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3 Setembro

O design e a engenharia

Se tem uma coisa que eu adoro é conversar com gente inteligente. Mas o que mais me encanta mesmo é quando a pessoa usa essa inteligência para destruir meus argumentos, duvidar das minhas certezas, provocar a reavaliação dos meus conceitos.

 

Pois foi exatamente isso que aconteceu numa de minhas aulas de introdução à biônica. Estava confortavelmente discutindo sobre a definição de design que forjei junto com minha equipe em uma aula do doutorado. Depois de estudar várias referências (sim, nós analisamos também aquela que diz que design é sinônimo de projeto entre outras dezenas), concluímos, após exaustiva discussão, que o design se sustenta sob o tripé projeto-conceito-estética. Desde então tenho usado essa definição, mesmo sabendo que ela não é consenso e gera polêmica. Não a apresento como “a verdade”. É apenas, do meu ponto de vista, a definição com a qual me senti mais confortável em defender até hoje.

 

Vejamos: o projeto permite a produção em escala industrial; o conceito explica a função primária do objeto, o significado, a escolha dos materiais, formas e cores, o ciclo de vida, a maneira como ele vai interagir com o ser humano, a ergonomia, a usabilidade; a estética é o que o torna atraente, o que encanta e faz vender.

 

Foi aí que os alunos perguntaram: mas e a função, não é o mais importante no design? Sim, a função é muito importante, mas, como já disse, ela está embutida no conceito. Para eles, a estética é que deveria estar implícita no conceito. Quem deveria sustentar o outro pé deveria ser a função. A sugestão é que o modelo fosse mudado para projeto-conceito-função.

 

Retruquei que hoje em dia, dadas as inúmeras opções de compra, o desempenho e a facilidade de uso de objetos concorrentes são mais ou menos equivalentes. As pessoas não escolhem uma televisão ou um carro pela sua função estrita, mas pela sua função ampla, que inclui o simbolismo. A função estrita (o uso primário do objeto) continua fundamental; ninguém quer um telefone que não funcione; mas não é mais o fator que decide a compra.

 

Há objetos de design, inclusive, cuja função é apenas significar; é o caso das jóias e de alguns acessórios, por exemplo. O peso da função no projeto do objeto dependeria então do contexto onde (e por quem) ele será usado. Por isso é que, para mim, a função faz parte do conceito. Apenas para evitar mal entendidos, vou repetir: não estou dizendo que a função primária não é importante, mas que o peso da funcionalidade em um objeto depende de como ele foi conceituado. Para deixar bem claro, coloco a função simbólica nos domínios da estética e deixo a função primária (usabilidade) no eixo do conceito.

 

Então o Daniel me desafiou: ok, algumas aquisições privilegiam o significado e a estética na decisão de compra. Mas há outras onde a aparência nem é considerada. Se eu vou adquirir um tanque de guerra ou um míssil, por exemplo, estou pouco me importando se o negócio é feio ou bonito. O desempenho dele é mais importante que tudo.

 

É mesmo, o rapaz tinha toda razão. Fui para casa matutando, onde é que está o furo na minha linha de raciocínio? Se eu vou comprar um robô ou uma máquina industrial, não escolho pela beleza, mas pelas características técnicas. Será que eu deveria rever minha definição de design?

 

Foi então que, depois de uma noite mal dormida de tanto queimar os miolos, cheguei a uma conclusão que me satisfez. Olha só.

 

Quando um objeto é concebido pensando-se apenas e tão somente na sua função primária, sem considerar sua função simbólica (estética) isso não é design. É engenharia.

 

Justamente o que separa o design da engenharia é essa perninha da estética. O projeto e o conceito, a engenharia também tem, posso dizer com toda certeza, inclusive, porque foi lá que a ergonomia nasceu. Na estética é que mora a diferença entre a engenharia e o design — a engenharia não perde tempo em encantar; o foco do trabalho é a função primária do objeto.

 

No final das contas, foi um ótimo exercício de auto-conhecimento. Finalmente descobri que foi exatamente esse o motivo que me fez migrar da engenharia para o design. Eu adorava a engenharia, faria tudo de novo, mas sentia falta da estética, do simbólico.

 

É isso, então. Na engenharia, a forma segue a função. No design, a forma segue a intenção.

 

Obrigada, Daniel.

Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br


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24 Comentarios »

  1. Parabens pelo post..

    Acho super importante haver esse tipo de discusão,na minha opnião
    tem que se saber como funciona e os conflitos para poder ensinar o proximo o que eo DESIGN e ate mesmo para o profissional se impor no mercado…

    espero que algun dia apareca algun termo que todos concordem..

    enfimm

    mas concordo com o projeto-conceito-estetica

    Comentario por Ruan
  2. …”Na engenharia, a forma segue a função. No design, a forma segue a intenção….”

    WoooOOOooW!
    Essa vou ter que anotar :D

    Comentario por HunterDog
  3. Racicínio muito bem elaborado, um antigo professor meu dizia que o design precisa de três tipos de funções para se sustentar, a função estética, a função simbólica e a função prática. Não exatamente nessa ordem.
    Comentario por Fernanda
  4. Por isso que designers mal intencionados só fazem porcalhada.. hahaha!
    Entendi agora, Lígia, o porque vc coloca função dentro do conceito. O conceito cadeira determina sua função (se bem entendi…).
    O projeto de um tanque de guerra é feito por engenheiros ou designers? Pois, num caso semelhante, tem um professor meu que trabalhou na área de salas de controle, por exemplo, de navios. Obviamente, é uma área realmente técnica no design, com questões fortes de ergonomia e cognição. Ainda assim, diferencia-se de uma sala de controle projetada por engenheiros, acredito que seja pela preocupação mais com o homem do que com a funcionalidade. O uso da simbologia é bastante forte, na medida em que sígnos que remetem a ordem, a clareza, etc., são extremamente importantes, embora sutis. Sendo assim, esses recursos são úteis ao funcionamento da sala, e a forma que assumem devem apontar diretamente à função que desempenharão, inclusive intuitiva e subconcientemente. Assim, a forma segue a função, e a intenção segue a função. Dá para separar ambas as coisas?
    Comentario por eduardo
  5. Deixando mais claro meu ultimo post…
    Assim, a forma segue a função, e a intenção segue a função. Dá para separar ambas as coisas? Mesmo se falando de engenharia?
    Comentario por eduardo
  6. pois é… sigo o pensamento do Eduardo… ainda assim não é tão simples para separar as coisas… a própria Estética é um campo obscuro e por mto tempo foi deixada de lado até pelos filósofos (ela nasceu mais da Filosofia que da Arte, acredito).
    Comentario por BrnLng
  7. Ois, Eduardo e Bruno!

    Muito interessante a questão. Concordo com vocês que não é tão simples, que não dá para separar a intenção da função. Elas não são mutuamente exclusivas, e são, a meu ver, inclusive, complementares. O que eu destaco como diferença é a ênfase que cada área dá a esses aspectos.

    Quanto à questão estética, vale lembrar que a palavra tem origem no grego aesthesis que significa aquilo que é sensível ou relacionado à sensibilidade. Estética, então, é aquilo que toca os nossos sentidos. O design está tão preocupado com os sentidos do ser humano que um profissional dessa área se dedica por anos a estudar semiótica, história da arte, teoria das cores, gestalt, composição, enfim, todas as coisas que afetam nossos sentidos.

    Na engenharia, o foco principal é a máquina e seu desempenho. É claro que o homem não é deixado de lado (senão não funciona), mas esse não é o principal foco, sacaram?

    As duas coisas são bastante complementares e não quero de jeito nenhum separá-las (aliás, esse artigo foi para comentar o quanto essas áreas têm em comum. A diferença principal é na ênfase que o design dá à estética (ou a como sensibilizar o homem) que, na engenharia, corresponde à função primária e o desempenho da máquina. Quando a engenharia estuda ergonomia, não é com a intenção de emocionar ou encantar; é para aumentar a produtividade. É praticamente o mesmo trabalho, porém, com focos diferentes.

    Eduardo, desculpe a minha ignorância, mas realmente não sei se designers participam do projeto de um tanque de guerra. Mas certamente no controle do tanque, há intenções relacionadas aos sentidos que se quer provocar no operador (ex: a rapidez na tomada de decisão em uma situação de emergência) que um designer certamente tem mais elementos na sua formação para projetar. Trabalhei por muitos anos em empresas de tecnologia e sempre vi tudo sendo feito somente por engenheiros, sem nenhuma participação de designers. É justamente isso que estou tentando mudar.

    O meu próprio doutorado, em gestão do design, fazia parte do programa da Engenharia de Produção, o que ressalta a aproximação dessas áreas. Mas para o engenheiro poder trabalhar com foco na intenção, nos sentidos, é necessário que ele adquira os conhecimentos de um designer (ou então trabalhe com um, o que considero a solução ideal).

    É isso…

    Comentario por Ligia Fascioni
  8. Entendi, Lígia. Legal.
    Comentario por eduardo
  9. Não poderiamos por FUNÇÃO e ESTÉTICA dentro da “aba” CONCEITO?

    Vamos parar pra pensar. Qual é o conceito de um tanque de guerra?
    Não vamos esquecer que algumas coisas não são produzidas para vender e nem por isso elas são feias.
    Ex: eu não teria um elefante para brincar comigo mais nem por isso eu acho ele feio. (não da para vender um elefante no PETSHOP do lado de um cachorro.!!!!!!!!!

    não sei se consegui ser claro. bom vai a minha opinião.!

    Comentario por Daniel Eis
  10. Oi, Daniel!

    É, sua observação é bem pertinente, já pensei em deixar função e estéticas juntas. Mas aí, como diferenciar o design da engenharia? Todos os engenheiros poderiam se auto-intitular designers e vice-versa. A separação é só para enfatizar a diferença de foco, mas concordo que a estética também faz parte do conceito.

    Com relação ao elefante, ele não foi feito por designers e muito menos para vender…eheheh… estamos falando de objetos produzidos em escala para o mercado.

    Você disse que algumas coisas não são produzidas para vender. Como assim? Não há nada de graça nesse mundo, alguém teve que comprá-las… ou pagar para que elas fossem construídas.

    Também não disse somente as coisas que projetadas por designers são belas. Eu, por exemplo, acho robôs industriais lindos, fantásticos, sensacionais, mas eles não foram projetados para meu deleite visual.

    O que eu quero dizer é que os designers possuem uma competência especial quando se trata de conceber coisas que são propositadamente concebidas com o objetivo (entre outros) de provocar nossos sentidos simplesmente porque estudaram disciplinas relacionadas à estética que não fazem parte de um curso de engenharia.

    Estou gostando dessa conversa…. adoro elefantes…eheheh

    Comentario por Lígia Fascioni
  11. Bom… uma coisa que acho importante (pelo menos eu acho…). Uma definição é a descrição de algo a partir das características que a torna unica.
    Essa definição apresentada aqui, lígia, não seria bem uma definição, né? Mas o campo onde atua o design. Seria que nem definir o médico dizendo que ele se apoia sobre a biologia, o homem e a cura. Não chega a ser uma definição mesmo completa, né?
    Uma definição escritinha bonitinha, como seria? (que nem tem gente que descreve o homem como “o ser pensante”, e coisas parecidas…).
    Comentario por eduardo
  12. Entendi, Eduardo! Você quer dizer que essa não é uma definição no sentido acadêmico. Mas ela foi forjada justamente a partir de definições acadêmicas que, na opinião do grupo onde eu trabalhava (e a minha também, claro), não conseguiam cumprir o papel de descrever o que é design a partir de suas características únicas.

    É claro que não tenho a pretensão de tornar essa definição acadêmica (como eu disse antes, isso não é “a verdade”, é apenas a minha opinião). Mesmo assim, penso que ela consegue descrever o design a partir de suas características únicas sim, justamente por causa da questão estética combinada ao projeto e ao conceito.

    Sobre as definições acadêmicas (ou bonitinhas), temos dezenas, mas nenhuma delas é consenso…

    Comentario por Lígia Fascioni
  13. CONSENSO
    Acredito que seja muito difícil o acharmos uma vez que o design não tem um foco de trabalho definido. Design é uma área abrangente demais. Me responda as perguntas abaixo.
    Qual é o real objetivo de um Médico?
    Qual é o real objetivo de um Designer?
    vê como é simples responder a primeira pergunta e incrivelmente dificil responder a segunda.
    É complicado termos uma definição acadêmica para uma área que esta em tudo. Tudo é design. Tudo tem função e estética. Algumas coisas mais funcionais e outras mais Bonitas e ainda outras funcionas e bonitas! Cada um vai definir o Design conforme a área em que for aplicado.
    Um cara que trabalha com marcas vai definir o design como algo mais estético já um cara que produz peças para robôs e tanques de guerra vai definir o design como algo extremamente funcional. bom sei la ja to ficando confuso esse negocio de definição vai longe………… É tudo coisa de LOKO.
    Comentario por Daniel Eis
  14. [...] Se eu vou adquirir um tanque de guerra ou um míssil, por exemplo, estou pouco me importando se o negócio é feio ou bonito. O desempenho dele é mais importante que [...]
  15. O ezio manzini dsse que design é um modo de tornar o pensável possível. Gosto dessa idéia, porque nela cabem as variaçoes que separam os tipos de objetivos dos vários tipos de designers. E esse caos de tudo é design existe porque tem seu fundo de verdade, já que o design está associado ä transformação da matéria em função de uma idéia, que é a força de toda a criação e ação de praticamente todas as áreas do conhecimento. E o design também faz parte de tudo como criador da cultura artifical, que permeia tudo o que existe no mundo, da agricultura à astronautica, do médico ao limpador de bueiros, do submarino ao pote de dar água para beija-flores.

    Entáo tenho preferido pensar no design design, antes dele ser design de moda, de produto, grafico, de flores, de sistemas. Ver o design como método de pensamento, em que as variáveis da demanda e as escolhas de prioridades são soluçoes particulares a cada projeto. E como vc falou, lígia, dar valor a INTENÇAO que se tem ao projetar, o que não vejo como diferente da funçao, já que a funcao mesma é intençao.

    E já que é tudo coisa de loko mesmo, se pensarmos que tudo que existe são agrupamentos de atómos que percebemos de um modo X, as coisas voltam a ser muito parecidas em essencia, como as visões pontilhistas,, e o que sobra de importancia pode ser a INTENCAO inicial, que sobrevive como ENERGIA e é propagada ao infinito.

    Comentario por calma
  16. Viche, Calma, que coisa mais “energética”! Uma visão mais do que espiritualizada da realidade! Bacana

    Já esse lance do Ezio Manzini acaba colocando engenheiros, cientistas, artistas, designers, artesãos, etc., no mesmo bloco, todos a mesma coisa. Eu particularmente não gosto. Como coloquei em outro post, penso design como o meio de facilitar a interação do homem com o meio, do homem com a sociedade e do homem consigo mesmo, através de produtos industriais e meios informacionais planejados para essa finalidade. Mas essa também acaba ligando-se de certa forma à engenharia… Enfim. preciso pensar um pouco mais!
    Legal que cada um sempre quer pensar sua propria definicção, ao invés de aceitar um pronta boa… Eita nóis! Talvez porque num exista uma suficientemente boa para todos (até porque cada um vê o design de forma diferente, uns mais mercadistas, outros mais ideologicos, outros mais subjetivos, e assim vai…).

    Comentario por eduardo
  17. Oi pessoal, olha eu chegando atrasado de novo…
    Com toda essa discussão que está rolando na busca dos limites do design, lembrei de uma piada…Lá vai:
    Um cara chega num bar e pede ao garçon um Martini.
    O garçon, muito solícito, pergunta:
    - “O senhor quer que coloque uma casquinha de limão?” Ao que o cara responde:
    - SE EU QUIZESSE LIMONADA EU PEDIA!
    Olha, se a gente for pensar no Martini puro como um produto de engenharia e na casquinha de limão como uma “intervenção de design”, a definição de quanto limão é necessário para transformar um Martini em limonada passa a depender muito mais do gosto do freguês do que de qualquer outra coisa. E se a regulamentação da profissão depender desta definição…sei não…
    Comentario por Ricardo Barddal
  18. Na verdade o design faz uso da estetica como linguagem pra isso use a semiótica que organiza como esses sgnos “sign da palavra DE SIGN” sera intepretado, Kant falou que uma pessoa pode ser feio, mas que pode ser uma boa pessoa por dentro, nós designers usamos a a teoria de kant no design, sabendo assim que um produto pode não ser belo mais funcional, a belaza esta na cultura de cada povo ou tribo, um tanque de guerra não vai ser belo assim como os soldados não se maquinham pra ir para uma guerra, pois lá não precisa do belo e sim da função, e a estética esta ai na função, num tambem que com sua forma robusta, apresenta segurança força porque ele foi desenvolvido pra aquele ambiente cultural. Vejo que niguém tocou no assunto da semiótica que é uma filosofia exata. A diferença do design e a engenharia é o metodologia, nossa metodologia o que faz a diferença no projeto, porque ela faz com que vanhamos a pensar dirente do engenheiro, se um engenheiro seguisse nossa metodologia… ele faria DESIGN…..
    Comentario por João Gualberto
  19. João, a semiótica foi tocada em diversos momentos aqui. E não tenha tanta pressa em digitar, pois metade do seu post ficou quase ilegível por causa dos erros de digitação e gramaticais…
    Qual é essa metodologia que você fala, que nos difere dos engenheiros?
    Comentario por eduardo
  20. Lendo o artigo estava chegando a mesma conclusão quando li o que o aluno falou, a primeira cosia que pensei foi que isso é engenharia. Muito bom refletir sobre o que agente já sabe justamente para reafirmar o que transmitimos todos os dias. Agora o que realmente queria saber é onde acho um lugar bom para estudar como a sua sala de aula, pq ainda não encontrei. hehe
    Abraço.
    Comentario por Gabriel Roque
  21. eduardo,

    VOcÊ disse:

    que coisa mais “energética”! Uma visão mais do que espiritualizada da realidade! Bacana

    Com todo o respeito pela espiritualidade (até acho que se ela fosse mais elaborada poderia contribuir muito para o fazer design, mas é outro assunto).

    Gostaria só de esclarecer que relacionar matéria e energia não é uma questão da espiritualidade, mas uma questão da Física, que defende que podemos pensar em massa (matéria quantificável) como uma forma de energia armazenada. é a famosa Teoria da Relatividade de Einsten, E=mc2, a relação entre a massa de um objeto e a sua energia.
    Não pensamos nisso pq as transformações materia-energia não são comuns e não as enxergamos (Pensamos MUITO POUCO sobre o que não enxergamos.)

    E de qualquer forma, podemos passar nossas vidas discutindo se tal coisa existe a partir da forma ou da função, se é problema da engenharia, do design, ou do padeiro da esquina. Essas discussoes só existem porque vivemos num mundo onde a ENERGIA permitiu o desenvolvimento de elementos químicos que agrupados permitiram que todo o resto existisse, TODO O RESTO significa o ar, a árvore, o espremedor de suco do stark, a bomba atômica e até nossos pensamentos insignificantes.

    O designer (junto com todos os outros de quaisquer profissão que CRIEM, CONSTRUAM algo que é posto no mundo, que ocupe espaço físico no ambiente) são responsáveis pela conformação do ambiente em que vivemos. Estamos inseridos em uma paisagem artificial que coexiste ao ambiente natural. Por isso, e pela responsabilidade inerente ao que contribui ativamente na construção do ambiente no qual estamos inseridos (Designers,são vocÊs!), considero importante a reflexão sobre o que são as coisas. E de acordo com o consenso da ciencia atual, as coisas (TODAS- naturais ou artificiais) são agrupamentos de átomos, variações e rearranjos dos elementos da tabela periodica, que existem através da ENERGIA. Esse pensamento, para mim, diminui a importancia de algo ser feito “pela engenharia” ou “pelo design” ou “pelo confeiteiro” ou “por deus”, diminui até a importancia dos humanos (AGRUPAMENTO DE ÁTOMOS!) Quando pensamos que somos o mesmo que a natureza tendemos a preservá-la e respeitá-la. Será que se pensarmos que somos também o mesmo que as “coisas artificiais” podemos mudar o modo de nos relacionarmos com elas? (e para o designer, mudar o modo de transformá-la?)

    Comentario por calma
  22. Oi, Calma!

    Muito interessantes os seus comentários, só que acabei perdendo o fio da meada sobre as relações entre suas observações e o assunto original do post… não consegui acompanhar mais a discussão. De qualquer forma, obrigada pela contribuição!

    Comentario por Lígia Fascioni
  23. Oi, Calma!
    Bom, num sei se vc achou que eu estava te zuando, mas eu realmente achei bacana o modo como eu havia entendido sua “energia” no design. Embora eu tenha levado para um lado mais poético do que literal.
    No entanto, sua teoria é interessante e válida, embora agora bem menos espiritual do que quando li pela primeira vez. rs.
    Eu gostei especialmente da parte que se coloca o design e todas as outras profissões no mesmo patamar… Enfim.
    Comentario por eduardo
  24. Olá Ligia,
    mais uma vez parabéns pelo post
    gostaria de saber se me permite chupa-lo pro meu blog…
    Comentario por Paulo Oliveira

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