Cuba: design pobre, reflexo de um povo?

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eleicoes_cuba

Este cartaz, aí em cima, foi feito para as eleições cubanas, recentemente.
Olhando fixamente para ele, fiquei pensando em várias coisas, caras para nós, designers:

  1. Até que ponto o pitoresco não “esbarra” no tosco?
  2. Qual o critério utilizado, subjetivamente, para o que é belo?
  3. A cultura popular, enquanto autora de designs, sempre tem valor estético relevante?

Porém, a pergunta que mais me incomodou: até que ponto a qualidade do design reflete o padrão de vida e a cultura de um povo?

Não é novidade para ninguém que Cuba passa por sérias crises internas, que seu povo é muito pobre, que é conduzido com rédeas curtas. Sabemos das investidas de muitos cubanos em fugas cinematográficas, rumo ao mundo capitalista, livre, democrático, injusto, sujo; mais gostoso, principalmente para quem tem seu espaço garantido no topo da “pirâmide social”.

Ao mesmo tempo, vemos, aqui, no Brasil, um design muito competente, de alto nível, competindo com os maiores países do mundo… Apesar de toda nossa condição precária iminente, algumas camadas da população, sempre ligadas nas tendências e com condições de estudo privilegiadas, aproveitaram toda a escancarada abertura que temos com o exterior para ter contato comas mais modernas tendências de design. Alguns, criativíssimos, misturaram referências culturais brasileiras em seus trabalhos, obtendo primorosos resultados.
Então, talvez, o design tenha qualidade por ter sido desenvolvido por pessoas mais “cosmopolitas” que brasileiras (algo, aliás, considerado, por muitos, uma característica típica do brasileiro) e assim, representa um nível de qualidade e sofisticação conpletamente divergente da realidade da imensa maioria da população. Ou não.

E você, o que acha?
A qualidade do design reflete a condição de um povo?

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15 comentários

  • Já vi uma mostra de cartazes cubanos (inclusive alguns foram afanados, designers cléptomaniecos) e eram bacanas até, tinha um cheirinho de rússia e polonia nas ilustrações... Designer playbouy só faz tok stok, quero mais é designer classe média sanguinário por ascensão e preocupado com tudo (as crises de classe média, sabe como é...)
  • Viva o Socialismo, nele o design não é importante, Leiam sobre o FORO DE SÃO PAULO e vejam que rumo a América Latina está tomando. no Socialismo o Design é altamente dispensável pois cria justamente o que os esquerdistas repudiam, a vontade das pessoas de terem determinados objetos. Viva Lula, Viva Fidel, Viva Evo Morales, Viva Chê, Viva Chavez, Viva Stalin, só não vivem os Designers.
  • Eu confordo: A condição de um povo interfere no design sim. O Design muitas vezes vem ao lado da necessidade, então é lógico que com necessidades diferentes, o design tbm vai ser diferente. Não podemos chamar de tosco, feio, ou ultrapassado. Se eles são assim é por terem um motivo para ser assim. É só analizar que em diversas ocasiões o mesmo povo produziu coisas diferentes pois viviam momentos diferentes, como a época da ditadura, guerra fria.. etc etc... Então da para se descobrir muita coisa, analizando oque um determinado grupo produziu ou ainda produz.
  • será que o socialismo não precisa de design? todo mundo precisa somunicar, e o design aplicado na comunicação não é algo dispensável a ninguém... não conheço profundamente sobre socialismo, mas tenho a impressão que existe campo para o design nele tb. enfim, é algo a se debater... abs a todos
  • Taí, é muito fácil associar o design a gerar só coisas belas. O que não tem como ser verdade. Criar algo esteticamente bonito é um dos passos se isto for necessário. Um projeto, gráfico ou produto, deve estar caracterizado na ação do designer: desempenho de atividades especializadas, de caráter técnico científico e criativo para a elaboração de projetos de sistemas e/ou produtos e mensagens visuais passíveis de seriação e/ou industrialização que estabeleça uma relação de contato direto com o ser humano, tanto no aspecto de uso, quanto no aspecto de percepção, de modo a atender necessidades materiais e de informação visual. Então o design não fica atrelado ao povo somente, mas ao Estado que incentiva ou não. E para atingir uma maioridade (o design), os dois devem estar em sintonia (povo e Estado).
  • concordo. Não consigo imaginar uma sociedade que não possa ser melhor com design. O design não nasceu pra enriquecer o mercado. Alias, o foco do design não é o mercado, são as pessoas. Design não é somente agregar valor estético ou lucro para uma empresa, design pra mim é contemplar as pessoas, e tanto no capitalismo quanto no socialismo, existem pessoas. Se hoje o design é considerado como agregador de valor estético e incentivo a troca de produtos, não é possível dizer que o design só existe dentro do capitalismo, e sim que o mercado (capitalista) subverteu o design de tal maneira que ele perdeu (?) seu foco inicial e passa a existir em função do momentâneo e superficial... hum... acho q é isso... abs a todos
  • Não reflete, ainda mais se tratando de Cuba. Acho você precipitado em dizer que o povo de Cuba é um povo pobre. Apesar do governo ser rigoroso lá, a igualdade social rege o país. Todos têm acesso a tudo e TÊM o direito/dever de cobrar isso. (Quase) Não existe distinção de classe social/status/emprego lá. A educação lá é uma das melhores do mundo, e isso é um fator indiscutível. Talvez o design, asssim como tantas outras coisas, provindas de lá sejam devido a "privação" que Cuba sofre pelo mundo, ou por boa parte dele, de coisas novas/diferentes, imposta por governantes que levaram ao povo um pensamento precipitado sobre o estilo/padrão/condição do seu povo.
  • Galera, "cartazes cubanos" no google q vc já acha umas coisas assim http://ag407.blogspot.com/2006/09/la-revolucin.html http://www.sp.senac.br/jsp/default.jsp?tab=00002&newsID=a1179.htm&subTab=00000&uf=&local=&testeira=303&l=&template=&unit= Olha q eu nem tô cobrando uma pesquisa decente... um googlezinho maroto já resolvia. enjoy
  • Amigos, Cuba de 1959 era totalmente diferente de hoje: todas as repúblicas ditas "socialistas" eram "bancadas" pela extinta União Soviética, após o declínio do "império pseudo-socialista", as nações a ela ligadas pelo sistema de governo (e, com certeza, vocês devem saber que havia um mundo com poderes bi-polares,guerra fria, que o que a União Soviética queria, com seus ditadores megalomaníacos era a mesma coisa que os EUA queriam com seus "democratas" de fachada: poder) começaram a amargar uma grande decadência financeira, pois o subsídio havia se esgotado. Este cartaz aí do meu artigo é atual, e foi feito pra eleições de araque, de fachada. Entenderam a ironia? A propósito, tenho muitas fontes de pesquisa sobre design e todos os assuntos que me interessam, que vão muito além do google. Abraços.
  • então Fabiano Pereira, realmente acredito que você tenha muitas fontes de pesquisa que vão muito além do google como você mesmo disse, mas seu texto esta escrito de forma a entender que aquele cartaz de eleições é o que reflete o design de cuba. quando você diz "Este cartaz, aí em cima, foi feito para as eleições cubanas" em nenhum momento você diz que são eleições de "araque" ou de "fachada". Logo em seguida, você pergunta "até que ponto a qualidade do design reflete o padrão de vida e a cultura de um povo?", dando a entender que aquele cartaz é um representante do design gráfico cubano. É muito fácil pergar um cartaz que pregaram no ponto de onibus e analisar as falhas em design, a diagramação pobre etc. Aqui mesmo no Brasil, se sairmos nas ruas, iremos encontrar vários cartazes pregados em postes de iluminação, que apesar de serem ruins, NÃO REPRESENTAM o design gráfico do povo brasileiro. Penso o mesmo do cartaz do seu artigo abs a todos
  • No Brasil vivemos o capitalismo onde vestimos nomes de grifes e comemos grandes marcas de alimentos. Cuba , não se importa com esses valores, portanto não se ve importância em um design mais robusto em determinado produto, pois suas mentes são diferentes. Abraço!
  • Não acredito que uma única peça seja capaz de representar sequer a expressão de um único artista, designer ou não, tanto menos provável de um país inteiro. Quanto àquilo que a gente não conhece, o mais adequado é assumir a nossa ignorância e, caso seja algo importante para a gente, buscar compreender de forma ampla. A "objetividade", pregada e disseminada no mundo inteiro pelo "american way of life", recorta a realidade e a restringi para que ela sirva de argumento para todo e qualquer ponto de vista, inclusive os opostos! Em Alagoas, onde vivo, existem profissionais talentosos de dar gosto, alguns até fora do mercado, o que não impede que campanhas horrorosas sejam veículadas... E reparem no detalhe, quase 70% dos habitantes do estado, são analfabetos ou analfabetos funcionais,ou seja, a maioria de nós tem sérias dificuldades em compreender textos, verbais ou não. Mas, quem paga os anúncios e os produtos anúnciados não entram neste montante... Paciência... Apesar de não conhecer Cuba, o que eu vivo é um exemplo muito claro de "sérias crises internas".... Saudações, Ábia Marpin.
  • É engraçado como certas coisas são interpretadas de maneira completamente diferente do que imaginei quando escrevi este pequeno texto. De fato, tudo parece bem simples: vi o cartaz na web, achei curioso e resolvi escrever um paralelo entre a "qualidade" da obra gráfica com a eleição de araque cubana. Muito simples de entender. No entanto, os tais representantes da "patrulha ideológica do design regional" (ou algo que o valha) levantaram suas vozes prontamente em defesa dos tais princípios que supostamente meu texto violou. Alguns, até mesmo, disseram que minha "análise" se estendia ao design cubano como um todo, com irônicas sugestões de busca ao google... Realmente, esta bola bateu quadrada, ninguem (ou quase ninguem) entendeu o espiríto da coisa... Ta legal, fazer o quê? Não há nenhuma ignorância, de minha parte, a ser assumida (se houvesse, não hesitaria duas vezes em fazê-lo), porém, há diversas formas de se enxergar um mesmo ponto de vista. Ou não. Não levanto mais nenhuma bandeira, não acredito mais em qualquer tipo de revolução, na minha concepção, a única mola propulsora do mundo é o dinheiro e suas diversas faces, não acredito mais em quem diz querer mudar a sociedade, pois tal idéia foi enterrada pelo exército neo-liberal que atacou em diversas frentes pelo mundo, com muito sucesso, varrendo qualquer sintoma de mudança ou revolta.