melhor que todo mundo, estudar a fundo algum assunto para fazer o conhecimento andar para frente. No complexo planeta que a gente vive, esse é o único jeito de fazer diferença. O problema é que a história não acaba aí. É que você tem que ser especialista em pelo menos uma coisa, mas também ótimo em várias outras. Muito diferente de não ser excelente em coisa nenhuma.

O Aroeira chamou isso de perfil renascentista (eu adorei a metáfora, não é perfeita?). Só para lembrar: no período do Renascimento, as pessoas militavam em áreas diversas com a maior desenvoltura e sem preconceito. Rabelais, em 1532, coloca a seguinte frase na boca de seu personagem Pantagruel: “Todas as disciplinas são agora ressuscitadas, as línguas estabelecidas (…) Eu vejo que os ladrões de rua, os carrascos, os empregados do estábulo hoje em dia são mais eruditos do que os doutores e pregadores do meu tempo.” É impressão minha ou parece que a gente está andando para trás?

O ícone do Renascimento que resume o espírito da época é Leonardo da Vinci, que, como todos sabem, foi o máximo em tudo o que se meteu a fazer: arquitetou, engenheirou, inventou, esculpiu, pintou, enfim, só faltou mesmo bordar. É claro que o Leonardo é um fenômeno genial, mas a idéia é mostrar que a atuação em várias áreas era corriqueira na vida das pessoas daquela época – elas ainda não sofriam da febre da especialização exclusiva.

Adorei a idéia do Aroeira. Especialização sim, desde que o sujeito não vire formiga. Sejamos todos profissionais renascentistas!

Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br

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36 comentários

  • "putz.. tá salada de frutas mesmo? é… preciso aprender a ser mais claro…" - FUI TÃO CLARO, que você ficou se explicando, tentando ajeitar o foco da discussão! ;) salada de frutas = mistura. Você misturou as coisas! E ninguém aqui concorda que a wikipedia é ruim. Você mesmo deve se pegar usando-a de vez em quando, vai?
  • bom, como eu disse, eu uso a wiki pra datas. Coisas que são impossíveis de errar. Não pra me explicar o que é o renascimento que eu sei que a informação vai ser duvidosa. E na verdade o post seguinte ao seu da salada de fruta eu mandei sem ter lido o que vc tinha escrito. Acho que foi meio que simultaneo. Depois eu vi o da salada de frutas. De qualquer maneira, ainda acho que existe conexão entre os assuntos...
  • Pior do que se preocupar se o indivíduo se transforma ou não em formiga, é saber que em uma famosa "Universidade" do Brasil existe um curso de pós-graduação em DESIGN DE INTERIORES abrindo portas para profissionais de áreas extremamente opostas. Pasmem, tem nutricionista e comunicólogo fazendo o curso, acreditando que vão aprender uma nova profissão em menos tempo e por menos dinheiro.
  • É... esse lance de pessoa "T" é legal, né? Conhecimento horizontal, e também vertical. Bem pensado! Bom... tenho meus problemas com a wikipedia... mas, aí é de cada um! eu pelo menos não confio se não for apenas para ver datas (tipo o dia do nascimento do napoleão e coisas do tipo...). E quanto ao post do Raphael, num sei, mas acho que não é tão dificil assim... Nosso medo vem da quantidade numéria de coisas pra fazer, mas lembra que temos 7 dias por semana para fazer tudo. E cada dia tem 24 horas. Cursos de programas são esporádicos e de curta duração. Cursos de idiomas já são normalmente um tempo de diversão (pra mim sempre foi!). Ler tem bastante tempo (sala de espera, banheiro, busão, farol vermelho, antes de dormir, aula de professor picareta, avião, etc...). exposições já fazem parte das horas de lazer e vida social (ou pelo menos deveriam fazer...). Trabalhos e projetos externos consomem um periodozinho maior, mas também podem estar na vida social (essas férias eu e uns amigos vamos fazer um stop motion just for fun). E ainda sobra bastante tempo pra festa, cervejinha e gargalhadas! Ou estou errado? A vida não é tão dificil assim, não? É não só tranquila, mas gostosa. por isso é uma delicia viver! Espero nunca ter que não fazer nada, porque fazer nada é deixar de viver!
  • Só pra complementar o comentário acima, quando questionei os indivíduos sobre o motivo pela escolha da pós, eles afirmaram que era uma questão de realização pessoal. Eu não entendo como uma pessoa é capaz de se entitular pós-graduado, sem ter feito a graduação naquela área.É totalmente non-sense!
  • Oi, Raquel! Não entendi a sua preocupação com o curso de pós-graduação em design de interiores. Pós-graduação não dá título profissional a ninguém, o próprio nome já está dizendo, é uma pós-graduação. Quem dá o título é a graduação. Eu por mim, ainda farei pós-graduação em moda, filosofia, artes, cinema e mais uma lista enorme, sem, necessariamente, ter a intenção de exercer nenhuma dessas profissões. Por isso, entendo perfeitamente que as pessoas estudem por uma realização pessoal (eu me enquadro perfeitamente nesse perfil). Então só porque uma pessoa se formou em nutrição ela não pode aprender nada de design de interiores? O que ela não pode é exercer a profissão - aprender como forma de realização pessoal, ela não só pode como deve! Eu recomendo sempre as pessoas fazerem cursos assim para aumentar a rede de contatos, para se atualizar, para aprender coisas novas de uma maneira menos superficial. Hoje em dia, os designers sofrem concorrência com qualquer um, seja ou não pós-graduado. Isso acontece porque a profissão não é regulamentada. Vou dar um exemplo da minha área, a engenharia, que já é regulamentada há muitos anos. Você pode fazer quantas pós-graduações quiser em engenharia, inclusive mestrado e doutorado. Mas você só pode se inscrever no CREA e exercer a profissão com o título de engenheiro se tiver feito a graduação e engenharia. E mais, só exerce a profissão quem tem as obrigações em dia com o CREA. Isso já resolve bastante coisa, não há essa neura de concorrência desleal. Por isso, pós-graduação é tudo de ótimo e não ameaça ninguém, a não ser as profissões não regulamentadas. Mas, como eu disse, elas já estão ameaçadas com ou sem as pós-graduações...
  • O problema é justamente pelo fato da não-regulamentação. Tem gente por aí dizendo que é designer e até mesmo arquiteto, sem nunca ter feito uma faculdade. Imagine agora, com essa abertura toda. E sim, elas saem enganando muita gente!
  • Pois é Raquel! Justamente, o problema é a regulamentação. Acho que você está atacando os alvos errados... em vez de lutar contra cursos de pós-graduação, melhor seria batalhar pela regulamentação (se bem que imagino que você já está fazendo isso). Mas sem os cursos de pós-graduação o problema permanece. Então, que venham os cursos e a regulamentação também!
  • Quanto à regulamentação, já estamos tomando providências! Estamos apenas no aguardo, esperançosos! :) Gostei de ouvir uma opinião contrária. Mas cê compreende que nós, designers, ainda somos muito desunidos por conta dos pseudo-profissionais. Um abraço
  • Quando a gente realmente começa a se interessar por um assunto, a gente começa a tentar buscar várias fontes. Com isso a gente vai notando diferenças. A gente começa a escolher aquelas que fazem mais sentido. Acontece muito comigo analisando o que passa nos jornais nos dias de hoje. A mesma matéria tem diversos focos ou intensidade de exibição diferente. Dependendo de quem a noticia. Exemplo seria que a Rede Record de Televisão nunca vai mostrar qualquer coisa referente ao Edir Macedo que seja ruim. Não acho também que exista um grupo na surdina tentando ferrar com os designers. As vezes esses grupos mostram a cara literalmente. Mas toda essa introdução, é para o pessoal começar a pensar quando falamos de desunião. Hoje eu vejo que tem muito designers despreparado para o mercado, mas ele não possui uma visão egoísta de ser. O estranho é notar que aqueles que já conseguiram algum sucesso profissional, não estão nem aí. Tem muita coisa boa aparecendo. Coisas boas ganhando força. E digo a vocês que sei que não vale a pena perder força (principalmente força de vontade) com coisas que não vão ajudar em nada. Hoje existe um número considerável de designers que já ouviram falar ao menos uma vez da regulamentação. 5 Anos atrás não era assim não. Inúmeros projetos sociais ou não de divulgação do que é design (como este blog aqui). Faça o mais fácil. Veja o que esta acontecendo de bom e se junte a esse povo. Vale muito mais fazer do que reclamar. PS.: não estou tirando sarro, nem criticando nem bada do tipo qualquer pessoa que já tenha comentado. Todas as minhas palavras podem ser entendidas de dois jeitos. Entenda sempre o melhor jeito.
  • oi ligia... se vc descobrir, prometa que vai me enviar uma cópia por sedex o quanto antes! ;) Bom, mas fico pensando sobre isso pois me vejo em muitas situações assim nessa minha fase de universitário, pois sei que para conseguir uma boa formação, eu tenho que ler muitos livros, ler muita coisa na internet, revistas, jornais (é, jornais... ainda são úteis!). Fora isso, sei também que preciso fazer cursos paralelos a faculdade, principalmente cursos de capacitação técnica como cursos de softwares específicos... e eu nem mencionei as palestras e workshops, visitas a exposições e museus, que são tão ou mais importantes que os ítens já citados! Ah, não posso esquecer também dos cursos de idiomas, que nos dias de hoje se faz mais do que necessário. E eu sei de cor e salteado que preciso me esforçar para conseguir fazer o máximo possível dessas coisas ainda nessa etapa da minha vida, mas percebo que eu tenho a minha "coberta" curta, pois se cubro um lado, outro lado fica descoberto e precisa da minha atenção, como minha vida social... É complicado, penso que estou em busca de um constante aprendizado que nunca terá um fim! Só me sinto um pouco melhor quando lembro que escolhi a profissão certa para mim. Desculpa expor essas coisas aqui, é que to tentando expor o meu ponto de vista sobre essa busca do conhecimento, dos renascentistas... E seila, talvez essas coisas ao meu redor aconteça com muita gente, não só com universitários. abs
  • Oi, Eduardo! Concordo com você que hoje em dia as pessoas palpitam em tudo sem saber nada. Não sei se você confundiu renascimento com saber alguma coisa de nascença (os nomes são realmente parecidos, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra). Os palpiteiros que você critica (e eu também) não refletem o espírito do renascimento, já que eles não são especialistas em nada. A idéia do renascimento é justamente o contrário, que a pessoa seja realmente especialista (e para isso precisa estudar, se aprofundar) em várias coisas. Observe que, no trecho que você citou, o autor fala de ladrões e empregados eruditos. Não há como ser erudito sem ler bastante, estudar muito mesmo - os palpiteiros de quem você fala, definitivamente não são renascentistas (e muito menos eruditos).
  • Olha eu não sei dizer se é bom ou ruim e até onde estamos dispostos a delegar uma parcela de nossas vidas a estudar e até onde é precisso estudar pra entrar no mercado de trabalho o quão bom vc tem que ser para estar fazendo o que mais gosta? Como fazer pra ser reconhecido? Ainda não tenho certeza de que estamos indo pra frente. com relação aos textos da semana passada... Sou estudante e concordo uma parcela do que foi escrito. Estou cursando Desenho Industrial na Oswaldo Cruz a noite e agora no terceiro ano descobri que não existe trabalho em grupo que se possa aprender alguma coisa, faço todos os meus trabalhos sozinho me esforço leio coisas sobre o assunto DESIGN leio muitos livros amo tudo o que estudo mais ainda vejo um mercado muito restrito. esse texto ta bem pessoal bom alguem deve estar vivendo o mesmo que eu .
  • Lígia, eu adorei o artigo... descobri o blog hoje. Daniel, você comentou se não sabe se é bom ou ruim o fato de estarmos dispostos a disponibilizar uma parte da nossa vida dedicada aos estudos e tal... eu acho que temos que dedicar até mais que uma parcela, pelo menos na minha opinião o estudo (seja de qual forma vier) é vital na nossa vida. se bem que quando gostamos mesmo do que estudamos, encaramos tudo isso de forma diferente, não?
  • "O Aroeira chamou isso de perfil renascentista (eu adorei a metáfora, não é perfeita?). Só para lembrar: no período do Renascimento, as pessoas militavam em áreas diversas com a maior desenvoltura e sem preconceito. Rabelais, em 1532, coloca a seguinte frase na boca de seu personagem Pantagruel: “Todas as disciplinas são agora ressuscitadas, as línguas estabelecidas (…) Eu vejo que os ladrões de rua, os carrascos, os empregados do estábulo hoje em dia são mais eruditos do que os doutores e pregadores do meu tempo.” É impressão minha ou parece que a gente está andando para trás?" Olha, num sou especialista em renascimento nem nada, mas tenho a leve impressão de que isso é no mínimo estranho... Soa semelhante a hoje, onde todo brasileiro é Técnico de Futebol de nasceça e sabe mais que o Dunga, ao mesmo tempo que é Presidente de nascença, artista e crítico de arte de nascença, médico de nascença, etc... Ou seja, todo mundo adora palpitar pra todo lado... Não Lígia, acho que os "ladrões de rua, os carrascos, os empregados do estábulo" de ontem são tão eruditos quanto a geral do flamengo de hoje... Palpiteiro é o que num falta! Até porque se menospreza deveras o trabalho intelectual e teórico, colocando acima destes o trabalho prático, que fornece resultados imediatos (acho que esse é um dos motivos para a falta de livros na bagagem dos estudantes, como no outro post foi "brigado"...).
  • Concordo, Eduardo, mas acredito que o foco que está sendo discutido aqui é outro. Vc tem toda razão quanto aos palpiteiros e ao que chamam atualmente de "amadorização em massa" dos campos outrora profissionais (design incluso). Só que isso tudo não conflita com a percepção do "homem neo-renascentista", indo justamente na direção contrária ao menosprezo do "trabalho intelectual e teórico," justamente por quê, devido ao conhecimento básico mais amplo, vê-se que a base de qq conhecimento multi ou trans-disciplinar é a comunicação---e a verdadeira base desta é teórica, como vcs não podem ver, "óbviamente", através da publicidade. (Adoro falar difícil.) Inclusive a "maior firma de Design do mundo", a IDEO, aprova o modelo do homem neo-renascentista através do seu jargão "T-Shaped individuals", onde o 'T' representa uma ampla base de conhecimento interligado a um conhecimento específico, individual e especializado.
  • Oi, Raphael! Acho estudar essencial (também sou viciada), mas saber o que fazer com o conhecimento também é fundamental, e para isso a gente precisa viver, ir à praia, brincar com cachorro, viajar de moto, ir às baladas e beijar bastante!!! Livros são muito importantes (praticamente a minha vida), mas também aprendo muito só olhando, observando, prestando atenção. Tem muita gente que lê um montão, mas sai na rua e não enxerga nada. O meu objetivo na vida é conseguir encontrar o equilíbrio entre o viver, o estudar e o aprender. Quando eu descobrir como se faz, juro que conto!
  • Bom... eu num confundi não nascimento com renascimento! hahaha! Renascimento é aquele período histórico posterior à idade média, etc, não? Bom, é que minha impressão quanto ao período é justamente que havia a elite intelectual, bem como hoje, e também a torcida do flamengo. Bom, na verdade estou sendo palpiteiro. Num sei nada de renascimento e pronto. hahaha! Trata-se apenas de uma metáfora para o contexto de homem-geral, que não se fecha, mas se abre. Isso ficou bem claro! E sim, está certíssimo. Não há outra forma de ser um profissional completo em qualquer área que se queria sem se interessar por outro assunto senão aquele em que atua. Isso fica mais claro nas humanidades, mas também existe nas outras. No design fica mais forte ainda, uma vez que o profissional deve estar ápto a desenvolver trabalhos sobre os mais variados temas, nas linguagens gráficas mais díspares, com profundidade e conteúdo que trespassem o kitch e o pop. E são esses que se destacam. Quando estava no primeiro colegial assiti a uma palestra de um cara que, antes de começar, ele perguntou ao público: "Bom, vocês vão escolher o tema da palestra. Posso falar da vida e obra de Tolstoi, ou posso falar de paranormalidade. O que preferem?"... Escolhemos paranormalidade, claro! (não que o outro tema não seja facinante, mas eramos um bando de adolecentes cabeça oca que nem sabia quem era esse daí... hahaha). E o cara deu a palestra, sem papel, sem cola, sem nada. De cabeça... E a formação dele é doutorado em Engenharia Agronoma... Impressionante, não? Ser especialista em diversas coisas é impossível, mas cultura geral sempre é bem vinda!
  • pensando um pouco agora, depois de postar o ultimo comentário... pode acontecer muitas vezes de se confundir "conhecer" com "entender"... O que acaba não ficando muito longe do que eu postei no primeiro comentário. Convém ao designer "entender" mais do que sua realidade "designística", mas é algo que dá trabalho. Aprofundar em diversos assuntos além do próprio consome um tempo extraordinário, e muitas vezes a pessoa acaba por contentar-se com "conhecer", não? E conhecer algo não é o suficiente para falar dela... É necessário entender. E muito do que se faz hoje, se faz no conhecer. "Conheço HTML, logo, sou web designer". "Conheço um tipo de plástico, logo, posso projetar para a industria", "conheço sobre células tronco, logo, posso condenar quem é contra minha fundamentada opinião", e assim por diante. Conhecer é bem a cara de agora, onde a wikipedia faz todos conhecerem tudo de tudo. Qualquer coisa que se queira conhecer, tem na "wiki-anta", e daí vêem diversos palpiteiros-intelectualizados. Um pseudo-renascentista. Qualquer coisa que vc falar pra ele, ele tem uma wiki-resposta pra você. E se acaba por contentar-se com isso. Não se vê a necessidade de se realmente "entender" algo, como deveria ser o espírito do homem renascentista. E vai tentar falar pra esse cara que ele tá errado... Que a wikipedia fala porcaria...
  • Oi, Eduardo! Olha, não vejo a wikipedia como uma wiki-anta! Ela é uma ferramenta utilíssima e muito poderosa, eu mesmo a consulto muitas vezes. O problema é achar que o assunto será esgotado com um verbete, mas isso acontece com qualquer dicionário ou enciclopédia, independente da mídia em que é publicado. O problema não é o Google ou a Wikipedia, que são ferramentas sensacionais. O problema é se contentar em saber apenas superficialmente as coisas. Penso que essa seja a versão atual do que a minha vó chamava de "cultura de almanaque de farmácia", que era um livrinho que trazia muitas curiosidades sem nenhum aprofundamento, mas suficientes para impressionar os mais desavisados e fazer a pessoa que o lia passar por culto. Além do mais, opinião é uma coisa que todo mundo é livre para ter (uma das poucas coisas que ainda são grátis nessa vida). A questão não é a opinião de pessoas que não conhecem o assunto a fundo, mas o peso que isso terá sobre alguma decisão que precise ser tomada... Também acredito que se o assunto não envolve tomar decisões críticas, trocar opiniões, mesmo que fundamentadas fragilmente, não faz mal a ninguém. Pelo contrário, faz todo mundo pensar a respeito do assunto que está sendo tratado, de um jeito ou de outro. Para mim, está valendo!
  • Essa idéia mostrada no post é defendida pela IDEO e eles chamam esse perfil, de uma "formiga renascentista" de "pessoas T", isso pq eles procuram pessoas que saibam um pouco de tudo e aprofundadas em um assunto, por isso o T como símbolo (não imagino como explicar isso melhor sem desenhar) IDEO é fodona...
  • olá pessoas. Penso que ser uma pessoa com o espírito renascentisa é pesquisar a fundo com a área em que atua profissionalmente, não somente se restringindo apenas ao design no nosso caso, mas nas áreas que esbarram na nossa tão querida profissão, como psicologia por exemplo. Esse espírito renascentista pra mim diz mais a respeito da pessoa ser curiosa sobre as coisas, não se contentar somente com o préestabelecido, ir atrás de mais conteúdo, cavar mais fundo mesmo, minerar, buscar coisas que outras pessoas não acharam. Não por competição, mas por curiosidade de saber a verdade por traz da verdade. Sempre existe um "porque". E isso qualquer pessoa é capaz, basta gostar muito da profissão e se dedicar seriamente (muito seriamente alias), o que significa perder certos momentos da vida em função dessa busca pelo conhecimento... e em função disso penso que poucas pessoas conseguiram chegar nesse patamar, ou pelo menos próximas a um Da Vinci. Mas isso me faz pensar em outra coisa: será que vamos sempre viver cada vez mais num mundo onde nos é imposto que temos que estudar cada vez mais, esquecendo cada vez mais nossa vida social?... eu adoro estudar... mas minha cabeça funciona melhor quando eu acho o equilibrio entre estudar e relaxar... se me é imposto estudar mais pra se manter no mercado de trabalho, eu vejo isso como uma coisa ruim... o que vcs acham? abs