Entrevista com Daniel Lieske, criador do Wormworld Saga

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Conheci o trabalho de Daniel Lieske através do Wormworld Saga. É uma daquelas obras que te deixa com o queixo caído, olhando pros detalhes, tentando entender como ele conseguiu fazer aquilo. Mais que isso, a saga apresenta caminhos novos para quem tem a vontade de se aventurar no terreno das histórias em quadrinhos e acha que testes e mais testes na Marvel ou na DC podem ser desgastantes e infrutíferos.

Daniel foi extremamente gentil ao conceder a entrevista abaixo. Além de quadrinista, é artista conceitual para uma empresa de games. Disse que gastou um ano inteiro para produzir esse primeiro capítulo, trabalhando nas horas vagas. É dificil não acreditar. Vejam a entrevista (e clique nas imagens, elas ficam bem maiores, e vale a pena, garanto).

RT: Como você começou sua carreira de ilustrador?

Daniel: Quando eu saí da escola, em 1998 e tinha terminado meu serviço militar, eu consegui um estágio em um estúdio de desenvolvimento de games. Após o término do estágio, me ofereceram um emprego de tempo integral, e aí eu comecei a criar ilustrações profissionalmente.

RT: Que tipos de trabalhos você faz normalmente? Tem algum tipo que você gosta mais?

Daniel: Eu estou trabalhando como artista de games, e meu trabalho vai da arte conceitual em 2D, modelagem 3D, criação de texturas e design de interface. De todos estes, meu favorito é a arte conceitual, porque fica mais próximo da minha paixão, que é pintura digital.

RT: Você tem alguma rotina? Como é?

Daniel: Quando eu chego em casa do meu trabalho diário, de noite, eu janto com minha esposa e nosso pequeno filho, e então eu vou pro meu estúdio, e trabalho na saga de Wormwolrd por duas horas. Eu tento manter os finais de semana livres, mas nem sempre funciona.

RT: Falando em quadrinhos. Você já trabalhou para grandes editoras, como a Marvel, a DC ou outra?

Daniel: A saga de Wormworld é meu primeiro projeto de quadrinhos, e eu nunca trabalhei para editoras. E não acho que eu gostaria de trabalhar como um artista contratado para editoras como Marvel ou DC. Eles mantém os direitos  de tudo que você faz para eles, e você só fica com uma fração do dinheiro que eles fazem com sua arte.

RT: De onde veio a ideia de realizar Wormworld da maneira que você está fazendo? Você sempre pensou em se auto-publicar?

Daniel: Antes de entrar na estrada independente, eu fiz uma pequena pesquisa sobre editoras e as ofertas que elas geralmente fazem. Eu descobri que aquilo que elas pagam não vale o esforço, e os editores normalmente proibem a exibição de conteúdo livre na internet. Minha maior meta com a saga Wormworld é alcançar quantas pessoas for possível com a história. Por isso eu traduzi em tantas linguagens diferentes e também por isso é gratuito para ler. A saga de Wormworld foi lida mais de 450 mil vezes em menos de três meses. Se eu tivesse trabalhado para uma editora, isso nunca teria acontecido.

RT: Nós estamos vivendo uma explosão de novas tablets entrando no mercado. Isso afetou sua decisão sobre qual trilha você deveria usar para fazer dua Graphic Novel?

Daniel: Quando comecei a saga de Wormworld, o iPad não tinha sido anunciado ainda. Mas quando foi, eu imediatamente soube que poderia ser o equipamento perfeito para se ler minha graphic novel. Estou muito feliz em saber que haverão tantas tablets diferentes no mercado em pouco tempo, porque será uma grande oportunidade para apresentar meu trabalho na melhor forma possível para muitas pessoas.

RT: Você acha que nos próximos anos iniciativas como a sua podem redefinir o modo que lemos quadrinhos?

Daniel: Uma coisa especial sobre a saga Wormworld é que ela foi desenhada como um produto estritamente digital, desde o começo. O layout padrão para livros tem uma série de limitações do ponto de vista criativo, e se ater a esse formato vai limitar as possibilidades dos quadrinhos. Eu vejo muitas  versões digitais de quadrinhos que que são apenas transcrições das versões de papel, e eu acho que isso é um desperdício de oportunidade. Eu espero que minha visão possa inspirar outros artistas  para criar quadrinhos virtuais de verdade. Isto vai dar a eles mais opções de criação, mas também uma grande oportunidade de se auto editar de maneira fácil.

RT: Que conselho você pode dar a novos autores e artistas que estão procurando auto editar  seus trabalhos? Você acha que será possível fazer dinheiro de verdade nesse mercado?

Daniel: Eu diria para eles jogarem fora a ideia de “todo mundo que quiser ver meu trabalho tem que pagar”. Seu trabalho vai se espalhar muito mais amplamente se for gratuito e o único limite for a qualidade dele. ISSO é a real medida do seu sucesso. Se seu trabalho não se espalhar, isso é simplesmente porque não é bom o bastante, e você terá que trabalhar mais duro. Mas quando seu trabalho é bom, você vai descobrir que existem pessoas querendo te dar suporte. Hoje em dia, meus fãs me doaram mais dinheiro do que qualquer editor teria me pago para publicar meu trabalho.

RT: Você conhece o Brasil, ou algum artista daqui?

Daniel: Não conheço muito sobre o Brasil, Mas eu fiquei muito surpreso em quantos fãs daí se ofereceram para traduzir a Saga Wormworld para sua língua. Eu recebi dez vezes mais ofertas do Brasil do que de qualquer outro país e realmente me fez pensar que eu preciso visitar seu País em algum ponto no futuro. Talve exista alguma convenção de quadrinhos, ou algo do tipo. Eu adoraria visitar a América do Sul. Minha esposa tem parentes no Chile e na Argentina.

RT: Bom, acho que isso, obrigado por seu interesse!

Daniel: Obrigado pelo SEU interesse. Fico feliz em poder espalhar a ideia mais ainda pelo Brasil!

 

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