Design Gráfico na Era Nazista, Ética e a manipulação pela imagem

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A Propaganda era essencial para os alemães nazistas. Para aqueles que se interessam em saber como o design gráfico foi e pode ser usado também para prejudicar pessoas (manipulando e conduzindo as massas), eis um link interessante: http://www.calvin.edu/academic/cas/gpa/ww2era.htm#Posters

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Esse site é uma coleção de traduções para o inglês de materiais de propaganda nazista de 1933 a 1945, como parte de um site maior sobre a propaganda alemã. O objetivo é ajudar as pessoas a entender os grandes sistemas totalitários do século 20, por dar acesso ao material primário. O arquivo é bem grande.

Antes que algum esperto vá dizer que estou defendendo o nazismo, vale lembrar que durante o Holocausto morreram:

  • 6.0 – 7.0 milhões de polacos
    • dos quais 3.0 – 3.5 milhões de polacos judeus
  • 5.6 – 6.1 milhões de judeus
    • dos quais 3.0 – 3.5 milhões de judeus polacos
  • 3.5 – 6 milhões de outros civis eslavos
  • 2.5 – 4 milhões de prisioneiros de guerra (POW) soviéticos
  • 1 – 1.5 milhões de dissidentes políticos
  • 200 000 – 800 000 roma e sinti
  • 200 000 – 300 000 deficientes
  • 10 000 – 25 000 homossexuais
  • 2 500 – 5 000 Testemunhas de Jeová
  • fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Holocausto

Portanto, só um maluco iria defender esse tipo de visão política distorcida. Não se trata aqui, neste post, de defender o nazismo, mas de mostrar como a propaganda através de cartazes, panfletos e outros materiais gráficos desempenhou um papel central na construção e manutenção desse regime.

Fica a pergunta: e hoje, os designers podem ajudar a alimentar o preconceito e a discriminação, assim como aconteceu durante o nazismo, fascismo, stalinismo, dentre outros regimes? Indo mais além: os designers que fizeram os materiais gráficos para os nazistas tinham culpa ao ajudar a divulgar aquela filosofia discriminatória? Ou eles estavam sendo apenas profissionais? Onde começa e termina a ética no Design? É possível haver ética sem que haja uma associação de designers que possua um código de conduta?

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7 comentários

  • Sim, Hitler era excelente orador e o rádio teve papel importante, assim como os alto-falantes distribuídos pela Alemanha para repetir os discursos nazistas. Mas o êxito da propaganda foi uma combinação poderosa entre som, imagem e audiovisual. O rádio, o cinema, o automóvel, os cartazes e panfletos criaram uma variedade de apresentação que, combinada com um discurso repetitivo e técnico, levaram milhões a acreditar nas mentiras dos políticos. Hoje isso ainda acontece, nas campanhas eleitorais.
  • Oi Ricardo, voce pegou um bom ponto. Nós designers somos, agentes culturais, e temos um papel importante como parte do processo. Acredito que designers passem pelo mesmo dilema na hora que criam peças que vão contra sua ética pessoal, seja com projetos de conotação sexual apelativa, armamentos ou que envolvam tabaco, alcool Vale lembrar o Código de Ética do Designer Gráfico pela ADG: http://www.adg.org.br/adgbrasil.php e Código de Ética do ilustrador (SIB) http://www.sib.org.br/
  • Belo post! Acredito que atualmente os designers não conseguiriam alimentar a discriminalização com tanta força como foi durante o período nazista. Acho que a propaganda mal intencionada funcionou neste determinado período em questão, pelo fato de que já devia ser bem conhecido os atos de violência absurda que acontecia com os judeus, ou seja, havia a perseguição, havia o medo. Assim como aconteceu aqui no Brasil durante o período militar. É dificil dizer se os designers da época fizeram por mal, não sabemos até onde iam as ameaças e até onde vamos por medo. E não é só porque existem as leis, que as coisas funcionam bem. Nem todas as regras sempre serão boas, assim como algumas exceções sempre serão bem vindas.
  • Entendo mais além: onde começa e termina a ética em qualquer profissão? Nós designers não somos especiais nesse caso, acho que todos deveriam entender essa pergunta, desde áreas artísticas até exatas, passando pelo Design (sim, isso foi proposital). E, sim; uma pessoa inserida no nazismo por livre e expontãnea vontade é nazista. Uma pessoa inserida no capitalismo por livre e expontânea vontade, é capitalista. Cada caso é um caso (dá-lhe clichê), muitas vezes não há opções, apenas submissão. Mas, muitas pessoas fizeram suas escolhas e continuam fazendo, em todas as profissões. O advogado que defende um assassino é ético? Tá sendo profissional? Acho que são perguntas eternas e sempre com variadas respostas...
  • O designer gráfico irá sempre debater-se com esta questão. E não é só de ordem política: temos de lidar com tabus e propagandear comportamentos de que poderemos estar contra (como alcool, sexo, entre outros). Se temos a escolha de os recusar? Temos. E aí entram as nossas prioridades e o que queremos da nossa vida. Não tem a ver com a escolha correcta, porque o que poderá estar certo para um pode dar errado para o outro. Eu, por exemplo, gostaria de começar a trabalhar para uma empresa sem fins lucrativos porque sei que estaria a trabalhar para o bem-comum, mas nem sempre isso é possível e sei que primeiro terei que trabalhar para empresas em que nem sempre concordarei com as suas políticas de trabalho. Todos os dias ouvimos uma ou outra situação desagradável (Nike e o trabalho infantil é somente um dos exemplos), mas poucos são os trabalhadores que abandonam a empresa e ínfimas são os consumidores que procuram por outra marca. Enquanto estivermos a lutar para obter lucros haverá mais mal do que bem... Desculpa pelo longo comentário.