O design gráfico e o preconceito: quando as palavras alimentam a discriminação

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O objetivo desse texto é demonstrar que, embora condenem publicamente o preconceito, muitos designers gráficos agem de forma preconceituosa, quando tentam definir verdades absolutas sobre o jeito “certo” de falar algumas palavras usadas na sua profissão. Acerca disso, Marcos Bagno, autor do livro Preconceito Linguístico (2007), afirma:

“Parece haver cada vez mais, nos dias de hoje, uma forte tendência a lutar contra as mais variadas formas de preconceito, a mostrar que eles não têm nenhum fundamento racional, nenhuma justificativa, e que são apenas o resultado da ignorância, da intolerância ou da manipulação ideológica. Infelizmente, porém, essa tendência não tem atingido um tipo de preconceito muito comum na sociedade brasileira: o preconceito lingüístico. Muito pelo contrário, o que vemos é esse preconceito ser alimentado diariamente em programas de televisão e de rádio, em colunas de jornal e revista, em livros e manuais que pretendem ensinar o que é “certo” e o que é “errado”…” (o grifo é meu)

No nosso caso, o preconceito linguístico se manifesta entre designers gráficos que afirmam que usar a palavra “logo-marca” é errado, mas que o certo é usar “logo-tipo”, que “tipo-logia” está incorreto, e que o certo é “tipo-grafia”, ou que ao invés de usar “metodo-logia”, deve-se utilizar apenas “método”, e assim por diante, numa batalha sufixal que tenta definir como devem terminar as palavras.

Mas o que é um preconceito? Segundo o Portal Saúde-Rio (2007), é “uma opinião que se emite antecipadamente, sem contar com informação suficiente para poder emitir um verdadeiro julgamento, fundamentado e raciocinado. Ao contrário do que se possa pensar, são opiniões individuais. Em geral, nascem da repetição irrefletida de pré-julgamentos que já ouvimos antes mais de uma vez”. (o grifo é meu).

O preconceito gera a discriminação, que é o “tratamento desfavorável dado arbitrariamente a certas categorias de pessoas ou grupos, que pode ser exercido de forma individual ou coletiva” (International Encyclopedia of the Social Sciences).

Portanto, quando designers gráficos desqualificam outras pessoas ou designers porque eles usam essa ou aquela palavra, mas sem ter uma base fundamentada para isso ou informação suficiente, baseando-se apenas em opiniões que ouviram várias vezes, eles estão sendo preconceituosos e praticando a discriminação.

Alguns designers ouvem outras pessoas dizerem “logomarca”. Em seguida, já imaginam “xiii, coitado, esse daí não sabe o que diz, no mínimo estudou numa faculdadezinha do interior” ou diz pra si mesmo: “que pessoa ignorante, não sabe que essa palavra não tem significado nenhum”. Ou ainda classifica o outro designer como sendo inferior e não tendo o direito de pertencer ao grupo dos designers “profissionais” e competentes. Essa idéia reflete o que diz Rodrigues (1999): “Quase sempre, temos uma valorização positiva do nosso próprio grupo, aliado a um preconceito acrítico em favor do nosso grupo e uma visão distorcida e preconceituosa em relação aos demais.”

Ele ainda afirma: “…dá status falar “corretamente”, na idéia ingênua de que a língua dita culta é uma ponte para a ascensão social. Quem não domina a variante padrão é marginalizado/a e ridicularizado/a: na hora de preencher uma vaga profissional, num concurso vestibular, numa situação de conferência, na escola.” (Rodrigues, 1999) (o grifo é meu).

Numa tentativa de justificar a superioridade de uma palavra sobre outra, não faltam esforços. Talvez o mais emblemático seja o texto “Logomarca, por quê?” (http://migre.me/3s7cY), escrito e publicado por Ana Luisa Escorel no livro “O efeito multiplicador do design”. Só que ao invés de “multiplicar” conceitos éticos fundamentados, esse artigo multiplicou apenas as crenças próprias da autora, e dividiu as pessoas a partir do preconceito linguístico. Talvez a autora não tenha culpa pelas aberrações que fizeram com o texto dela, já que no prefácio ela deixa muito claro que os seus artigos  tem “caráter mais pessoal”, “abordados por um viés identificado com convicções”. Obviamente a autora tem o direito de dizer o que pensa (por exemplo: “logomarca não significa nada”), mas existe uma distância muito grande entre dizer algo e isso ter algum tipo de fundamento válido, a ponto de ser repetido quase como um dogma, um axioma.

Nesse texto, Escorel (2004) emite opiniões pessoais que desqualificam os brasileiros. Segundo ela, o termo logomarca é fruto de uma invenção brasileira e que essa invenção não tem mérito nenhum, já que “não se vai para o paraiso só porque se é inventivo”. Ela argumenta ainda que se inventar fosse uma coisa boa, o Diabo estaria salvo, pois ele também costuma ser engenhoso.

No entanto, embora a autora imagine que a palavra “logomarca” tenha sido inventada no Brasil, não é o que aconteceu, pois se assim fosse, ela já não existiria em outro idioma, conforme é indicado por Sebastiany (2009). O que nós fizemos foi no máximo emprestar a palavra dos ingleses, no processo que os linguistas chamam de “apropriação” (borrowing) (http://migre.me/3s7bJ).

Continuando no seu menosprezo aos brasileiros, Escorel (2004) ainda condena a maneira como os pais dão nomes a seus filhos, dizendo que esse comportamento reflete “um gosto duvidoso”. Esse pensamento reflete o preconceito linguístico de quem acha que existe o jeito “certo” de se falar ou usar as palavras, de se criar ou usar nomes.

O texto de Escorel (2004) foi re-publicado e citado inúmeras vezes em outros blogs e artigos. Tomando o texto dela como ponto de partida, plagiando o argumento da autora, um outro texto foi escrito por Gilberto Alves Jr. (2002), chamado “Logomarca: um erro” (http://migre.me/3rzl7), publicado numa comunidade de designers gráficos online, de alta visibilidade. Além de também servir de base para o preconceito linguístico, o texto é uma coleção de argumentos confusos e simplistas, que cometem o erro de encarar algo complexo como se fosse muito simples.

A seguir é possível ler o argumento central do seu texto:

“O termo logomarca é formado pela união de “Logo” e “Marca”.

Logo, vem do grego Lógos. Significa palavra, uma narração ou pronunciamento, verbo, conceito, idéia. Mas não palavra como esta é falada ou escrita, mas o significado dela, ou seja o conceito. “

“Marca, vem do germânico Marka. Quando traduzimos do germânico, ou mesmo do português ou inglês para o latim temos o termo Signum, que traduz-se claramente para significado. E mesmo no português, e no uso moderno da palavra marca significa tudo aquilo que uma empresa representa. Sendo assim, logomarca é um termo redundante: significado do significado. Assim vemos porque não podemos utilizar este termo para falar sobre um Logotipo.”

No seu texto, Alves Jr. (2002) dá a entender que logomarca é uma palavra “errada” (e portanto todas as pessoas que a utilizam ao invés de “logotipo” cometem “um erro”). No entanto, isso se baseia numa premissa inválida. Segundo ele, a palavra “logomarca” se originou da união entre duas palavras (“logo” e “marca”). Essa afirmação é simplista, baseada em pura especulação. Ele não cita nenhuma fonte para esse argumento e demonstra desconhecimento sobre outros processos de formação das palavras além da composição (como derivação, hibridismo, fusão, reuso, abreviações, acrônimos, afixação e apropriação). E demonstra desconhecer a origem da expressão “logo mark” utilizada na língua inglesa. Mas o termo “logomarca” não é invenção de brasileiros, é uma expressão utilizada fora do Brasil (“logo mark”) e que faz parte do idioma inglês, sendo plenamente compreendido e aceito inclusive por escritórios de registro de marcas (http://migre.me/3rDZu) e advogados que costumam ser muito preocupados com a precisão dos termos que utilizam.

Além de especular sobre a origem da palavra, Alves Jr. (2002) ainda afirma que a palavra “marca” vem do alemão “marka”. Daí, num rodeio inexplicável, ele traduz do alemão para o latim, chega na palavra “signum” e daí conclui precipitadamente que “signum” traduz-se para “significado”, IGNORANDO completamente os demais sentidos que a palavra pudesse ter, distorcendo o sentido conforme sua conveniência.

Para entender melhor essa confusão, podemos fazer uma análise isolada da palavra “mark”. O Dicionário Etimológico Online (www.etymonline.com) traz as seguintes definições sobre o termo e sua origem:

“trace, impression,” O.E. mearc (W.Saxon), merc (Mercian) “boundary, sign, limit, mark,” from P.Gmc. *marko (cf. O.N. merki “boundary, sign,” mörk “forest,” which often marked a frontier; O.Fris. merke, Goth. marka “boundary, frontier,” Du. merk “mark, brand,” Ger. Mark “boundary, boundary land”), from PIE *mereg- “edge, boundary” (cf. L. margo “margin,” O.Ir. mruig “borderland”). The primary sense is probably “boundary,” which had evolved by O.E. through “sign of a boundary,” “sign in general,” “impression or trace forming a sign.” Meaning “any visible trace or impression” first recorded c.1200 (http://migre.me/3rGGl).

Segundo esse dicionário, “mark” teve diversas origens, como o West Saxon, Mercian, Old Norse, Old Frisian, Gothic, Proto-Indo-European e Old English, ou seja, não tem origem apenas alemã. Além disso, o sentido básico da palavra é “limite que demarca uma fronteira”, que depois evoluiu em cerca do ano 1.200 E.C. para “qualquer traço visível ou impressão”. Traduzindo marca em alemão (“marke”), ela pode significar “emblema, etiqueta, selo, carimbo, um sinal visível que indica uma altura, nível de água, o nome de um produto ou empresa” (http://de.wikipedia.org/wiki/Marke).

Portanto, fica a pergunta: de onde foi que Alves Jr. (2002) tirou essa idéia de que marca significa PURA e SIMPLESMENTE “significado”? Por que ele ignorou outros sentidos possíveis para a palavra que servem perfeitamente para expressar o fato de que ela pode ser uma manifestação visível/perceptível de uma idéia (“logos”)?

Outra coisa que não tem fundamento é desqualificar a palavra logomarca dizendo que ela é um pleonasmo (chegou-se ao ponto de apresentar esse preconceito em forma de gráfico http://migre.me/3s75d). Se “logo” significa “conceito” e “marca” pode significar “sinal ou manifestação visível”, a palavra não tem nenhum defeito semântico, sendo suficiente para indicar um “elemento visual de identificação”. Portanto a afirmação de que o sentido da palavra logomarca é SOMENTE “significado do significado” é falsa.

Vale lembrar ainda que continuar divulgando e reforçando textos completamente tendenciosos, imprecisos e especulativos, como esses que condenam o uso da palavra “logomarca”, serve para alimentar uma atitude preconceituosa e discriminatória entre os próprios designers, um comportamento que é facilmente verificável numa visita a um fórum de discussão online, nos comentários dos blogs de design gráfico, em artigos publicados e mais recentemente no twitter também (http://migre.me/3s79Y). Ao invés de ficar rebaixando ou menosprezando outros designers que não usam o termo que pessoalmente se acha “certo”, eles deveriam refletir se isso vale a pena.

Enfim, nem sempre o que se considera como “verdade” realmente é. Devemos combater o efeito multiplicador da ignorância e entender que não somos superiores a ninguém. Obviamente temos o direito de nos expressar e defender o que julgamos ser correto. Mas não temos o direito de considerar os outros como sendo inferiores a nós por puro preconceito. Ao invés de travar combates ao redor de palavras, os designers devem se unir e perceber que tem mais coisas em comum do que diferenças.

“Tenho-me esforçado por não rir das ações humanas, por não deplorá-las nem odiá-las, mas por entendê-las” – Baruch Spinoza, filósofo holandês

Referências

Alves Junior, Gilberto. (2002) Logomarca: um erro. Disponível em http://migre.me/3rzl7 . Acessado em 5 de janeiro de 2011.

Bagno, Marcos. (2007). Preconceito lingüístico: o que é, como se faz. São Paulo: Loyola. 49ª edição.

Block, Walter E., and Michael A. Walker. 1982. The Plight of the Minority. In Discrimination, Affirmative Action, and Equal Opportunity: An Economic and Social Perspective, eds. Walter E. Block and Michael A. Walker, 6. Vancouver, BC: Fraser Institute.

“Discrimination.” International Encyclopedia of the Social Sciences. 2008. Encyclopedia.com. (January 5, 2011). http://www.encyclopedia.com/doc/1G2-3045300608.html

Escorel, Ana Luisa. (2004) “Logomarca: por quê?” in: O efeito multiplicador do design. Editora Senac. São Paulo.

Portal Saúde-Rio. Termos utilizados na luta contra o racismo. Disponível em http://migre.me/3rv9G. Acessado em 5 de janeiro de 2011.

Rodrigues, Fabio (1999). Preconceito lingüístico e não-lingüístico na escola/livro didático. Disponível em http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/p00003.htm. Acessado em 5 de janeiro de 2011.

Sebastiany, Guilherme (2009). Logomarca? Porque sim e porque não. Disponível em http://migre.me/3rzJk . Acessado em 5 de janeiro de 2011.

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70 comentários

  • Obrigado, caro Martins. O seu texto foi esclarecedor e me fez ver de uma maneira mais completa a respeito do assunto. Realmente ele trás um ponto de vista que nunca tinha visto e me agradou bastante te-lo lido. Obrigado por compartilhar a sua opinião.
  • Oi Carolina, legal, eu vi seu texto e a linha de raciocínio é a mesma sim. Sabe o que é mais triste? É descobrir que além do conceito de que "logomarca" não existe, tem mais uma porção de outros que muita gente sai repetindo por aí que nem papagaio, sem ao menos verificar se tem procedência ou não. Será que agora essas pessoas vão ser mais críticas e menos presa fácil em relação a esses pseudo-teóricos ?
  • Gostei muito do post! Muito esclarecedor mesmo! Acho que logomarca é um termo aceitável sim pois já faz parte do vocabulário popular. As pessoas entendem o que é. Particularmente não uso muito este termo pois prefiro evitar atritos (e talvez por já ter lido tanto negativamente sobre o termo), mas sei que não há nada de inferior em quem o usa. Ótimo post! Parabéns!
  • Caro Ricardo. Em primeiro lugar quero afastar-me das pessoas que classificam como maus profissionais todos aqueles que usam o termo logomarca. Por outro lado, referir que li e discordo do seu texto e argumentos. É que por generalizar também acaba por ser conceituoso. Este é um assunto complexo, que para ser aprofundado exigiria uma reflexão sobre o modo como se criam e aceitam novas nomenclaturas para referir um mesmo conceito. Por exemplo o mesmo conceito é chamado de diversos modos por marketeers, publicitarios, gestores ou designers. Quando traduzimos um conceito devemos atender ao contexto de uso e tal não acontece com o logomarca. Só o conceito de marca tem diversos sentidos, podendo ser verbo, um conceito ou um signo gráfico. A própria palavra logotipo tem diversos sentidos. Tem uma origem associada à tipografia e foi transportada para o contexto da identidade visual para se referir à representação gráfica do nome da empresa por meio de letras. Porém o termo logotipo ou logo (sobretudo este termo) vulgarizou-se para designar a representação gráfica do nome e em símbolo. A traduzir logo mark, deve atender-se a que o conceito de marca está a ser usado como algo mais vasto (um conjunto de atributos). A palavra logo quer remeter para a sua dimensão gráfica. Vejamos: Logotype e wordmark referem o mesmo... Logomark e Brandmark referem o mesmo... Brand Managment e Branding referem o mesmo... O uso correcto de um conceito é fundamental e devemos defendê-lo, mas sem confundir falta de informação com falta de profissionalismo. Também não se pode confundir rigor com preconceito.
  • Olha, eu concordo quando se diz que os designers devem se esforçar em fazer seu trabalho com correção, atenção, ética, estudando sempre, conhecendo diferentes pontos de vista, lendo e se atualizando. Até costumo brincar com meus alunos na Universidade Federal, dizendo: "não deixe a universidade estragar seus estudos". Ao invés de ficar esperando que tudo venha pronto da faculdade, os alunos devem correr atrás, construir seu conhecimento e não sair acreditando em tudo o que dizem por aí (incluindo o que EU DIGO), afinal, o que hoje é verdade, amanhã pode não ser (graças a Deus). No entanto, quando se diz: "Se um padeiro ou um advogado soltar um “logomarca”, não tem problema nenhum, mas se for um designer, para mim, significa que faltou conhecimento sobre o vocabulário específico de sua própria profissão.", eu iria com mais calma, pois o fato de um designer usar esse termo não é suficiente para "medir" o quanto ele sabe ou tem de conhecimento sobre qualquer coisa. Da mesma forma, usar um termo considerado "certo" não é prova suficiente de competência ou saber profissional. Já vi muitas pessoas se orgulharem de usar os termos "corretos" e apresentarem projetos deficientes. O objetivo do meu texto não é defender essa ou aquela palavra, e sim demonstrar como uma crença considerada "verdadeira" se transformou em um muro que divide as pessoas e as classifica como "as certas" e "as erradas". Pra piorar tudo, essa crença é falsa, é repetida como se fosse verdade, sem que as pessoas reflitam, questionem, se perguntem: "mas peraí, só porque isso está escrito em um livro, agora é verdade?" Alguns designers usam o argumento de que "o termo logomarca foi inventada pelos publicitários" para atacar publicitários, como se eles fossem o demônio. E não são. Há publicitários muito inteligentes, com um conhecimento sobre comunicação que deixaria muitos designers no chinelo. Eles entendem sobre comunicação de massa, sobre mídias, sobre objetivos de comunicação, sobre mensagens publicitárias, sobre sistemas de avaliação de comunicação, sobre pesquisas de público-alvo, enfim, competências que poderiam ensinar muito aos designers que já acham que sabem de tudo. Outros designers usam a desculpa de que "o termo logomarca" não é preciso o suficiente, mas que logotipo "é muito preciso". Mas peraí, o que é ser preciso? Viver é preciso, logomarca não é preciso? rsrs Nessa luta por "definir" as coisas, as pessoas travam combates sem fim. Isso é um péssimo hábito ocidental, que tenta definir "o que é" ou "deixa de ser". No oriente, nota-se menos uma preocupação com a "substância" das coisas e mais com as relações entre elas. Isso nos ensina que ao invés de nos concentrar "nas coisas" em si, deveríamos entender como elas se relacionam, como uma coisa afeta a outra, como influi sobre o sistema. Quando chegamos nesse ponto, a ênfase sobre as palavras diminui. Quando você entende que existe um elemento visual que é utilizado para representar uma empresa, uma pessoa, um evento, um produto, um objeto, uma cidade, um conceito, e que esse elemento faz parte de um sistema mais amplo de identidade, que inclui uma palheta de cores, uma família tipográfica, texturas e padronagens, um nome, determinados materiais etc., você percebe que não faz diferença se chamamos de logomarca, logo, logotipo, icotipo, geotipo, zootipo, fitotipo (esses 4 ultimos são oriundos da França). Talvez eu me preocupasse se eu visse alguém chamando um folder de logomarca ou dizendo que logomarca é aquela peça que prende o volante ao carro. Mas mesmo assim, eu jamais iria classificar a outra pessoa automaticamente como ignorante ou como merecedora de menos respeito e cordialidade. Já não ouvimos que só há crescimento pela diferença? Se todo mundo fosse igual e nada fosse diferente do que nós encaramos como verdade, ainda estaríamos na Idade da Pedra, não haveriam aviões e uma simples gripe mataria cidades inteiras! Antes de julgar rapidamente as pessoas, eu acho mais pertinente escutar, ponderar e respeitar o direito que as pessoas tem de serem diferentes.
  • Ufa! Seu texto que dá uma ripada na testa da ignorância disseminada por uma meia dúzia que quer aparecer ou vai na onda mais ridícula inventada no mundo do design. Que se imprima e se esfregue na cara de Escoréis e Fucaechupas da vida (e seus seguidores). Ando bastante desgostoso com a postura dos designers brasileiros, que colaboram pouquíssimo para a classe e produzem falácias dignas de causarem vergonha alheia. Seu texto é um desafogo. Parabéns!
  • Fuckoff quem fica discrimina termos usados por profissionais. Já vi zé por varios lugar ae discriminando também quando se chama projeto/trampo de de job. (porque é usado por publicitários também).
  • Ricardo, É tudo uma questão de contexto. Como eu disse, um "logomarca" dentro de um contexto universal não tem problema nenhum. Você citou uma frase do meu comentário fora do contexto que faz parecer que significa outra coisa. Você citou a minha frase: "Se um padeiro ou um advogado soltar um “logomarca”, não tem problema nenhum, mas se for um designer, para mim, significa que faltou conhecimento sobre o vocabulário específico de sua própria profissão.”. Porém não colocou o final: "Isso pode ser determinante ou não.". E comentou, baseado nisso: "eu iria com mais calma, pois o fato de um designer usar esse termo não é suficiente para “medir” o quanto ele sabe ou tem de conhecimento sobre qualquer coisa." Deixo claro que não meço as qualidades de um designer se ele fala "logomarca" ou não, afinal "isso pode ser determinante ou não". Muito menos merecedor de menos respeito... Porém, a profissão tem sim um vocabulário próprio, como qualquer profissão, seja um pouco mais flexível ou não. Independentemente da etimología dos termos usados, existem termos padrão da profissão que facilitam o dia-a-dia da prática do design. Assim como "palheta (ou paleta?) de cores, uma família tipográfica, texturas e padronagens, um nome, determinados materiais etc." também são parte do vocabulário específico da profissão e não podem ser usados de forma incorreta, sob o risco de ser incomprendido. É importante que os estudantes de design aprendam isso, mesmo que decidam, conscientemente, transgredir. Se um outro designer me disser que acabou de trabalhar numa "logomarca", poderia ficar confuso sem saber se ele criou o símbolo gráfico de uma empresa, evento ou instituição ou se estabeleceu os parâmetros e estratégias de como a empresa, evento ou instituição é percebida, incluindo o logo. Porquê usar uma palavra que pode significar mais de uma coisa, se existem palavras que significam exatamente o que você quer dizer? Um estudante de arquitetura, por exemplo, não pode sair da faculdade falando "aquela barra horizontal que sustenta o peso", já que existe a palavra "viga". Agora, se um cliente, um advogado, um padeiro, a presidente da república, etc. soltar um "logomarca", sei exatamente ao que esta pessoa se refere, já que TAMBÉM tenho conhecimento sobre o uso desta palavra num contexto universal. Resumindo, concordo que não é possível medir a qualidade de um designer pelo fato de ele soltar um "logomarca" de vez em quando. Porém acho que é importante sim que nós, designers saibamos usar o vocabulário específico da nossa profissão de forma correta para facilitar a prática do design no dia-a-dia, como em qualquer outra profissão. Nossa profissão não é nem mais nem menos especial... Também acho importante sempre questionar as regras estabelecidas, principalmente durante o período de formação (geralmente universitário), mas só se for pra chegar em algum lugar melhor. Aliás estou achando esta discussão toda muito útil e necessária e só tenho que agradecer a você por isso, apesar de discordar de alguns pontos...
  • Oi Fernando, agora entendi melhor seu ponto de vista. Quem dera se todos estabelecessem um diálogo cordial e respeitoso como você. A discriminação seria coisa do passado. Mesmo discordando de você em alguns pontos, ainda acho que temos mais coisas em comum do que diferenças, e isso também é determinante.
  • Muito interessante o texto. Demonstra algo que todo designer, ou melhor, todo profissional independente da área deveria fazer: pesquisar antes de afirmar algo como verdade absoluta. Mas na maior parte dos casos, não fazemos isso. Esse texto é como um "tapa na cara" das pessoas que discriminam o outro por usar esse ou aquele termo. Acho que o mesmo vale para os designers que usam Mac ou PC. Que utilizam Corel ou Illustrator, vejo muito preconceito tb...bom mas aí é assunto pra outro texto né? P.S. O fundo preto dificulta um pouco a leitura do texto do seu blog.
  • Ricardo, parabéns por questionar o censo comum. O design brasileiro é extremamente carente de crítica e de discussão. Dá pra se ter uma idéia lendo alguns comentários feitos ao seu texto. O papo chapa-branca impera na nossa área. Textos como este, que colocam em dúvida opiniões obscuras que são repercutidas sem reflexão crítica — engolidas e vomitadas sem um minuto de digestão, são bastante raros de se encontrar neste mundo design. Quem se interessa por esse tipo de discussão, talvez encontre alguma coisa que interesse no Filosofia do Design: http://filosofiadodesign.wordpress.com (ainda no começo, mas já com muito material interessante). Específicamente sobre "logomarca", quero compartilhar algumas idéias que rolaram numa lista de discussão da qual faço parte. Um amigo (Chico Maciel), enviou a polêmica para um respeitado professor de língua portuguesa. Reproduzo na sequencia a troca de e-mails entre eles que o Chico compartilhou conosco na lista. Em tempo: seria legal se houvesse a opção para receber por e-mail avisos sobre interações posteriores nos aqui nos comentários. ————— Moçada, Sei que o assunto já está tão batido que ninguém mais agüenta. Mas se tiverem paciência de ler os dois longos e-mails abaixo, garanto que vocês só tem a ganhar. Bom, a troca de e-mails foi com um professor do RS, Cláudio Moreno, que possui um site que indico (se já não indiquei) a todos: www.sualingua.com.br Como ele tem umas sacadas muito boas e sempre consegue ponderar entre os "árbitros" da língua portuguesa ("não pode isso; não pode aquilo") e sua própria interpretação e conhecimento, achei que pudesse pelo menos da a opinião dele. E foi o que rolou. Bom, a dúvida é aquela velha: logomarca mesmo. Dêem uma olhada na resposta que ele me deu, ainda de manhã (mandei o e-mail na madrugada de hoje). É só uma opinião, mas como até agora a discussão só tem sido travada apenas por designers (sem o envolvimento de lingüistas, gramáticos ou léxicos - e menos ainda pelos próprios publicitários, alvos de parte da crítica), vale a pena ler um outro ponto de vista. Afinal, que mal há em discutir idéias? Abraços, Chicão ---------- Mensagem encaminhada ---------- De: Sua Língua Data: 25 de fevereiro de 2010 11:22 Assunto: Re: Sobre Logomarca Para: Chico Maciel Meu caro Chico, dei uma passeada pelas páginas de discussão indicadas por ti e fiquei abismado de ver tantos designers e professores de design discutindo — vou ser franco, como sempre fui — um assunto que não lhes compete. No que se refere a "neologismos" (neologismo! Usar esta palavra é trazer na testa um aviso: não entendo nada de Linguística...), criação lexical, "existe ou não existe tal vocábulo", etc. — no que se refere a esses assuntos, repito, a comunidade dos designers, publicitários e similares pode ter, no máximo, OPINIÕES. Nada mais do que isso. Eu, Cláudio Moreno, posso achar Norman Foster um gênio e Niemeyer um arquiteto estalinista indevidamente valorizado; posso achar o design italiano de louça mais avançado que o design sueco... Posso, aliás, ter opinião sobre tudo, ou quase tudo — mas não passarão de opiniões do sr. Cláudio Moreno. É preciso muito desconhecimento de como funciona uma língua para afirmar que uma palavra como LOGOMARCA, com 1.490.000 ocorrências no Google, não existe, ou não deve existir! Arredondando, um milhão e meio! Nossos melhores dicionários - Aurélio, Houaiss e Aulete - já registram o termo há vários anos, e alguns teimosos amadores vêm dizer que o termo não existe? Isso parece a mesma atitude paroquialista dos habitantes de municípios que teimam em escrever à sua maneira o nome da cidade em que moram, como se o fato de viver lá lhes desse uma autoridade em ortografia maior do que a dos filólogos e gramáticos... Alguns alegam que o termo teria sido criado por nossos publicitários. E daí? As palavras são criadas pelos pescadores, leiteiros, apostadores de jogo do bicho, prostitutas, etc. — todos criam, e só os publicitários e designers iam ficar de fora? Tudo isso sem contar que o vocábulo é uma nítida adaptação/tradução do inglês WORDMARK, como tu mesmo percebeste — palavra que bate hoje, no meu Google, a bagatela de 1.200.000 ocorrências, usada em sites de universidades, de organizações governamentais, de direito internacional, etc. , sem contar os sites que usam, mesmo em Inglês, LOGOMARK, LOGO MARK e LOGOMARQUE. Embora eu não costume frequentar a Wikipedia, lá está, bem clara, a delimitação do conceito: "A wordmark, also sometimes word mark, subset of the term logotype, is a standardized graphic representation of the name of a company, institution, or product name used for purposes of identification and branding. A wordmark is usually a distinct text-only typographic treatment as can be found in the graphic identities of the Government of Canada, FedEx, Google, and Wikipedia. The organization name is incorporated as a simple graphic treatment to create a clear, visually memorable identity. The representation of the word becomes a visual symbol of the organization or product." (Enquanto isso, a Wikipedia em Português traz, no verbete LOGOMARCA, a opinião de uma autora brasileira que decididamente não gosta da palavra e tenta esboçar uma pífia explicação etimológica para sua birra... Alguém tem de atualizar urgentemente esse artigo...). Confesso-te que fiquei espantado ao tomar conhecimento, pela tua mensagem, de que ainda pairam discussões sobre a legitimidade de LOGOMARCA. Que se discuta a sua abrangência, a definição de seus limites com relação ao logotipo, à marca registrada, etc., tudo bem. Que se tente definir suas características legais, tudo bem. Que alguns a considerem uma palavra antipática, gorda, feia, crespa ou outra coisa qualquer, tudo bem, também, pois isso cada falante acaba fazendo instintivamente com as palavras novas que ingressam em seu campo de atenção — mas nada disso tem a ver com a sua legitimidade. Abraço. Prof. Cláudio Moreno www.sualingua.com.br http://twitter.com/moreno_/ ----- Original Message ----- From: Chico Maciel To: sualingua@terra.com.br Sent: Thursday, February 25, 2010 3:19 AM Subject: Sobre Logomarca Oi, professor, como vai? Tenho uma dúvida que carrego há muito tempo, mas não sei se vou saber conduzir a pergunta e me fazer entender. Para facilitar um pouco, vou contextualizar. A questão é sobre um termo específico de um ofício ou de uma categoria de profissionais. No caso, principalmente mas não só, profissionais do design gráfico (o qual me encontro) e profissionais ligados ao marketing e à publicidade. A dúvida é sobre o termo logomarca. Em uma rápida pesquisa na internet é possível verificar que o termo logomarca é motivo de querelas sem fim. Pra tentar resumir bem: alguns profissionais - em geral, os designers com ou em processo de formação superior - defendem que o termo logomarca não existe. Esta seria uma "um neologismo, uma invenção de publicitários brasileiros". Uma autora muito famosa na área critica a palavra pelo mesmo motivo, acrescentando a explicação de que a "palavra-marca" não faz sentido nenhum, sendo aí, mais uma vez uma invenção brasileira. Fato é que logomarca é uma palavra largamente usada pela imensa maioria da população, aí incluindo jornalistas e até mesmo outros designers. Acho engraçado como quase sempre as discussões relacionadas à gramática e à Língua, vêm carregadas de preconceitos de classe e uma tendência a tirar a legitimidade do que é feito aqui, no Brasil. Havia deixado essa discussão de lado até que esses dias topei com a palavra wordmark e minhas questões voltaram. Afinal, estamos diante de uma "palavra-marca" que não foi criada por publicitários tupiniquins. Disso tudo, professor, o que eu quero saber é o seguinte: o que faz uma palavra passar a ser considerada como correta ou como errada? Uma palavra que é usada e entendida pela grande maioria e consta nos dicionários pode, ainda assim, ser considerada inapropriada? E, claro, qual sua opinião sobre a discussão? Pode nos ajudar a encontrar o caminho do bom-senso? Há pelo menos dois anos que acompanho seu blog, sempre indicando para todos que conheço (inclusive meu pai, ex-seminarista, professor de lingüística e grande admirador do seu trabalho). Muito obrigado e parabéns pelo trabalho! Forte abraço, Chico Maciel Londrina, PR.
  • Gostei do texto. O importante antes de mais nada é procurar um embasamento antes de repetir uma afirmação que pode muitas vezes ser errônea, o que propicia maior confusão e permite que o erro se alastre por ai.
  • SHOW!! Parabéns pelo texto, perfeito! Resumiu em palavras muito bem escritas uma questão que está presente desde o momento que um aluno senta em uma cadeira da universidade.. o preconceito. Precisamos mudar a imagem e o rumo do perfil do profissional e diminuir os egos exacerbados de pessoas que estão lá para aprender a trazer soluções visuais e de produto para as pessoas e não para se achar melhor que alguém! Sejamos mais honestos e humanos na profissão que abraçamos. Acho também que os Designers brasileiros têm coisas muito mais importates para se preocupar (como a regularização da profissão) do que ficar discutindo preferências linguísticas. Vamos nos unir para deixarmos nossa profissão com mais "cara de profissão", há tanta gente que a exerce e nem sequer frequentou uma faculdade para saber sobre termos certos a se utilizar e etc ... Se fôssemos respeitados como profissionais visuais talvez não estaria como está, com cursos de curta duração ensinando o aluno a ser "Designer" em 4 meses. Acredito que todos que entraram e deram suas opiniões aqui investiram anos em uma profissão que atualmente não está sendo tão reconhecida, nem piso salarial temos! Hello gente, vamos nos unir! Quando fiz a faculdade (1998) os professores nos ensinaram Logo= Logotipia, texto, etc / Marca = Desenho, ícone, etc... A própria palavra que define nossa profissão não tem significado no dicionário da língua portuguesa "Design"... Aos preconceituosos que defendem arduamente essa discussão sobre o termo Logomarca, que consigam traduzir Design para a língua portuguesa então.
  • Caríssimos, Em novembro escrevi um texto com um raciocínio muito similar, para a Revista Wide. Compartilho: http://www.revistawide.com.br/index.php/logomarca-existe-passa-bem-e-manda-lembrancas/ Abraços, Carolina.
  • O que me dói mais nem é o preconceito linguístico, mas saber que os profissionais da nossa área perdem mais tempo discutindo linguística do que design. :/ Dar nome aos bois é importante, mas prefiro me preocupar em cuidar dos bois antes. :)
  • parabéns, caro Ricardo. este é o texto que faltava no relicário do Design brasileiro e que já qualifico como um poderoso anticorpo contra a já patente arrogância imoral que impera entre os Designers tupiniquins. obrigado por ele. Carlos Koehler
  • Olá, Ricardo! Excelente texto, parabéns. Acima de tudo, é importante que haja o debate. Não concordo, como foi dito por aí, que não devemos discutir os nomes dos bois. Esta questão semântica/lingüística parece bobagem, mas esconde atrás de si toda uma intrincada relação de preconceitos que vão culminar, a meu ver, em um cenário mais ou menos assim: 1) desunião da categoria de profissionais; 2) desinteresse por discussões mais aprofundadas dentro e fora da academia; 3) cristalização de preconceitos diversos, noções e dogmas e, 4) a formação de designers acríticos facilmente explorados no mercado de trabalho. Eu e o Uriá temos opniões distintas sobre o assunto, mas volta e meia tornamos a discutir. Isso é que é o importante. Apesar de designer de formação, sempre me relacionei com a Geografia, o que me levou a cursar uma de suas disciplinas. Uma das coisas que me deixou muito contente é o prazer dos geógrafos de se discutirem exaustivamente termos que pra nós, de fora da área, são todos corriqueiros. Exaustivamente, quando digo, é, por exemplo, a discussão sobre "território e territorialidade" que já dura mais de 30 anos. Há artigos e artigos que tentam definir o que é "região". Teses e antíteses sobre se existem ou não "cidades médias". Discussões sem preconceitos, sem ridicularização e com muito fundamento teórico só solidificam o conhecimento. Vou tentar não me alongar mais. Como também sou um defensor do uso do termo logomarca, quero apenas sugerir (ou deixar registrado) dois pontos que acho que poderão ajudar-nos a trabalhar essa questão: 1) consultar alguém especializado, um lexicógrafo talvez, ou fazermos um levantamento preciso da etimologia e do primeiro registro da palavra logomarca em português. Sabemos que existe logomark, logomarque etc em outras línguas. Não é invenção de brasileiro. Talvez fosse preciso uma espécie "prova" definitiva disso. 2) trabalhar melhor a questão da "inapropriação do uso", ou seja, até que ponto podemos dizer que "logotipo está para fórceps assim como logomarca está para tesoura de abertura". Ou ainda, por que razão logomarca não serve como termo profissional? Que ela fez de tão feio? Forte abraço, Chico Maciel
  • Ricardo, Pois é! Fico sempre muito chocada com o pessoal que repete e levanta bandeiras sem nem mesmo consultar um simples dicionário online. Não vejo diferença nenhuma entre esta atitude e o encaminhar de spams e hoax. Pessoalmente não uso nem logomarca nem logotipo, prefiro "identidade visual" por acreditar ser um termo mais abrangente, mas não faço disso uma bandeira de só o termo que eu prefiro está certo e o resto do mundo está errado... Enfim, fica aqui o desejo de que as pessoas comecem a verificar as informações antes de repassá-las. Grande abraço, Carolina.
  • Camile, o nome disso é "apelo à autoridade", e é uma falácia de pensamento. Quanto ao tema, sendo filho de uma educadora, já li muito sobre preconceito linguístico e concordo. Não existem, de fato, termos "errados", quando a mensagem é passada. Uma comunicação só é falha de verdade quando a idéia não é percebida. Por outro lado, concordo em partes com o Chico e com o pessoal do "logomarca tá errado e pronto": Primeiramente deve-se traçar uma etimologia comprovada dos termos da nossa profissão. O fato do pessoal do contra não ter feito uma pesquisa sólida, não significa que o pessoal do a favor pode afirmar o contrário sem, também, uma pesquisa. E segundo que, com ou sem conceito de "errado", os termos específicos de um grupo social tem, sim, um valor considerável. É uma questão de sociologia: O uso embasado dos termos preferíveis de uma profissão não só indica conhecimento de causa, mas também facilita a comunicação entre os próprios membros do grupo. Em resumo: Teoricamente, não, "logomarca" (e similares) não está errado. Mas, em termos práticos, uma classe de trabalho deve adotar termos unificados. O uso coerente da linguagem técnica dá coesão e fortalecimento ao nicho dos designers.
  • O texto aqui também é tendencioso. Uma profissão ainda não regulamentada como a de designer deve ter um mínimo de padronização em sua estruturação. Inadequações técnicas podem ser perdoadas quando usadas por apedeutas, mas não deve ser incentivado quando por profissionais. Afinal estudar o porquê de conceitos errados, como o termo logomarca é fundamental para realizar os princípios da profissão de forma o mínimo correta. O autor aqui, numa cruzada politicamente correta, evitou citar outros autores como Gilberto Strunck. Acho o preconceito errado, mas acho da mesma forma errado ver profissionais agindo de forma pouco responsável com relação a fundamentos técnicos da sua profissão, prática que o próprio autor cita como não compartilhada pelos profissionais de direito.
  • "Afinal estudar o porquê de conceitos errados, como o termo logomarca é fundamental" Uma pergunta: você pode explicar porque o termo logomarca, que é defendido pelo Gilberto Strunck, é "errado"? Em que parte do texto você entendeu que eu sou contra fundamentos técnicos da profissão? Se eu fosse contra fundamentos técnicos, porque eu iria publicar um infográfico cheio deles? (http://espaco.com/design/modelo-simplificado-para-construcao-de-sistemas-de-identidade-visual/)
  • Belo texto Ricardo, e fico honrado em ter meu artigo sobre o tema citado. Concordo com tudo o que foi colocado, e de que o pré-conceito está muito fortemente arraigado em nossa profissão, seja para discutir termo, fontes ou softwares... Porém um ponto, citado no meu artigo, continua a me incomodar e me faz ainda insistir no uso de outras palavras no dia a dia do escritório, não por preconceito, mas por eficiência: A falta de definição COMUM do termo "logomarca" como há para símbolo e logotipo (apesar de no caso deste último muitos designers o utilizarem ainda de forma genérica) A falta de definição exata do termo LOGOMARCA tanto quanto no caso do termo LOGO expressa um grau de generalidade que atrapalham a operação e o trabalho entre pessoas de uma mesma equipe, principalmente quando, sem base de pesquisa nenhuma, diferentes autores por iniciativa própria "DEFINEM" logomarca como sinônimo hora para símbolo, hora para logotipo, hora para assinatura. Estes tópicos estão todos discutidos no meu artigo nos ítens 3 a 5 ( http://migre.me/3rzJk ) como ainda problemáticos, pois podem induzir a erro, seja na comunicação entre membros de uma mesma equipe, seja entre cliente e designer, ou mesmo em um contrato de trabalho, pois quando tratamos deste termo no âmbito jurídico não há ponto pacífico quanto ao seu significado. Já conheci casos exatos destes erros gerados pela falta de definição exata do termo. Não vejo tanto problema no uso do termo, quando relacionado a uma definição genérica, para o signo de comando de uma identidade visual. Afinal, o termo LOGO é tão genérico quanto LOGOMARCA. Mas só adotarei tanto LOGO quanto LOGOMARCA no meu dia a dia de trabalho, quando seu significado for definido, exato e inequívoco. Quando isso acontecer, pode ter certeza que serei o primeiro a adotar o termo em minha comunicação, até mesmo porque, ajudaria nos resultados de busca do meu site no google.... rs
  • Concordo Guilherme. Outros termos são genéricos também, como o próprio termo "símbolo". Se você usar a definição ao pé da letra, do ponto de vista da semiótica, vai ver que praticamente tudo ao nosso redor pode ser um "símbolo", se a relação entre signo e objeto for arbitrária (embora tenham autores que afirmem que um signo nunca é escolhido por arbitrariedade e sim por disponibilidade - Reading Images - Van Leeuwen e Gunther Kress). Enfim, o que uns chamam de logotipo, pode ser encarado como um símbolo, o que é chamado de "identidade visual" pode ser visto como "símbolo, ícone, índice" dependendo do interpretante, da pessoa que está fazendo a análise. E quando vc tá terminando de analisar o signo ele já virou outra coisa, pois o processo é dinâmico, e é impossível chegar a um "interpretante" final. Enfim, a discussão vai longe, e o google vai esperar mais um tempo até surgir um termo "inequívoco" para definir o que é essa tal de "logo".
  • Ricardo, O professor Cláudio Moreno, lingüista, escreveu em seu blog sobre o assunto. Quer ver o que ele disse? Vai lá: http://migre.me/46w7d (está em duas partes). Acho que são os argumentos de quem faltava: um estudioso da língua. Abraços
  • Olá, Há pouco tempo, era conhecido por ser um fiel combatente da palavra logomarca. Sim, atribuo isto ao texto de Escorel. Mas a multiplicação dos anos e dos estudos trouxeram uma visão diferente. E ela vai ao encontro do que é apresentado pelo Ricardo. Primeiro, por entender que as pessoas entendem, sim, quando falamos logomarca. E isso já vale muito. Segundo porque foi fácil identificar a palavra "logomark" em várias publicações internacionais. E aí o argumento publicado em "Efeito Multiplicador do Design" padeceu. Fez "ploft" forte em minha mente. E, depois, com a paixão crescente pela etimologia, consequência dos processos de naming. Concordo que devemos buscar, sim, um discurso integrado em Design, como disse o Chico Maciel. E acho belo (e estimulo demais este olho com meus alunos, colegas de trabalho e ao espelho) que sejamos menos arrogantes. E o René Descastes já sugeriu que devemos duvidar, para começar. Forte abraço e parabéns.
  • Perfeito seu artigo, professor Ricardo Martins Para os que não entenderam, é só se informar: a tradução de “Marka” é muito mais “Fronteira, traço, sinal”, do que “significado”. A tradução da palavra “Logos” é muito mais “palavra, conhecimento, significado”. Ou seja, LOGOMARCA significa “sinal-palavra”. Para mim, a perfeita definição de um símbolo acomapanhado de letras. É perfeito definir LOGOTIPO como “palavra-tipo” (ou "significado-tipo"), que são as marcas que não possuem símbolos, como SADIA ou VISA por exemplo. Já FORD, ROCHE, BRADESCO, são claramente logomarcas, pois possuem um símbolo + logotipo. Ou alguém contesta que "TIPO" é letra? Se utilizarmos a palavra logotippo para se referir ao símbolo da Rede Globo por exemplo, isso sim é um erro. A marca da Rede Globo é composta do nome em letras características (logotipo), somado a um símbolo, formando o que deve ser chamado de LOGOMARCA. Não entendo esse resistência e preconceito com essa palavra, já que sua adoção e padronização de uso colabora imensamente com a atividade, com termos específicos para cada situação. Padronizando-se, teríamos os dois termos, LOGOMARCA e LOGOTIPO, cada um representando coisas diferentes, ou seja específicos, como devem ser. Hoje está amplamente difundido o termo LOGOMARCA. Mas isso não signififica que a palavra LOGOTIPO não "perdeu" para a palavra LOGOMARCA, de forma nenhuma. Da mesma forma que LOGOMARCA não está correto para definir uma marca que só possui letras na sua composição, a palavra LOGOTIPO não é a correta para definir uma marca que possui um símbolo na sua composição. Concluindo, já é hora da arrogância terminar. Na língua, conceitos e costume brasileiros, é louvável a "invenção" da palavra logomarca. Assim como a diferenciação entre LOGOMARCA e LOGOTIPO. Isso só colabora com a comunicação entre os usuários do design. Lamento muito a postura da professora Ana Luíza Escorel, que influenciou tantas pessoas de maneira errada, e foi utilizado por designer inflexíveis como ela para justificar sua posição irracional e preconceituosa.
  • O mais interessante é saber que o site sobre design, em termos mais abrangentes, não respeita a um dos ramos, o design gráfico. O termo “logomarca” é errôneo e vou explicar por quê. “Logotipo” é quando a marca tem apenas a tipografia. “Marca” é usada para SÍMBOLO e/ou LOGOTIPO. A Apple, por exemplo, não possui um LOGOTIPO, mas possui UM SÍMBOLO, é uma MARCA. A Unilever possui SÍMBOLO E LOGOTIPO, também é uma marca. A Dior possui apenas o LOGOTIPO, é uma marca. Trata-se de RESPEITAR a um dos objetos do design gráfico, o léxico, que abrange às nomenclaturas adotadas pela atividade. Meu nome é Handersson, mas eu não gostaria que me chamassem de André, muito menos menos a minha mãe, visto que foi ela quem escolheu meu nome. Entenderam mais ou menos minha indignação?!
  • Cefaleia é o termo médico para dor de cabeça. Se alguém chega e fala para um médico que está com dor de cabeça, ele entende. A maneira que ele responde diferenciará a forma que o paciente vai ter dele. Se ele responder "Ah, o senhor quis dizer Cefaleia. Então..., vamos analisar o que fez isso acontecer..." a idéia do paciente vai ser uma, mas se ele responder "Então vamos descobrir o que causou essa dor de cabeça" a idéia será outra. Para nós, a escolha de como tratar o cliente é igual. A comunicação é mais importante.
  • Obrigado mesmo! Assim como o Henrique, eu também ficava confuso com estas discussões e confesso que discriminava as pessoas que usam o termo de forma diferente. Foi um tapa na cara que serviu pra cair na real.
  • Fantástico! Confesso que também já fui vitma da cegueira do preconceito (mesmo já tendo lido o BAGNO) e criticava algumas pessoas com fundamentos vazios e pobres em argumentos! Muito obrigado por essa visão diferenciada, fundamentada e esclarecedora! [ Foi um tapa na cara que serviu pra cair na real. ] ²
  • Sem dúvida, um ótimo texto sobre o assunto que ficou sendo tão discutido com visões extremistas do que é "certo". Acho interessante lembrar que a nossa profissão é uma das mais abertas a filosofar e entender diferentes conceitos, ver e rever vários pontos de vista e conseguir tirar visões "certas", "erradas", "poéticas" de tudo, sem descriminar os profissionais e seus ideais, então vamos parar com o blá blá blá e fazer DESIGN! :D
  • Confesso que nem sabia que existia tal preconceito... Dei sorte por não ter sofrido ou conhecido alguém preconceituoso. Ótimo texto! É bom ficar relembrando as pessoas de pesquisarem e formarem suas próprias opiniões, e estas sendo criadas de forma séria e livre de preconceitos porque é assim que adicionamos coisas ao país e à nossa profissão e colocamos em prática o tão falado "faça a sua parte".
  • Oi Ricardo, acho que a coisa pode ser mais simples. O termo existe e é propagado a torto e a direito e nada se pode fazer em relação a isso. O maior problema quanto ao uso do termo LOGOMARCA está na imprecisão que o termo carrega. E essa imprecisão denota insegurança. O problema é só esse. Ponto. É um termo genérico, que denota falta de conhecimento mais profundo no tema. É um recurso criativo para, na falta de um termo mais preciso afim de descrever as diversas formas de representação gráfica, acredita-se que ao usar LOGOMARCA fica-se na sensação confortável de não estar completamente errado. E o mesmo recurso-fuga de quem se refere a todo e qualquer nordestino como "paraiba" ou "baiano", a todo e qualquer oriental como "japa" ou a até mesmo acha que áfrica e europa são países por não saber ou não se preocupar com as pequenas-grandes diferenças que carregam.
  • Gostei muito do texto! Não sou designer, mas tenho lido muitas pessoas no Twitter criticando o uso da palavra LOGOMARCA... Acho que todos deveriam ler seu texto e refletir antes de sair criticando os outros. E isso vale para tantas coisas, não apenas para o uso dessa palavra. Vale para preconceito em relação a atitudes também, por exemplo. Uma bela lição... :-)
  • Nao entendo essa mania de procurar colocar o mundo em caixinhas, dizendo que isso começa aqui, aquilo termina ali, numa visão preto no branco, 8 ou 80. Essa precisão sobre as palavras não existe pois como disse David Berlo, no livro Processo da Comunicação, o significado não reside nas palavras, ele está NAS PESSOAS. Isso explica o caráter polissêmico das palavras e mostra que mesmo dicionários não tem poder total de definição. Como disse Bagno, a lingua eh um rio fluido e a gramatica é uma poça de água parada.
    • Concordo em questão de que o significado está nas pessoas. Mas assim como peças de um computador precisam ser padronizadas para que você possa atualizar, modificar e haver uma comunicação eficiente entre elas, os termos também precisam ser padronizados. Só através de padronização de termos que concluem bem o significado das coisas é que é possível manter uma comunicação coerente com mais pessoas e pessoas mais variadas. Assim como Armando falou mais acima. Por ser um termo genérico e não apropriado, causa a conclusão de que aquele profissional não tem o conhecimento básico nem para se comunicar. Não é só sensação, é conclusão. Você, sabendo o que é forceps, confiaria num médico que chamaria a ferramenta de tesoura para abertura?
  • Parabens, realmente esse assunto logomarca, logotipo foi muito abordado esses dias, por conta do Rio 2016. Percebi muitos dizendo logomarca e outros tantos dizendo logotipo e a pressão escrita formada em cima daqueles que utilizaram logomarca foi enorme. Mais uma vez parabéns pelo post.
  • Ricardo, ótimo seu texto! Acredito que seja imprescindível que os designer se questionem incansavelmente a tudo e qualquer tipo de posicionamento que queiram assumir antes de tornarem suas ideias efetivas, sejam elas verbais ou conceituais. Obrigado, agregou demais! Abs
  • pois é eu admito que tbm mantenho certo tipo de preconceito linguistico, é um assunto delicado, gostei muito de ler este texto, me esclareceu mtas coisas! Apesar de ainda achar o termo "Assinatura Visual" o mais correto para designar o símbolo ou lettering de uma empresa, eu compreendo marca como um todo, e não como um sinal gráfico!
  • A definição correta de temros nada tem a ver com descriminação ou preconceito e sim com a comunicação correta para se referrir a determinadas técnicas ou artefatos. Posso citar, o seu exemplo de tipologia e tipografia. Tipologia é um estudo biológico. Errar a terminologia básica, nesse caso, pode criar atritos sérios na comunicação. Cada coisa precisa ter um termo correto, palavras coerentes, que se baseiem em origens etmológicas para poder funcionar corretamente na comunicação. Concordo com neologias que possuam origens lógicas, que façam sentido, e até gosto de algumas, apensar da própria palavra design originar-se de um termo inglês referente a projeto. O que quero dizer é que o conhecimento básico dos termos corretos e sua padronização garantem uma boa comunicação entre os profissionais da área e possibilita uma forma simples de escrever, teses, estudos e livros a respeito da área. Um exemplo simples e claro, é que em muitas partes do país chamam apontador de lapiseira, lapiseira de grafite e, em outros, hidrocor de canetinha. Quando eu cheguei em Recife e fui comprar uma lapiseira, passei um tempo explicando o que eu queria. Quando cheguei em São Paulo e fui pedir hidrocor, eles também não sabiam o que era. Logo, não é uma questão de preconceito e sim de comunicação.
  • Um verdadeiro advogado, parabéns, achei perfeito o artigo. No meu caso, acho mais simples deixar o cliente decidir, se ele quer uma logomarca, um logotipo, uma marca, uma logo ou um logo, nome de fachada... As vezes estimulo o cliente a soltar o palavra, assim que percebo "o que ele quer", transformo em minha verdade. Simplificando as coisas, nesse caso sigo a velha máxima de que o cliente tem sempre razão. O cliente que decide o que vai comprar, se logo, logomarca... Quando ouvir alguém questionar sobre o uso correto da palavra citarei esse artigo. Parabéns também pela fundamentação do texto.
  • Também fazia parte do time que discriminava o termo logomarca, e creio que era por pura insegurança. Depois de ler e reler vários textos a favor e contra a palavra, além de trocar idéias com pessoas que estudam línguas, pude constatar que o uso de logomarca é perfeitamente aceitável. Talvez não seja aceito entre os designers por se tratar de uma picuinha com o pessoal de publicidade ou até mesmo por uma questão de auto-afirmação ao quererem usar um termo exclusivo. Inclusive, alterei um parágrafo inteiro no meu TCC sobre o uso do termo. A explicação sobre ser um termo redundante realmente é um pouco falha, principalmente quando, sem mais nem menos, o texto em questão traduz "marka" pra "signum" de maneira tendenciosa pra atentar afimar uma redundância que não existe. Enfim, não passa de um preconceito linguístico, de fato. O texto é ótimo e esclarecedor, principalmente por usar e citar fontes confiáveis. Favoritei.
  • Parabéns pelo artigo! Confesso que não sabia deste preconceito com relação ao termo logomarca. Eu uso todas as denominações possíveis, dependendo do meu humor ... logotipo, logomarca, logo .. rs. Há muito preconceito no meio do design, não só com as palavras, mas com tudo o que é diferente do que cada um acredita. Quantas vezes não se ouve ou lê por aí: "se você não usa regra tal você não é designer" ou "se você usa regra tal você também não é designer". Pense no próprio termo muito usado "micreiro" para definir o profissional (quer dizer, nem é considerado um profissional) que acredita-se ser inferior de conhecimentos, experiências ... de não saber o que está fazendo. O que mais encontra-se no twitter é designer expondo e falando mal de trabalhos que não o agradam. Perde-se muito tempo e energia em criticar o trabalho alheio, há pouco respeito. Cada um possui uma história diferente, oportunidades diferentes, gosto diferente ... gostando-se ou não do trabalho alheio, deve-se respeitar. Há espaço para todos!
  • Acho que algo parecido com isso acontece também nas universidades de algum lugares, onde as pessoas aprendem em Português palavras para site (sítio), link (linque), e muitas outras. Onde todos os outros acostumados com o vocabulário para esses inglês, criam de certa forma um preconceito para isso. Na minha opnião, acho que nem todos os termos deveriam ser traduzidos pra português. Porque cria mais subdivisões ou confundem as pessoas ao invés de ajuda-las. Enfim, eu particularmente sei o que é logomarca e não fico tão puto, quando alguem fala. Tanto faz. Ah e parabens pelo artigo, está ótimo.
    • O mundo não gira em torno do seu umbiguinho, minha cara. Se este artigo GERA preconceito, o que dizer da "sua" lista de discussão onde o preconceito contra quem adotou o termo logomarca é escancarado ao extremo? Chega ao ponto de você colocar comentários agressivos em todos os rodapés ("LOGOMARCA É TODO LOGOTIPO FEITO POR QUEM NÃO É DESIGNER") e agora vem aqui dizer que o artigo do Ricardo "só serve pra criar mais preconceito"? Quer que valha apenas a sua versão das coisas?
  • adorei seu artigo, Ricardo. Ainda mais porque avança para a discussão sobre discriminação – e haja professores de design tentando, sem fundamento plausível, justificar as metades das palavras. Adoto logomarca. Penso na raiz de “logos”, que vem com Heráclito traduzida como razão. Nada mais convincente, portanto, que dizer logomarca = a razão da delimitação do conceito. Parabéns, Dorinha Aguiar Designer e escritora
  • SEN-SA-CIO-NAL A língua é viva, basta visitar o Museu da língua Portuguesa para ver que esse texto tem sim muito fundamento. Quem viu a exposição MENAS (www.menas.com.br) entende perfeitamente o que o Ricardo quis dizer. Não são simplesmente nós designers que definimos os termos, e sim os falantes da língua leigos ou especialistas. Eu vejo que essa argumentação é necessária, essa questão fútil de prefixos e sufixos não leva a lugar algum. Já usamos muitos termos em inglês no Brasil (a própria palavra design), então para que questionar o português? Não sou a favor nem contra "logomarca" sou a favor da comunicação "se você entendeu a mensagem, basta". Não estamos aqui para defender termos mais nobres ou não.
  • Concordo com o texto... vou até rever esse preconceito por esse caminho. Mas, quando se diz que "logomarca não existe," é só uma tentativa (bem ou mau humorada conforme o momento) de separar as coisas. Pode ser disciminação, no sentido pejorativo, se for para separar pessoas, no caso, "quem sabe," de "quem não sabe." Porém, se for para discriminar o que é culto do que é popular, já tem alguma utilidade, mesmo que não para todos. Mais útil ainda é quando se tenta criar uma terminologia padrão para um campo de trabalho, primando talvez em demasia por uma pureza que não existe mais. Como disse Armando, já que todo mundo usa, mesmo que errado, agora já foi-se. Mas método é preferível à metodologia pela simplicidade e tipologia não tem a ver com tipografia, tem? ;~]
  • O artigo é muito bom, mas percebo um certo paralelo paradoxal (uia). São discussões relevantes e todas cheias de carga emocional do estado do design, já que tem-se falado em aquela logomarca é chata, aquela marca tem vivacidade... a coisa toda é muito etérea, passível de discussão mas com valores semânticos muitas vezes idênticos. Hoje o poder de decisão do que é ou o que não é está nos olhos de quem vê, enquanto não houver uma unidade absoluta.
  • Ricardo, Claro que a palavra "logomarca" existe já que está presente nos meios de comunicação e no dia-dia das pessoas. Concordo que as explicações de Escorel e Alves Jr. não sejam totalmente satisfatórias, já que isola o "mundo" dos designers do "mundo" de todos. Porém, acho que concordamos que toda profissão e/ou disciplina tem o seu vocabulário específico para que os pares ou colegas se entendam. É neste momento que, no meu entender, não há muito espaço para o uso de expressões fora deste vocabulário específico. Todo designer deveria sim saber qual é a diferença entre Logo, Logotipo e Marca, ainda mais na era do Branding... Se um padeiro ou um advogado soltar um "logomarca", não tem problema nenhum, mas se for um designer, para mim, significa que faltou conhecimento sobre o vocabulário específico de sua própria profissão. Isso pode ser determinante ou não. Também acho que há displicência dos meios de comunicação (alguns jornalistas) ao não procurar pesquisar sobre o assunto. Um jornalista jamais escreveria num artigo policial "homicídio qualificadoculposo" já que não sabe a diferença entre os dois. Normalmente eles pesquisam e é exatamente isso que deveriam fazer em relação a qualquer outro assunto. Por último o termo "Logo mark" em inglês não é usado em quase nenhuma (nunca vi) publicação sobre design e/ou assuntos similares. O que não impede de ser usado por quem quiser. Assim o erro em uma língua não justifica o mesmo erro em outra língua. Aliás, penso que a tradução mais correta de "marca" para o inglês seria "brand" e não "mark". De qualquer forma, concordo que há um preconceito exacerbado sobre este assunto, mas se os designers não protegerem o vocabulário específico da profissão, seja da forma correta ou não, quem é que vai proteger?
  • Eu não costumo brigar com ninguém por causa disso e deixo os clientes dizerem o que quiserem. Mas sempre que converso com colegas que falam "logomarca"(e podem acreditar, muitas outras variações estranhas surgem por aí) eu os questiono: Por que não dizer apenas "marca"? Não é muito mais simples e fácil?