Arquitetura do design

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jm_roca

Se tem uma coisa que causa mal estar entre os designers é um arquiteto se intitular um deles. Para boa parte dos designers, arquitetura e design são disciplinas completamente distintas, só tendo em comum a preocupação estética que seus praticantes comungam. Para mim, não é só isso. Como defendo a definição do design (longe de ser unânime, bem lembrado) onde ele se sustenta sobre o tripé projeto, conceito e estética, penso, sim, que os arquitetos são designers também, já que a arquitetura baseia-se igualmente nessa trindade. 

 

Mas alto lá. Isso não significa que arquitetos possam sair por aí livremente criando marcas gráficas, websites, embalagens ou luminárias. O curso de arquitetura não contempla essas habilitações e penso ser saudável respeitar as limitações que cada formação impõe. Arquitetos são designers sim, mas de um tipo de produto muito especial, que os outros designers de produto não costumam (e nem possuem qualificação) meter o notebook. Arquitetos projetam objetos de morar, de trabalhar, de conviver, de se divertir. E isso não é nem de longe pouca coisa; portanto, não há mesmo razão deles quererem projetar marcas também.

 

Alain de Botton, no seu ótimo “Arquitetura da Felicidade”, acerta em cheio quando diz que somos incovenientemente vulneráveis ao ambiente que nos cerca. A cor das paredes, o formato do sofá, o desenho do tapete, tudo influencia o nosso humor, mesmo que a gente não perceba. Eu, pelo menos, não consigo produzir em ambientes feios (claro que esse “feio” é compatível com as minhas referências estéticas). Fico triste, de mau-humor, quero sair. Concordo com Botton que, no fundo, todas as almas sensíveis são afetadas pelo cenário. Você não está nem aí para a estampa do sofá? Pois o Alain advoga que aquelas pessoas que aparentemente não se comovem com o entorno estão, na verdade, protegendo-se da possibilidade da angústia de serem expostas à ausência da beleza. Sabe aquele tipo estóico, que vive se economizando, que não se apega para não sofrer depois? Quem sabe não é você?

 

Para os afoitos de plantão (sempre aparece alguém com esse argumento), não custa lembrar que a estética não tem nenhuma relação com dinheiro. Sensibilidade não tem classe social e pode-se fazer maravilhas com um caixote de madeira ou um banquinho feito no quintal. Da mesma forma, torneiras de ouro e tapetes de pele de onça importada das savanas africanas estão longe de serem sinônimos de harmonia visual.

 

Você já percebeu que, assim como a roupa, a casa de uma pessoa também pode dizer muito sobre ela? Os estilos arquitetônicos são muitos, e, mesmo que nem sempre a gente possa escolher com total liberdade a cara do lugar onde vai morar, é nas adaptações e nos detalhes que as personalidades se revelam. De anões de jardim a portões automáticos; de janelas trancadas a varandas floridas; de lixo espalhado a luzes de natal; tudo depõe sobre o jeitão de quem tomou as decisões estratégicas no lar-doce-lar.

 

Da mesma forma, fachadas de edifícios públicos contam a história de seus governantes; a organização de uma cidade fala muito da cultura de seu povo; empresas grandes e pequenas  entregam os segredos de seus gestores; imponência, solidez, amadorismo, descaso, competência, cuidado, fragilidade, orgulho, ostentação, extravagância, discrição, bizarrice – quase tudo pode ser dito pelas paredes dos lugares onde se vive, trabalha, estuda ou namora.

 

Botton ousa dizer que o desenho de qualquer objeto transmite impressões de atitudes psicológicas e morais. Afirma que a personalidade das coisas pode ser julgada a partir de características aparentemente inexpressivas, e exemplifica: a mudança de poucos graus no ângulo da borda pode transformar uma taça de vinho de arrogante a recatada. Lembra que uma cadeira com estruturas curvas é facilmente associada ao acolhimento, à desenvoltura e às brincadeiras, ao passo que uma de traços retos transmite sobriedade, concisão e racionalidade. E faz uma brincadeira divertida: mostra as fotografias de três torneiras diferentes e pergunta de qual delas gostaríamos de ser amigos. É impressionante como a gente simpatiza mesmo com apenas uma.

 

Alain nos alerta que idéias políticas e éticas podem ser escritas em esquadrias de janelas e maçanetas de portas; em grandes construções ou pequenos casebres; em jardins, avenidas, viadutos e até num espremedor de limão. É essa missão que une o design à arquitetura; juntos, eles traduzem uma civilização. Para uma tarefa tão grandiosa e de tão grande responsabilidade, conviria que deixassem de lado essas rivalidades tão vãs…

  

Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br

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19 comentários

  • Ligia, Que os currículos são diferentes pode ser um fato, mas o que você escreveu inicialmente foi outra coisa. Fato. Em suma, acho que estas discussões em que cada um puxa o santo à sua igrejinha são meio sem sentido, quem é competente faz e ponto. Relativamente às marcas, vale dizer que a história e os alicerces do know how em marcas foi inicialmente construído majoritariamente por arquitetos (entre outros) e posteriormente desenvolvido por designers. Os princípios estruturais que se fizeram lá trás continuam absolutamente válidos, princípios que se moldaram muito na fornalha de arquitetos. Não há razão nem legitimidade histórica para dizer que os arquitetos não devem projetar marcas. Quem sabe fazer e faz bem feito, merece fazer. Seja ele ou ela designer ou arquiteto. Para terminar, vou transcrever o seu último parágrafo (que é o melhor de todo o seu texto). "Alain nos alerta que idéias políticas e éticas podem ser escritas em esquadrias de janelas e maçanetas de portas; em grandes construções ou pequenos casebres; em jardins, avenidas, viadutos e até num espremedor de limão. É essa missão que une o design à arquitetura; juntos, eles traduzem uma civilização. Para uma tarefa tão grandiosa e de tão grande responsabilidade, conviria que deixassem de lado essas rivalidades tão vãs…" Paradoxal.
  • Parabéns Ligia, como sempre sutil e pega no ponto exato! Super texto! O Foster, sempre muito bem embasado, chega e acerta várias arestas esclarecendo pontos cruciais nessa discussão. Quanto à Leonor, não sei a sua formação porém fica "claro" que deve ser arquiteta pela forma com não consegue entender as diferenças entre Design e Arquitetura, chegando ao ponto de ironizar de forma arrogante e deselegante a formação dos Designers. Isso é normal, já cansei de ler e ouvir esse tipo de coisa, especialmente por parte de alguns arquitetos (não todos que fique claro) que se acham arquitetos, designers, médicos, engenheiros, advogados, porteiros, padeiros, pintores, escultores, músicos, estilistas etc etc etc etc .... haja Olimpo!!! UFA! No entanto cara Leonor, a sua ironia quanto à formação dos Designers aqui no Brasil serve direitinho para a formação dos Arquitetos também. Se existem pessimos cursos de Design, também existem os de arquitetura tão péssimos quanto ou piores ainda. Só para exemplificar: dois meses atras iniciei um projeto junto com uma arquiteta e, no decorrer das coisas, percebi que ela entende tanto de arquitetura quanto eu de biomedicina. Se não fossem os livrinhos da OCA que ela carrega como bíblia para chupar ideias, ela seria uma excelente atendente de padaria. Em suma, se EU não fizesse o projeto arquitetônico e os outros que eram de responsabilidade DELA, a coisa não teria saído do papel. E assim como ela tem aos montes... É só ver quantos de vocês fogem da responsabilidade da arquitetura e migram para a Decoração de Interiores - não, não é nem de longe Design de Interiores o que eles fazem. Porém ainda tentam deturpar a essência da "arquitetura de Interiores" - que absolutamente nada tem a ver com Decoração ou Design de Interiores - para justificar a decoraçãozinha. É interessante notar também a quantidade de arquitetos que correm atrás dos Designers pedindo "dicas" - em nome da amizade - dentro da área específica do Designer, como no meu caso o Lighting Design. Porém é só falar em consultoria, contrato e etc que estes desaparecem e ainda saem na caa de pau metendo o cacete no imbecil que não o ajudou, ou que "não sabe trabalhar em parceria". Acredito que se, como vc colocou, os cursos de Design deveriam focar menos da multidisciplinaridade, os de arquitetura tem pecado muito com relação à ÉTICA. É interessante notar como vocês respeitam ao pé da letra os códigos de ética do CREA/IAB. Respeito entre os colegas profissionais. Porém um Designer, um pedreiro, um eletricista não são colegas profissionais (da mesma profissão). Daí vermos diariamente um festival de abusos por parte de "alguns arquitetos" contra quem não seja de seu interesse (o trinômio profissional x cliente x fornecedor), que é só o que vale. UFA! Ainda bem que e minha multidisciplinaridade me garante e posso contar com três profissionais de arquitetura realmente conscientes e que sabem os seus limites. Be happy!!!
  • Foster, A sua argumentação é bem multidisciplinar, REALMENTE, acho que exagerei pouco quando escrevi: A transdisciplinaridade do design peca exatamente nessa miopia absolutista de competência de achar que “poder fazer” é igual à melhor competência para fazer. Eu deveria ter acrescentado, para ficar mais claro, que isso se aplica essencialmente ao design no Brasil, pois todo o mundo sabe que nos cursos de design no Brasil: - Os critérios de admissão são super rígidos - As grades curriculares são verdadeiramente fantásticas - A duração dos cursos é super adequada - A Interdisciplinaridade e os desafios curriculares são exigentes e estimulantes - Os critérios de avaliação são rígidos e sérios (não passa qualquer um, não! passa quem é bom e trabalha para se desenvolver) - A carga horária do curso é super adequada e bem distribuída - A esmagadora maioria dos professores é bem remunerada e motivada. - As maioria das aulas são um exemplo em prática pedagógica - Etc - Etc TUDO ISTO SE SOMA e o resultados estão são claros, MUITO CLAROS: Nos cursos de Design temos pessoas muito mais preparadas multidisciplinarmente que em qualquer outro curso, o que dá legitimidade para exercer muito mais competências e escrever o que você escreveu com tanta propriedade sobre a multidisciplinaridade de quem é designer. Quem faz medicina nem imagina o quanto é difícil tirar um curso de design. Qualquer pessoa minimamente inteligente percebe os cursos de design, pela forma como são superiormente estruturados e ministrados, DESENVOLVEM MUITO MAIS COMPETÊNCIAS que qualquer outro curso, isto é indiscutivel. Como você dissem as pessoas não entendem. E em minha opinião elas não entendem por pura IGNORÂNCIA, pois os fatos são claros: quem se forma em Design, por conta da qualidade de o ensino destes cursos tem muito mais competências e isso permite fazer muito mais coisas de forma competente (diferenciada), é óbvio. Sabe, Foster...o problema na verdade não está na ciumeira relativamente à multidisciplinaridade da profissão, está na multidisciplinaridade da Ignorância daqueles que acham que um diploma de Design os torna competentemente "habilitados" para fazer qualquer coisa no que toca à multidisciplinaridade do Design. Uma convicção que em 90% das vezes se sustenta apenas num pedaço de papél (o diploma) e não em conhecimento efetivo ou páginas de portfólio que demonstrem competências multidisciplinares. Quem já entrevistou recem formados em Design sabe o quanto a esmagadora maioria deles é MULTIDISCIPLINAR e é capaz de pensar e argumentar multidisciplinarmente... (mérito dos cursos de Design e do ensino no Brasil) Para terminar, sublinho que não defendo que os cursos de arquitetura sejam muito melhores que os de design, mas há muito mais cursos de design que arquitetura, e, na proporção, os de arquitetura tenderem ser um pouco melhores e vendem menos MULTIDISCIPLINARIDADE. No Brasil, quem é competente e multidisciplinar deve 90% do seu sucesso à vontade de ser e fazer bem feito. (pura RAÇA)
  • Prezada Leonor, Desculpe-me pela demora dessa continuação de nossa conversa, mas o VELOX me deixou na mão! Eu não posso ser simplista em Arquitetura, pois tenho um irmão Arquiteto e vivi a vida toda com Arquitetos! Em nenhum momento eu fui arrogante com os Arquitetos, pois apenas disse o que é verdade....a competência dos Arquitetos é.......exatamente a Arquitetura. Eu nunca disse que o Homem não era o objetivo da Arquitetura e nem disse que o Design exclue isso.....afinal a Ergonomia é uma das cadeiras do curso de Design e esta tem também a psicologia a antropologia,sociologia e todos os possiveis estudos voltados para o Homem incluidos em seus estudos de Design. Daí....qual é o problema????? Eu nunca disse acima que uma exclui a outra profissão, nós todos sabemos que Arquitetura e Design tem atividades projetuais em comum, tanto o Arquiteto, como o Designer podem resolver projetualmente a mesma situação, só o que disse é que um aborda de uma forma e o outro aborda de outra forma ,mas com o mesmo objetivo.... a solução do problema levando-se em conta o usuário, ou seja o homem. São atividades profissionais que se sobrepõem e vão continuar sobrepostas até ambas as partes se decidirem o que fazer de comum acordo. Já disse muitas vezes neste site que a multidisciplinariedade da profissão de Design cria uma ciumeira geral! Parece que isso é uma blasfêmia para as outras profissões! O que é dito aqui é que essa tal particulariedade da profissão é um crime e que nós Designers por exercer nossa profissão somos antes de tudo uns usurpadores das outras profissões e não ao contrário!!! Será que por isso há tanto blá, blá por aqui, por causa de ciumeira????!!! Santo Subdesenvolvimento!!! Vamos crescer gente! O que disse acima não é nenhuma mentira e sim história comprovada! Vão ainda insistir que somos..... como é???? Absolutista??? Se sou Absolutista, vou incorporar o Henrique VIII!!!! Para cortar a cabeça da Ana Bolena da vida que ficam com raiva de nossa profissão por ela ser.....Invasora? Latifundiária? Virulenta??? O que é isso??? Somos nós que somos invadidos e tungados e ainda dizem isso de nós??? Bota o pescoço no cepo! Gente! Vamos botar as cartas na mesa....a existência do Design incomoda demais, mas nós Absolutistas??? Somos peões de primeira!!!Vivemos no fundo das Gráficas, cheirando tintas e papeis, vamos para o chão de fábrica ver a tupia , torno, rebitadeiras funcionarem....vamos para uma mesa de edição e ficamos horas e horas na frente de um computador gastando nossos olhos para sermos chamados de Absolutistas??? Absolutamente NÃO! Só queremos o nosso direito de existir oficialmente, trabalhar corretamente e conviver em harmonia com as profissões limítrofes!!! Isso parece que incomoda demais! E é exatamente por isso que vamos lutar para incomodar sim.....pois os Peões tem direito ao seu paraíso! Será que é pedir demais??? Abraços reais do Foster.
  • Todos os seres humanos fazem design, e isso faz parte da condição de "ser humano", autopoiético, que precisa dominar a natureza, ao invés de ser dominado por ela. Alguns fazem design com método, caminho, que pode tornar a viagem até os objetivos mais curta. Outros fazem sem método, sem caminho pré-definido, mas podem viajar e chegar ao mesmo lugar. E nem sempre o caminho mais curto, defendido por alguns métodos, é o melhor.
  • Caro Foster, A sua visão da arquitetura é bem redutora, simplista. Você define com algum mérito o papel do designer e se equivoca completamente na forma simplista como escreve sobre arquitetura. A transdiciplinaridade do design peca exatamente nessa miopia absolutista de competência de achar que "poder fazer" é igual à melhor competência para fazer. Tanto o design quanto a arquitetura tratam das interações do homem com o meio, sendo que no centro de ambas temos sempre o homem, como meio e fim. Saberes interdependentes que não se excluem.
  • Prezada Ligia, Leonor e todos do pedaço! Todos aqui estão preocupados em dizer que são mais capazes que os outros, mas o tema realmente é outro. O Curso de Arquitetura envolve disciplinas que os Designers não tem e vice -versa. Qual a razão? Os cursos de arquitetura são voltados para a tal "maquina de habitar" de entender como se deve dimensionar o espaço sobre a superfície ou sub-solo deste planeta! Espaço é a palavra chave para Arquitetura. O Arquiteto raciocina por espaços e modulações desse espaço. O tal do "retângulo aureo" ,padrão básico, harmônico e tradicional arquitetônico de modulação espacial. O Design e o Designer, tem que saber disso também, mas vai muito mais além.... de dimensionar e modular e ocupar espaços, o Designer tem que saber e prever como o usuário irá interagir nesse espaço. (Ergonomia), de considerar como os elementos que compõe esse espaço serão criados e fabricados. Compondo tudo isso temos mais conceitos estéticos que deverão ser agregados a todo esse contexto e finalmente prever e pesquisar o futuro disso tudo. O Designer é seriação e fabricação sim, mas ele vai muito além disso, pois o tempo presente do Designer é sempre o Futuro do Arquiteto. Cabe ao Designer desbravar e traduzir o que os centros de pesquisas e os cientistas descobrem nas inúmeras áreas do desbravamento humano para algo que possa ser utilizado pela população dentro em breve. Essa é uma particulariedade do Design que pouco ou quase nada é trabalhada em nosso pais ,ao contrário dos centros avançados do planeta. Por isso eu disse que a Arquitetura avança,mas dentro do contexto limitado da profissão, já o Design não tem limites, por isso é a profissão que mais chama atenção no mundo hoje e é a mais estratégica para os paises e, por isso, os Arquitetos tentam "acompanhá-la", pois os conceitos iniciais são os mesmos mas os desdobramentos são completamente diferentes e fogem ao curriculo deles. Por essa razão os Arquitetos se seguram na estética para competir com o Designer, mas Design não é só estética e sim os inúmeros campos profissionais que a profissão vem arrebanhando com o passar dos tempos e que a Arquitetura sequer não atinge. Nossos resultados projetuais são a modulação desses saberes multidisciplinares enquanto o Arquiteto faz a modulação específica da Arquitetura e apenas de seus materiais e tecnologia construtiva. Se tivéssemos uma visualização para as duas profissões, o Arquiteto é um traço vertical, o Design é um traço ondulado horizontal. Ondulado por causa das inúmeras possibilidades de especializações do profissional e sua capacidade de trafegar entre elas. Na verdade o Design é um sólido multifacetado, onde cada face é uma área profissional e o profissional "correndo por dentro" acessando e respondendo a essa inúmeras faces do sólido. Seria isso que você queria falar para todos? Beijão para você e abraços para os outros do Foster.
  • Oi, Leonor! Ponto para você. Realmente, relendo o texto agora, parece mesmo uma contradição. Talvez deva ter escrito que penso que arquitetos não estão AUTOMATICAMENTE habilitados para fazer design gráfico, assim como publicitários, jornalistas e outros também não. Mas é claro que há muitos profissionais excelentes no mercado que adquiriram os conhecimentos necessários e, juntando com talento, fazem trabalhos notáveis. Uma vez que os arquitetos têm a base, é mais fácil refinar o que falta para a execução competente, caso se dediquem a isso. No final das contas parece que nós duas concordamos que quem tem talento e conhecimento pode (e faz) trabalhos espetaculares, independetente da formação. Muito boa essa sua postura questionadora, Leonor. Fez com que eu repensasse de maneira mais crítica o que eu escrevi e entender um pouco melhor a visão do leitor. É um prazer debater com quem tem conteúdo e postura. Obrigada.
  • Caros, Penso que não me expressei bem e pode ter parecido tenho algum tipo de preconceito profissional. Eu quis salientar apenas que os arquitetos não possuem cadeiras específicas no curso de graduação em arquitetura que os habilitem para fazer trabalhos de design gráfico (fato). Isso não quer dizer, absolutamente, que eles não possam fazê-lo caso tenham habilidade, estudo e experiência necessárias, como os muitos exemplos apresentados demonstram. Mas, do meu ponto de vista, esses profissionais encontram-se na mesma situação que publicitários, administradores, jornalistas, advogados, artistas, ilustradores ou quem quer que seja que faça design gráfico com excelência sem ter se formado em design. O mundo está cheio de exemplos de gente talentosa fazendo esse trabalho e que não possui formação em design (fato), mas não era sobre isso que eu estava falando. O meu foco, nesse artigo, era que a formação profissional e acadêmica é diferente para arquitetos e designers (o que não quer dizer que um seja melhor ou pior que o outro; são apenas diferentes). Não vejo como isso possa ser a favor ou contra alguma coisa; que os currículos são diferentes é um fato. E um deles (o do design) inclui na sua matriz disciplinas específicas para o desenvolvimento de marcas gráficas e o outro (o de arquitetura), não inclui. O que não tem nada a ver com cursos curtos ou longos, bons ou ruins, particulares ou não. É apenas um fato...
  • O importante mesmo, é o cara (designer ou arquiteto) fazer um bom trabalho independente do que seja, assim ele não mancha o nome de nenhuma das áreas. O ruim mesmo é um muleke que acha que ser designer é usar o photoshop pegar o trampo e ainda faz uma merda! Muleke , sem formação e ainda usa o photoshop pra desenvolver uma marca. Isso sim é ruim!
  • A melhor proteção que alguém aspira ter à sua profissão de designer é a competencia, o portfolio. Ser formado em design ou arquitetura não é garantia de absolutamente nada no que tange à possível qualidade de um projeto de Design e a prova é que dois desses expoentes no Brasil são arquitetos (um deles é português). Há 15 anos já havia bons cursos de Design no país... O que acontece hoje é que os cursos de Design se prostituiram, entra qualquer um, passa qualquer um desde que pague a mensalidade, é a banalização total e absoluta. Na verdade, interessa mais saber o que você é capaz de fazer no design do que se você é formado em arquitetura ou design. Enquanto isso, vale lembrar que a discussão deveria ser sobre que designers estamos nós formando, porque isso é muito mais sério e grave que ter arquitetos fazendo Design. Mas nisso não se fala, quem dá aula faz o jogo das faculdades. Curiosamente muitos designers/ professores virão Blogueiros e escrevem sobre Design, mas não escrevem sobre isto... Pois não podem $$$ . Mas escrevem sobre regulamentação da profissão, sobre arquitetura versus Design e posam de "gatinhos" enquanto são cúmplices dos sistemas das faculdades que lhes pagam os salários...
  • Lígia Atuo como sócio num escritório de Arquitetura e Design na minha cidade, onde conseguimos enxergar e projetar alem dessa barreira/preconceito que algumas pessoas ainda insistem em manter sobre esse assunto. Aliamos nossa visão e habilidades especificas de cada um, dentro de nossa formação, onde o resultado disso é a superação das expectativas dos nossos clientes. Creio que esse é o foco: satisfação, prazer e equilíbrio em nossa atividade projetual, seja ela na escala produto ou arquitetônica.
  • Bem complexa esta questão e concordo que cada profissional deve atuar na sua área com muito respeito as demais. Claro que o simples fato da profissão de Designer não ser regulamentada no Brasil permite que cada ser humano se intitule designer. Há os formados em instituições que são bons e ruins e os não que não são nem formados e que também há os bons e ruins, então os não formados poderiam fazer uma prova pra receber a titulação se tal acreditar ser conveniente para si. Uma coisa afirmo: sou formado em design industrial e breve pretendo ingressar em uma faculdade de arquitetura e urbanismo então daqui uns 5 anos poderei ter uma visão bema mais clara sobre este assunto.
  • Não é exclusividade dos designers a sensação de mal-estar gerado por invasão de profissionais de áreas estranhas. Qualquer profissional sério e minimamente qualificado entende que, mesmo que parcialmente sobrepostas em algum aspecto, não há tolice nenhuma em buscar, cada vez mais, clarear e proteger os limites da sua classe, até mesmo porque, mesmo hoje é difícil encontrar-se uma definição pura e bem aceita para Design. Usar como exemplos de casos isolados de profissionais bem-sucedidos vindo de outras áreas é parcial, por serem excessões. Explica-se esse fenômeno há coisa de dez anos atrás – principalmente da falta de opções para formar designers – o design precisava ser explorado por profissionais afins, como artistas plásticos e arquitetos. Atualmente, um dos maiores problemas desta classe profissional está exatamente na invasão de pessoas vindas de outras áreas, que, SEM qualificarem-se na especialidade, acham que podem atuar "por similaridade". Não é o caso do Sebastiany, que além de ser "o cara" das marcas, também é professor. Claro que o conhecimentos de outras áreas agregam (publicidade, artes, informática, marketing etc.), haja visto a interdisciplinaridade presente no fazer design. Mas achar que isso basta é desrespeitá-lo como uma profissão séria. Cabe às pessoas atuantes no meio do design, melhor definir sua profissão e assim protegê-la. E não falo de xenofobismo ou mesmo formação acadêmica tradicional, mas de preparo mínimo, respeito e clareza. Ainda não dispomos de um Crea para a tarefa e o mercado é muito confuso como também cruel, especialmente para muitas linhas do design, como o gráfico. Concordo com o Foster quando diz que a serialidade é uma preocupação pertinente ao design, que o difere – entre outras bases como a ergonomia e a usabilidade –, de outras atividades "similares".
  • Ligia, A sua tentativa de separação entre designers e arquitetos é tola, simplesmente tola. Dois dos melhores designers de marca no Brasil são arquitetos; O Guilherme Sebastiani da Sebastiany.com.br e o José Carlos Pereira da Kriando.com.br . E há tantos e tantos outros exemplos... Espelho meu...
  • Ligia, minha Fascioni! (Essa foi para quebrar o gêlo!!!!) Tenho o dever de lembrar para você e todos que nos assistem que a Arquitetura é que gerou o Design e não vice-versa! O Design foi a conjugação de vários movimentos que envolviam Arquitetura, Artes-Plásticas, Artes-Aplicadas, Engenharia e por aí vai...no final do século retrasado e início do passado. Que os professores de história da arte me corrijam, gerou um movimento estético, artistico, filosófico e etc que hoje se chama Design! Uma profissão multidisciplinar, exatamente por suas inúmeras origens. No Brasil, só um curso superior de Arquitetura forma Designers Gráficos, o curso vem de "brinde" no currículo da FAU /USP. Infelizmente isso ainda ocorre ,apesar da grita geral para que a USP separe de vez e acabe com esse "enclave" na profissão do Design no Brasil. São os únicos Designers com CREA no País! Por isso, grandes escritórios de Design em São Paulo são de Arquitetos e não de Designers. Sem desmerecer, por favor, esses últimos profissionais. O Design cresceu mais que a Arquitetura, por isso do interesse dos Arquitetos em nossa profissão. Seus cursos são semelhantes mas com concepções bem diferentes! Como??!!! Simplificando, vamos dizer que a arquitetura é voltada para a idéia nos espaços humanos, habitáveis ou não e de preservação. O Design é voltado para o processo, para a Idéia, para o uso, para os detalhes de tudo que atende a humanidade e também para a preservação. Como a Arquitetura fica limitada na área da habitação e dos espaços humanos, ela não parou, mas segue o seu caminho voltado para essa área do saber humano, ela procura resolver a "maquina" de ocupação humana no nosso planeta. O Design, pode e deve atender essa área também, mas sob outro enfoque que foi descrito acima. Exatamente essa"liberdade" é que catapultou o Design da Arquitetura e a transformou hoje na atividade do saber humano mais estratégico para as economias mundiais. Temos Arquitetos fazendo Design e Designers fazendo Arquitetura, eles não são concorrentes e nem excludentes e sim complementares. No Brasil, o Arquiteto faz Design, mas Designer não pode fazer Arquitetura, por causa da legislação. Como não nos regulamentamos,isso não fere a a lei. mas se um Designer capaz fizer Arquitetura,estará infringindo a lei. E o Designer pode ser perfeitamente capaz de fazer Arquitetura,mesmo que não tenha cursado a faculdade, pois podemos exatamente fazer construções baseadas em processos modulares industriais,que é a nossa área profissional. Isso ocorre muito lá fora, apesar de criar problemas de homologação da obra no final. Quanto a interiores, já apresentei a definição em uma oportunidade anterior, o arquiteto decora o espaço, o Designer tem a função de verificar o espaço, mais os detalhes que esse espaço tem, seu funcionamento e como os seres humanos vão interagir com ele e por aí vai....., numa complexidade muito maior que o Arquiteto. Uma abordagem mais detalhada e esmiuçada ,que o curso de Arquitetura não enfoca e sempre voltado para a produção seriada e não de unidades limitadas da Arquitetura. Espero que todos tenham entendido e que vejam que uma complementa o outro sem serem prejudicados. Trabalham em paralelo! Abraços para todos do Foster.
  • Nossa matéria mutio boa, as palavras como foram colocadas e definidas tais funções designer/arquiteto. Hoje em dia palavra Design se encontra em tudo mais cade os designersss. Todo mundo quer um trabalho com um bom design mais não querem pagar por isso. Ainda temos um longo caminho. E também como Leonardo falo muitas pessoas não conhecem nem sabem o peso da palavra Design e se dizem designers.
  • O comentário do Sr. Paulo Oliveira, só reforça o argumento defendido pela Leonor ao pressupor segundo suas próprias palavras que "por não entender as diferenças entre Design e Arquietura e ironizar de forma arrogante e deselegante os Designers" ela provavelmente DEVA ser ARQUITETA. Ora, quem será que está sendo realmente arrogante e diria até mesmo pré-conceituoso aqui? Arquitetos não entendem as diferenças mas Designers sim, foi isso mesmo que entendi? Por que? Suponho que o senhor como Designer deva conhecer detalhadamente todas as nuances e limites da profissão de Arquiteto, certo? Ou melhor, talvez a Arquitetura estivesse embutida no curso de Design que o senhor fez, tipo 2 em 1... E posso dizer também, por conhecimento de causa, que não são somente os Arquitetos que correm atrás dos Designers pedindo dicas dentro da área específica do Design. A recíproca também é verdadeira meu caro. Se o senhor contratou um arquiteto que sabia menos que o senhor, sinto muito. Talvez faltou prerspicácia da sua parte em procurar um bom profissional que atendesse aos seus anseios. Deficiências e falhas na formação profissional ocorrem na Arquitetura, no Design e em qualquer outra área de conhecimento que tenha uma grade tão abrangente e uma oferta de cursos (bons e ruins) que se multiplica a cada dia, como é o caso das profissões em discussão. Vamos ficar divagando eternamente sobre quem pode mais, quem tem mais capacidade quando a questão é muito mais complexa que isso. Pesam aí experiência, estudo, talento e outros quesitos que não são um canudo nao mão que irão garantir. Arquitetura e Design deveriam caminhar de mãos dadas entendendo que o campo de atuação de um não exclui o do outro, ao invés de ficarem se deglaldiando nessa disputa de egos sem fim.