A muito acompanho discussões diversas a respeito da regulamentação em Encontros, Orkut e Blogs. A busca pelo reconhecimento profissional, pelo respeito à atividade acaba indo, por vezes, além do bom senso e do respeito ao próximo, eu diria até, um desrespeito histórico, pautado sobre uma postura “afirmativista desmedida” e um coorporativismo sem nenhuma base coorporativista de fato. Eu pretendo nesse artigo, também, questionar os rumos desse blog, que no início se mostrou uma grande ferramenta de difusão de conhecimento e informação, e chegou a quase a propor um concurso de beleza pra ter mais acessos.

E cá estamos, um domínio forte, um grupo de participantes respeitável formado por profissionais e estudantes com o único interesse de difundir informações e proporcionar um espaço democrático pra discussões e construção de conhecimento, com abordagens parciais sobre alguns dos principais pontos de pauta das discussões do mundo do design: novas técnicas, marcas, concursos, profissionais e, claro, regulamentação. Posicionamentos prós e contras acontecem em qualquer tipo de debate, mas nesse caso em específico, observo uma anomalia no que diz respeito aos que discutem: eles pertencem ao mesmo grupo. Ambos os lados são designers que discordam sobre pontos, propósitos, razões e necessidade referentes à lei que delimita e concede responsabilidade à designers no exercer de sua profissão. A lei em questão, pra quem não leu o projeto, trata somente dos designers gráficos. 

A auteridade presente no discurso dos pró-regulamentação refere-se somente àqueles e àquelas oriundos das academias. Portadores de diploma são os mais capacitados no exercer da atividade, pois tiveram aulas de semiótica, tipografia e teoria da percepção visual. O mais engraçado é que os cursos de design possuem pouco ou quase nada de fundamentação comum, ou seja, cada curso forma um tipo de profissional, que talvez a única coisa comum seja o nome (inclusive foi tema de uma coluna interessantíssima da Ligia Fascioni sobre os currículos das escolas de design). E nesse processo de legitimação da academia enquanto detentora do conhecimento nega-se a história, visto que nosso curso no espaço Brasil não tem nem um século e seus pioneiros ainda estão vivos (como disse sabiamente um deles durante uma mesa redonda no Arlequinal, que por acaso, é arquiteto), suas bases teóricas e práticas foram e são construídas por pessoas vinda de outras áreas do conhecimento ou mesmo pessoas que, são por si só, pessoas detentoras de capacidades além do estudo e do método científico.

 E os regulamentistas, como eu apelido os defensores irresponsáveis da regulamentação (visto que nem todos os pró-regulamentação são regulamentistas) se valem de escárnio e do “direito de expressão” para ofender aqueles que não fazem parte de sua “nobre” casta. A parte mais divertida do discurso deles é a que fala sobre o perigo oferecido por um produto de design gráfico mal feito como sinalizações que levam à morte, vídeos que causam convulsões e impressos que matam por câncer – a imaginação necessária para muitos episódios do Happy Tree Friends – e na faculdade malmente temos uma disciplina chamada ética. Parece ser hipocrisia usar de ironia (mesma arma dos regulamentistas) para falar deles, mas é fundamental para mostrar como esse tipo de narrativa tira o autor de uma posição respeitável enquanto exprime sua opinião. 

Quando soube sobre a regulamentação, durante o 15º N Design em São Luís, vislumbrei um espaço que permitiria a discussão das diferenças sociais, da luta de classes e da reforma social, ledo engano, me deparei com um discurso elitista, separatista e sem nenhuma consideração por uma melhoria social, em resumo, quero minha fatia do bolo do mercado, garantida por lei, e quero poder cobrar o “preço merecido” sem me preocupar com profissionais que, mesmo sem o conhecimento academico, possam fazer um produto melhor que o meu e cobrar mais barato. Como uma classe quer garantir direitos trabalhistas se não consegue nem ao menos se organizar e constituir uma assembléia, tendo de se valer de encontros estudantis pra poder expor e debater?? E pra isso se valem de espaços como este pra levantar sua bandeira da forma mais perniciosa possível. Um amigo um dia me disse que, eu pra defender o que acredito, deprecio ao extremo o “outro lado”, ao invés de enaltecer meus pontos de qualidade. Após ler o artigo sobre o “Micreiro do Automoblismo” entendi o que ele queria de fato dizer. Depreciação da imagem de um profissional, que mesmo sendo “viajandão” como definido por alguém, não está fazendo nada diferente do que todos na nossa sociedade capitalista: sobrevivendo. Resumindo esse parágrafo: É mais fácil mostrar o quanto micreiros são ruins do que mostrar o quanto profissionais formados são bons, já que esses formados não possuem nada de bom, de fato.

 Espero sinceramente que esse blog mude sua política de atuação, sei que se trata de uma ferramenta livre de exposição de idéias e toda essa história de liberdade de expressão, mas passem a filtrar o que é publicado, passem a ter critérios m seus textos, esse cuidado no escrever mostra o nível de responsabilidade (é um dos pontos da regulamentação que o formado tem vantagem em relação ao micreiro, certo?).  Espero também, não ser surpreendido com idéias “Big Brodescas”de aumento de acessos, como concurso da Designer mais gostosa, ou coisas do gênero, tenhamos o mínimo de decência e respeito com o leitor de qualidade, que francamente, o do outro tipo nunca contribuiu muita coisa, exceto em dar ibope pro Faustão e o manter no ar. 

Cordialmente. 

Mauro Alex Rego