MOCKUP X PROTÓTIPO X MODELO VOLUMÉTRICO…

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Protótipo, modelo, mockup, piloto… Quais deles vocês executam? O que significa cada um deles? Em que etapa se executa cada um deles? Vamos tentar desanuvear estes termos, que normalmente confundem profissionais, clientes e entusiastas.

 Para iniciar, o modelo de referência, ou metodologia de projeto que seguimos na TipoD e Lectron é a proposta por ROZENFELD & FORCELLINI. O Projeto é organizado basicamente em pré-desenvolvimento, desenvolvimento e pós-desenvolvimento. Na primeira etapa tratamos basicamente de processos metodológicos e de planejamento. Na segunda, tratamos da execução do P&D (pesquisa e desenvolvimento), sendo a última macro-etapa a constatação concreta do final do projeto de P&,D entrando em cena a produção contínua, ou seja, o uso do produto no mercado, manutenção, descarte… É importante lembrar que pequenos projetos de aprimoramento do produto são realizamos a fim de se obter maior produtividade do produto enquanto em produção.

Na macro fase de Desenvolvimento, temos a divisão em: Projeto Informacional, Projeto Conceitual, Projeto Preliminar, Projeto Detalhado, Preparação da Produção e Lançamento do Produto. O significado de cada uma delas pode ser encontrado na bibliografia dos autores… Portanto, onde se encontram as representações físicas dos produtos? Aquelas fora do papel, as que geram um bocado de controvérsias?

No Projeto Conceitual, tenho visto que os profissionais de Design Industrial e Engenharia Mecânica lideram a lista dos que realizam os “Modelos Volumétricos” ou “Mockups”. Tais Modelos Volumétricos são inicialmente representações tridimensionais de rascunhos e desenhos ainda em fase conceitual, onde não existem muitas dimensões fechadas ou restrições de materiais e fabricação. São interpretações de desenhos, basicamente. O acabamento superficial é ainda bruto, sem cores finais, não existem delimitações de peças muitas vezes, apenas o volume bruto. Mas mesmo assim, diversas validações ergonométricas são realizadas nesta fase de Proj. Conceitual, até algumas dimensões importantes no quesito de usabilidade são adquiridas e testadas aqui, mas não todas. Ainda.

É importante no Projeto Conceitual a “prototipagem” de muitas alternativas volumétricas-geométricas, pois aqui podem ser realizadas rapidamente diversas estilizações de um desenho. Materiais maleáveis, dúcteis, leves como Clay, Papel, Papelão e outros são os mais utilizados. Com o advento de softwares de modelagem CAD intuitivo, como o 3D Studio Max, Rhino, Modo e outros algumas empresas no exterior costumam até realizar a prototipagem CNC de uma modelagem realizada nestas plataformas.

Na transição do Proj. Conceitual para o Preliminar, onde modelos CAD precisos são modelados, testados e validados (análise de CAE). Ocorre também a transição do designer industrial para o engenheiro mecânico (citando apenas um dos diversos engenheiros que participam de um processo de desenvolvimento integrado do produto). E é nesta fase que podem ocorrer novos modelos volumétricos com maior precisão dimensionais para auxiliar tanto em testes e análises ergonômicas profundas, como na modelagem CAD de engenharia, pois depois de modeladas as peças finais – sim, aqui temos peças diversas, não mais um “produto abstrato”- podemos partir para a conhecida Prototipagem Rápida (ou rapid prototyping ou RP). Esta RP do Proj. Preliminar tem o propósito maior de testar encaixes, simular funcionamento mecânico e outras questões de geometria. Porém avaliações estéticas da geometria, acabamento, funcionalidade e mais testes ergonômicos podem ser realizados, uma vez que a própria montagem, desmontagem e manutenção podem ser realizados. Cabe lembrar que podem ser realizados nesta fase diversas prototipagens rápidas, uma vez que o modelo selecionado é prototipado, testado e normalmente otimizado, sendo necessário novamente a fabricação da otimização e suas conseqüentes análises. Importante ainda ressaltar que diversos setores da indústria podem usar materiais ou processos diferentes, mas na industria de eletrônica, com carcaças plásticas, acabamos por utilizar: Nylon, PC, ABS-PC, PE…

Pode parecer que muito dinheiro já foi gasto, mas ainda existirão mais recursos a serem desembolsados. Justamente por isso a fase anterior pode consumir alguns protótipos rápidos (RPs). Nesta fase de Proj. Detalhado, cada uma das peças e seus processos são exaustivamente detalhados para a produção em série. Um grande esforço de detalhamento e otimização são realizados com os envolvidos na fabricação (terceirizados, ou departamento, divisão…). E os protótipos? Bem, nesta fase pode existir uma peculiaridade: o Protótipo em si. Que é agora um protótipo produzido com materiais finais e acabamento que tentam simular ao máximo o produto final. Porém, ainda não foi realizado com os mesmos processos de fabricação finais, simplesmente porque o projeto ainda não concluiu o encerramento de detalhamento. Portanto nem todas as ferramentas e maquinário de produção estão preparados para a produção em escala, podendo ser realizada a construção de apenas poucas unidades, ao custo de muito recurso financeiro. Um protótipo deste modelo, segundo alguns engenheiros pode custar até 20 vezes mais que o produto final produzido em escala. Ou seja, multiplique o preço final de um Mercedes Benz por 20 e podemos iniciar a estimativa de custo de um protótipo daqueles, isso sem contar o P&D, apenas materiais, processos e recursos para a fabricação deles. Não contesto muito a estimativa, por exemplo, em um protótipo misto de PR com hardware embarcado, ou seja, o híbrido de Protótipo do Proj. Detalhado com PR do Projeto Preliminar, temos um custo de aprox. R$ 4.500,00, dividindo-se pelo preço final de venda de R$ 400,00, iremos obter o resultado de 11,25 vezes o custo do preço de venda. Cabe a cada um realizar a sua estimativa…

E o Piloto? O Cabeça de Série e demais? Bem, de acordo com as normas e regulações de cada mercado, podem ser exigidos testes, certificações e homologações com produtos já fabricados em série. Sendo os Protótipos das fases anteriores descartados para tal propósito. Simplificando, na Preparação da Produção o Ferramental (moldes e outros) para produção em série são construídos, e destas ferramentas são obtidos ainda mais protótipos, bem mais próximos dos finais (no segmento de peças plásticas os denominamos tryouts ou try-outs). Alguns destes protótipos (quase produtos finais), podem ser utilizados para as homologações, certificações e seus testes de ensaio e laboratório correlatos. Mas o Lote Piloto, ou Cabeça de Série, são os produtos obtidos já na fábrica, onde o Ferramental já se encontra instalado e em operação pelos funcionários e robôs da planta. Após este processo árduo de estabilização da linha de fabricação, testes e otimizações (espera-se que sejam mínimas), é realizada a conclusão do Projeto de P&D e inicia-se o Lançamento do Produto. Termina aqui a Macro-Fase de Desenvolvimento.

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11 comentários

  • Parabens Gustavo pelo artigo...ele exemplifica bem todas as etapas do contexto de produção de modelos volumetricos em geral. Vale lembrar algumas coisas: ¬ O mockup é dividido em soft model e hard model. O soft model é o chamado modelo volumétrico, no qual se avaliam principalmente conceitos volumétricos (óbvio!?) e ergonômicos; O hard model (não sei se explicarei bem, mas....) é um modelo fidedigno ao qual ele seria em sua forma final, com cores, peças e encaixes, sendo somente aberto a mudanças qto ao uso de materiais aplicados (claro que sempre simulando os do projeto original). Resumidamente o q eu interpreto deles é que o soft model analisa principalmente a FUNÇÃO, e o hard model analisa principalmente a FORMA, a ESTÉTICA do produto (não que estas duas avaliações não sejam ou não possam ser feitas tbm nos modelos inversos). ¬ Os testes feitos com peças produzidas por prototipagem rápida, as vezes são substituídas por processos mais "manufaturados"...(principalmente pra alunos de design, como eu e muitos outros?!). Claro q a precisão das peças tem que ser muito próximas da maneira qual foi projetada, utilizando-se de maquinário apropriado, para evitar erros grosseiros. Bem, espero q meus comentarios ajudem a todos...e qlquer ponto que eu tenha dito que alguem discorde ou queira acrescentar algo, os comentarios serão interpretados positivamente...afinal, criticas construtivas são sempre válidas. Vlw
  • Obrigada por tantos detalhes, Gustavo. Tudo isso só me faz concluir como é caro fazer design de produto e porque tantos não querem investir. Mesmo que o resultado seja positivo, se o retorno demora tanto, fica mais fácil não inovar. Estou realmente decepcionada com esse mercado...
  • Olá Tiago, a idéia é essa mesmo; compartilhar conhecimento e experiências... Quanto ao soft model e hard model, nunca tinha ouvido falar nessa separação de definições. Nos usamos na TipoD e Lectron a terminologia conforme aquelas fases que explainei... Mande links ou bibliografia se tiver as mesmas facilmente! Abs!
  • Priscila, a questão não é apenas custo... Copiar produtos de outras empresas também é caro, uma vez que modelos, protótipos, tryouts e pilotos ainda são necessários. Vejo que os maiores problemas são: a falta de visão de empresas contratantes, garra para trilhar novos caminhos, planejamento e muita falta de vergonha na cara por ficarem copiando moda! Mas nos designers também temos a nossa culpa, quanto a nossa culpa, cabe outro artigo... Quem sabe um escrito por diversos designers? Abs!
  • Pra variar Mr. J. traz tudo explicadinho. Sempre vejo essa nomenclatura das "peças de teste 3D", digamos, confusa. Pelo q vejo muitos dos testes q as vezes são esperados no protótipo final já podem ser feitos em algum soft 3D, ou dobrando um papel. Aí eu gosto da definição da IDEO para protótipo. Qualquer coisa que teste qualquer coisa do produto final é um protótipo. A diferença entre um papel dobrado e um objeto "impresso em 3d" é q o segundo é mais acabado, o que não invalida as conclusões que o papel permitil que fossem tiradas - com a vantagem do custo e velocidade. Conversando com um pessoal q trabaçha com sistemas embarcados e gera o próprio software descobri que pra eles se há uma linha de soft escrita já é considerada um protótipo. Daí com a minha grosseiria penso que para produto, se dá pra quebrar ou jogar em alguém é protótipo. ;)
  • Galdino, lembrando que podem considerar como protótipo, mas o verdadeiro protótipo é o realizado na mesma escala e os mesmos materias utilizados no produto que vai entrar em produção. Podemos perceber isso na industria automobilística, ondem fazem mockups de CLAY (argila) para analizar a forma em si, e o acabamento das cores texturas e formas é perfeito, como se fosse o produto final. O protótipo seria o carro com o motor, com toda a parte de engenharia envolvida para que possa ser realizados todos os testes.
  • Ola a todos Concordo tanto com o Galdino como com o Willian. Muitos mecanismos de funcionamento podem ser testados e aprovados simplesmente com modelos feitos papéis, papelões e sobras de materiais. Isso é muito importante pela consciência ambiental e econômica que esse tipo de planejamento introduz para a realização de um projeto. Mas, como o Willian disse, realmente é necessário concluir um mockup para que possa enxergar literalmente os equívocos do produto criado - problemas de funcionamento, de fabricação, de material, etc. Mas é OBVIO q podemos sempre "improvisar" como o Galdino disse para contribuirmos para evitar gastos excessivos e diminuir impactos ambientais. PS: Gustavo, muitos desses ensinamentos aprendi com meus professores na universidade, mas existem muitos livros q nos ajudam área de projeto. Vou pesquisar alguns títulos e postar depois.
  • Ótima discussão. Bem, protótipo não necessariamente é produzido na escala do produto final ok Willian? Muito custoso este processo, além de não produzir resultados significativos... Para tal existe a estatística de modo a estimarmos confiabilidade, qualidade e etc...
  • Olá Gustavo, Parabéns pela clareza do seu artigo, eu que a tempos não lido com esta nomenclatura. Apenas a utilizei para protótipo de website até 2005 hoje utilizo o termo projeto piloto como boa PMP para iniciar uma iniciativa no ramo das redes sociais. Gostei muito de saber que você ainda está atuando fortemente na sua área desde o 7o NDesign aqui em São Paulo, onde moro desde 2000. bom sucesso em 2011 e se pintar por Sampa entre em contato. Abs. Adriane.