Manifesto do conserto

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Plataforma21 é formada por um grupo de holandeses curiosos e preocupados com o futuro. Eles usam uma velha capela em Amsterdan como laboratório de design. Cheios de idéias originais, esse povo lançou o excelente “Manifesto do conserto”. Dá uma olhada.

rachel_griffin

Manifesto do conserto

1.    Faça seus produtos durarem mais!
Consertar significa ter a oportunidade de dar a seu produto uma segunda vida. Não descarte, costure! Não jogue fora, emende! Consertar não é ser anti-consumismo. É evitar que coisas sejam descartadas sem necessidade.

2.    Pense em projetar coisas que possam ser consertadas.
Designers de produtos: façam seus produtos consertáveis. Compartilhem informações claras e inteligíveis sobre maneiras de reparar o seu produto. Consumidores: comprem objetos que possam ser consertados ou então reflitam porque eles não existem. Sejam críticos e inquisitivos.

3.    Consertar não é substituir.
Substituir é jogar fora a parte quebrada. Esse não é o tipo de reparo que estamos falando aqui.

4.    Fazer o produto mais robusto não vai matar você.
Cada vez que consertamos alguma coisa, nós acrescentamos a ela potencial, história, alma e beleza.

5.    Consertar é um desafio criativo.
Fazer consertos é bom para a imaginação. Usando novas técnicas, ferramentas e materiais proporcionamos um destino melhor do que o simples fim.

6.    Conserto sobrevive à moda.
Consertar não é sobre estilos e tendências. Não existe data de validade para produtos consertáveis.

7.    Consertar é descobrir.
Consertar objetos pode fazer você aprender coisas incríveis sobre como eles realmente funcionam. Ou não funcionam.

8.    Consertar – mesmo em tempos de fartura!
Se você pensa que esse manifesto é por causa da recessão, esqueça. Isso não é sobre dinheiro, é sobre mentalidade.

9.    Coisas consertadas são únicas.
Mesmo se parecerem originais depois de reparadas.

10.    Consertar é ser independente.
Não seja escravo da tecnologia – seja seu mestre. Se quebrou, conserte e faça melhor. Se você não é mestre, valorize quem o é.

11.    Você pode  consertar tudo, mesmo uma sacola plástica.
Mas nós recomendamos sacolas que durem mais e que sejam reparadas quando for necessário.

Pare de reciclar. Comece a consertar.

[Essa é uma tradução livre do inglês. Achei o manifesto no ótimo swissmiss]

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8 comentários

  • Estou tão dentro disso que meu quarto tá cheio de "tranqueiras". Roupas e objetos dos quais não consigo me desfazer por ainda ter esperança de consertar. A propósito, já fiz consertos ficarem tão originais quanto o óculos que ilustra o artigo, hihihi...
  • Ligia nossa gurua!!! Falar em consertar as coisas é muito bom! Pensar em como consertá-las é muito bom também! Conseguir consertar as coisas é também muito bom! Mas vamos cair na real! Você que é do Marketing, sabe muito bem que quem produz alguma coisa espera que essa coisa se esfarele depois de algum tempo para que o consumidor tenha que comprar de novo mais a frente! Isso é capitalismo e sociedade de consumo! Senão a Industria não prospera!!! E nós não ganhamos nosso ganha-pão! Não sou contra o conserto, mas fica difícil nós Designers exigirmos isso para um cliente, geralmente grandes industrias que precisam desse circulo para viver e prosperarem! Qual percentual de um produto lançado no mercado que depois de seu ciclo vital de uso, vai ser consertado para ficar como exemplo de uma época? Quantos museus e colecionadores de produtos antigos existem no mundo?? Esse conceito entrópico dos produtos produzidos no mundo hoje tem se acelerado cada vez mais, mas não é por isso que nós Designers vamos fazer um produto porcaria para quebrar logo depois do cliente comprá-lo! Não somos Chineses!!! ( Sem preconceito por favor!!!) Cabe a nós, realmente procurar em nossos projetos, usar e pesquisar novos materiais que não poluam mais este planeta e tenha reciclagem garantida, sempre buscando baixar o máximo os custos de produção e também otimizando-a! Produtos recicláveis são a solução e não parar esse processo, fazer isso para não reciclar, é burrice! Pensar no reparo é também crucial no projeto que fazemos, mas esse reparo deve ter limites e esses limites são especificados pelo fabricante que nos contratou, senão em vez de atender o cliente iremos afrontá-lo e ai.......vai-se o nosso projeto para a mão do filho ou sobrinho do dono que não é Designer e sabe desde criança fazer uns rabiscos! Esse grupo acima quer lutar contra um modo da humanidade e da produção de se recriar em prazos determinados, para que isso seja mais ecológico! Carro velho soltando fumaça é ecológico? Geladeira consumindo mais energia elétrica é ecológico? Sabe ser ecológico não é ser eco-chato e nem eco-burro e sim ser eco-conhecedor das coisas e eco-solucionador e não "empatador de bode" para reclamar de coisas que não são a solução e nem o correto para melhorar o meio ambiente. Ecologista que não pensa, é radical, não é ecologista, é um poluidor de idéias e soluções para o mundo! Um lamentável Boi na Linha!!! Vamos consertar isso??? O mundo agradece! Abraços para todos do Foster.
  • Oi, Foster! Concordo com você que a visão desses holandeses é um pouco romântica, como, de resto, todos os grupos idealistas. É claro que ninguém incentiva a manutenção de produtos ineficientes - pelo que eu entendi, a campanha deles é para a gente pensar nas coisas um pouco menos descartáveis. Reciclagem custa energia, tempo e dinheiro, não é a solução ideal. Mas a grande questão que você colocou e que eu gostaria de esclarecer é o marketing. Há algum tempo os profissionais têm se dado conta de que o valor dos objetos não está mais neles mesmos, mas no serviço a eles agregado. O valor intrínseco de um telefone celular é muito baixo (por isso são descartáveis). A margem de lucro é baixíssima, por isso eles custam quase de graça. O objeto em si agrega muito pouco valor no preço final, por isso ninguém quer produzi-lo (eles acabam produzindo esses gadgets em fábricas lá nos confins do mundo). O que vale mesmo é o serviço a ele agregado, é aí que está o dinheiro - no software, no suporte, no atendimento. Essa é uma tendência observada no mundo todo - os objetos estão se tornando mais descartáveis pelo simples fato de que o valor não está mais neles, mas nos serviços agregados. Se a gente observar com atenção esse movimento, pode vislumbrar uma solução sim. Menos foco no objeto em si (e por isso eles podem durar mais, já que não são a fonte principal de lucro) e mais focos nos serviços associados a ele. Isso pode valer para geladeiras, televisões, computadores e tudo o que a gente vê por aí. É claro, que, como eu disse, ainda estamos no começo do movimento, mas é possível observar a tendência (e as oportunidades) e se preparar para o fato. As coisas não são assim tão radicais, é claro que sempre haverá os descartáveis, é claro que uma parte dos objetos sempre terá que ser substituída. O que se pode observar é um caminho para que essa corrida frenética e descontrolada seja um pouco mais racional...
  • Gostei muito da idéia desses holandeses. Quanto à preocupação a que nível isso deve ser levando em conta, é perda de tempo pensar nisso. A situação é tão complexa e imensa em cada setor ou produto, que não cabe somente ao design definir essas fronteiras. Normalmente, quem as define são processos fabris de peças de reposição, vida tecnológica do produto, tamanho do produto, moda, etc... Mas falando em holandeses, um ótimo exemplo aconteceu com a holandesa Philip. Até os anos 90, seus eletrodomésticos, secadores de cabelo e barbeadores eram totalmente consertáveis. Em meados de 1996, uma boa parcela de aparelhos começaram a ter preços de peças de reposição elevados, inviabilizando o conserto. Algumas peças, como uma grade de ventilador de 40cm, custava o preço do ventilador! Em 1998, com a renovação completa das linhas de eletroportáteis e secadores e barbeadores, praticamente todos os aparelhos dessa época passaram a ser blindados e não ter peças para reposição, salvo sacos para aspiradores ou copos de liquidificadores. Motores passaram a ser blindados, carcaças começaram a vir coladas, soldadas ou com parafusos para os quais não existe chaves disponíveis para retirá-los. Então as assistências técnicas recebiam boletins com tabelas de ressarcimento para cada aparelho que chegasse ao final de sua vida útil. Isso sem falar nos dispositivos "de depreciação", isto é, à medida que se usava o produto, ele ia ficando feio, desbotando, encaixes iam se desgastando, inscrições de serigrafia iam se apagando, até que o produto ficasse feio. As pessoas que levassem seus aparelhos para o concerto recebiam a notícia de que a Philips reembolsaria tantos reais pelo seu aparelho, ou dava x reais de desconto na compra de um equivalente, que viria após dez ou quinze dias para o cliente. Gente, foi uma época de desperdício enorme. Caixas e mais caixas de secadores inutilizados, que eram despachados para reciclagem, Barbeadores, mixers, cafeteiras, entre outros aparelhos, os quais em sua maioria tinham como defeito um mero fusível ou uma resistência queimada, descartavam motores bons, jarras de vidro boas, tanto plástico, tantos metais caros como o cobre, platina, prata jogados fora. Material que consome muita energia na reciclagem. Aliás, aquele simbolozinho do triângulo de reciclagem engana muito a gente, costuma-se pensar de maneira irresponsável sobre o que ele indica, como se a reciclagem fosse uma espécie de processo milagroso, limpinho, de total ou muito reaproveitamento, sem emissões de poluentes, etc... mas isso de longe lembra muitos processos de reciclagem utilizados. Como normalmente quem toma a dianteira no mercado de eletroportáteis, cuidados pessoais e eletroeletônicos de massa é a Philips, não tardou para praticamente todos os demais fabricantes começarem o mesmo. Produtos descartáveis, feitos na China e sem conserto. Parece que até o ano 2000 a Philips perdeu um enorme mercado e a imagem de qualidade de seus produtos Philips e Walita sofrera um violento baque. Marcas que outrora eram símbolo de qualidade e durabilidade, agora pareciam ser vigaristas, os clientes eram atraídos por produtos com belo design estético, mas depois sentiam ter caído em um golpe ao ir em uma assistência técnica e saber que não havia o que fazer com seus aparelhos se não jogar fora e ter que pagar, mesmo que com desconto, por um novo. Não havia escolha, era isso ou receber vinte, trinta reais de ressarcimento. Ao longo de 2002 a 2006, novos aparelhos dessas categorias foram lançados, os quais eram totalmente consertáveis. Produtos que permaneceram em linha das coleções passadas, passaram a ser desmontáveis e ter peças de reposição disponíveis. Exemplo são os mixers e centrífuga Comfort da Walita, que antes eram blindados. Os secadores de cabelo Philips passaram a ter parafusos normais e também possuem peças de reposição para quem quiser concertá-los. Idem para os barbeadores, ferros, dvds e liquidificadores, que, apesar de possuírem motores não desmontáveis, tiveram suas vidas úteis bem prolongadas, dificilmente falhando. Falo isso porque há grandes redes de lanchonetes que só compram liqs dessa marca pela durabilidade. Agora, há peças e componentes que dificilmente se desgastam com o uso normal, essas são difíceis de se encontrar, muitas custam muito, já que linhas de fabricação tem que se mobilizar para fabricá-las, cancelando a produção normal de peças de grande volume de consumo, aí não tem jeito de vender sem cobrar esse preço, por exemplo, um reservatório de bagaço de uma centrífuga, feito de plástico PP, o mesmo dos potes Tupperware, sai por quase 85 reais. Já um copo de liquidificador, de plástico mais nobre, o SAN, com facas de aço integradas, peça muito mais elaborada, sai por meros 30 reais, já que é um produto de volume de consumo. A fabricação do simples reservatório, que tem saída quase nula, ocupa uma linha de produção do copo do liquidificador, então é por isso que seu preço é alto. É bom saber que muitas empresas perceberam que não é viável fazer produtos descartáveis, nem forçar demais o ciclo consumista. Consertar, querendo ou não, é muito ecológico, sem falar na diversão de abrir um aparelho, conhecer como funciona, descobrir novas coisas, comprar peças, montar. Isso é muito divertido e tem aquele negócio de sentimento de vitória, de ter conseguido fazer algo voltar a funcionar, assim como poder fazer algo antigo, do passado também voltar a ser útil. Bom, pelo menos eu acredito nisso.
  • Gustavo & Ligia, O Gustavo apresentou o que acontece na área de eletrodomésticos ou na área de produtos para lanchonetes e restaurantes. A reciclagem é uma industria atrás da industria hoje, ela só não é mais eficiente pela falta de educação do consumidor e de infra-estrutura para que todo o sistema de recuperação e beneficiamento das matérias primas seja feita com eficiência e mínimo de poluição. Foi dito acima que a reciclagem "custa tempo, dinheiro e não é a solução ideal". Nesse item eu tenho que discordar pois quanto mais se criam processos para se fazer uma reutilização ou reciclagem de um produto inicial e seus componentes, menos "material novo" é extraido da natureza para servir de matéria prima nobre. Quanto mais materiais tem os processos de degradação e reciclagem descobertos, menos residuos a humanidade deixa para ser degradado "naturalmente" pela natureza e consequentemente menos resíduos industriais e menos espaço sobre a face da terra emporcalhado por nós. Apesar de produtos serem passiveis de conserto, mesmo esses tem sua vida de consumo programada e fatalmente tudo será encaminhado para o lixão da cidade e daí para a contaminação do solo,ar e águas. Cabe a nós Designers conhecer profundamente esses processos de reciclagem, estudá-los e verificar como um material "novo" possa ser escolhido corretamente para ser aplicado em uma linha de fabricação e além de fazer o "bom Design" temos muita obrigação de fazer o "Design correto"! A reutilização de materiais e suas proporções na composição de um produto deve também ser buscado por nós, para que esse "Design correto" seja atingido e cada vez mais utilizado na industria. Infelizamente isso ainda não acontece na nossa realidade, a não ser esporádicos projetos e de poucas empresas. Cabe também ao Governo normatizar e através de centros de pesquisas, conseguir obter esses processos científicamente aprovados e testados. A fiscalização constante e precisa também deve ser feita para que novas normas e processos sejam buscados e alcançados pelos parques industriais,sem tirar a competitividade deles. Como vocês estão percebendo, essa intrincada teia de processos atitudes ,projetos,soluções ,pesquisas,normas/leis ,fiscalizações e competividade, hoje, não fecha e por essa causa a Humanidade está deixando para trás, desde os meados do Século passado um histórico de degradação planetária de uma rapidez cada vez maior. Para fechar! Somos peixes de um aquário cada vez mais entulhado e poluido e o que é pior,não temos a opção de um "dono" que tenha onde pegar água limpa e fresca para repor. Cabe os "peixes" se controlar e fazer a própria faxina e tentar recuperar o que foi perdido, senão o aquário se vinga e se vinga feio como já estamos assistindo há algum tempo!!! Prendam a respiração!!! Abraços abissais do Foster.
  • Como era divertido ver a cara dos meus vizinhos coleguinhas, quando eu pedia o brinquedo "estragado" deles pra mim, abria, consertava (às vezes era um fio solto, uma pilha que tinha vazado, uma peça que tinha descolado) e depois saía brincando como se ele estivesse novo. Quando o brinquedo não tinha mesmo jeito, eu tirava as partes importantes (motorzinho, engrenagem, compartimento de pilhas), cortava umas caixas de isopor com faca aquecida no fogo, misturava tudo e transformava num barquinho, pra brincar na piscina. A natureza ganhava. E eu também. Saudades do meu tempo de criança.
  • Gostei do que li. Moro em Curitiba-Pr, e gostaria de trabalhar com consertos de oculos. Já procurei em todos os lugares e não encontrei quem ensine.Você conhece algum lugar que dê curso de "reparo de óculos"? Se souber, por favor me responda.