Sobre a evolução das coisas úteis

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Livrarias de aeroporto são pródigas em best-sellers de negócios e auto-ajuda, mas, garimpando bem, é possível encontrar verdadeiras jóias. Foi em Brasília que descobri “A evolução das coisas úteis: clipes, garfos, latas, zíperes e outros objetos de nosso cotidiano”, de Henry Petroski. Ele conta a história do design partindo de objetos do dia-a-dia que um jeito muito original e bem fundamentado.

Petroski pauta a história da evolução dos objetos a partir de algumas premissas muito interessantes que valem a pena conhecer. Vamos lá:

1. O luxo é a mãe da evolução. É o desejo, e não a necessidade, que impulsiona o desenvolvimento tecnológico. Segundo ele (e não dá para contestar), a gente precisa de água, mas daria para sobreviver numa boa sem gelo ou ar-condicionado. Ninguém morre se não tiver um iPod para chamar de seu e todas as gerações, exceto a última, conseguiram namorar tranqüilamente sem telefone celular e internet. São justamente aqueles pequenos luxos e comodidades os motores da inovação e da evolução das coisas. Maslow já tinha apontado esse caminho na sua famosa pirâmide, lembram?

2. A forma não segue a função; segue as falhas. Aqui aparece uma citação debochada e muito boa de um estudioso do design, David Pye, que declara, com todas as letras, que “a função é uma fantasia”. Ele ridiculariza a idéia de que uma coisa tem determinada aparência “porque precisa ser assim”: “O conceito de função em design (…) poderia merecer alguma atenção se as coisas invariavelmente funcionassem. Na verdade (…) nosso motivo inconsciente de fazer tanto trabalho inútil seria mostrar que, se não somos capazes de fazer as coisas funcionarem direito, pelo menos podemos fazer com que tenham boa aparência”. Exageros à parte, no fim é isso mesmo: não há objeto conhecido que funcione com perfeição, por isso é que tudo está sempre mudando e evoluindo. Sobre a teoria funcionalista, o autor apresenta ainda uma pérola de Adrian Forty: “Poderíamos dizer que os 131 diferentes designs criados por Montgomery Ward para os canivetes sejam resultado da descoberta de novos modos de cortar?”. Se a forma realmente seguisse a função, todos os objetos com a mesma função convergiriam para a mesma forma. Senão, como explicar a coexistência de talheres como garfo e faca e os hashis, aqueles palitinhos japoneses? A função (ajudar a comer) não é a mesma? Petroski mostra que a forma vai evoluindo à medida que as falhas vão sendo solucionadas em cada contexto.

3. O designer precisa escolher as falhas que irá manter no projeto. Pois é, partindo-se do princípio que não há objetos perfeitos e que alguns requisitos são sempre contraditórios, o designer precisa optar entre as falhas que irá manter e aquelas que irá corrigir ou eliminar. É nessa capacidade de decidir o grau e o lugar onde recairá a imperfeição que mora o talento de um bom profissional. As concessões variam: custo, peso, estética, segurança, conforto, mensagem; equilibrar tudo isso em um objeto só é tarefa para poucos.

4. O designer é um observador pró-ativo. Está no livro: designers são pessoas que não apenas xingam, mas logo se põem a pensar o que pode ser feito para eliminar o aborrecimento. Lawrence Kamm, outro estudioso citado, aconselha quem se dedica ao design a observar todos os objetos ao seu redor e se perguntar continuamente: “por que foram feitos assim?”; “como poderiam ser aperfeiçoados?”. Raymond Loewy, um dos primeiros designers da história dos Estados Unidos, afirmava que “grande parte dos mais ilustres engenheiros, gênios executivos e gigantes financeiros parecem viver num vácuo estético”. Sei não, mas não me canso de me surpreender com a total incapacidade de alguns estudantes de design (e até profissionais) de se incomodar com a desarmonia e o mau design. Se eles sequer notam o mundo à sua volta, como podem contribuir para melhorá-lo?

5. O registro de patentes pode atrapalhar o desenvolvimento de novos produtos. Essa é a tese mais polêmica. Petroski defende que, se os designers (ou inventores, como ele volta e meia os chama) não estivessem tão preocupados com seus direitos autorais, poderiam trabalhar mais em equipe e aproveitar pontos de vista alheios para a evolução de seus produtos. Cita vários exemplos de projetos que foram concebidos isoladamente e em segredo, mas que poderiam ter se beneficiado mutuamente com o compartilhamento das experiências.

6. As pessoas não gostam de inovações radicais. Bem, essa não é realmente nova. O ser humano detesta mudanças e resiste bravamente a quaisquer soluções muito diferentes daquelas que ele já conhece, é fato. Loewy criou até uma sigla para descrever o fenômeno: MAYA (Most Advanced Yet Acceptable). Assim, é preciso mudar aos poucos e de maneira a conservar algumas formas conhecidas, sob pena das pessoas rejeitarem a novidade. John Heskett, outra referência de respeito, diz que os designers devem “buscar um equilíbrio delicado entre a inovação, para criar interesse, e elementos que possam ser identificáveis para transmitir confiança”. É isso: inovação ma non troppo!

Tem muita coisa mais, como a história completa da 3M (eu só conhecia a parte do Post-It), estudos aprofundados sobre os objetos do título e a descrição de perfis inovadores e empreendedores.

Eu não sei quanto a você, mas eu vou colocar esse livro no topo da lista dos meus objetos úteis.

Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br

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29 comentários

  • Puxa, Lígia... Eu vou ter que descordar de boa parte desses pontos... Vou tentar colocar um por um porque discordo: 1. O luxo é a mãe da evolução >> não posso falar que é o simples desejo, ou luxo que façam a evolução tecnológica, mas principalmente a facilidade e melhoria. Já que o designer tem que projetar em cima das falhas, o cientista tem que pesquisar para que se melhorem os dispositivos. A pesquisa ergonômica não é pra luxo, mas para conforto. E é a pesquisa ergonômica que melhorou muita coisa, e ergonomia não é luxo, mas necessidade. A invenção do bluetooth pode revolucionar o seguimento hospitalar, bem como a roda não foi criada por luxo, mas necessidade de melhoria (eu acho!... não estava lá pra ver! rs) 2. A forma não segue a função; segue as falhas. >> o garfo e os palitinhos é um bom exemplo, mas não tanto. Embora ambos seja para comer, um é para pegar e agarrar, outro para furar e fincar. A função não é a mesma, é? Quando penso nessa frase de "forma segue função", não a vejo limitante para o desenvolvimento de diversos produtos, mas apenas como diretriz a se tomar. Se cadeira é pra sentar, que seja sentável. Tem que seguir essa função! E quanto mais "sentável" for (mais confortável, universal, regulável...), mais seguiu a função dela. 3. O designer precisa escolher as falhas que irá manter no projeto. >> concordo 4. O designer é um observador pró-ativo. >> concordo, e principalmente com a frase do final o 5 e 6 também num tenho grandes problemas com eles. Enfim.
  • Bom... pode ser lígia... pode ser... Vou pensar em alguma coisa que eu paguei caro... (acho que meu Argan (A arte moderna) é o que eu paguei mais caro... 160,00... que podia ser mais barato, podia... até pq tem gente ganhando em cima do defunto! Ah! E meu notebook! mas ainda bem que eu o comprei, porque trabalhando 9h por dia e facul de noite, nãoestou em casa para fazer trabalhos e trabalhos... Esse não é desnecessário! ou será que estou calando a consciencia?) Simbolismo, ok. Mas subir tanto o preço? E jóias são simbólicas, mas deixam as pessoas mais bonitas. Também depende do quanto se gasta nela... Ah! Enfim! Já to sendo chato! hahaha... Abs
  • Oi, Eduardo! Nossa, essa discussão sobre a definição de design vai ficar para outro post, é muita coisa. Há algum tempo publiquei uma coluna falando sobre isso, mas resolvi esperar um pouco para postar aqui porque sabia que ia gerar polêmica (acho ótimo, mas os leitores devem se cansar um pouco e achar que eu posto só para gerar discussões - não é nada disso). Assim, se você não se importar, vou publicar o tal artigo para a gente discutir isso lá, pode ser? Prometo que não passa de amanhã. Abraços!
  • Valeu pelos comentários, Lígia e Ricardo. Dando uma passada no outro site que vc é colunista (acontecendo aqui), Lígia, li o artigo sobre toy art e tem uma passagem nele que me serviu um pouco para sacar qual é a do piercing. Mas algo que seria bem pertinente à discução desse post aqui em especial acho que é a sua definição de design, a tríade projeto-conceito-estética. Acho que de qualquer maneira, deveria entrar função aí, não? Pois, sendo um conceito algo que define plenamente (ou o mais perto disso, já que conhecer algo completamentte é impossível), a função me parece importantíssima nessa tríade (digo função quando penso num uso cotidiano pragmático). É que nessa tríade projeto-conceito-estética, penso que entra também o objeto puramente artístico (ainda mais depois dos minimalistas, onde o projeto se torna impreterível para uma obra. Imagine construir uma instalação do brasileiro Cildo Meireles sem um projeto? É até interessante isso, pois do modo que estamos, a unicidade da obra de arte torna-se relativa: existindo o projeto, uma obra de arte pode ser exibida simultaneamente em diversos lugares, ainda mais em se tratando de um ready-made... Vou escrever algo sobre isso no meu blog da próxima vez...). E dentro dessa definição, arte e design acabariam necessariamente sendo a mesma coisa. Se a função entrasse (virando uma tétrade), a diferenciação estaria completa. E acho que é esse um dos pontos dos nossos posts de antes, não? Até sobre o que o ricardo disse, da inicial ligação e completa diferenciação entre ambas. Nesse seu outro texto, lígia,que vc colocou o link aqui em cima, é bem interessante esse negócio de pai e filho. Só acho que o design alcançou a maioridade, casou e foi morar sozinho... rs. Ambos são diferentes, mas próximos (mesmo porque o número de autores que escrevem sobre arte e resvalam em design e arquitetura é gigantesco. Só ver o Argan, ele já faz miséria nos três assuntos). Eu tenho uma definição para design que formulei ano passado (já que cada designer tem sua própria definição mesmo...), que é a seguinte: design é o meio pelo qual, através de produtos e peças industriais/seriadas, se facilita a interação do homem com o meio, do homem com a sociedade, e do homem consigo, e quanto mais eficiente for a peça de design, mais ele cumpre esses 3 pré-requisitos. Ainda friso que penso em design como um MEIO, não um FIM, e é justamente por isso que fico relutante em atribuir tanto valor comercial ao valor simbólico e sentimental de algo que é meramente coadjuvante em segundo ou terceiro plano na vida das pessoas. Se está em primeiro plano, algo está errado... Mesmo para designers. Abs
  • Fique tranquilo Eduardo! Se não fossem os jovens à discordar de tudo o tempo todo, provavelmente ainda estaríamos em alguma caverna lascando pedras. Imagine a bronca que o troglodita-filho levou do troglodita-pai quando apareceu, todo orgulhoso com uma pedra polida na mão..."Pare de perder tempo com essa bobagem e vem me ajudar com esse mamute, moleque!" Com relação a arte e design, o que eu quis dizer é que eles devem compartilhar princípios, não objetivos. Tanto um quanto outro, são reflexos de determinados contextos culturais, sociais, econômicos, e que se justificam naquele contexto, mas não mais no momento seguinte. Usando o exemplo que você mesmo citou, a escola de Ulm teve vida curtíssima (1958-1966, se não me engano), e foi enterrada pelo seu próprio excesso de rigor, e o que se chamou na época de "sindrome da caixa-preta" culminou com a dissolução da escola promovida pelos professores, diretores e alunos que não se entendiam mais. Como na arte acontece o mesmo, quando se esgotam todas as possibilidades de uma determinada linguagem de um determinado movimento. O que não quer dizer que não se tenha produzido coisas geniais naqueles momentos. Veja portanto, que poucas verdades são eternas e irrefutáveis como a lei da gravidade. Digo isso por que você me parece um pouco confuso e ansioso quando procura dissernir o certo do errado, como um vestibulando que quer colocar o "X" no lugar certo. Sei que isso não vai te tranquilizar nem um pouco, mas está todo mundo procurando colocar o "X" no lugar certo, o tempo todo. Mas a medida em que vamos amadurecendo e fortalecendo o nosso arsenal de conhecimento, vemos que a coisa não é tão feia assim, e acertar aquele alvo que não pára de se mover parece que vai ficando mais fácil. Nunca deixe de questionar, e muito menos de se informar. Grande abraço
  • Ah, desculpe, ricardo se me expressei algo. Quando escrevi que uma obra de arte é inútil, me refiro a um utilitarismo imediato. Mesmo se fosse se pensar em decoração. a obra de arte como decorativa perde seu sentido original, que seria pensar no mundo e nas relações existentes. Passa a ser apenas um objeto estético, e não "pensante". Uma pintura qualquer (para nos atermos na arte pictorica) tem muito mais a falar do que simplesmente combinar com o sofá. Já na dissociação de arte e design, assumo que exista certo grau de poesia em qualquer objeto que se crie, mesmo o mais funcionalista possível. Mas ainda acho que não pode ser tomado como sinônimo de obra de arte, embora esteja no limiar dessa. E embora no design possa existir esse coeficiente de crítica, de questionamento, etc., na arte eles são imprecindíveis. Qualquer obra prima possui significados além do puramente estético, já um bom design pode se ater apenas a dar boas soluções às necessidades do homem (como podemos ver em algumas peças de designers de Ulm. A beleza de seus trabalhos vêm exclusivamente de suas soluções funcionais, e acredito que não de questionamentos quaisquer...). E, lígia, desculpe a ignorância, mas eu ainda não sei usar em profundidade a semiótica (muitas vezes me perco nas milhares de palavras e classes para milhares de diferentes combinações de significado... ainda tenho que consultar livros para lembrar o que é um sinsigno, uma rema, legissígno, etc.), e não encontro significação em objetos tão limpos, além do simples adorno. O que mais há atrás deles? Olha, num quero parecer presunçoso por sempre discordar de algumas coisas, sou estudante, e isso que escrevo são conclusões que tiro do que leio... Se afirmo alguma coisa, até prefiro que seja rebatido para que eu possa ver os furos, mas ainda sim me sinto impulsionado tentar também rebater o que acho (dentro das minhas limitações) estranho ou errado...
  • Oi Lígia! Que legal estar neste "bate-bola" com você também! Eduardo, discordo quando você diz : "Como provocação, questionamento, etc., deixa de ser design e passa a ser algo como uma obra de arte, inútil… ". Acho que o design não pode nunca perder o contato com a arte, e como ela ser sempre questionadora e provocativa. Nem tampouco podemos ver obras de arte como coisas inúteis. Se não entendermos a estética como função, o que antes era DESIGN corre o risco de se tranformar em algo sem ALMA, frio e meramente utilitarista. As exceções à esta (que para mim é regra), deixemos para o nossos amigos (e também parceiros, conselheiros, irmãos/camaradas das horas incertas), Engenheiros, que tantas vezes nos ajudam a materializar nossas idéias.
  • Oi, Ricardo! Concordo 100% com você! Com relação às questões simbólicas, gostaria de ressaltar ao Eduardo que elas existem independente da forma que tenham. Não é porque o piercing é discreto que ele não é simbólico. O fato dele ser discreto diz tanto quanto se ele fosse gigantesco. São apenas modos diferentes de se manifestar, não existe neutralidade em se tratando de seres humanos. Até as não-escolhas significam... a semiótica tem muito a nos contar sobre essas coisas. **************** Tive que editar esse comentário porque o sistema está com um bug. Estou tentando fazer um comentário novo e ele simplesmente não publica - também não aparece na lista para moderação - simplesmente desaparece e não deixa eu comentar novamente, pois acusa duplicidadade. Coisa doida... **************** Oi, Eduardo! Arte e design não são a mesma coisa (pelo menos entendo que não foi isso que o Ricardo quis dizer), mas estão muito relacionadas (até já escrevi sobre isso aqui, dáuma olhada: http://design.com.br/blog/sobre-muros-arte-e-design/). Sobre os significados, o fato de você não conseguir interpretá-los, não siginifica que eles não existam. Além disso, as pessoas interagem com os objetos de maneiras muito diferentes de maneira que os significadostambém variam muito. Sobre o seu desconhecimento, não é só seu não, Eduardo! Eu também não sei muita coisa, por isso estou sempre estudando. As suas perguntas e opiniões são muito pertinentes. Continue participando, assim todo mundo aprende junto!
  • Opa, Ricardo! Me perguntei também sobre esse talher. Concordo que como novo talher, num tem muito a ver. Como provocação, questionamento, etc., deixa de ser design e passa a ser algo como uma obra de arte, inútil... Embora funcional (até certo ponto). É mais uma brincadeirinha, né? Um objeto meio híbrido, deslocado até mesmo do mercado, pois função de venda, num é a intenção dele. Que nem tem uma cadeira do designer Giorgio Giorgi, que chama Ca-ca-cadeira. Ela é uma cadeira gaga, tem 3 encostos e 6 pernas traseiras, um atrás do outro, portanto os de trás são inúteis, já que num é pra encostar, mas pra criar um jogo visual com o nome. É uma brincadeirinha, uma piada visual/verbal: a gagueira do objeto. Que nem a cadeira favela dos campana, mais uma brincadeira dessa vez com certa crítica social. A canetalher e a ca-ca-cadeira seriam sim itens a se comprar mais pelo valor simbólico que qualquer outra coisa. Gostei desse pensamento de que forma É função. Vou pensar um pouco a respeito, e depois post algo aqui... Quanto ao piercing, acho que nem sempre remetem a certa subcultura... por exemplo, aquele pequenininho que fica no nariz, que só aparece o pontinho brilhante, num representa cultura alguma, afinal, é sutil e nada subversivo, mais estético que ideológico, diferente de uma argola de touro bem no meio dos dois orifícios. Aí é outra coisa (além de bizarro). Mesmo jóias. Eu num sou um profissional da joalheiria, e nunca estudei a fundo o assunto. Estou sendo mesmo é palpiteiro, desculpem a superficialidade. Penso que existem por certo valores culturais por detrás da joalheria em geral. Pena de pássaro, conchas, ossinhos, pedras preciosas, etc., necessariamente remetem a diferentes universos. No entanto, há outros mais neutros, como a famosa argola. É só uma argola, pequena ou grande, que atual sobre o conjunto estético da pessoa. Não trás consigo significação alguma de cultura alternativa (indígena, praiana, esotérica, underground, etc.), senão a neutralidade do dia-a-dia. E certamente a beleza dela não é de modo algum relacionada a status. Simplesmente ao conjunto do rosto como todo da pessoa. Digo isso pois acredito que exista a função estética pela funçãoe stética, sem necesariamente ser sígno de algo, de cultura ou ideologia.
  • Oi pessoal, acho que estou chegando meio tarde para dar "pitaco", mas vamos lá mesmo assim... Achei muito interessante a discussão que rolou até aqui, e mais interessante ainda é constatar que, como na maioria das vezes, as pessoas discordam até quando concordam. Vejo que isso sempre acontece quando se discute forma VERSUS função. Mas acho que se entendermos que forma É função, as coisas ficam bem mais fáceis. Daí em diante, a disussão passa a ser sobre a relação hierárquica estabelecida de forma intencional pelo designer entre todas as funções (emocional, simbólica, funcional pp dito, e também estética), na concepção de um determinado produto e visando um determinado resultado final. E se este resultado final é bom ou mal design, vai depender não apenas das justificativas para a aplicação desta ou daquela ordem hierárquica, mas principalmente da intenção que está por trás dela. Na opinião de vocês, a caneta-talher que ilustra este post é bom ou mal design? Para mim, as duas coisas. Se a intenção foi simplesmente inventar um novo modelo de talher, o cara é um pateta. Mas se a intenção foi provocar e sucitar um questionamento sobre a maneira como vemos e utilizamos as coisas, o cara é um gênio. Como design não tem bula, vale o benefício da dúvida. Abs
  • A beleza associada às jóias nada mais é do que a reação psicológica ao simbolo de status que ela representa. Mesmo jóias que não "custam" tem um valor associado. Piercings, por exemplo, representam uma (ou várias) sub-culturas.
  • Oi, Eduardo! Talvez você seja muito jovem. Com o tempo, provavelmente se dará conta que certo e errado são coisas muito relativas. As pessoas fazem suas opções por motivos que só elas entendem (às vezes, nem mesmo elas). Também não entendo como alguém paga uma fortuna por uma camisa oficial da selecinha brasileira e, no mais das vezes, são pessoas que nunca pensariam em comprar uma Herman Miller. Cada um dá valor ao que lhe sensibiliza e isso não tem nada a ver com ricos e pobres. Não é tão simples. Conheci uma recepcionista que ganhava salário mínimo e só usava jeans Fórum (uns R$ 600, que ela pagava em 12 vezes). A moça usava e se achava tudo de ótimo, ficava feliz. Eu me recuso a pagar mais de R$ 70,00 por um jeans, mas gasto R$ 150 num livro com o maior gosto, se eu puder pagar em 12 vezes. Não tem certo e errado. Tem o que cada um acha que vale. Tenho certeza de que, se você procurar bem, vai encontrar alguma coisa que você pagaria mais do teoricamente seria "correto" por uma necessidade inexplicável, um valor que só você conhece. Qual é a utilidade de uma jóia, a não ser seu valor simbólico? Por que elas custam tão caro se são tão pouco úteis no sentido prático? E jóias existem desde a pré-história, pense nisso. Muitos estudos antorpológicos baseiam-se nesses objetos para estudar as civilizações. Parece ruim, mas não é não. O simbolismo é o que torna tudo muito mais enigmático, instigante, interessante. Por meio das escolhas simbólicas de consumo a gente pode conhecer muito sobre uma pessoa - mas cuidado ao fazer juízo de valor. Como eu disse, o ser humano é muito mais complexo que isso.
  • eu tb adorei a 4.... mas não me canso de me surpreender com a total incapacidade de se incomodar com a desarmonia e o mau design. Se eles sequer notar o mundo à sua volta, como poder contribuir para melhorar...
  • puxa, isso na verdade me deixa meio "p", pois é um fator limitante de usufruto de objetos. Limita o número de pessoas a que um objeto de design poderia fazer um grande bem para servir de símbolo de uma minoria... não sou comunista, nem socialista, nem "ista" nenhum, mas acho que essa supervalorização pelo símbolo é algo errado...
  • Mas o mundo é muito estranho mesmo, Eduardo! Aí é que está a graça... se as coisas fossem absolutas, simples, tudo bem encaixadinho entre o certo e o errado, entre o bem e o mal, a gente ia morrer de tédio. O que nos faz humanos é justamente o simbólico. Mesmo na mais primitiva das tribos, existem objetos que valem mais do que outros apenas pelo que eles representam. Na verdade, isso é justamente o que me fascina no design.
  • é verdade... depois que eu escrevi, no onibus, estava pensando... esqueci da mão de obra, do estudo, pesquisa, etc... Como você bem apontou, lígia. De fato, mandei mal, desculpa aí. Só ainda não acho que o valor simbólico deve ser tão importante na hora de avaliar certa mercadoria. Meu problema é mais com ele, não com os outros itens. Ainda mais porque não é algo mensuravel, é? A pesquisa você pode jogar um valor por hora. O lucro certa porcentagem, e assim por diante... mas avaliar algo simbolicamente? Como se o faz? O produto ganha valor porque circula mais entre uma elite economica, ou perde valor por estar entre uma classe mais baixa... Ou por ser um ícone do design, ou por ter aparecido em algum lugar famoso... enfim, e sempre mantendo o mesmo uso. Eu ainda acho isso muito estranho.
  • Oi, Eduardo! Puxa, agora você se surpreendeu... você avalia o valor de um objeto pela matéria-prima que ele utiliza? E o valor agregado? E os anos de pesquisa? E todos os livros que o designer teve que comprar para aprender tudo o que era necessário para chegar a essa solução? E a construção e a consolidação da marca? E o valor simbólico? E o desenvolvimento de fornecedores,os testes, a equipe multidisciplinar que desenvolveu o trabalho? Não Eduardo, penso que uma cadeira Herman Miller não pode ser comparada com outra qualquer ou ter seu preço questionado somente se analisarmos o material que ela usa. Acho que você simplificou demais as coisas, inclusive o papel do design como provedor de símbolos. Sempre fui a favor de que as disciplinas de marketing fossem integrantes dos cursos de design, que poderia esclarecer muitas coisas sobre a relação das pessoas com os bens de consumo.\ Como eu disse antes, não é tão simples assim. Não é mesmo!
  • Bom, sobre a cadeira Miller, penso que ela pode ser a melhor que existe até agora, mas não se justifica seu preço. É desproporcional. O desejo de compra-la certamente não é pela função (como você mesma disse, o ser humano é muito mais complexo...), não é pelo seu conforto. No entanto, para calar a consciencia, (também como voce mesma disse), se fala que é por se trabalhar demais, para evitar problemas, etc.. E é esse o problema do luxo. Sabe-se que é errado, que é desproporcional, mas se inventam desculpinhas para não ter que enfrentar a realidade dos fatos e poder se seguir com a propria vida, sempre pro próprio umbigo... E de fato, o design se calca excessivamente sobre o valor simbólico das coisas. A complexidade do homem o faz ter preferências estéticas, ergonomicas, de materiais, etc., o que justifica essa grande diversidade de objetos. O que não se justifica ainda (penso eu...) é pagar mais apenas pelo símbolo, se o produto não vale materialmente mais que outros. É essa especulação que é o luxo, e que traz esse lado errado do design e do mercado. Certamente, o preço de produção da bendita Miller não é nem 1/6 do seu preço... Está certo pagar isso tudo? Cada um que responda pra si, mas eu acho que não...
  • Muito interessante o livro, valeu a dica. Como designers acho que é papel nosso prestar atencção aquilo que as pessoas no seu dia-a-dia não notam, ou não param pra pensar: "poxa alguém quebrou a cabeça pra fazer essa imagem, como ele fez isso?" É noso papel fazer que o design se destaque para as pessoas o acharem "bonito" e notarem a presença daquilo que criamos e optarem pelo nosso produto.
  • Realmente, Lígia... questões como 3 ou 4 dentes de um garfo, fazem do design uma questão longe de ser puramente funcional. Mas, talvez, a evolução humana se sustente nos desejos (principalmente dos "gigantes"). Ainda sim, um nobre engenheiro sobre o design. Porém, um bom livro para ler.
  • Oi, Eduardo! Penso que a linha que separa o luxo do conforto ou da necessidade é muito tênue, tudo depende da referência. Posso justificar meus "luxinhos" a qualquer momento, basta que queira ficar em paz com a minha consciência para arranjar uma lista de motivos justos pelos quais faço as minhas escolhas de consumo. Acho uma cadeira Herman Miller uma necessidade básica para quem passa tantas horas sentada na frente do computador. Mas já viu o preço da menina? Dá para sustentar uma família de sem-teto por vários meses... eu ainda não tive cacife para comprar uma. Mas não sei se coloco na minha lista de desejos ou de necessidades, entendeu? Sobre o garfo e o palitinho, concordo que a abordagem dos dois é diferente. Mas para que temos tantos modelos de garfo, com 3 ou 4 dentes? As diferenças são sutis e torno a ressaltar o valor simbólico do design. Para mim, função pura, no sentido de funcionalidade, não existe. O ser humano é muuuuuiiiito mais complexo (ainda bem!).
  • livrarias de aeroporto são bons passatempos para quando vôos atrasam. esses tempos atrás eu e um amigo fizemos uma competição de quem conseguia encontrar mais livros com variações derivadas de "O Segredo". eu contei 14. mas às vezes têm coisas bacanas também. Achei um livro fantástico sbre inovação uma vez - o nome completo me foge agora - que de auto-ajuda não tinha nada (era um tanto estatístico, aliás). E, é claro, encontrei o "Abaixo o Pop-Management!" do Thomas Wood no aeroporto de Manaus. Ah, e obrigado por discordar do meu último artigo! Por deus do céu, tava me irritando tanta gente concordando. Quero dizer- você passa um bom tempo estudando temas polêmicos para escrevê-los de forma polêmica e no fim todo mundo acha legal? Em que mundo estamos, minha santa aquerupita?
  • Lígia, tem um livro que chama "Toothpicks and Logos: Design in Everyday Life", do John Heskett, que é professor de design da Illinois Institute of Technology em Chicago. É um livro super gostoso de ler, para mim, a melhor abordagem sobre o assunto da evolução do design e do design como habilidade natural do homem. http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=0192803212&sid=18937017310122776404648881 http://www.amazon.com/Toothpicks-Logos-Design-Everyday-Life/dp/0192804448