NATUREZA SUSTENTÁVEL

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CONSIDERADO UM MATERIAL ECOLÓGICO, O BAMBU VEM CONQUISTANDO ESPAÇO NA INDÚSTRIA, ASSIM COMO O INTERESSE DO CONSUMIDOR.

Considerado a planta de crescimento mais rápido do planeta e também um dos materiais mais resistentes para a construção, com força de tensão 20% superior a do ferro, é possível encontrá-lo nos países tropicais e até construir uma casa inteira estruturada com ele. Compensados feitos a partir desta matéria-prima podem ser utilizados em paredes e pisos como revestimentos, devido ao seu alto rendimento e  aproveitamento. Além disso, sua industrialização pode resultar em grande impacto na economia, no meio ambiente e na produção das indústrias, sobretudo no setor moveleiro. Essas são características do bambu, aponta o designer Paulo Cardoso, de Florianópolis (SC), pesquisador desta matéria-prima desde o ano 2000.

Segundo Cardoso, das mais de 1,1 mil espécies de bambu catalogadas no mundo, aproximadamente 400 delas podem ser encontradas no Brasil. “Cento e oitenta delas têm aplicação comercial e industrial, mas tradicionalmente utilizam-se somente de quatro a cinco espécies pela abundância e facilidade de produção”, explica o designer.
Na opinião do pesquisador, o bambu, além de não causar malefícios ao meio ambiente, traz vantagens para o setor moveleiro e também para a economia. “Na China, pelas condições climáticas, o bambu é colhido em cinco anos. Para se obter um metro cúbico de matéria-prima, são necessárias de 130 a 150 varas de bambu. No Brasil se consegue o mesmo com a metade do material e também do tempo. Um hectare pode produzir em torno de 300 metros cúbicos de bambu ao ano”, argumenta. O designer complementa que, para a  geração de madeira, são necessários grandes investimentos em terras, florestas, equipamentos pesados e galpões, entre outros. Já no caso do bambu, até uma pequena comunidade pode produzir, vender e se manter com o uso desta matéria-prima. “Na China, por exemplo, são as indústrias de fundo de quintal que movimentam a produção do bambu”.

Indústrias de móveis – Para o setor moveleiro as vantagens no uso do bambu são ainda maiores, defende o designer. Painéis, blocos, tudo o que se faz com qualquer outra madeira pode ser feito também com o bambu, garante Paulo Cardoso.

Além disso, empresários e pesquisadores que trabalham com o bambu garantem que a matéria-prima é uma fonte sustentável para a indústria moveleira, porém, ressaltam a importância de conhecer a fundo as características do produto antes de começar a utilizá-lo. “Trabalhar com bambu sem conhecimento pode prejudicar o produto no sentido de mercado. A minha preocupação é que tudo o que é novidade no mercado acaba sendo vendido sem o devido conhecimento, colocando tudo a perder”, alerta Flavio Schuhmacher, diretor da Components Importação e Exportação de materiais para móveis, com sede em São Bento do Sul (SC).
Outro fator importante, de acordo com ele, é que o bambu é totalmente ecológico. “Você pode cortar 10% dele e ainda fi cam 90%. Corta-se somente o que está maduro e assim não há desmatamento”, salienta.

Colchões – Devido à resistência do bambu contra insetos, bactérias e fungos, fabricantes de colchões e espumas também estão se beneficiando desta matéria-prima, utilizando tecidos com fibra natural de bambu em seus produtos. Em feiras como a Fenavem, realizada em agosto do ano passado, e Movelsul, em março deste ano, colchões que traziam o bambu em sua composição foram destaque entre os fabricantes deste segmento. Exemplo está na Ecofl ex, de São Bento do Sul (RS), que lançou uma linha de colchões com opção de revestimento no tecido Soft Bambu, composto por 75% de fibra natural de bambu. “Além de ser uma matéria-prima ecologicamente correta e trazer grandes benefícios à saúde, por ser antibactericida,
mantém a temperatura do colchão agradável em qualquer época do ano”, afi rma Livio Rueckl, gerente nacional de vendas da empresa. “Sem falar na relação custo-benefício, em que o preço fi nal fi ca bem mais atrativo”.

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O professor norte-americano Cherla B. Sastry considera o bambu a “madeira do século 21”. Você concorda?

“Não só a madeira, mas o açúcar, álcool, carvão, alimento e muito mais. Nada se conhece do bambu. E,o que não se conhece, põe medo”.
Paulo Cardoso, designer e pesquisador desta matéria-prima desde o ano 2000.

“Não concordo. Acho que o bambu é uma grande fonte de fibra, de matéria-prima, mas não substitui a madeira, até porque estão sendo conhecidas outras espécies de madeiras novas que, assim como o bambu, são boas fontes de MDF e aglomerado. O bambu tem sim uma característica particular, que é o aspecto visual, mas é apenas uma opção a mais e não a única”.
Flavio Schuhmacher, diretor da Components Importação

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Revista Móveis de Valor, edição 76, junho 2008

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6 comentários

  • A opinião do Flávio Schuhmacher é sempre importante. Especialistas em determinado material tendem a exaltá-lo de tal maneira que dizem que até cueca de chimpanzé da pra fazer... É tudo tão fascinante que se perde a noção. Mas que o bambo é legal, isso é! E como eu tenho certeza que alguém vai fazer a piada... faço eu: "Silvio,... e o bambu?"
  • hahah " e o bambu" nossa realmente muito legal, acho que a palavra sustentabilidade é a chave pra os proximos tempos, e ai o profissional de design deve entrar para adequar os produtos a esse modo sustentavel. É bom saber de opçoes boas e ecologicamente melhores.
  • Um adendo ao artigo: O colega Schumacker evidentemente não está se referindo aos belíssimos painéis de bambu, pisos e mobiliário, que em nada se parecem com os artesanais que se produzem no mundo todo, pois quando falo de uso industrial, quero realmente me referir à produção em alta escala (vide artigo em edição anterior da mesma revista) como se faz na China, de onde já tive a oportunidade de importar um container de pisos, que em absolutamente nada se parecem com bambu e sim com madeiras tropicais (marfim, cumaru e outras), e que não são feitos de fibras como se usam em MDF ou aglomerado, mas de taliscas, ripas coladas em blocos (engenheirado), processo que tenho estudado com profundidade há oito anos. Como disse, há muito que se conhecer sobre bambu, mas posso garantir que não é só a aparência legalzinha desta gramínea que deve despertr a atenção da industria moveleira. Concordo com as demais afirmações do Schumacker quanto à diversidade de madeiras em estudos, porém o bambu tem uma aplicação imediata para substituição de madeiras que exigem maior resistência e estabilidade, no caso de pisos, o que nem o pinus, nem o eucalipto dão jeito ainda. E não estou falando de painéis a partir de fibras. Que fique bem claro isso. Um abraço Pacard
  • ah de haver algum cuidado, na onda de novas tecnologias q o Brasil vem se destacando na produção e pesquisa, vem uma série de criticas sobre a qtdade de terras usadas pra isso... (refiro-me a cana para a produção do alcool) derrepente pode haver reclamação contra o babu... ha ha apenas um post ácido... ps: acho muito bacana a possibilidade de uso desses novos compostos, mas eh preciso uma divulgação mais pesada! parabéns pelo post! um abraço!