O direito de dizer NÃO…

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Dizer não às vezes é bom e outras nem tanto. Pode soar como arrogância, como falta de ética e mais um monte de coisas aos olhos de algumas pessoas, porém, também será muito bem recebido por aqueles que valorizam o trabalho profissional seja lá quem for apenas pelo fato de se valorizarem profissionalmente.

NÃO, EU NÃO CONTRIBUO PARA A PROSTITUIÇÃO DA MINHA PROFISSÃO!

Esta deveria ser a linha de pensamento de 100% dos Designers brasileiros, mas infelizmente não é bem o que vemos.

Vou colocar aqui algumas reflexões sobre este assunto. Nem de longe pretendo ser o senhor absoluto da verdade e tampouco encerrar neste texto as discussões sobre este assunto, mas sim, acima de tudo, apenas divagar sobre o mesmo, expondo situações corriqueiras que vivencio e fico sabendo através de colegas de profissão, deixando lacunas abertas, propositalmente, para discussões.

Seja num projeto “dado de graça” ao cliente em trocas das famigeradas e polêmicas RTs, seja numa sacanagem comercial jogando o valor do projeto lá embaixo só para ganhar o cliente, entre várias outras formas de prostituição.

Quando você dá um projeto em troca das RTs você não está contribuindo apenas para o seu próprio desmerecimento profissional mas também para o apodrecimento do mercado, a PROSTITUIÇÃO DE SUA PROFISSÃO. Tanto do respeito dos clientes para com os designers quanto dos lojistas para com os designers – especialmente você.

Se acredita que com isso conseguirá muitos projetos e consequentemente certa visibilidade no mercado, de certa forma está sim certo. Porém, de que vai adiantar atingir isso se a visão do mercado sobre você não será exatamente a que programou? A melhor propaganda é a boca à boca e neste caso o que vai acabar aparecendo é o fato de você ter dado o projeto. “O cara ta mals e pra conseguir pegar clientes não cobra, trabalha de graça…” “É barateiro…” Esse tipo de coisa pode te render vários clientes sim, mas dificilmente você conseguirá galgar a patamares de status profissional mais elevados. Permanecerá incrustado em sua imagem aquele ranço do profissional barateiro – o que também pode denotar falta de qualidade projetual, profissionalismo – e quando você quiser ou tentar cobrar mais por um projeto terá de ouvir frases do tipo “ah mas pra fulano você fez a mesma coisa e não cobrou tudo isso” ou ainda “pra cicrano você fez de graça”.

Com relação às lojas que lhe dão as RTs, não espere muita coisa além disso pois elas também saberão dessa sua postura profissional e lhe tratarão com o mesmo respeito que você trata a sua profissão.

Quando você joga os valores de seus projetos lá embaixo para conseguir clientes também está contribuindo para a PROSTITUIÇÃO PROFISSIONAL. Com isto você demonstra que não respeita a sua profissão, passa a impressão de que aquilo não passa de um bico. Pra cobrar barato assim certamente você não é um profissional devidamente qualificado, habilitado, especializado. Assim, você também estará atrelado ao mesmo ranço já descrito acima. Sem contar que, nas duas situações, o que mais vai pegar certamente é pelo lado profissional. Seus colegas de profissão que não verão com bons olhos esta sua atitude e que dificilmente o escolherão para parcerias. Estará agindo na direção do fechamento das portas profissionais para você mesmo. Um médico não faz uma cirurgia de R$ 15.000,00 e cobra R$ 7.500,00 só para garantir o cliente.

Você não se valoriza e, se dá o devido valor ao seu trabalho, é arrogante, egocêntrico, acredita que não precisa dos outros, das parcerias, não se preocupa com o mercado, com as questões profissionais (este texto reflete a minha preocupação com esta questão), enfim, você não respeita normas, bases, condutas e acha que o mundo gira em torno de seu umbigo. Talvez porque você realmente não precise cobrar tanto pois não depende exclusivamente deste trabalho por ter outras fontes de renda ou por ter alguém que lhe socorra nos momentos de aperto. Talvez porque a sua missão e meta profissional seja esta mesmo: continuar a trabalhar com projetinhos pequenos. Porém nobre colega, o mercado não é composto somente por você e existem inúmeros profissionais que levam a profissão com seriedade e dependem exclusivamente dela. E para estes, você não passa de um PROSTITUTO.

Estes dois casos contribuem e muito para o descrédito de nossa profissão tanto no mercado de trabalho quanto no que diz respeito às nossas lutas em prol da regulamentação profissional junto aos parlamentares.

No mercado, pois as pessoas vendo este tipo de atitude não crêem que uma pessoa estuda tanto para sair distribuindo projetos de graça em troca de migalhas. Se estudou, belo curso deve ter feito, pois as questões mercadológicas, éticas e outras certamente passaram bem longe de seu currículo. Já no tangente à regulamentação, com que seriedade os parlamentares vão tratar um mercado onde os profissionais não se respeitam, um sacaneia os outros, jogam sujo, não seguem uma tabela base, abaixam a cabeça pra qualquer um que questione seu trabalho, se o cliente pede 80% de desconto acabam por aceitar e mais um monte de coisas? Se ele perde um projeto para um marketeiro (sem formação alguma em design), permanece quieto, não questiona nada nem ninguém e aceita isso como fato normal do mercado… Nem questionar a própria associação, que diz ser de representatividade da classe; aquela que todo mês você paga a mensalidade, e que ela diz lutar por seus direitos você questiona. E quando você questiona e ela não responde ou toma atitude alguma você se conforma e aceita… PROSTITUINDO O MERCADO E A REPRESENTATIVIDADE. E avalisando que esta mesma associação continue a liberar cada vez mais esta PROSTITUIÇÃO.

Não eu não vou me associar, pois não me perguntaram e, acredito que nem a 10% dos designers do Brasil se aceitam esta associação como legítima de representatividade. Não há decreto federal que a instituiu como oficial. E se vier a ser oficializada – SÓ DEPOIS DE UMA VOTAÇÃO NACIONAL, terá de alterar e muito o seu estatuto fazendo a exata distinção entre decorador, arquiteto e designer, caso contrário, poderei sim continuar a dizer NÃO, EU NÃO ME ASSOCIO, pois a mesma não me representa nem me respeita como profissional especializado.

Vale a pena ressaltar aqui também a questão das parcerias que nem sempre são tão parceiras assim. É quando, por exemplo, um arquiteto te chama para uma parceria e te diz que não pode cobrar muito caro senão o cliente cai fora… Aí você PROSTITUI-SE, rebaixando seu preço, se mata de trabalhar na sua parte projetual e, não difícil acaba tendo de assumir outras do tal parceiro que acaba abandonando no meio do caminho por incompetência e medo técnico e, ao final, descobre que ele te fez cobrar baixo pra ele poder cobrar mais, bem mais. Ou então quando este parceiro te apresenta uma cota orçamentária ridiculamente impossível, você tem de se matar pra resolver e não estourar o orçamento, depois descobre que na verdade os R$ 20.000,00 que cada um tinha era R$ 20.000,00 pra você e R$ 100.000,00 pra ele. E olha que nem vou falar sobre as divisões obrigatórias de RT’s onde você apresenta todas as notas e ele esconde as maiores além, é claro, dos percentuais que você tem de pagar pra ele por ter te indicado…

Parabéns! Se você é adepto dessas parcerias e práticas mesmo que inconscientemente as pratique por não estar atento, ÉS SIM UM PROSTITUTO!

Eu prefiro dizer:
NÃO! EU NÃO VOU PROSTITUIR A MINHA PROFISSÃO!

O que dizer então daqueles que participam de comunidades, fóruns e outros lugares onde entra o mundo todo atrás de dicas de decoração? E as beldades, crentes que isso é sociável, que lhe trará realmente alguma coisa boa em troca e esparramam todas as dicas e truques gratuitamente? Por vezes, nas leituras, percebemos que ali encontram-se projetos completos, de graça…. Tudo bem que a grande maioria dos que fazem isso não passam de decoradores mas, lamentavelmente, encontramos sim a participação de alguns designers. Isso sem contar ainda aquelas dicas preciosas passadas aos amigos seja por telefone, numa mesa de bar ou até mesmo dentro de uma loja. Esta é sem dúvida a pior PROSTITUIÇÃO da profissão que há. Se compararmos com as profissionais do sexo, são certamente as da mais baixa classe.

Você pode tranquilamente virar para a pessoa e dizer que esta é a sua área profissional e cobra-se por hora técnica a consultoria. Um psicólogo certamente não vai fazer uma sessãozinha sem cobrar algo assim como um dentista não vai tirar aquela mancha de seu dente sem cobrar também. Isto se chama respeito próprio e à profissão. Isso demonstra profissionalismo.

NÃO! EU NÃO PROSTITUO A MINHA PROFISSÃO! MINHA HORA TÉCNICA DEVE SER COBRADA SIM!

Creio que por hora você já deve ter ligado tudo o que escrevi a vários acontecimentos de sua vida profissional, ter relacionado com outros que eu não tenha colocado aqui, mas é exatamente esta a intenção deste texto, como eu disse no inicio: força-los a pensar, refletir, analisar como está sendo levada a sua vida profissional e como você vem tratando a sua profissão.

Pense bem sobre isso tudo e muitas outras coisas. Não seja conformista, pois o mercado está assim e nossa profissão tão desrespeitada exatamente por causa desse tipo de posturas anti-profissionais, desrespeitosas e anti-éticas.

Não pense você que conseguiremos chegar a um patamar de respeito publico continuando agindo assim. Muito pelo contrário. Talvez por isso tudo seja tão difícil unir os Designers em torno de uma regulamentação, em torno de uma associação própria e isenta de ingerências de outras profissões, de firmar parcerias realmente prazerosas, de sermos reconhecidos pelo mercado, inclusive revistas de decoração onde só vemos pessoas de outras áreas aparecendo como se nós não existíssemos. Nem matérias sobre as diferenças entre os profissionais são feitas. Não há pesquisa cientifica na área. E alguns como eu, acabam sendo taxados de loucos…

Bem ou mal, estou fazendo a minha parte. Ao menos solto meu grito deixando de agir como um PROSTITUTO e mostrando a vocês coisas que acontecem bem na sua frente e que preferem não olhar talvez por comodismo. Talvez nem sei por que exatamente. E nem mesmo vocês saibam. Mas o fato é que Portugal acabou de regulamentar o design e nós estamos aqui.

PARADOS…

PROSTITUÍDOS….

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6 comentários

  • E tomem na cabeça! O o Paulo é o Jabor do Design, hahahah. Algumas coisinhas. Não vejo tanto mal assim em dar dicas que meu conhecimento permite para alguém, um projeto vai muito além disso e a gente sabe. Outros profissionais também visitam fóruns e falam de seus conhecimentos mais parcos sem problemas, aquela coisinha é só a ponta do iceberg que é a capacidade da pessoa. Imagino então que toda a comunidade de vários profissionais de consultoria técnica devem arrancar os cabelos com o site "respostas técnicas" (que é uma coisa linda de Deus). Não entendi o RT, mas disconfiei que seja a comissão que as lojas e fabricantes dos produtos de construção civil e decoração pagam para quem indica seus materiais, não é a coisa mais certa do mundo, mas é comum em várias áreas, na publicidade por exemplo, por determinação de classe o publicitário tem direito a 20% de comissão em toda veiculação em mídias diversas, imagino ainda que para conseguir amarrar as contas os grandes devem receber mais do que isso para levar o cliente para o "horário nobre" do canal X. Mas concondo, acho que quem trabalha de graça é relógio e é perigoso cair nestes ciclos. (eu mesmo já cheguei a cair, vejam só) mas temos de aprender não só como indivíduos, mas como classe, como cobrar por nosso conhecimento e fazer desse entendimento um bem comum. ou não também...
  • A permuta, a troca ou até mesmo o clássico escambo somente são coerentes e possíveis quando não permissíveis. O que acontece nestes casos, entre designer e cliente é a possibilidade de uma provável parceria(prazerosa financeiramente e profissionalmente). Uma vez que isto não aconteça, nós, os profissionais saimos perdendo. Já estive entre a cruz e a espada. Muitas vezes acabamos por não receber devidamente e nem tampouco sermos reconhecidos profissionalmente. Atualmente prefiro não fazer o trabalho, mesmo que o cliente seja exponencial. O que vale aqui é a prestação de serviço - embora subjetiva pois envolve criação; devemos contudo cobrar, nos ficaremos futuramente no compromisso de fazer o trabalho gratuitamente. Jamais pérolas aos porcos! Paga-se pelo que se contrata. Minha opinião.
  • Eu já fui prostituo (no termo utilizado no artigo, claro), confesso. Não me orgulho disto, e gerou mais inconveniente do que conveniente. De fato, não cobrar pelo que você trabalhou é extrema estupidez, e não têm essa de "querer marcar um nome no mercado". O único nome que você vai marcar é de você é um cara que trabalha muito e pede pouco. Quando eu notei a cagada (perdoe a expressão) que eu fiz, decidi começar a cobrar pelo que eu merecia. Os clientes que não aceitaram, falei pra irem procurar um micreiro pois eu não iria fazer um trabalho profissional e depois ser taxado de "amador". Concordo em grau, gênero e número no artigo do Paulo. Abraços a todos.
  • Sobre dar dicas: existe a consultoria para resolver este tipo de coisa sendo correta para ambos os lados: o cliente DEVE reconhecer que esta "simples dica" requer do profissional conhecimentos específicos sobre o assunto e, portanto, faz parte de seu material de trabalho que foi absorvido durante a sua experiência acadêmica. Independente do tamanho e grau de dificuldade da mesma. A questão de cobrar o devido valor sobre o trabalho, creio que é o caminho acertado para ajustar essas diferenças de mercado. Aqui em Londrina os clientes nao pagam o que cobro nem por reza brava, até mesmo pq o mercado aqui está altamente prostituído... mas em Curitiba, Sampa e outras cidades mais "evoluídas" pagam e ainda dizem: poxa que barato... e, sinceramente, nao acho meus valores nem um pouco baratos pois não sigo tabelas e tampouco cobro por m².