Quando o poder e a arte não convivem mais. Saí Portinari e entra Romero Britto

Essa semana 48 obras serão devolvidas do acervo do Palácio do Planalto e do Alvorada para o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro (MnBA). As informações da Revista Fórum indicam que sairá as obras históricas de Candido Portinari e entrará o pop art mais criticado do mundo.

 

Porque não estamos surpresos?

Ainda que a memória do brasileiro seja curta, a da maioria dos designers não. Acho que ninguém que está lendo esse artigo esqueceu que foi o “michelzinho” que aprovou a identidade visual do novo governo e que esse governo está sendo acusado de pedalar e roubar junto com o governo anterior.

Não só isso, também vimos o novo governo falar que não tinha dinheiro, tirar dinheiro de lugares sucateados enquanto:

  • Tem dinheiro pra ignorar as dividas da OI
  • Tem dinheiro pra anistiar os planos de saúde
  • Tem dinheiro pra anistiar as dividas dos proprietários de terra
  • Tem dinheiro pra aumentar o salário dos juízes e ministros
  • Tem dinheiro para DOBRAR a publicidade na Globo e nas revistas de direita como, Época, Veja, Istoé
  • Tem dinheiro para aumentar os salários dos políticos
  • Tem dinheiro para comprar mais armamento
  • Tem dinheiro para dar isenção fiscal para empresários
  • Tem dinheiro pra tirar todos os programas de software livre e comprar licenças da Microsoft
  • Tem sete ministros acusados na lava-jato, aquela mesma do Lula…

Seque os olhos;

Maria Elisa Costa, filha de Lúcio Costa (um dos “inventores” de Brasília) e ex-presidente do Iphan, criticou a devolução das obras e faz um apelo à atual presidente do órgão, Kátia Bogea, para que evite a saída do acervo de Brasília.

Segundo ela o ex-presidente Juscelino Kubitschek  “conseguiu que o Museu de Belas Artes da antiga capital lhe cedesse uma bela coleção de obras de arte, a serem colocadas nos Palácios de Brasília, como a dizer – aqui, Poder & Arte convivem, cotidianamente.”

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional sabe a diferença entre pop e histórico, só o governo não!

Não é de se espantar também ver que a atual gestão do Iphan não ligue muito pra situação e que Kátia Bogéa, presidente do conselho consultivo não se manifeste. Esse governo está todo errado, saca só:

Recentemente o ex-ministro Cultura Marcelo Calero pediu demissão do cargo de ministro e, posteriormente, acusou ministro Geddel Vieira Lima e Michel Temer de praticarem tráfico de influência. No caso o então Secretária-Geral da Presidência, residente da Bahia tentou  conceder a licença de construção do prédio de luxo localizado em um bairro nobre de Salvador, que foi barrado pelo Iphan. Quer saber mais?

Foi a mesma figura que afirmou em uma entrevista para a TV Globo, que caixa dois não é crime e que quem fez isso no passado não deveria ser punido.

Notório Saber

Devido ao encerramento do contrato de comodato, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) autorizou, junto com o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e pela Diretoria de Documentação Histórica (DDH) do gabinete da Presidência da República, a devolução de trabalhos de Cândido Portinari, Djanira da Mota, Alberto da Veiga Guignard, Arcângelo Ianelli, Eliseu Visconti, Maria Leontina, Rodolfo Amoedo e Henri Nicolas Vinet.

Nesse momento você pode estar pensando, nossa, mas você odeia Romero Britto tanto assim?
Você acha que os quadros dele não são arte? O que é arte? Não, não odeio ele. Só não acho que a arte dele, seja de perto maior que esses nove artistas, que representaram mais que o notório saber na arte, muito mais.

Em 1949, Cândido executou um painel lindo chamado “Tiradentes”, narrando episódios do julgamento e execução do herói brasileiro que lutou contra o domínio colonial português. Por este trabalho, Portinari recebeu, em 1950, a medalha de ouro concedida pelo Júri do Prêmio Internacional da Paz, reunido em Varsóvia (Polônia). Djanira fez um painel cabuloso, o Painel de Santa Bárbara. Guignard criou a obra de arte mais valiosa de um brasileiro já vendida em um leilão…

Agora sou eu quem te pergunto, que sensação que fica?

Que o governo que diz que não tem dinheiro, mais uma vez gastou onde não devia. A troco de que? Popularidade, as pessoas que nunca leram sobre arte, nunca se interessaram e vão visitar o palácio nacional verão não as pessoas fodas da nossa história, vão ver o popular e clichê Romero Britto e o pior é que vão achar que o presidente que fala corretamente é genial, inteligente e que sabe tudo sobre arte, enquanto a nossa arte, junto com a nossa Democracia fica escondida em um estado do Brasil.

2016, vá embora, apague a luz e feche a porta.

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