MILÃO – MECA DO DESIGN…..REFLEXÃO

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Como está chegando a feira mais esperada do ano, essa matéria eu consegui a algum tempo e guardei, pois achei muito interessante na época, hoje temos vários Designers que estão cada vez mais se firmando no Mercado Europeu, como Baba Vaccaro uma das mais premiadas, Kiko Sobrino que a cada ano trás uma idéia mais brilhante que a outra, e por um outro lado as empresas, mesmo as de mercado popular estão aderindo aos novos conceitos e trazendo ao público o que a um tempo atrás só os mais favorecidos economicamente tinham acesso.Gosto muito das novidades, porém a um tempo atrás estive em um Congresso onde o Fábio Noviembre falou uma coisa muito séria e reflexiva a nossa tão premiada Brunete…..- Vocês aqui no Brasil tem tantas coisas maravilhosas, materiais que nós europeus nem pensamos em poder explorar devido a falta lá fora, e vocês buscam e copiam tudo o que é feito lá….por que isso? Eu não consigo entender…..Acho que isso é uma coisa para pensarmos….  Milão – Meca do Design

A lenda do Made-in-Italy continua funcionando, apesar dos distúrbios econômicos. A Itália não só exporta produtos e projetos, mas também estilo de vida. E, desafiando tanta ineficiência, a cidade de Milão ao norte da Itália ainda é considerada a número um como metrópoles do Design e a epítome absoluta do estilo Italiano. O termo se refere a produtos tangíveis e talvez menos tangíveis em se tratando de relações humanas, mas isso vai além de tudo, coisa que o antropologista britânico, Eugene Beauty tem chamado de “sapore del vivere”.
O que é isso que caracteriza o estilo italiano, o que é isso que o faz tão atrativo?. Com o nome de “Volare”, uma exposição montada recentemente em Florença se esforça para nos dar a resposta em palavras, sons, figuras e produtos…em sua transição para um catálogo publicado por Giannino Malossi, da Monacelli Press, Nova York, 1999. Ted Pholemus, antropologista e especialista em cultura e moda da juventude, fala a respeito da atração da inconsistência. Pholemus diz, “vista de fora, a Itália está envolta numa multiplicidade fascinante de contradições. É, ao mesmo tempo, o centro do cristianismo e da libertinagem, é absoluta e também orientada, sempre no limite entre o equilíbrio estático e o excesso irrestrito. Com suas 1000 caras e múltiplas identidades, a Itália é o ícone perfeito do pós-modernismo e, por esta razão, colocada de forma ideal para refletir todos os desejos do mundo. Resumindo, não existe tal coisa como a Itália homogênea, a não ser que alguém tenha sonhado com isso”.

Com a exposição mostrando coisas como… Ferraris e macarrão Barilla, visitantes são lembrados de como o sucesso dos produtos italianos devem ser associados a uma mistura única de qualidades humanas. Ingredientes que incluem um conhecimento estético associado ao potencial inventivo; a habilidade de avaliar a experiência e combinar tecnologia com a habilidade artesã.

Para quem nós devemos atribuir a legendária versatilidade de todas as pequenas e medias empresas espalhadas por todo o país…? Isso é um dom italiano que mantém industriais e designers com mentes abertas, empreendendo e prontos a assumir o risco.

Designers Migrantes

Muitos daqueles que um dia vieram para passar uma temporada, acharam um lugar agradável para trabalhar e acabaram ficando. Eles apreciaram a aceitação ao novo e ao desafiador.

Um lugar onde projetos inovadores não são rejeitados a princípio por serem inexecutáveis, mas são vistos como metas, válidas enquanto designers e produtores discutirem no espírito de assistência mútua. Esse tipo de diálogo foi a chave do sucesso do design Italiano no começo dos anos 50 e está retomando seu significado hoje em dia. Tal troca de idéias e opiniões nem sequer precisa de um encontro, basta uma conversa por telefone … Seja qual for o meio, é essa magia que continua trazendo designers do mundo inteiro para Itália, principalmente para Milão.

Essa migração de designers é encorajada pela fascinação exercida pelas celebridades internacionais que obtiveram sucesso, no início graças as companhias italianas. Exemplificando, nomes familiares como Philippe Starck, que enquanto trabalhava para Barelli em 1985, lançou em série, sua mesa presidente M, feita originalmente para a Miterrand’s Elisse Office. Ou ainda, Jasper Morrison, aquele designer inglês, pai do estilo minimalista , que do mesmo modo deve seu sucesso internacional a um fabricante italiano, Cappellini. Junto com Morrisson, diz que a empreitada requer uma nova aproximação para lidar, até mesmo com a sintonia da imagem da empresa.

Hoje, a um passo do século 21, o ‘know-how’ tecnológico dos fabricantes italianos continua a exercer uma considerável atração a muitos designers, tais como o espanhol Josep Llusca, que está aperfeiçoando seus protótipos para Driade, em um pequeno ateliê próximo a Veneza…ou mesmo Ron Arad. Ele está fazendo sua “coisa” num estúdio em Brianza, dando forma ao metal, como se fosse um vidro moldado. Marzorati & Ronchetti, uma companhia especializada no processamento de metais, que cedeu a ele um estúdio onde, entre outras coisas, ele criou sua famosa cadeira Vack (um pedaço de folha de alumínio dobrado como uma página) ou o protótipo em metal da estante “Book Worm Book” que, na versão em plástico, se tornou campeã em vendas da Kartell.

Ninguém nunca contou quantos designers tiveram fama na Itália. Isso se aplica a aqueles que se fixaram permanentemente, como Makio Hasuike que fez vários acessórios para MH Way, ou Nicolas Bewick, sócio da De Lucchi Studio, ou mesmo James Irvine, da Sottsass Associati. Essa premissa também se aplica àqueles que ficam no país periodicamente ou arranjam outros meios de ficarem na Itália, como Toshiyuki Kita, Ross Lovegrove, Jasper Morrison, Konstantin Grcic, etc.

Itália – Sonho e pesadelo
Todas as moedas têm dois lados. Como Ted Pholemus diz, a Itália é um sonho mas pode se tornar um pesadelo. Esta é a natureza das miragens que podem se tornar desapontadoras. Aquilo que brilha a distância pode perder o glamour, quando analisado de perto. As mesmas grandes mentes que têm toda a sabedoria do mundo para dar o conselho perfeito, algumas vezes deixam de lado suas mentes afiadas, para explorar novos talentos.

Os novos designers que vão para os estúdios acreditando piamente que serão treinados em uma arte. Meus Deus… a inocente boa vontade é sempre abusada no caminho de se tentar galgar degraus em seus currículos. Eles pagarão o horrível tributo de trabalharem como assistentes e aprendizes, trocando trabalho duro por pouco ou nenhum pagamento, num não existente escalonamento de tempo…, tudo isso porque aqui designers são vistos como freelancers, enquanto na França, Alemanha ou Estados Unidos eles são aceitos como empresários. Aqui também eles não têm grandes estúdios. Vico Magistretti trabalha por si só, tradicionalmente auxiliado por uma pessoa, que também é seu assistente, desenhista e secretário. O mesmo acontece com Alberto Meda que, no Salão do Mobiliário de Paris, ganhou o título de designer do ano de 1999 ou para Denis Santachiara, que teve pelo menos um ajudante fazendo seus desenhos e atendendo telefones. Na Itália eles puderam se safar, pois não há lei que garanta seus direitos autorais…, royalties têm sido somente uma convenção ao invés de ser assunto de contratos vigiados por uma legislação nacional e porque também, nesse país ninguém faz a menor idéia do que é ser um “designer”.

Mas então, jovens designers vêm à Itália não só porque talvez, aqui eles possam encontrar grandes estrelas, como: Achille Castiglione, Ettore Sottsass, Alessandro Mendini, Enzo Mari, etc. Mas também porque aqui estão os clientes. Não no sentido de companhias com diretores anônimos, mas pequenas empresas lideradas pelos proprietários.
Muitas firmas ainda são feitas de pessoas reais. Pessoas com quem se possa dialogar, amigos em potencial, prontos a tentar novos produtos e a assumir riscos.

Sapore del vivere

…De um lado, Milão tira proveito da fama de “meca do design”, reputação pela qual novos suprimentos de jovens talentos continuam vindo. Mas do outro, os novos escolhidos se comportarão como falcões. Obcecados pelo desejo de se tornarem “autores reais”, eles oferecerão tudo, sem se resguardar para uma imagem mais corporativa. Talvez eles sejam apenas ignorantes do aviso tão comumente reiterado por Bruno Munari, falecido em 1998, com 90 anos. “Se eu fosse um jovem designer, juntaria-me a uma empresa para, principalmente, saber como eles estão indo a respeito do trabalho” …jovens designers continuam vindo despreparados, atraídos por algum designer renomado, atraídos pelas companhias, especialmente pelas especializadas em mobiliário, mas também, atraídos pelo “sapore del vivere italiano”.De acordo com a eleição “Demoskopea”, 9 entre 10 italianos declaram qualidade de vida, como sendo um dos principais objetivos a serem buscados. Diga-se, que qualidade de vida no estilo italiano é um composto de pequenas bênçãos, como um prato de macarrão e tomates, um pouco de sol, um encontro com um bom artesão, uma conversa com um empresário interessado – Tudo isso enriquecido com uma pitada de ironia para ajudá-los a levar a vida mais facilmente. Outros critérios são: a criatividade, o cuidado com materiais, amor pelos detalhes e o apaixonado interesse por tudo. Verdade… parece lugar comum, mas é exatamente o que faz esses jovens virem para Itália e aqui ficarem, mesmo sendo tão severo o preço.

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TEXTO RETIRADO DO SITE DA FIESP (algum tempo atrás, não tenho guardado o autor)

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3 comentários

  • Dry, primeiro gostaria de te dar as boas vindas como colunista deste blog. Você mereceu receber este chamado pela pessoa e profissional que és. Quanto a este texto, forte e aberto, desnuda várias faces do mercado do Design brasileiro. Me lembro de ter visto ha algum tempo atras algumas coisas e inícios de ações para promover o design nacional mas pelo que entendi (até mesmo porque nao me aprofundei o suficiente sobre o assunto por absoluta falta de tempo) é que tratavam-se de ações voltadas à exportação. Exportar o que se aqui no Brasil o Design é desconhecido e desrespeitado? Creio que primeiro deveriam preocupar-se em "arrumar a casa" pra depois vender os biscoitos. Mas independente de tudo, muito oportuno este teu primeiro post. Espero que abra um debate sadio sobre estes assuntos todos ali abordados. Não somente aqui no blog.
  • Coisa fina, se achasse o autor depois ia ser bacana. Essa mítica dos lugares é sempre assim, meio miragem, acho até q tô sofrendo de coisa parecida com isso em curitiba, ou eu q mando mal por aqui mesmo. Mas o lance q acho forte da itália, pelo q sei, é q apesar de tudo não rola salto alto, essa dos empresários pequenos e com tolerancia a riscos é uma real muito importante, e aqui a gente tem desse pessoal mas pra chegar neles tem q descer do salto alto e conversar na boa, já tive uma boa experiência com isso (meu primeiro estágio sério) e toquei dois projetos agora no mesmo perfil. A Itália é bacana, mas só vou lá se for convidado.