Eu não sou designer

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Ligia Fascioni

Tenho escrito nesse espaço já faz alguns meses e agora, olhando os comentários, acabei de me dar conta que nem me apresentei. Isso é importante para que o pessoal entenda porque, mesmo não sendo designer, insisto em dar meus pitacos em todos os assuntos relacionados.

 

Vamos lá. Sou engenheira eletricista e trabalhei com robótica por 12 anos, feliz da vida, até o dia em que resolvi fazer uma pós-graduação em marketing e me apaixonei pelo assunto. Comecei a fazer cursos na área e acabei me matriculando em uma outra pós, dessa vez em comunicação e propaganda. Foi numa aula de percepção visual que ouvi, pela primeira vez, numa sala de aula, a palavra mágica “design”. Foi amor à primeira vista e, depois desse primeiro contato resolvi que teria como missão compartilhar tudo o que eu aprendesse com meus amigos engenheiros para que eles pudessem ter a real dimensão do poder dessa ferramenta.

  

Depois de gastar até o que não podia em livrarias reais e virtuais (incluindo a minha amada Amazon) e estudar até me tornar “a chata do design” entre os meus amigos, fui aceita no programa de doutorado em gestão do design na UFSC (eu já tinha mestrado em automação e controle industrial). Ao me aprofundar no tema, descobri a importância da gestão da identidade corporativa e desenvolvi um método que já foi aplicado em 23 empresas de todos os portes (esse ano o número ainda vai crescer bastante).

 

Assim, além de dar aulas em cursos de graduação e pós-graduação em design, sou palestrante e consultora de empresas. Meu trabalho é basicamente convencer os empresários a dar mais importância a vocês designers, já que o meu método recomenda a contratação de profissionais especializados em algumas etapas. Para mim é mais fácil falar com esse povo da tecnologia do que para vocês, uma vez que falo a língua dos engenheiros e empresários – eu entendo como pensam pessoas extremamente racionais e cartesianas que não fazem idéia do que seja design (não faz muito tempo eu também era assim).

  

Penso que tenho alguma coisa a contribuir com a profissão de vocês (da qual sou defensora ferrenha), primeiro porque tenho estudado muito e com bastante profundidade os temas relacionados; segundo porque tenho tentado divulgar a importância do trabalho de vocês em todos os meios de comunicação aos quais tenho acesso (tenho um site, um blog, publico artigos em revistas de negócios, sou colunista de um portal de comunicação e marketing e já publiquei 2 livros sobre o assunto – o terceiro está no forno); finalmente porque posso trazer para vocês a visão do outro lado do balcão.

 

Tenho me debatido muito sobre a formação dos profissionais porque não raro me encontro na situação de não ter ninguém para recomendar aos meus clientes (sou exigente e sei que eles também são – não posso queimar meu filme indicando um profissional medíocre). Sei o quanto o português bem falado e escrito, a boa fundamentação teórica, a segurança na apresentação do trabalho, o talento, a postura, a ética e muito conhecimento são fundamentais para que o cliente confie no profissional que está contratando. Por isso é que implico tanto com algumas lacunas que vejo na formação dos designers. Sei que as escolas (pelo menos em Santa Catarina) ainda são novas e eu vim de uma das melhores escolas de engenharia do país. Sei o quanto uma boa formação pesa na hora de apresentar e realizar um trabalho bem feito. Quero ter orgulho de apresentar bons profissionais de design, e não vergonha das apresentações deles, como às vezes acontece.

 

E se tem uma coisa que eu adoro é conversar com gente inteligente. Mas o que mais me encanta mesmo é quando a pessoa usa essa inteligência para destruir meus argumentos, duvidar das minhas certezas, provocar a reavaliação dos meus conceitos. Isso me faz pensar mais, estudar mais, aprender mais. E o que tenho visto nesse forum são comentários muito bem fundamentados. Não vou negar que fico contentíssima quando ganho elogios (sou humana, né?), mas as críticas bem escritas são muito legais de ler. Por isso, queria aproveitar para agradecer ao Ed Ramos, que tão gentilmente me convidou para entrar aqui.

 

Esse é um dos lugares com gente mais crítica (e também bem-humorada) que tive oportunidade de freqüentar, o que torna a experiência mais rica. Por isso, queria pedir muito ao povo que continue participando (com tapas tão elegantes, nem dói muito apanhar), mesmo aqueles que juraram não ler mais nada que eu escrevesse… por favor, vai?

 

PS: Depois desse post juro que vou ficar pelo menos mais uma semana sem publicar nada, pois saquei que já estou abusando do espaço…

 

Lígia Fascioni | http://www.ligiafascioni.com.br

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Distribua

22 comentários

  • uouu. Realmente nao entedi muito o titulo a primeira vista, porem lendo o texto, acho que vc eh mais que uma amiga da nossa raca. rsrsr. Obrigado por fazer o papel conscientizador nesse mundo cheio de "cabecas pequenas". vlws
  • Eu não entendo pessoas como a Thayla. Quer defender algo ou atacar algo? Não entendo uma postura assim. A Lígia pode ficar tranquila, ainda mais que as críticas desproporcionais ao texto dela, além de mínimos, têm argumentos muito ralos. Fáceis de continuarem na minoria. Até agora eu acho que eles falam de evolução da escrita, mas eu continuo entendendo como adaptação da preguiça.
  • Oi, Thayla! Já tinha lido o seu comentário sim, mas, diante de tanta fúria e tantas certezas, fiquei em dúvida se valeria a pena discutir com alguém que conhece meu trabalho tão profundamente lendo apenas uma coluna. De qualquer maneira, se você faz questão... Achei seus pontos de vista interessantes, porém, creio que antes de formar uma opinião sobre a má qualidade e mediocridade das minhas aulas, seria útil perguntar aos meus alunos o que eles acham, concorda? Ou pelo menos assistir a uma aula (não que eu tenha algo a ensinar a você, seria só para formar uma opinião). Posso dar nomes e endereços de pessoas a quem você pode perguntar, se acha que vale a pena o trabalho... Também não entendi o que você quis dizer com falta de ética e profissionalismo... não citei nomes, nem a turma, nem a escola. Apenas usei um caso real para expressar uma opinião. Sinceramente, me desculpe, mas não consigo ver onde está o problema. Quem sabe se você me ajudar, eu consigo perceber onde está o furo. É claro que conheço os portais que você mencionou, mas os alunos aos quais me refiro, nunca ouviram falar, e não é por falta de sugestões minhas. Publico todas as minhas aulas no meu site antes de começar o curso e lá estão disponíveis todos os links e referências bibliográficas - boa parte nem olha. Aliás, conheço os meus alunos e sei que pobreza financeira não é o caso deste que serviu como exemplo, por isso tive tranqüilidade para fazer os comentários que fiz. Pois é, e se você tem uma opinião forte e consegue estruturar tão bem o que diz, certamente é porque sua cultura não vem do Google (afinal, pelo menos "O alienista" do genial Machado de Assis você leu). Como eu disse antes, Thayla, seus comentários são muito bem vindos. Só gostaria que você colhesse os dados com mais rigor antes de formar uma opinião. Estou à sua disposição.
  • Prezada Ligia, É raro uma engenheira se interessar pela área do Design, mesmo nós, sabendo que é uma das nossas profissões limítrofes. Uma personagem como você é um colírio para nós, pois na hora de termos um interlocutor do "outro lado" que conheça a nossa profissão e, o que é melhor, seja uma tiete de carteirinha, realmente é uma personagem rara nesse país de Engenheiros. Na minha vida profissional tive que enfrentar verdadeiros "mulas mancas", onde fui obrigado a brigar a ferro e fogo para fazê-los, pelo menos,visualizar do que estava falando. Sem preconceitos, os nossos Engenheiros não conseguem enxergar além do ultimo dente do parafuso e acham que o nosso trabalho é coisa de viado. Coitado do animal!!! Leva chifre da gente!!! Não excluo os Arquitetos, que também tive que dar umas "Marretadas" pelo simples uso de antolhos, logo eles que deveriam estar do nosso lado,conscientes e com cultura para ser ótimos interlocutores profissionais, mas não, estão presos a dogmas estéticos furados ou de pura colonização e acham que nós somos ignorantes e não devemos dar nenhuma penada. Por último, realmente nós Designers, precisamos ter a humildade e o tirocínio de entender que a nossa profissão não é conhecida e temos a obrigação de nos fazer entender, conhecendo um pouco do vernáculo profissional do profissional que nos interpela, temos que ser até professorais, mas jamais aceitar o deboche e o escárnio do preconceito que grassa no meio profissional das empresas hoje. Por isso faço essa inserção, pois essa situação tem que acabar e nós temos que antes de se dirigir a esses profissionais ,tomar uma boa dose de Epatovis (Quero o meu cachê!!!), mas ter a sabedoria de enfrentá-los na mesma lingua que êles, mas para isso temos que exercer o nosso Multiculturalismo, que todo profissional de Design tem obrigação de saber e nos impor como profissionais que somos. Quem falou isso??? Um tal de Giorgetto Giugiaro... Conhecem??? Taí o motivo de se ler livros....e não o Google!!! Sua tatuagem é muito bonita, dá até vontade de cheirá-la!!! ;0) Foster.
  • Lígia, com certeza é um prazer os encontros com seus posts! pelo menos para mim, que gasto grande parte do meu tempo procurando informações sobre design, o seu blog e suas colunas são paradas certas!! Em tempos conturbados para a afirmação da importância do design "bem feito" no cotidiano o seu trabalho é exato, não só para as empresas....mas também na formação de novos talentos, parabéns! Muitos designers bons preferem se esquivar! E você tem toda autoridade para falar, basta ler seu currículo....então como você mesmo me disse, aprenda com as críticas e siga em frente que estou esperando o próximo post!! Abraços
  • A Ta2 é linda, se não tiver photoshop no meio, Lígia! Sabe como é, depois que a gente envereda pelo mundo do design, torna-se suspeito de uso do software até prova em contrário! E nem acho que tu abuse do espaço. Quando o material é pertinente e coerente, tem mais é que abuse&use mesmo. Parabéns pela formação, e pela palestra no NManaus. Gostaria até de ter conversado contigo depois dela, mas tava ocupadão na campanha do NPernambuco2009.
  • Oi, Arthur! Não sou designer, primeiro porque não tenho a graduação na área (que é quem dá o título). Depois, porque realmente não faço trabalhos de design (não projeto marcas, não faço projetos gráficos e nem de produto). Meu trabalho é de gestão empresarial com foco no design. Na verdade, verdade mesmo, sou engenheira até o último fio de cabelo....rsrsrsss...
  • E eu que as vezes abuso tb ando sumido, pode abusar aí de boa, hora um hora outro não pesa pra ninguém puxar o carro. hahaha. Tragetória massa, a UFSC tem uma galera de eng principalmente na produção q manda muito no design, o Salomão por exemplo tem uma tese de doutorado muito massa, dos 4 Ps do design (a galera anti livros deve ter tido um tremilique ao ler a palavra "doutorado" mas se soubessem o q o conteúdo traz poderiam concordar...) ;)
  • Bom primeiro para quem é doutora em Design, dizer que não é designer é sacanagem né, rs. E Ligia, como você mesma disse que gosta de um elogio rs, você é uma das pessoas que mais gosto de ler por aqui (calma pessoal, gosto dos outros também! rs), principalmente por mostrar e ilustrar com tanta clareza assuntos que muitas vezes já acreditamos saber dele e ao ler temos um ponto de vista completamente diferente. Não sei se me fiz claro... rs Ah... e eu sou uma das pessoas que costumam apenas ler os posts e não participar, mas pretendo mudar e somar com o pessoal cada vez mais! Abraços.
  • Ligia a qualidade de seus textos e sua compreensão do assunto "design", provam que seria um atentado ao mundo do Design não permitir, de forma regulamentada, que você participasse desse "mundo".
  • Eu particularmente sou um grande admirador do seu trabalho e dos seus posts, conheci seu trabalho através do seu primeiro livro, a forma com que você escreve (que eu gosto muito) faz com que seus conceitos sejam claros, de fácil entendimento. Já tive a oportunidade de trocar alguns emails com você, sempre foi atenciosa e isso é uma qualidade e tanto. Não tenho críticas a fazer, vim mesmo apenas para elogiar e parabenizá-la por ser uma das minhas referências. Grande abraço. Dado Shapper
  • Apesar dos textos da Ligia serem realmente muito bons, não acho que somente os dela sejam assim. Eu só sinto um pouco de falta de as próprias pessoas que visitam o blog interagirem um pouco, sugerindo novos posts, escrevendo novos posts, sugerindo assunto que poderiam ser abordados etc. Acredito que bastante gente visita o blog e talvez uma ferramenta que desse maior interatividade as pessoas seria bacana. Deixaríamos de ser apenas visitantes leitores e que as vezes interage com algum post, para ser realmente para de uma comunidade maior, com mais voz ativa a cada uma das pessoas. Pelo que percebo, dessas muitas pessoas que visitam o design.com.br, muitas são profissionais formados, com uma boa carreira e experiência na área. Seria interessante dar espaço a elas também. huahauha... acho que estou me repetindo. mas é isso! abs a todos.
  • ooi, Vi que nos seus post's que o seu interesse pelo design desencadeou como uma surpresa pra você. Pois bem, prazer, antes de tudo. haha. eu sou um calouro no curso, e falo uma cadeira apenas para ter certeza da minha opção. sempre fui apaixonado por carros, e pelo disigner giugiaro. vi um post seu comentando sobre ele, e escolhi o mesmo para realizar uma grande pesquisa. porém tenho encontrado alguns problemas quanto as informações.. pois quando se fala em giugiaro, se vê os belos e inúmeros carros vindos do mesmo, e a mídia acaba esquecendo um pouco da sua biografia, suas influências e até suas intenções.. então to postando aqui pra me informar contigo, que é alguém com um conhecimento muito mais vasto que o meu, sobre alguns titulos que comentem o giorgetto, ou alguns sites e informações legais que eu possa me informar melhor e aprimorar minha pesquisa.. conto com a tua ajuda, e teu conhecimento, desde ja, valeeu xD um abraço!