Criativa atividade

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Não repara não, é que trabalho com criatividade, então não entendo muito esses números (nem gosto, isso é coisa para nerds).

Pois é, a área técnica é muito limitada. Por isso escolhi trabalhar com criatividade.

Sabe o que é? Não fico bitolado nesses detalhes técnicos porque sou muito criativo, viajo mesmo.

Vivo escutando essas frases de designers, publicitários, ilustradores, artistas plásticos e todos esses profissionais que se convencionou chamar “criativos”. É praticamente um consenso: eles são a parte criativa da sociedade. O resto das pessoas é bitolada, um pouco limitada, tem dificuldade para entender arroubos de inovação. Eu aceitava isso sem questionar muito. Mas, esses dias, ao ouvir pela enésima vez essa fórmula tão pouco criativa, comecei a questioná-la.

De um lado se colocam os nerds (engenheiros, técnicos, programadores, físicos, matemáticos). Do outro estão os “criativos” (designers, publicitários, escritores, artistas). Será que a criatividade é mesmo distribuída de maneira assim tão binária no mercado de trabalho?

Vejamos. A primeira coisa que me vem à mente é que os chips eletrônicos são feitos de silício. E silício, em última instância, é um tipo de areia. Físicos, químicos e engenheiros precisaram encontrar maneiras mirabolantes para adestrar essa areia e transformá-la em computadores, telefones celulares e televisores de alta resolução. Como convencer grãos de areia a fazerem o que você quer? Como sequer imaginar que grãos de areia sejam tão talentosos? Mais que ser criativo, esse povo precisa literalmente tirar leite de pedra…

Olha só o caso dos programadores. É esse povo bizarro que traduz linhas de código escritas em línguas esquisitíssimas no sistema operacional e nos softwares que os criativos usam para desenhar, alterar, distorcer, tratar e animar imagens que antes só viviam numa folha de papel. Existem infinitas maneiras de se escrever um programa – o programador tem que usar toda a sua capacidade criativa para encontrar a melhor solução usando o mínimo de recursos computacionais. É quase como o trabalho de um escritor; o programador precisa dizer para o computador o que ele tem fazer (sem deixar dúvidas) em um mínimo de palavras muito bem escolhidas.

Achar um erro num programa ou numa placa de circuito impresso é um trabalho de detetive que exige tanta criatividade quanto um investigador policial. É preciso colher pistas, testar possibilidades, pensar o que ninguém pensou, ser absurdamente original.

Física é outro lugar onde a criatividade é essencial para se evoluir. Para mim, a teoria da relatividade é a demonstração mais cabal do pensamento lateral aplicado no seu limite. Vale o mesmo para a matemática.

No caso das telecomunicações, entender como funciona a comunicação entre os satélites e as antenas de um mero telefone celular, é de dar dor de cabeça. É necessária muita, mas muita mesmo capacidade de abstração. Reunir um volume gigantesco de informações, tentar combinações improváveis, bolar meios de fazer as conexões, tentar caminhos novos, suplantar os infinitos problemas que aparecem no caminho e mesmo assim fazer funcionar sob pressão. Isso não é usar a criatividade? Então o que é?

Não quero, de maneira alguma, defender aqui que uma função seja mais ou menos importante que o outra, já que todas se complementam. Também não tem nada a ver com níveis de inteligência, já que o profissional tem que ser muito bom para fazer uma coisa realmente original, seja que coisa for, em qualquer área. O que gostaria de chamar atenção, é que às vezes a gente acaba considerando um trabalho como pouco criativo só porque a não conhece muitos detalhes dele. A criatividade se manifesta sob muitas formas diferentes. Em comum, todas recombinam informações de maneira original para resolver um problema.

Na minha opinião, a criatividade é uma característica da pessoa, não da profissão. A gente encontra projetos de design geniais e outros que poderiam ser qualquer coisa, menos criativos. Também vê técnicos encontrando soluções praticamente milagrosas e outros que parecem ser desprovidos de cérebro.

Criatividade não tem dono, nem currículo, nem diploma, nem profissão. Ainda bem.

Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br

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35 comentários

  • Uai Lígia, até que eu entendi um pouco diferente, acho que eles são criativos mesmo não podendo errar...será que aí entraria a capacidade de abstração do japonês? Mas deu um duplo sentido mesmo. Uma coisa que não concordo é dizer que japonês é igual a qualquer ser humano, quando eu ouço dizer que é coisa de japonês para mim parece coisa de outro mundo! :-D Fico no aguardo do seu texto.
  • Gelgodoy, um exemplo: o espremedor do Starck encaixa-se em todas as analogias que você expos neste comentário, só pela questão do ponto de vista. Não podemos ficar tratando tudo "como verdades absolutas"... ou tem graça ser criativo "só dentro do quadrado"? A analogia qual fiz não tem forma nem função, não defende nem ofende, é só uma analogia. Não precisa de porque, muito menos de pertinencia [uma vez que cada um pode entender e aceitar o que eu escrevi como quiser!]. A não ser é claro que voce queira uma tese para ela =D... o importante era me fazer compreensivel, consegui [ainda que precisando explicá-la]. Em tempo, foi uma "forma criativa" de faze-lo, afinal peguei dois termos comuns entre si [informação], aplicados numa situação incomum ["problema"] para definir um conceito abstrato ["solução"]. Usei porque foi a primeira fase que me veio, ao lembrar do seu autor (um publicitário, ao definir esta profissão, tambem chamada de profissão dos criativos). Eu já penso diferente de ti, o que não significa que você esteja errado, ou que o que voce escreveu seja uma baboseira, coisa de gente com má instrução. Uma vez que os dois conceitos [criatividade e genialidade] são abstratos, podemos ve-los de formas distintas porém aplica-los da mesma maneira. Um artesanado diferenciado [ou que um determinado grupo não tenha conhecido naquela forma e função] é criativo... e voce explicou / reiterou exatamente o que eu quis dizer: criatividade não é arte.
  • Obrigada Tony por ser mais claro. Definitivamente cada um tem um ponto de vista e discutí-los faz parte do desenvolvimento pessoal não é mesmo? Aquela coisa que você falou de arte industrial e arte, assim por dizer, artística é outro assunto que dá pano pra manga hem? Ah, não estou colocando aqui as terminologias certas, muito provavelmente ;), mas alguém podia postar um texto sobre o assunto...será que a Lígia ainda está pensando nisso?
  • Prezados(as) Senhoras & Senhores, Nesse bate boca de tiroteio acima ficou bem claro que criatividade não é uma "coisa" que pode-se tirar de uma prateleira. A raça humana se diz criativa....mas nossos companheiros de planeta, os outros animais, todos ,respeitando-se as proporções e suas limitações tem a sua "criatividade" inerente. A criatividade segundo alguns pesquisadores está diretamente relacionado com a sobrevivência, instinto natural e básico de todos nós! Aqueles que não as usam estão fadados a perecer por exclusão natural. A sobrevivência e a observação são as bases para que todos nós tenhamos nossos lampejos de criatividade. E essa é demonstrada diariamente quando nosso cérebro percebe que para se resolver um problema inicialmente intransponivel, tem que se armar uma estratégia para vencê-lo ou ultrapassá-lo o mais rapidamente possivel sob o risco de não se obter o resultado desejado ou, o pior, o seu próprio perecimento e extinção sobre a face do planeta. Todos os seres são criativos a sua maneira, e ficamos parecendo aqui que estamos no Jardim de infância tentando mostrar cada um para o outro que eu sou o melhor, não eu sou, não eu sou e por aí vai. Problemas de auto-afirmação! Na raça humana, a denominada mais criativa do planeta, todas as profissões tem que ter sua criatividade, senão o profissional vira uma máquina não inventiva, ou seja uma máquina de resultados automáticos e previsiveis e totalmente idiota. Vários filmes de ficção científica tratam desse assunto com maestria. A criatividade humana não é apenas intuitiva como dos outros animais, ela vem também da acumulação de informações e saberes que são "depositados" o tempo todo no nosso cérebro para que o "criativo" possa ter seu lampejo de criatividade baseado na criatividade de seus antecessores, no momento certo ou por estimulos externos de solicitação e percepção de soluções. O cérebro humano consegue fazer esse trabalho apenas em um hemisfério normalmente, e hoje, por necessidade de sobrevivência, leia-se concorrência, existem cursos para que nós tapados do dia a dia possamos extender nossa criatividade utilizando o outro lado cérebro em conjugação com o lado original. Esse conceito veio do Japão, me corrijam quem já fez o curso, devido a alta competividade e alta necessidade de criatividade que um profissional Japonês tem que ter em seu trabalho. Soube por um Arquiteto que fez esse curso no Japão, que ele permite que a pessoa depois de adestrada, possa ter mais de 3000 (Três mil) ideias totalmente originais em poucos minutos. Sendo que o máximo que chegaram foi entre 4000 a 6000 mil idéias originais! Atenção! São Japoneses iguais a qualquer ser humano na face da terra, mas vivendo em uma sociedade altamente competitiva e que não permite que você erre. Erro é uma desonra pessoal! Diante dessa situação é por isso que o Japão é ainda hoje, o maior solicitador do mundo de patentes a serem requeridas! Mesmos os chamados deficientes mentais tem a sua criatividade preservada e os superdotados são voltados para uma área específica do saber humano ou para certas profissões ou atividades. O homem mais criativo oficialmente, que já existiu, chamáva-se Leonardo, da cidade de Vinci, na Itália. O segundo foi um tal de Henrique VIII, que entre suas especialidades, gostava de separar o pescoço de suas esposas e era atleta de alcova, endeusado por muitas das suas vítimas. Ele, bem ...não vamos fazer piadas de duplo sentido aqui! Por fim, criatividade, quando voltada para a construção e para a melhoria da humanidade é ainda a atividade mais mal paga e para a destruição, dependendo dos casos, a mais bem remunerada! Incongruencias da raça humana!!!! Abraços para todos! Sejam criativos! Tentem usar toda a potencialidade de suas estrutura encefálica, se possivel para o bem dos seus companheiros de planeta e para próprio também!!!! Foster ( Eu só uso um lado só ,por favor! Não fiz o curso, infelizmente! Por isso os orientais estão tomando o mundo!!!)
  • Pois é, Foster! Aposto que todo mundo ficou com água na boca! Será que você poderia conseguir mais informações sobre esse curso? Um ponto de chamou atenção (mas isso dá outro debate): você diz que os japoneses são criativos porque não podem errar e que também por isso registram muitas patentes. Engraçado é que isso vai contra tudo o que eu li até hoje sobre inovação - todas as minhas referências sobre o tema falam justamente que, se o medo de errar existe, não há inovação. Vou postar um texto já um pouco antigo que fala sobre o tema para a gente debater lá, ok? Abraços e não esquece de dar umas dicas sobre o curso (quem sabe exista algum livro ou algo assim).
  • Olá Ligia! Procurei estabelecer a analogia sem estar nos termos puros, "de dicionário", dos itens que citei. Artesanato por ser algo que, ainda singular, é criado em massa [do simbolo num SIV à anuncios publicitários], ao contrario da arte [só temos uma Monalisa], que nem sempre tem um objetivo estabelecido [um problema a resolver]. Ou, pra ficar mais simples: criatividade não é genialidade, é mais comum do que se imagina, apenas nos foi convencionado [e certas vezes permanecemos difundindo esta convenção erroneamente] como algo singular. E como voce mesmo citou, pode estar mais no ponto de vista [na capacidade de julgar que cada um possui] do que no recurso em si. Abre margem pra gente falar também de coisas que são criadas primeiro para depois serem solução de algum problema [vindo assim a tornarem-se coisas geniais / criativas ou não], entre outros desdobramentos. abraços :)
  • Ligia, Marcela, Gelgodoy e todos os interessados! Esses cursos no Japão começaram por volta de 1980, ou seja, começou com uma pesquisa feita por uma universidade para saber como se desenvolvia a sinapse humana. A Imaginação decorre de processos sinápticos envolvendo, como disse, inicialmente um hemisfério do cérebro. A sociedade Científica Japonesa, na época, procurava através de vários projetos e processos obter respostas sobre como funciona o nosso cérebro e uma das pesquisas era sobre exatamente como surgia a criatividade no cérebro humano e aonde. Em decorrência dessa pesquisa, se criou uma metodologia para se tentar "exercitar" o cinzentão e promover as sinapses para desenvolver a criatividade no homem. Isso gerou vários métodos de aprendizados para matemática e outras matérias em que o nosso cérebro se recusa a aprender. Os tais cursos de métodos tais e tais que apareceram aqui no Brasil no final do século passado eram baseados em parte nisso. Esse treinamento, levado ao extremo e com pessoas selecionadas chegou a resultar no que disse antes. Mas vale lembrar que o termo criatividade é amplo, se embola em escolha de respostas para uma situação apresentada. Eu soube que em São Paulo eles estavam ministrando esse curso na fase inicial ou apenas para "soltar" as nossa criatividade e aprender a usar realmente os dois hemisférios. Não soube de ninguém que conseguisse atingir o número de respostas que disse acima, pois nós não temos a disciplina Japonesa em nossa cultura. Lá as grandes empresas procuravam ministrar esses cursos para que os funcionários pudessem dar opiniões e idéias que pudessem promover soluções novas e criativas em todas as áreas das empresas. Vou citar uma que promovia isso....a HONDA! Vários funcionários tiveram idéias que geraram patentes para a empresa e para o funcionário é claro!! A HONDA ,na época foi uma das maiores geradoras de patentes no mundo decorrente de Brainstorming super anebolizado. O resultado hoje dessa pesquisa, entrou pela robótica a dentro e está gerando soluções para os ROBÔS que estão sendo feitos pela HONDA e outros fabricantes. Essa pesquisa ajudou a solucionar problemas de Robótica. Não soube mais desse curso para aprender a usar os dois hemisférios do cérebro, mas no nosso dia a dia podemos tentar fazer isso sem fazer esse curso. Como exemplo, eu tive que me reprogramar a escovar os meus dentes com as duas mãos. Tive que desenvolver a ambidestria para obter uma melhor escovação para evitar problemas dentários por causa da configuração de minha boca. Consegui depois de alguns meses! Hoje consigo a mesma destreza para ambos os lados e obtenho a escovação que preciso. É por aí! Se souber ou alguém souber onde estão sendo ministrados esses cursos no Brasil, escreva para nós! Abraços para todos! Para os dois lados do cérebro! Foster. Ps.: A cultura Japonesa é conhecida mundialmente pela sua criatividade! Quem conhece as gravuras Japonesas, a sua arquitetura tradicional e mesmo a atual, artesanato, teatro Kabuki e outros campos onde a criatividade se faz presente, eles são impares!!! Outra caracteristica dessa cultura não é o medo, mas a concorrência feroz e a diluição do individual pela bem estar da comunidade. Japonez não tem medo, ele aprende a dominá-lo quando se é pequeno através das artes marciais! Esqueceram? Johnny san??? A Religião é budista ou chintoista e medo é considerado apenas um pequeno desiquilibrio do seu interior. Ela é uma deshonra para a pessoa. Não podemos pensar como ocidentais e sim como orientais, para entendê-los. Arigatô! Saihonará!
  • Vale a pena lembrar que algumas informações que temos sobre o cérebro não tem nenhuma comprovação científica (sendo algumas delas estudadas pela neuromitologia (estudo dos mitos ligados à maneira como o cérebro funciona). Os estudos mais importantes foram conduzidos por Barry Beyerstein. Para citar alguns mitos: 1) A criatividade está ligada ao hemisfério direito 2) Só usamos 10% da capacidade do cérebro 3) Atingir o estado "alfa" causa relaxamento Até mesmo psicólogos bem conhecidos repetiram mitos como estes, dizendo que a sociedade ocidental enfatiza o lado esquerdo e a racionalidade, sem dar importancia à emoção e o lado direito. Quem quiser saber mais, leia o livro "Mente, cérebro e pensamento", dos autores Gazzaniga e Haetherton ou qualquer livro recente sobre psicologia e neuroanatomia.
  • Eduardo , Prof. Martins e todos que se interessaram. Tenho que reparar um erro: Onde se lê Arigatô com acento circunflexo, versão aportuguesada da palavra japonesa Arigato, sem esse acento. Onde está escrito Saihonará, tentativa de transmitir a pronuncia gutural do japonês, escreve-se Sayonara. O Japonês não tem acentuação como o Português, apesar de algumas palavras serem oriundas da nossa lingua. O Japonês não tem oxítonas, paroxítona ou proparoxítonas, o ato de dar ênfase é pessoal,de momento, e modo de se expressar é geralmente num tom só! O Prof. Ricardo realmente tocou sobre alguns mitos que estão sendo destruidos com o avanço de novos aparelhos como ressonância magnética e outros. Esses aparelhos foram inicialmente utilizados para fazer a marcação e mapeamento do cérebro em pesquisas como essas. Quanto ao Eduardo, só tenho que responder que o governo americano jogou duas bombas atômicas no final da segunda guerra com a desculpa oficial de que se invadissem por terra seria uma sangueira terrivel por causa da disciplina, respeito ao Imperador, a educação marcial do povo, a ideia geral de coletivo e a total falta de medo de morrer. Os Kamikazes surgiram lá, onde morrer era a maior honra! Portanto medo para japones é muito relativo e envolve apenas a sua honra e de seus familiares / antepassados, para sanar isso só fazendo o Harakiri, tão divulgado em filmes, uma morte auto-provocada, extremamente dolorosa e solitária. O nosso conceito de medo é oriundo de nossa educação ocidental, bem diferente da oriental. Hoje temos outro exemplo vindo do oriente médio onde homens /mulheres/crianças bombas não tem medo de morrer e sim de tornar-se indigno perante a seus profetas e a sua religião. As diferenças de culturas são, ainda nesse século, uma grande barreira de entendimento entre as populações deste planeta. Infelizmente. Abraços para todos! Foster.
  • "...que o governo americano jogou duas bombas atômicas no final da segunda guerra com a desculpa oficial de que se invadissem por terra seria uma sangueira terrivel por causa da disciplina, respeito ao Imperador, a educação marcial do povo, a ideia geral de coletivo e a total falta de medo de morrer. " Essa foi a desculpa deles, ou seja, foi a DESCULPA, talvez não o real motivo. Enfim. Kamikazi, guerra santa, etc., não são coisas normais. São insanidades (espero que isso não cause problemas... mas considero insanidade matar alguém em nome de qualquer coisa.. mesmo em nome da religião ou da própria honra)... E como exemplo, vou citar o (se não me engano) político japonês que se matou a uns 2 ou 3 anos atrás após descobrirem que ele desviava dinheiro. Tem medo maior que o suicídio? Ou tem medo maior do que esconder as coisas que se faz? Não é questão de desmerecer o povo japonês (longe de mim), mas todos têm medo, não há saída...
  • Ainda não entendi porque aplicar a palavra artesanato para a hipótese que você quer elucidar Tony. Temos que nos ater aos significados das palavras para que consigamos ser claros em nossas idéias, o interessante é que você definiu a palavra artesanato com um significado que não é pertinente, o que é bom, pelo menos entendi o que você queria dizer! Por analogia eu poderia dizer que o artesanato é criatividade (+ técnica) mas o contrário pode não ser verdadeiro. Outra é que arte é criatividade (+ técnica) mas que criatividade não é arte necessariamente. Ainda acho que a criatividade está contida na genialidade pois vejo muita gente vendo uma solução criativa e exclamando "Que genial!"...é uma atividade intelectual também. Realmente neste passe vamos formular uma tese! :)
  • Oi, Tony! Nossa, quanta coisa há por trás de tão poucas palavras! Eu não tinha entendido, mas agora que você explicou, a sua frase faz muito masi sentido. Não sei se concordo com a questão da arte criar no atacado e o artesanato criar a granel (você me pegou de surpresa, nunca tinha pensado nisso antes), mas, certamente, é um bom tema para se considerar. Vou pensar mais um pouco...
  • Oi, Ophir! Muito bem colocado o seu ponto de vista, mas discordo dele por um aspecto principal. Designers, artistas e publicitários não são criativos por profissão. Eles usam a criatividade como uma das suas ferramentas de trabalho. Ela é um meio, não um fim. Inclusive, pelo que tenho visto no mercado, boa parte dos profissionais nem sequer está usando as potencialidades desse instrumento - muitos conseguem fazer trabalhos apenas corretos, com pouco ou quase nada de criatividade. Discordo quando você diz que esses profissionais são treinados para pensar como uma criança de 4 anos. Se isso fosse verdade, seria mais fácil contratar crianças de 4 anos para fazer o trabalho... crianças não levam em consideração as condições de contorno e os requisitos do projeto, não têm noção de materiais, prazos nem custos. Esses profissionais usam técnicas bem definidas de criatividade, bastante pesquisadas e testadas que crianças nem sonham existir. O que quero defender aqui é que a criatividade é um instrumento, uma ferramenta; um meio, não um fim em si mesma. E essa ferramenta pode (e deve) ser usada por outros profissionais também.
  • E imaginar que muito de nós mesmos Designs pensamos em outras profissões são "tão pouco criativas", comparado a nossa que pode vender um produto que não querem e faze-lo uma necessidade diaria, para uma grande parte da população. Mais ainda sim pensamos que somos os "AS" da criatividade e sem mutio dos nossos amigos pouco criativos não estariamos aqui. Contudo eu pergunto Criatividade é um dom ou um a habilidade que se adiquire?
  • Muito bom o texto, nunca considerei criatividade como uma dávida, algo para poucos escolhidos que surgem para criar um mundo novo. É claro que existem gênios, em todas as áreas de atividades, mas acho que você pode preparar e educar-se para tornar-se criativo. Uma vez vi na tv, Samuel Rosa, vocalista do Skank sendo questionado sobre qual é a melhor hora para compor uma música, ele de forma muito clara, e engraçada, diga-se de passagem, respondeu – Quando o produtor liga da gravadora e diz que o disco tem que sair daqui um mês. E acho que é por ai mesmo, você, quando opta por uma profissão, seja ela qual for, tem que sempre se apriporar e são várias as características que tornam um profissional melhor, a criatividade é uma delas e, como citado do texto da Ligia, está presente em todas as profissões!!!!
  • Lígia, gostei do texto, mas discordo da sua visão pelos seguintes pontos: Os engenheiros estudam e têm uma preparação para a visão sistêmica da sua profissão, sabem muito bem e conhecem os detalhes de elementos que tecnicamente são feitos para funcionarem em conjunto, muito justo que usem criatividade para novas descobertas, mas sempre com base na sua "relatividade", vá você discordar pra ver. Agora os profissionais criativos (designers por exemplo, e com ers no final, hein), estudam anos para aprenderem a pensar como crianças de 4 anos de idade, onde tudo é possível, até mesmo mudar de idéia no meio do caminho, dê "corda" para um criativo e veja o resultado... Cada profissional tem a preparação necessária para atuar dentro de sua profissão, de forma competente, e criatividade TEM DONO SIM, é dos criativos, aqueles que escolheram isso como opção de vida. Agora, faço uma avaliação contrária: eu posso então ser um engenheiro, ou então um médico, afinal basta eu calcular muito bem, faço isso todo dia, ou então medicar um amigo doente, afinal minha esposa é enfermeira, vejo isso o tempo todo.
  • Bruno Munari já questionava esse lugar-comum sobre "profissionais criativos". Ó um trecho de "Das Coisas Nascem Coisas" (grifo meus): "Criatividade não significa improvisação sem método (...) A série de operações do método de projeto é formada de valores objetivos que se tornam instrumentos de trabalho nas mãos do PROJETISTA CRIATIVO." Criatividade, na maior parte das vezes, não é um vislumbre divino, uma iluminação - é trabalho duro. E requer conhecimento técnico. Ainda hoje esta falácia do "sou designer: sou criativo, não técnico bitolado" é difundida e aceita, o que leva a maioria destes profissionais a serem incompletos... Meu pitaco.
  • Ligia e Gelgodoy, quis dizer que criatividade, na minha opinião [descomprometida em estar certa ou errada, afinal cá é espaço pra aprender também] é algo que, bem treinado e estudado com paciencia, pratica-se num ritmo proprio e numa quantidade considerável, como o artesanato. É mais técnica que dom, o que não quer dizer que não englobe engenho e orginalidade. Na arte há uma singularidade maior, poucos são considerados gênios, não se produz com o objetivo de vender. Foi uma analogia básica, não uma tese de mestrado. E nós que trabalhamos com a solução de problemas, estamos muito mais para praticantes do artesanato [já que "criamos à granel"] do que para artistas. [Exceto por um ou outro deslumbrado que do alto de sua sabedoria, acha-se melhor o suficiente para distribuir ofensas]. Para formular ideias criadoras precisamos de informação, de pesquisa, cada qual na sua area, cada qual com seu problema a resolver. Por isso é que não pode existir essa distinção onde "engenheiro não é criativo, designer é", assunto qual o texto trata muito bem. Procurei apenas dizer de forma suscinta os assuntos aos quais o Edgard perguntou e o Ophir comentou. A criatividade qual todos aplicamos dá-se a solução de algum problema, nada mais (conforme também está sendo discutido nos comentários), é ferramenta, não benção divina. Enfim, a convenção ao chamar alguns profissionais de "criativos" está errada.
  • Nunca li tanta bobagem. Estamos carentes de referências e definições. Mas isso não é culpa do texto, é da educação básica mesmo. criatividade, s. f.: capacidade criadora; aptidão para formular idéias criadoras; originalidade; engenho. Criatividade é artesanato? O que é capacidade de abstração?
  • Oi, Gelgodoy! Muito obrigada por ter colocado a definição de criatividade. Optei por suprimi-la porque tenho certeza que o público leitor deste blog domina o assunto mais do que qualquer outro, mas uma definição formal sempre contribui, né? Também não entendi como o artesanato e a arte entraram na história (talvez o Tony possa nos esclarecer para que possamos acompanhar a sua linha de raciocínio). Sobre a capacidade de abstração, vejamos: abstrato é o que se considera existente apenas no domínio das idéias. Essa capacidade é útil quando se tenta visualizar uma solução antes de colocá-la realmente em prática - no processo criativo, quando recombinamos informações para resolver um problema, não podemos testar todas as possibilidades na prática, já que as idéias são muitas; assim, imaginá-las pode ajudar muito a fazer uma pré-seleção das possibilidades que serão mais aprofundadas. Nos exemplos que apresentei, a capacidade de abstração é importante porque não podemos "ver" a eletricidade, os elétrons, as partículas e moléculas - então, têm-se que trabalhar muito com conceitos abstratos, aqueles do mundo das idéias. Tem-se que imaginar os mecanismos e os efeitos antes de testá-los. Em muitos projetos de design é assim também, confere? Espero que tenha ficado mais clara a relação entre a capacidade de abstração e a criatividade. Abraços,
  • Muito obrigada Ligia! Ficou claro sim, achei que era um conceito importante. Seu texto está muito bom e definitivamente criatividade é inerente a qualquer ser humano (será que de qualquer ser vivo também?). Com certeza encontraremos vários estudiosos sérios que explicam o que é criatividade de forma mais científica e neles devemos nos apoiar para elucidar novos conceitos pois se já existiram pessoas que pensaram neste problema nada mais justo do que dar continuidade a eles de forma séria. Criar opiniões sem saber a fundo do que se fala é uma armadilha onde deveríamos ter medo de entrar. Ops, estou eu dando opinião?! Um forte abraço!
  • Ah, estive lendo este artigo que continua válido aqui, onde Ellen Kiss aponta a importância da criatividade no meio empresarial e como ela é estimulada. http://www.designbrasil.org.br/portal/opiniao/exibir.jhtml?idArtigo=749 Um complemento que vale a pena.
  • Engraçado ver, como a conversa sai de um ponto e navega até chegar a um dado momento completamente diferente. Iniciaram conversando sobre criatividade, e agora a ultima questão é discussão sobre cultura asiatica. Isso não é uma crítica, somente uma observação, da qual acho muito interessante, partindo do ponto de vista comportamental.