Ser Designer

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Como já diz Mestre Urian, não existe meio designer. E não existe mesmo, Joãozinho. Ou você assume a profissão como um todo ou nem começa a brincar. Porque existe uma visão muito torta do que é ser um designer em nosso país, que acaba levando à existência dessa criatura bizarra saída de uma dimensão alternativa, o meio?designer, primo do meio?programador e do meio?jornalista. Curiosamente, ninguém encontra por aí um meio?médico ou um meio?engenheiro. Ou melhor, até acha mas logo eles vão parar na cadeia por exercício ilegal de profissão. Mas calma, Zezinho, não vamos falar hoje de regulamentação ou outro assunto chato desses. Vamos falar sobre o que é ser um designer, independente da origem ou situação civil.

Bem, na verdade, dizer o que é um designer é fácil. Prontos? Lá vai: designer é quem faz design.

Ok. Podem parar de me olhar com essa cara de ?ah, é, é?? pois é simples assim. Agora, o problema é definirmos o que é design.

Segundo o Dicionário Michaelis de Língua Portuguesa: ?s.m. (ingl) 1. Concepção de um projeto ou modelo; planejamento. 2. O produto deste planejamento.? E isso é muito interessante! Pois aqui tiramos de campo um monte de coisa, apesar dessa definição ser tão simples, pois nos diz que o designer é alguém que concebe um projeto ou um modelo e concebe o produto decorrente desse planejamento. Ou seja, ser um designer é ser, antes de mais nada, um projetista. Você, designer, não é um artista plástico, não é um desenhista ou coisa parecida. É alguém que foca sua criatividade em um planejamento, designação e intenção voltados à realização de algo. E lida com as ferramentas necessárias à realização desse planejamento.

Ou seja, ser um designer é, antes de mais nada, saber planejar um produto, seja este produto uma peça gráfica ou um objeto industrial (uma cadeira, um aparelho de CD, etc). E se você não planeja, você não é um designer. É um chutador, que fica tentando fazer as coisas meio que de orelhada até que saia algo que preste. O designer, pelo contrário, antes de colocar suas mãos em qualquer massa que seja, irá colher todos os dados necessários, analizá?los, compará?los, entre si e com outras fontes, planificá?los e construir as etapas necessárias, a partir desses dados e das informações deles resultantes, para que se chegue ao fim desejado. Para tanto, é necessário o conhecimento de como fazer isso. Esse conhecimento é obtido a partir das teorias estudadas ? teorias da comunicação, da psicologia, da filosofia, além das específicas da área como a tipografia e a criação da forma ?, da educação do olho e do cérebro, do angariar de referências, do estudo e do aperfeiçoamento constantes. Quando falhamos em obter esse conhecimento, voltamos ao chutador, disparando idéias sem fundamentação, acertando a partir da pura sorte.

Mas o designer não é alguém que só faz o planejamento. Ele também o executa. Ou seja, tem o domínio das ferramentas necessárias para tanto. Quais são essas ferramentas? A arte é uma delas, pois educa nosso pensamento e nossa biblioteca de referências. E quando não apenas apreciamos a arte como também a criamos, além de manter nossa capacidade gráfica em dia, também estamos exercitando nossa mão para o processo de criação, além de mantermos em dia uma de nossas mais poderosas ferramentas: a criatividade. E também temos as ferramentas mais ?fisicas?, como os programas gráficos, os lápis e pincéis, o papel, a cola, a fotografia e todos os meios que podemos usar para colocar em prática o projeto já devidamente planejado. É claro que com a vasta oferta que se tem hoje em dia de meios e ferramentas, ter domínio de todas elas é impossível (e nem se espera tanto). Porém é obrigação do designer ter pelo menos uma idéia do funcionamento de todas elas, da aquarela ao Photoshop, da xilogravura ao Corel Draw, do 3D Studio ao estêncil. Ao menos as possibilidades de cada ferramenta devem ser conhecidas e compreendidas para que ao se planejar o produto saiba?se a melhor, mais rápida e mais econômica forma de se realizar o necessário para aquela elaboração. Ou, pelo menos, para se conversar com o especialista técnico, que muitas vezes vai dominar a ferramenta melhor do que nós, sobre o que deve ser feito.

?Xi?, diz a Mariazinha, ?precisa de tudo isso para ser designer? Eu achei que era só saber usar o Photoshop legal e ler umas revistas bacanas.?

Pois é? Ser designer exige capacidade de organização, conhecimento de metolodogias, estudo e criatividade. Mas, acima de tudo, existe disciplina e dedicação. Como, aliás, se exige de qualquer profissional sério. Claro que você pode só ir lendo as revistas especializadas e mexendo no seu programa gráfico favorito até ficar muito fera, colocar uma roupinha ?istáile? e dizer que é designer. Mas, sinto muito: você não vai ser um designer com isso. Porque não irá realizar os projetos adequadamente, não terá o conhecimento do ferramental, irá sempre faltar alguma coisa para ter o fluxo de trabalho que um verdadeiro designer tem. E, claro, não irá alcançar os resultados que ele alcançara.

Se você não percebe que é um projetista e realiza projetos, se você não percebe que precisa de uma base de conhecimentos e corre atrás deles, se você não se envolve com as ferramentas da profissão como um tods, se você não faz uma única coisa dessas você é somente um meio designer.

E, como diz o Mestre Urian, não existe meio designer.

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10 comentários

  • Esta semana definitivamente é a semana dos assuntos polêmicos. Parabêns por levantar esta bola. Ontem mesmo discutia a relação de Arte X Design. Aqui a discussão é mais abrangente. Eu sou avesso a essa idéia que so é designer quem é apenas designer. Desde mestres com DaVinci está provado que a multidisciplinaridade só tem a agregar no projeto. Seja um ProgramadorDesigner, JornalistaDesigner, MarketeiroDesigner, ArtistaDesigner, MusicoDesigner, e por ai vai... Afinal, design é uma disciplina com interseção em várias outras. Abraços, Carlos
  • Sarah, se a pessoa em questão possui os conhecimentos que eu citei no texto, se ela os aplica na criação de projetos e os leva à uma conclusão, então pode ser que ela seja considerada uma designer. Não vou entrar aqui na questão do registro profissional pois não é a idéia do texto. Mas, se ela não constrói projetos segundo as metodologias próprias do design, se não tem os conhecimentos teóricos pertinentes à área e não tem conhecimento das ferramentas que essa área utiliza, então ela é realmente só alguém que mexe no Photoshop e lê revistas descoladas.
  • Muito bom o texto, a definição, pois leva à reflexão. E fez um bem ler isso. Acredito realmente que uma pessoa possa ser auto-didata, sem contar que a vida e o tempo ensina muito os processos, mas igualar os profissionais sem essa noção da necessidade da completude é coisa típica de quem não entende nada. Gostei do que li.
  • Bacana. Só acho insuficiente definir designer como projetista e o executor. Há outros elementos necessários pra se definir o escopo do design, isso pra que outras atividades não se misturem com design, o que convenhamos, está cada vez mais frequente. Aparentemente uma brincadeira, mas a afirmação "designer é quem faz design" pode ser esclarecedora. Ué: vídeo é vídeo, não é design; ilustração é ilustração, não é design; criação/inovação não é design, estética não é design, projeto não é design. Na verdade, essa grande soma de conhecimentos define a atividade. Quais? Paulo: outro artigo. Outra questão a se colocar é que, na verdade, o designer *não* é completamente um executor de seus projetos, haja visto aí a parceria sempre necessária entre designers e fotógrafos, ilustradores, programadores, produtores, redatores etc. Ah, que horrível essa caixa minúscula pra escrever comentário, hein! Aqui não é Twitter! Abraço