Quantas alternativas exibir para um projeto?

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Esses dias eu li na rede social DesignBr sobre quantos layouts exibir pra um projeto (cadastro necessário). Achei o tema interessante, principalmente porque após algumas leituras, passei a levar isso mais em consideração e mudei minhas políticas. Respondi ao tópico, mas a resposta foi tão grande que resolvi transformar em uma postagem no meu blog e agora posto aqui.

Na minha opinião, a quantidade de layouts/alternativas a se mostrar para aprovação depende de algumas circunstâncias, como a qualidade ou abertura do briefing e a possibilidade de diferentes soluções para o mesmo problema.

Muitas vezes ocorre de ser possível passar uma mesma imagem ou uma variação sutil da mesma imagem (mas com diferenças semânticas perceptíveis) se utilizando de mais de uma proposta. Acontece de, durante o próprio processo criativo, o designer perceber que se pode cumprir os requisitos do briefing ao mesmo tempo em que se inclui algum novo aspecto.

Também não se pode esquecer de que muitas vezes nem o cliente é capaz de dar um direcionamento para seu pedido. Ele tanto pode não estar querendo dar atenção, como pode estar realmente indeciso, e cabe a nós ajudá-lo nessa decisão.

Alguns clientes também são incapazes de visualizar as diferenças semânticas entre diferentes marcas, mas poderão aprender a identificá-las quando virem o nome de sua empresa escrito de formas totalmente distintas.

Dessa forma, eu me valho de uma dica dada por Maria Luísa Peón em seu livro Sistemas de Identidade Visual, da 2AB. Nele, autora sugere que, durante o processo criativo, o designer se pega criando várias propostas que podem ser organizadas em “partidos”. Esses partidos seriam grupos de abordagem ao problema, variações sobre uma mesma forma de resolvê-lo. Dessa forma, o designer poderia apresentar um representante de cada partido, ressaltando suas vantagens e desvantagens, até mesmo fazendo uso de matrizes de avaliação, escalas de diferencial semântico etc (o que é uma boa oportunidade para demonstrar domínio do tema).

Recentemente desenvolvi identidade visual para uma nova empresa para a qual também desenvolverei o website (não posso mostrar ainda). A partir das definições do website, que é o próprio serviço prestado pela empresa, e de uma breve discussão a respeito da concepção da marca, o cliente requisitou uma marca que expressasse “simplicidade”, “facilidade de uso”.

Após estudo, percebi que poderia haver relação semântica com jornais e anúncios, de modo que a simplicidade e facilidade de uso, em vez de explícitas, fossem expressadas por indicativos visuais sutis.

Ainda assim, havia uma indefinição do cliente quanto às características do público-alvo. Aí surge a possibilidade de se criar um logotipo “simples”, “fácil” e relacionado a jornais e anúncios para um público sofisticado, mas também se poderia focalizar o povão.

Sendo assim, desenvolvi ambos os partidos, selecionei um representante de cada, apresentei as relações semânticas de cada um, expliquei as decisões quanto a cor, forma, tipografia e tracei um paralelo apresentando vantagens e desvantagens de cada representante, tanto as de ordem técnica (como as aplicações) quanto de ordem conceitual. Ao final, disse que confiava em ambas as alternativas, mas que, segundo uma breve análise do possível público, recomendaria a marca “povão”. O cliente escolheu, sem hesitação, a outra alternativa, sem abrir muito espaço para discussão, e eu fiquei feliz mesmo que não tenha sido a que recomendei com mais ênfase.

Concluindo, recomendo a utilização da metodologia dos “partidos” em muitos casos, mas claro, não se deve exagerar: o cliente não tem a obrigação e nem muitas vezes o preparo para filtrar sua escolha dentre 30 alternativas totalmente distintas.

Vendo agora alguns outros comentários que falam sobre a participação do cliente no projeto, sei que há às vezes clientes que querem se omitir, que não são comunicativos e às vezes são até intimidantes. Esses são realmente difíceis de incluir no projeto, e o designer, ao submeter suas alternativas para apreciação, deve se preparar para ouvir críticas e idéias que o cliente muitas vezes poderia ter dado antes de iniciados os trabalhos. Porém, não é por causa desses clientes que vamos tratar mal nossos clientes prestativos, não é? Inclua-os nos projetos, pois design não é matemática e o cliente às vezes tem a resposta.

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