Tudo bem explicadinho…

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neo_interrogation

Dia desses, conversando com uma das professoras de design mais competentes que conheço, caímos na seguinte discussão: ela afirmava que o bom design não precisa ser explicado; ele deve ser automaticamente entendido. Uma boa marca gráfica prescinde de justificação teórica ou conceitual.

 

 

A Cristina tinha argumentos irrefutáveis: o primeiro é que na prateleira do supermercado não vai ter um designer para explicar a cada cliente o que a marca significa; o segundo é que tem muita gente que primeiro elabora uma solução gráfica e só depois é que procura uma explicação aceitável para conceituar o que fez, o que dá origem àqueles discursos de gente maluca cheio de palavras difíceis e que ninguém entende.

 

 

Pois é. Não posso deixar de concordar com a Cristina, mas faço exatamente o oposto com meus alunos: exijo que eles me expliquem de uma maneira muito convincente o motivo de terem escolhido as formas, as cores, a família tipográfica e até os alinhamentos. E faço isso com muita convicção, apesar de entender perfeitamente o argumento contrário. Discordo da corrente de profissionais que defende que o designer precisa ter domínio da expressão gráfica ou formal, mas não necessariamente da verbal ou escrita.

 

 

Sei que parece um paradoxo, mas entendo que a minha abordagem e a da Cristina são perfeitamente compatíveis. Diria até que são complementares. Olha só.

 

 

Cresci em Campinas, no interior de São Paulo. No centro da cidade havia um teatro de arena, e freqüentemente havia espetáculos gratuitos da orquestra sinfônica. O maestro Benito Juarez sempre usava um tempo da apresentação para explicar as peças que seriam tocadas e o papel de cada instrumento. Música é um pouco como design: a gente entende logo de cara, ou não. Eu gostava da música, mas me encantava também com as explicações. Depois de cada “aula”, passava a prestar muito mais atenção nos detalhes, nos tempos. Observava as diferenças entre os metais e as cordas. Admirava muito mais o trabalho dos músicos, pois, mais do que gostar, eu começava a entender o que estava ouvindo. Se um dia eu tiver que contratar uma orquestra, certamente as informações me ajudarão muito.

 

 

Há poucos assuntos no mundo pelos quais eu não me interesso: luta de boxe é um deles. Pois um dia, sentada no sofá ao lado do meu tio, consegui assistir a uma luta inteirinha, só porque ele se deu ao trabalho de me explicar as regras e o significado de cada movimento. Continuo sem morrer de amores pelo esporte, mas hoje respeito muito mais seus profissionais.

 

 

Penso que a diferença das abordagens está exatamente neste ponto: uma coisa é eu gostar de uma marca ou um objeto. Outra, bem diferente, é entendê-los. O objetivo do design é interagir com o ser humano, sensibilizá-lo, tornar a vida dele melhor. É claro que a afinidade deve surgir instantaneamente, no momento do contato. Um pacote de biscoitos atrai ou não uma pessoa, independente das explicações que o designer possa ter sobre o método projetual.

 

 

Só que, ao apresentar o projeto para seu cliente, penso que o designer tem sim que fundamentar todas as suas escolhas, de preferência, por escrito. Concordo com a Cristina que algumas explicações são tão surreais que parecem mais um amontoado de palavras-chave que não significam nada. Para mim, isso só evidencia que o sujeito inventou a justificativa depois. Quem sabe o que faz tem explicações simples, claras, sucintas e convincentes. E, mais do que valorizar o seu trabalho, protege o projeto de palpites alheios sem fundamentação. Ademais, se o projeto é mesmo ruim, não tem texto maravilhoso que o conserte. Se ele é ótimo, qual é o problema em explicá-lo?

 

 

Acredito que os designers precisam continuar criando objetos que falem por si, mas também têm o dever de educar as pessoas sobre a sua profissão, para que elas não apenas gostem, mas realmente entendam o que é design. Do meu ponto de vista, as palavras são indispensáveis nesse processo.

 

 

É isso, Cristina. Para mim, o bom designer deve criar objetos que prescindam de explicações, mas ele deve tê-las sempre disponíveis para o caso do cliente ser um engenheiro…

 

 

Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br

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30 comentários

  • Como sempre :) Então, Lígia. Eu concordo que suas abordagens são complementares. A explicação para um possível interpretação contrária é, justamente, a "enrolação" presente em boa parte dos casos. Realmente, como a Cristina comentou, a maioria dos estudantes (e Designers Profissionais) pensa na explicação depois, composta de firulas e falácias. Mas eu tenho uma consideração a fazer: Quando explicada a um espectador que não se abriu o suficiente para receber as informações - ou não estava distraído o suficiente como se está ao escolher um produto numa prateleira, nem mesmo o melhor orador-designer do mundo consegue convencer. Naquela tentativa de compreender os elementos de uma marca, ele termina por se distanciar do perfil de Público, para tornar-se crítico. Acho que é exatamente como disse o J. Carlos Pires, da Kriando: "(...)marcas não são feitas para funcionarem com etiquetas explicativas" "Uma boa marca é uma poesia visual, não se explica. Sente-se." Ou seja: mesmo seguindo corretamente a metodologia desenvolvida, anotando cada etapa para depois explicá-la, e obtendo o maior sucesso na finalização, se o espectador não estiver disposto (ou distraído o suficiente) para sentir a marca, fica complicado explicar.
  • Oi, prof. Ricardo! Concordo inteiramente com as suas observações. Mas não há uma terceira opção, onde o designer conceitua o seu projeto e explica esse conceito para o cliente de uma maneira menos leviana e isolada da realidade? Não é porque ele usou semiótica ou gestalt que virá com verdades definitivas - ele pode muito bem usar esses conhecimentos como base para pesquisa interagindo com o público de interesse. Quando eu falo nesses princípios, falo em fundamentar os argumentos, não recitar explicações prontas. É justamente isso que estou defendendo...
  • Como uma professora minha falou na faculdade: "não gostar de uma obra de arte não significa que você não a entendeu". Como sou formado em História da Arte, durante o curso - e até mesmo fora dele - muitos críticos ou até mesmo artistas plásticos dizem que, se você não gostou da obra é porquê não a entendeu. Concordo com a Lígia. Entender e ter um conhecimento além sobre aquilo, nos coloca muito melhor posicionados sobre o assunto e ainda nos dá subsídios para respeitar e apreciar ainda mais uma marca/obra ou até mesmo uma luta de boxe (data vênia).
  • Ligia , Prof. Ricardo e a turma toda! Em resposta para você, concordo que temos muitos Marketeiros no pedaço! Infelizmente, como já falei aqui, esses "profissionais" tem o maior reconhecimento dentro das empresas e organizações. Concordo com você que devemos trabalhar juntos para atender o cliente, principalmente porque o homem de Marketing tem a obrigação de informar onde está o "Iceberg" para o board evitar e onde está o mar livre a frente. Infelizmente os Marketeiros se preocupam menos com isso e se sentem mais atraidos pelo nosso trabalho e daí......acontece as barbaridades que ouvimos e vemos. O Designer, escorraçado, tem que se virar para atender o ego do cara! Por isso, lá fora, os cursos de Design já estão colocando uma cadeira de Marketing (sério) para que nós Designers possamos atender os nossos clientes sem sofrer na mão desse povo. Só um detalhe! Quem é melhor? A marca do CITIBANK ou a marca do EXTINTO Banco Nacional? Lembram dela? O conceito é o mesmo! A filosofia é a mesma! Mas vejam o resultado! Para mim a do CITIBANK é ridícula perto da outra. Para mim a melhor marca de banco do mundo é do nosso BANCO do BRASIL, inigualável, direta objetiva e simples. Informa o que precisa ser informado...e pronto. Abraços para Todos! Foster.
  • Existe uma diferença entre "conceitos sem validade, incorretos" e "conceitos superficiais, incompletos, mas não incorretos". Eu não condenei o segundo caso. E também, ter formação em psicologia não é ideal no design. Designers não precisam ser especialistas em psicologia pra evitarem sair falando asneiras por aí. O ideal é não ler um texto de gestalt-tipografia-semiótica e achar que isso é suficiente, e que ele está pronto para sair fazendo discursos explanatórios, como alguns pseudo-designers fazem. É possível fazer um trabalho "honesto e sério", como você diz, mas com responsabilidade. Se o designer não tem certeza do que diz, é melhor não dizer nada. A vantagem da pesquisa é justamente essa: fazer o designer perceber que o que ele estudou nos livros pode ter uma dinâmica bem diferente em cada caso. Isso não tira a importância da teoria, mas a coloca no seu devido lugar. Quando um músico explica a diferença entre uma flauta e um oboé, ele pode estar sendo simples, correto e didático. Mas quando ele vai além e diz coisas que não tem fundamento (mesmo sem ter má intenção), teria sido melhor ter ficado calado. Designers podem simplificar, dizendo "a serifa é essa perninha que as letras tem". Isso não vai matar ninguém. Mas, se em seguida, começa a dizer "serifas tornam os textos mais fáceis de ler e aumentam a legibilidade", ele saiu do grupo que tenta transformar coisas complexas em simples, e entrou no grupo que fica repetindo coisas sem ter fundamento. E isso é discurso vazio, sem apoio da realidade, conforme uma boa pesquisa poderia comprovar.
  • Gostaria de lembrar que a logo do Citibank foi criado pela Paula Scher, da Pentagram, em dois segundos, no meio de uma reuniao, usando um guardanapo e caneta. Acho que uma marca gráfica interessante enche os olhos. (Ex: http://www.freshglue.com/fresh_glue/images/paradox_logo.jpg). Mas uma logo existe SEMPRE inserida em um contexto HUMANO, INTUITIVO, que é maior do que qualquer regra de gestalt, pricípio de tipografia, e outras técnicas que existem, exclusivamente, no vocabulário e no universo do designer. Voltando à logo do Citi, Paula Scher explica melhor do que qualquer um de nós até agora explicou: "How can it be that you talk to someone and it’s done in a second? But it is done in a second. It’s done in a second and in 34 years, and every experience and every movie and every thing of my life that’s in my head." Recomendo leiam e vejam: http://www.rbird.com/movabletype/aboutdesign/archives/000346.php e http://www.hillmancurtis.com/index.php?/film/watch/paula_scher/ . Um abraço a todos!! Ana
  • "No exemplo da música, eu prefiro não ter explicação nenhuma, do que ter uma explicação mediana, com a melhor intenção do universo, feita por alguém que sabe mais ou menos sobre música, e fica democratizando conceitos sem validade." Eu tenho certeza que as coisas não são assim, professor... Eu não tenho o menor interesse em me aprofundar em profissões como medicina, mas me interessa saber que o corte que fiz ontem na perna cortou uma veia e não uma artéria porque essas ficam no interior da musculatura (exceto algumas como a aorta) e não na parte mais superficial, como é o caso das veias... Isso me ajudará a não entrar em pânico na próxima vez que me cortar, não?
  • Caro professor, Entendo seu ponto de vista, mas penso um pouco diferente. Freqüentemente estou do outro lado do balcão (aliás, foi aí que comecei e é aí que me encontro no mais das vezes, já que não atuo como designer). Posso dizer que, do ponto de vista de um leigo (como eu), mesmo que a explicação ainda não seja a mais completa possível (e, claro, desde que não seja enrolação - estou falando no meio termo entre o estado-da-arte e os princípios básicos do design), penso que ajuda bastante. É claro que é preciso ler e estudar muito, nunca se contentar com o básico. Mas compartilhar o pouco que se sabe (é o que estou tentando fazer), do meu ponto de vista, ajuda mais do que atrapalha. Pelo menos tenho sensibilizado muitos empresários para contratarem designers em vez de sobrinhos e eles têm ficado satisfeitos com o trabalho desses profissionais (mesmo que provavelmente talvez nenhum deles tenha formação em psicologia como seria o ideal - mas é um trabalho honesto e sério dentro de suas limitações). Concordo que se pode melhorar muito, mas há que se começar de algum lugar... O que vejo é que designers teóricos acabam encastelados nas academias em busca da excelência e muito longe dos empresários da vida real (atenção - não estou falando de você - já dei uma boa olhada no seu site). Mas com o tempo, acaba se formando esse abismo enorme que a gente vê entre cliente e designer. Concordo que a gente não deve se contentar com pouco e nunca parar de estudar; não se conformar com soluções prontas e buscar sempre saber mais. Mas, como cliente, ainda prefiro saber a diferença entre uma flauta de um oboé (mesmo que esse conhecimento seja superficial e incompleto) do que não fazer idéia de que existe essa diferença... tem funcionado, pelo menos, para que o cliente não queira colocar bolinhas azuis no projeto só porque a mulher dele gosta...
  • Como eu já te disse, o mundo não é preto no branco, logo a idéia "Ou se tem um designer com uma cultura em psicologia muito acima da média ou então não se explica nada?" é extremista. No exemplo da música, eu prefiro não ter explicação nenhuma, do que ter uma explicação mediana, com a melhor intenção do universo, feita por alguém que sabe mais ou menos sobre música, e fica democratizando conceitos sem validade. Obviamente, o que é um conceito com validade ou não, qual é o ponto que separa a psicologia abaixo e acima da média, não é tarefa fácil. Mas se um designer quer moleza, não quer participar da construção do conhecimento, quer tudo mastigado, ou então prefere ficar abaixo da média mesmo, ele pode começar a se contentar com salários abaixo da média, respeito abaixo da média, reconhecimento abaixo da média, etc. Certamente há lugar para esses também, mas não vale reclamar por ter ficado no final da fila.
  • Oi, prof. Ricardo! Pelo visto, defendemos a mesma coisa e concordo integralmente com os seus argumentos (apesar de confessar minha ignorância nos pontos mais aprofundados de semiótica e gestalt, como citados). De qualquer maneira, invocando ainda meus exemplos, o maestro Benito Juarez foi duramente criticado por suas "aulas populares de música", já que ele, por força da platéia, tinha que fazer algumas generalizações e simplificações. Mesmo assim, para mim, como leiga, fez muita diferença - continuo não entendendo de música clássica, mas passei a respeitar mais o trabalho e a entender que não era pura inspiração intuitiva. Era esse o ponto que eu queria chegar. Assim, ou se tem um designer com uma cultura em psicologia muito acima da média ou então não se explica nada? Claro que sei que o mundo não é binário (sou adepta da lógica difusa), mas há que se achar meios-termos compatíveis com a nossa realidade atual e a formação dos designers hoje. Sobre a pesquisa, mais um ponto para o designer e o profissional de marketing trabalharem juntos - é muito trabalho (e conhecimento) para um profissional só. Penso ainda que psicólogos são essenciais numa equipe assim. Um abraço e mais uma vez obrigada pela aula!
  • Lígia, sim, há terceira, quarta, quinta, enésima opção, afinal o mundo não é preto no branco. Eu fico com o pé atrás com a turma que usa a semiótica no Brasil pra justificar trabalhos de design, pois a Semiótica geralmente ensinada no Brasil é a peirceana, que muitas vezes fica reduzida a "ícone, índice, símbolo", e vira uma salada na boca de muito designer. O mesmo acontece com a gestalt, já que alguns designers nunca estudaram psicologia e, de repente, viram craques na teoria da percepção, usando um pacotinho de regras mal-interpretadas como fechamento, continuidade, boa forma, etc. A Semiótica social da imagem, que poderia realmente ajudar os designers a não usarem discursos bonitos e vazios, ainda não é ensinada como deveria no Brasil. E mesmo a psicologia Gestaltista já está sendo substituída por explicações cognitivas, que reduzem a importância do automatismo perceptivo, baseado em forças internas de organização. Você está certa ao dizer que o conhecimento deveria ser "base para pesquisa interagindo com o público de interesse". Mas tem muito designer que acha que fazer pesquisa é usar o Google ou pegar o manual de dicas prontas do Tio DesignMan. Gostaria de ouvir o nome das faculdades particulares que ensinem métodos de pesquisa e técnicas de coleta de dados (ainda bem que nas faculdades federais isso já começou a ser feito). Geralmente, quando é ensinado, o método de pesquisa é apenas uma aula dentro da disciplina de Método Científico, que gasta mais tempo falando sobre normas da ABNT, do que mostrando como integrar conhecimento, pesquisa e realidade no design. Resumindo, o problema não está na presença ou ausência de explicação. O erro acontece quando se desvincula o conhecimento da realidade, a pesquisa com os públicos interessados é deixada de lado, e começa-se o jogo adivinhatório que faz generalizações sobre a figura mítica de um tal "público-alvo". Quando a pesquisa é feita corretamente, no âmbito do design, se preocupar com explicações perde o sentido, pois, na pesquisa apropriada, os fundamentos teóricos não são uma opção, eles são uma condição. Além disso, são coajuvantes na história e não protagonistas. O papel principal ainda continua com a relevância das soluções apontadas dentro do contexto de uso, e isso a teoria sozinha não consegue prever. Nesse sentido, se uma solução de design cumpre seu objetivo, conforme verificado por um trabalho de pesquisa, sobre a aplicação do design numa situação real, então reduz-se a necessidade de ficar explicando o design com teoria. Mas, quando a pesquisa no contexto não existe, o designer se sente obrigado a tampar o buraco que ficou. E dá-lhe semiótica, gestalt, regra áurea, usabilidade, kerning, tracking, sistema aditivo e mais um monte de conceitos com palavras difíceis, justamente pro cliente ficar pensando "não entendo nada disso, é melhor acreditar no que ele falou". Logo, eu defendo: pesquisa e contextualização sim. Teoria sem pesquisa (conversa mole) não.
  • Oi, Rogério! Entendo sua posição (até pela sua ampla experiência nesse tipo de ação em um mercado para lá de competitivo). Mas sinto-me na obrigação de defender um pouco os profissionais de marketing (é uma das minhas áreas de formação). Concordo que tem muita gente tentando fazer o trabalho do designer e desvalorizando as suas competências. Concordo também que isso muitas vezes é perpretado por "marketeiros" (esse termo é pejorativo). Já escrevi em outras ocasiões: marketing e design devem andar juntos, pois um bom projeto precisa de informações das duas áreas para ficar redondinho. Penso que esses profissionais devem trabalhar de maneira colaborativa, no mesmo nível hierárquico. Talvez isso aconteça quando o pessoal do marketing entender melhor o que é design (é justamente o que estou tentando fazer com meu trabalho de formiguinha). Também penso que a regulamentação viria a ajudar muito, mas não resolveria o problema por completo. A raiz do conflito está na atitude competitiva e não colaborativa dos profissionais. Acredito que precisamos de muita conversa para que as partes se compreendam mutuamente. Obrigada e um grande abraço!
  • Pessoal! Primeiro um Feliz 2009 para todos! E que nesse Ano consigamos regulamentar essa nossa bendita profissão! Esse problema, segundo soube, está nas mãos do Deputado Federal pelo Rio de Janeiro, do PT, Jorge Bittar, mas esse assumiu uma Secretaria do Município do Rio de Janeiro e portanto estou querendo saber como vai ficar essa situação.......... Lígia, Prof. Ricado e a tropa toda! Não sei se vocês se lembram do quebra-pau ( A nova Ortografia permite ) que ocorreu aqui no ano passado, sobre uma tal de Identidade Visual da AZUL Linhas Aéreas, onde exatamente foi divulgado o que a Ligia está discorrendo aqui. Esse blábláblá todo não citou que a marca as vezes tem sua definição inventada pelos Marqueteiros e o Designer tem que se virar para gerar "algo" que coadune com essas idéias mirabolantes. Corretamente a Ligia e o Prof. Ricardo insistem que ao se "criar" uma marca ou produto, o profissional correto tenha que ter um embasamento filosófico/ teórico para a solução dada. Em uma palestra que eu e outros dois profissionais de Design da área de aviação apresentatamos na UNICARIOCA, aqui no Rio, o meu colega Arquiteto e Designer, mostrou aos alunos dessa Universidade uma apresentação de um novo interior (na época) para os aviões da ex-Varig feito pela PENTAGRAM e outros dois escritórios internacionais. Para essa concorrência, esses escritórios, antes de apresentar os projetos, apresentaram de onde e como chegaram as soluções de padrões, cores e materiais a serem aplicados nessas aeronaves. Ou seja, embasaram todo seu trabalho antes para que o seu projeto pudesse ser o escolhido pelo cliente, no caso a VARIG / VEM. A apresentação dos conceitos foi maior que a solução apresentada, na proporção de 2/3 para conceituação e 1/3 para o projeto em si. Vejam como esse fator é preponderante para um projeto de Design. Tudo e em qualquer trabalho que um Designer profissional e formado deve fazer é antes de pensar na solução, criar um conceito inicial onde ele possa ter a certeza que a sua solução seja a correta para atender o seu cliente. Isso é básico! Mas não é o que ocorre normalmente. Não tenho nada contra os Marketeiros, só quando por "olho gordo" eles se acham no direito de criar as "soluções" antes do Designer. Marketing é Marketing e não tem nada de Design. O Designer deve e deveria estar perante o Board da empresa no mesmo nivel de decisão! Esse é o erro que é cometido diáriamente no nosso pais, porque o Design é hoje terra de ninguém e todo mundo quer ser Designer sem poder ou entender. Daí os profissionais inventarem o resultado antes de criar o conceito e depois se virar para embasá-lo. Isso se chama ser leviano! E não Design! O que vale é o bonitinho, agradável, prestigitação....mas no fundo é ordinário! Marketeiro sabe muito bem fazer isso. Os Marketerios sérios, estão preocupados em cuidar de sua área e não ficar criando idéias estrambóticas para a gente resolver para enganar o consumidor e aumentar as vendas ou melhorar a imagem da empresa perante o mercado. Por isso temos que nos regulamentar, para parar com isso e conseguir que os profissionais de Design sejamos colocados na correta posição dentro do organograma das empresas no Brasil. Lá fora isso não acontece e quando acontece a empresa não se firma no mercado, Design lá fora é essencial para a sobrevivência das empresas pois lá não existe a "Xupada" de produtos e serviços. O mercado não permite e o consumidor, que tem conhecimento denuncia, e os governos não permitem. Abraços para todos do Foster.
  • Olá Ligia! Leio o blog já há algum tempo, e hoje tive vontade de comentar. Achei muito bom o seu texto. E concordo inteiramente. :) Já fui professora em um curso de design, e também sempre pedia memoriais descritivos. Argumentava com os alunos sobre a importância de ser capaz de defender as idéias verbalmente, principalmente diante dos clientes. Com o passar do tempo, percebi ainda um "efeito colateral" interessante: a necessidade de explicar suas decisões fez com que os alunos considerassem estas escolhas com mais atenção (já que elas teriam que justificar-se depois). Desta maneira, os memoriais passaram a estimular a reflexão dos alunos sobre seu próprio trabalho. O resultado disso foi bem interessante. :)
  • Falar de significado no design gráfico sem entender como é a interação humana, como se obtém exatidão empática e qual o papel dos sistemas sociais na comunicação, praticamente anulará qualquer possibilidade de efetividade das mensagens. Enquanto designers ficarem reclusos em seus gabinetes, imaginando como é o mundo lá fora, e usando bolas de cristal para adivinharem o que isso ou aquilo vai significar, o design vai continuar mal. Muito mal.
  • Cenário 1) Designers fazem um projeto e depois fazem um memorial descritivo com trocentas abobrinhas pra explicar suas decisões. Faz primeiro, explica depois. Cenário 2) Designers fazem um projeto se baseando em teorias e argumentos de semiótica, gestalt, tipografia e teoria das cores. Depois explicam o "significado" da mensagem (do seu ponto de vista pessoal). Daí explicam que "outras pessoas" vão pensar isso, que o "segmento alvo" irá entender aquilo, ou seja tentam prever o futuro da interpretação. Nos dois casos, a conversa é pra boi dormir. Como os clientes são reféns da sua ignorância e não tem como rebater esses pseudo-argumentos, baseados em pseudo-premissas, o discurso é aceito. Ou assim como muitas pessoas diante de uma obra de arte, por medo de serem chamadas de ignorantes, fazem cara de quem entendeu tudo, clientes que temem passar por desentendidos dizem "sim, sim, eu compreendo perfeitamente suas explicações semio-color-tipo-gestálticas". O resultado final é que o design ganha uma fama de enrolação, adivinhação e enganação. Isso prejudica sua reputação como profissão séria e, por associação, alimenta o ciclo de desrespeito dado aos designers que fazem seu trabalho direito.
  • Oi, Teo! Desculpe, mas então acho que não entendi a sua pergunta. Você acha então que projetos que podem ser explicados por princípios téoricos não podem ser inovadores, criativos ou inteligentes? E o que quer dizer "achismos utilizados por todos (sic) designer"? Todos os designers fazem coisas baseadas em achismos (menos você)? E por isso você quer carta branca? Sei lá, fiquei confusa... se você quer mágica, já tentou um curso de hipnotismo? Talvez ajude...eheheh... Desculpe a brincadeira, mas é que realmente não entendi a pergunta...
  • Oi ligia ! Exatamente clientes criativos e inteligentes como eu ,certamente não aceitam com muito facilidade argumentos de semiótica, gestalt, tipografia e teoria das cores até porque eles têm conhecimentos sobre esses assuntos e querem novidades e não teorias, “achismos “ utilizados por todos designer . Com certeza eles sabem o impacto que quadrados vermelhos (achismos)têm sobre o projeto e sabem como um criativo se sente quando seus argumentos conceituais são ignorados, mais o mercado anda a mil por hora , é isto é que importa . Para publicitarios Design tem que fazer magica no mercado , não técnica. Alguma dica por aiiiiiiii
  • Oi, Teo! Mas você mesmo já respondeu a pergunta: se os seus clientes são criativos e inteligentes como você, eles certamente vão entender com muito mais facilidade os seus argumentos de semiótica, gestalt, tipografia e teoria das cores (até porque eles têm mais conhecimentos sobre esses assuntos do que os pobres técnicos, né?). Com certeza eles devem saber o impacto que quadrados vermelhos têm sobre o projeto. Além disso, como são criativos, devem saber como um criativo se sente quando seus argumentos conceituais são ignorados. Ah, e um comentário sobre "carta branca". Isso não existe, sabe? Todo projeto tem restrições e condições de contorno. O desafio é achar a melhor solução dadas as restrições e os egos envolvidos... Boa sorte!!
  • Oi Ligia Que felicidade ss os meus clientes fossem da área tecnológica, engenheiros , os técnicos são mais quadrados , a criatividade deles é limitada por tanta técnica e qualquer um lhes pode ganhar na retórica . Os meus cliente são publicitários da área de marketing .Criativos e inteligentes como eu . Como fazer para que o cliente dê carta branca mesmo sendo contra os quadrados vermelhos?…
  • Acho q a alusão a luta de box é perfeita, mesmo sem nunca ter assistido a luta, todos sabem que o objetivo de ambos é golpear o adversário até derrubar o cara (ou obtendo o maior número de pontos, o que não tem graça nenhuma hehehehe) porém, os golpes desferidos, como foram realizados, qual seus nomes, podem fazer a diferença entre prender ou não a atenção dos espectador. Com o design penso igual, o objetivo é criar um material que se destaque e prenda a atenção do consumidor, mas ter uma lógica, mostrar o objetivo de cada elemento, e sua função no contexto total da peça pode fazer a diferença em convencer ou não o cliente. É claro que não haverá um design ao lado de cada prateleira para explicar ao consumidor o design da peça, porém cada um, certamente, irá ficar atento a algum detalhe da peça criada e é importante mostrar ao cliente que seja qual detalhe for o que chamar mais a atenção do cliente ele “passará a mensagem” da empresa/produto junto a esse consumidor.
  • Oi, Felipe! Também concordo com você, para haver comunicação, é importante que o outro lado esteja receptivo. Design é técnica, não mágica... eheheh... Mas por outro lado, talvez o designer não tenha se dedicado o bastante para saber como se comunicar com o cliente de maneira que ele fique mais receptivo - é preciso ter empatia, ou, como defendem alguns, rapport. Às vezes o cliente fica desmotivado porque a explicação não é interessante, não consegue ver o que o negócio dele tem a ver com isso. A arte da retórica e da eloquência deveriam ser estudadas com mais cuidado... certamente fazem diferença numa negociação.
  • Oi, Dado! Olha, a dica que eu dou (e tem dado certo para mim, que faço a ponte entre o designer e o cliente) é explicar semioticamente o que significam os tais quadrados e porque a mensagem vai ficar distorcida se usar as tais bolinhas. Clientes inteligentes sempre entendem isso com uma boa explicação e até gostam de aprender. Use também a teoria das cores para explicar a diferença de percepção entre elas. Mas você tem que estar absolutamente seguro do que está dizendo - qualquer "tipo assim" pode fazer você perder a credibilidade. É claro que o cliente pode continuar teimando, mas vai respeitar mais o seu trabalho, com certeza. Penso que a solução é parar de discutir gosto e começar a discutir técnica (com a ressalva de que a maioria esmagadora dos meus clientes é da área tecnológica e são engenheiros como eu - então eu sei que eles se sensibilizam com esse tipo de explicação, pois são curiosos). Tenho atendido clientes de outras áreas e tem dado certo também, mas a amostra é bem menor. Boa sorte e espero que dê certo para você também!
  • Acho importante sim o designer saber argumentar. Acho também que ao argumentar para um professor o porquê de cada detalhe do trabalho, ele precisa de argumentos diferentes do que para um cliente e inclusive de mais tempo, porque o professor precisa acreditar que o aluno sabe sobre todas as características importantes do projeto. O cliente nem sempre se importa com usabilidade (mas com lucro), a faculdade sim.
  • Ótimas explicações, mas acho que todo designer sofre com essa parte de ter que explicar e principalmente convencer o cliente de que quadrados vermelhos são melhores para ele do que bolinhas roxas, é complicado e eu ainda busco um método para que o cliente não faça isso, você tem algum?...rs Todo cliente quer ser designer também, é raro um cliente dar carta branca e deixar você criar usando seu talento e seu conhecimento e confiar no seu resultado, realmente é raro. Eu ainda tenho dificuldade com isso, no começo eu fico em uma queda de braços com o cliente mas depois acabo fazendo o que ele quer mesmo quando vejo que está arriscado eu perder o trabalho, queria que fosse diferente, queria poder ter condições de mesmo perdendo o trabalho eu não ceder, mas na realidade é difícil. Será que você tem alguma dica pra me dar com relação a isso? Como fazer para que o cliente dê carta branca mesmo sendo contra os quadrados vermelhos?...rs Eu tenho algumas mas nem sempre funcionam. Até a próxima mocinha =)
  • Também concordo com o que diz o José Carlos da Kriando: “(…)marcas não são feitas para funcionarem com etiquetas explicativas” “Uma boa marca é uma poesia visual, não se explica. Sente-se.” E isso meio que é válido para qualquer peça de design gráfico, seja embalagem, logo etc... Ou tá claro que funciona para o público alvo ou então não há explicação que salve. Alguns designers adoram mascarar os seus trabalhos com explicações filosóficas, procurando imprimir uma profundidade conceitual para valorizar o trabalho "existe todo um conceito" etc e tal... Só serve para iludir quem não entende mesmo nada. Funciona ou não funciona. Sem explicações SOS.