Identidade Visual da Azul: Resultado dos 7 erros

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A Azul Linhas Aéreas Brasileiras vem para mexer no setor de aviação civil e esquentar a briga entre as poucas operadoras existentes no Brasil. A princípio, isso é uma notícia boa, quando lembramos o estágio em que se encontra a qualidade dos serviços de transporte aéreo nacional. A empresa promete elevar o nível do atendimento, oferecendo vôos sem escalas pra muitas cidades não atendidas, colocando TV em todos os assentos e até quem sabe oferecendo algo melhor do que amendoim, pra quem paga R$ 300  por uma passagem. O nome Azul é simpático, simples, foi escolhido por votação popular e abre um leque muito amplo de possibilidades de exploração visual do conceito, tal qual foi feito pela operadora de celular Orange, na Inglaterra.

Depois de conhecer o nome, fiquei esperançoso de que a Azul fizesse algo melhor do que a concorrência tem feito, em termos de expressão visual de marca. Quando vi o resultado, fiquei da mesma cor da empresa: azul. Depois amarelo. Depois vermelho. Nunca uma identidade visual provocou tantas sensações coloridas em mim. Azul de passividade. Amarelo de enjôo. Vermelho de vergonha. Como uma empresa que se propõe ser moderna, honrar nosso país e aumentar o nível da aviação faz ISSO?

A seguir, coloco as 7 razões que justificam minha reação. Elas se baseiam no texto que está no site da companhia, na seção Imagem Corporativa (sic).

Erro nº 1: “A criação é de Gianfranco Beting, diretor de marketing da Azul.”

Começamos muito bem, com um diretor de marketing assumindo a tarefa de fazer um sistema de identidade visual (SIV). Na verdade não apenas diretor de marketing, mas um diretor-de-marketing-de-arte-arquiteto-faz-tudo. Não estou querendo dizer que somente designers podem fazer esse tipo de tarefa. Se um pipoqueiro, um cuspidor de fogo, um jornalista, um médico quiser fazer esse sistema, ele pode fazê-lo. Qualquer um pode, desde que tenha as “competências” para isso. E, amigos, as competências para construir um SIV não são poucas. Construir e eleger elementos de marca que sejam memoráveis e atraentes, tenham significado, sejam transferíveis e adaptáveis, possam ser protegidos legalmente, tenham resistência à aplicação em diferentes pontos de contato e impacto, atendam exigências ergonômicas etc., não é nada fácil. É um quebra-cabeças difícil. E não é daqueles para crianças de 3 anos. É para gente grande, com maturidade suficiente para combinar as peças nos lugares certos, sem afetar as que já estão posicionadas. 

Um diretor de marketing é uma peça essencial no processo, assim como a alta cúpula de empresa, visto que eles conhecem muito bem a natureza do negócio, sua posição atual, seu direcionamento, valores e crenças, enfim, aquilo que compõe a sua essência. Mas seu papel termina aí. Começar a projetar SIVs exige mais do que boa vontade e conhecimento administrativo, exige habilidades projetuais, que incluem a manipulação e gestão de recursos visuais, algo que não está ao alcance de quem não foi preparado pra isso. O diretor de marketing da companhia aérea Azul, que também já foi diretor de arte, deveria ser o primeiro a delegar essa tarefa para equipes de especialistas no assunto. O que acharia um diretor de marketing ao ver um designer tentando fazer estratégias de marketing, sem ter competência para isso?

Erro nº 2: “Este mapa “pixelizado” é a peça central da imagem corporativa.”

Quem conhece gestão de marcas sabe muito bem que imagens não são construídas ou controladas pela empresa, de modo que ninguém pode afirmar que a imagem será isso ou aquilo. O que é passível de ser controlado é a identidade, que é um conceito de emissão. A imagem é um conceito de recepção, e como tal não pode ser controlada, mas apenas influenciada. Essa imagem é como um quebra-cabeças que será formado com muitas das peças que a identidade fornecer. Se forem escolhidas as peças certas, a imagem formada poderá ser parecida com aquela que a empresa deseja. Mas não há como prever que imagem irá surgir, pois as peças vêm de muitos lugares, não apenas da identidade.

Erro nº 3: “A logomarca escolhida homenageia nosso país.”

Os erros presentes nessa frase vão desde o uso de expressões vagas como “logomarca”, que nada dizem, a problemas sutis de significado, como achar que identidade visual é um desenho. Ao invés de construir o sistema de identidade baseando-se primeiro no DNA da marca, depois na linguagem e estilo corporativo e por fim no código visual, o processo todo girou ao redor de “logomarcas” poderosas que definiriam um dos ativos mais importantes da empresa, que é sua identidade. Esse é um erro primário, de quem desconhece o papel vital de um sistema de identidade visual na formação de brand equity.

Além de demonstrar falta de conhecimento sobre princípios de construção de identidade, essa frase esconde uma premissa questionável: que vontade louca é essa de “homenagear” nosso país, vinda de um estrangeiro? Posso encarar isso como sendo sincero? Um empresário americano pode vir aqui, montar uma companhia aérea, estimular a competição no setor, preencher uma lacuna de mercado (viagens diretas entre cidades), enfim, tudo isso pode ser ótimo e representar um avanço na infra-estrutura do país. Mas agora dizer que a empresa Azul tem intenções nobres e sinceras de homenagear o Brasil, já é demais. Como vamos acreditar que um empresário estrangeiro norte-americano veio de longe pra homenagear o país dos outros? Santa inocência hein! O objetivo dessa empresa é o lucro em primeiro lugar, e esse papo de homenagem é apenas para criar simpatia nos brasileiros, para que eles enxerguem com bons olhos tudo que a Azul Linhas Aéreas faz.

Erro nº 4: “O uso intensivo da cor, aliado a traços modernos, aponta para nossa visão deste País no futuro: moderno, vibrante, inserido num contexto global, mas sem perder sua exuberância e alegria, traços marcantes de nossa nação.

Traços modernos? Vamos acordar hein! Aí tem de tudo, menos traços modernos, tio. Essa abordagem de quadradinhos é o que eu conheço como síndrome de Coreldraw, onde tudo fica com cara de quadradinho, retângulo, bolinha e círculo. Até a palheta de cores usada nesse mapa se parece com a do Coreldraw (reparem nos azuis).

Um mapa fragmentado não é coerente com a idéia da companhia de “integrar as regiões”, ligar cidades, enfim “unir” o país. Ficou tudo com cara de compartimentos isolados que, mesmo sobrepostos, ainda passam a idéia de caixas separadas, contradizendo a essência principal da Azul, que é a ausência de barreiras, de limites. Tudo o que vejo nesse mapa são limites!!

A escolha das cores é um capítulo à parte, não menos incoerente do que os demais. Empresas low-fare se orgulham de cortar custos, oferecendo passagens mais baratas por conta da economia que fazem. Daí vem um diretor de marketing (o mesmo da falida Transbrasil) e cria um símbolo gráfico que tem todas as cores. Cadê a economia? Qualquer pobre designer sabe que cada cor adicional no processo significa mais custos. Mais uma cor? Outra passagem de máquina. Mais uma cor? Mais um vinil de recorte. Mais uma cor? Mais uma linha no bordado. Mais uma cor? Mais uma mão de tinta. Custos, custos, custos, sem falar na questão ambiental, onde mais cor pode representar mais componentes voláteis orgânicos liberados na natureza, e lá vem super aquecimento. O dono da Azul se preocupa com o aquecimento das suas aeronaves, mas não se preocupa com o aquecimento do planeta.

Erro nº 5: A logotipia emprega uma clássica família tipográfica, a Helvética. Sempre atual, ela transmite segurança, solidez e seriedade, fundamentais numa empresa aérea como a nossa, focalizada primordialmente na segurança e na qualidade operacional”.

Além de um desenho incoerente com a visão do empresário, cores escolhidas sem critério, o diretor de marketing se orgulha da “logotipia” escolhida, a saber, Helvética. Em primeiro lugar, que história é essa de logotipia? Eu já ouvi falar de logotipo, icotipo, zootipo, geotipo, fitotipo, logo (como os franceses e norte-americanos usam), mas “logotipia”?

Em segundo lugar, usar Helvética, a família tipográfica símbolo da Suíça é “homenagear o Brasil”? Ei, cadê o conhecimento histórico tipográfico? A própria palavra “helvetia” significa “Suíça” em latim, e vem me dizer agora que usaram um símbolo nacional suíço pra homenagear nosso país?

Mesmo que não tivesse relação com outro país, o tipo Helvética é um tipo que perdeu sua personalidade, por ter sido associada com praticamente tudo no período modernista, principalmente na década de 70. Sabonetes pra cachorro, águas minerais, órgãos do governo federal, hidrelétricas, caneta de R$ 1,99, enfim, muitas marcas dividiram o uso dessa família tipográfica, do mesmo jeito que fizeram com AvantGarde, Futura, Times New Roman, Arial, dentre outras.

Imagine várias emissoras de TV que, querendo parecer diferentes, utilizassem a voz do Cid Moreira na maioria dos programas. Ou se todos os locutores imitassem a voz do Silvio Santos na Record, na Globo, na Bandeirantes ou MTV. Que personalidade eu poderia atribuir a esses locutores que se preocupam em imitar os outros? Nenhuma. Pois é isso que acontece quando se usa uma família tipográfica desgastada pelo uso. A identidade perde personalidade, a voz se torna comum e, ao invés de posicionar a marca como sendo única e especial, eu digo a todo instante que ela é tão igual quanto todas as outras. Igual à Webjet, que também é companhia aérea brasileira, e que usa um tipo sem-serifa estilo Helvética. Por acaso a identidade não é aquilo que identifica você, que lhe torna diferente? Faz sentido fazer uma identidade igual à de outros?

Mas como um tipo de letra tem tanta importância assim numa identidade? A família tipográfica é parte do que se chama “sugestão periférica”, que afeta a maneira como elaboramos as mensagens que recebemos via sistema de identidade visual. A teoria que explica como associamos determinada tipografia a uma marca, idéia, pessoa ou nome é a mesma do condicionamento clássico. Segundo ela, toda vez que apresentamos um determinado estímulo (ENC) acompanhado de outro (EC), obtemos uma reação não-condicionada (RNC). Quando sempre utilizamos Helvetica, acompanhada de um estímulo positivo, nos momentos em que não tiver mais esse estímulo, a família tipográfica sozinha é capaz de despertar as reações emocionais que o estímulo original gerava. Só que quando usamos Helvetica com estímulos diferentes, esse condicionamento simplesmente some, seja por habituação (estímulos repetitivos perdem efeito com o tempo) ou por falta de isolamento da relação tipografia-reação, que reduz a reação cognitiva esperada.

O diretor de marketing também defende a escolha da Helvética por acreditar que ela transmite segurança, solidez e seriedade. Esse é um discurso vazio, de quem quer justificar uma escolha sem critérios. Reflete também falta de conhecimento sobre o papel da identidade visual, pois não é a tipografia que significa isso ou aquilo. É o contexto que fornece significado, de modo que mesmo a melhor identidade visual pode se tornar inútil se for mal aplicada ou se o contexto for contraditório. Esse fenômeno tem o nome de dissonância cognitiva, que ocorre quando o argumento diz uma coisa, mas as sugestões periféricas dizem coisas diferentes.

Erro nº 6: O processo de criação e aprovação levou ao redor de oito semanas para ser concluído. Foram cinco rodadas distintas na criação da imagem e sua aplicação nas aeronaves, com opiniões vindas de todos os principais executivos da empresa.

De novo, não se criam imagens, elas são resultado do sistema de identidade. Uma identidade visual do porte de uma companhia aérea, criada em 2 meses, só podia dar nisso. Dois meses é o que se gasta no mínimo para fazer o levantamento da realidade institucional e comunicacional da empresa. “Cinco rodadas distintas na criação” é um nome chique para algo que lá em Barbacena tem outro nome: projeto mal-feito, que precisa ser refeito 5 vezes. A escolha dos elementos visuais de marca é um processo, e não um resultado. Quando feito da maneira correta, o sistema de identidade visual recebe o código adequado (cores, tipografia, símbolos, nome, logotipo, grafismos etc) sem precisar ser refeito, pois cada nova etapa do processo só acontece quando a anterior foi aprovada.

Erro 7: “Mais de 80 layouts diferentes foram examinados. O processo foi facilitado por um fator: David tinha certeza absoluta do que queria. Portanto, havia sempre um parâmetro claro para julgar as diferentes opções apresentadas”.

Apresentar oitenta layouts me parece mais insegurança do que um resultado de estudo fundamentado em escolhas adequadas. ”Já que vai ser na base da tentativa e erro, vamos dar vários tiros, pois quem sabe um deles acerta o alvo?” O que você pensaria de um arquiteto, médico ou advogado que precisasse de 80 tentativas pra atingir um objetivo?

Mostrar tantas opções e ficar esperando que o presidente da empresa faça a escolha, pode ser encarado como uma atitude positiva, de quem quer ter certeza de que todas as alternativas foram esgotadas e haverá menos chance de erro. Mas, também pode ser visto como o reflexo de um processo amador, onde houve tudo menos competência, juízo e responsabilidade, para lidar com algo tão importante quanto a identidade visual.

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41 comentários

  • Gostei muito dos argumentos e das críticas. Muito bem fundamentado. Ao ver a identidade da Azul eu fiquei pensando em muitas coisas, além do fato óbvio de ser uma logo "feia", mas os argumentos foram muito bem pontuados. Concordo plenamente que as pessoas de Marketing são fundamentais para a construção de uma identidade forte e consistente, mas cada macaco no seu galho.
  • Prof. Ricardo e todos que estão lendo.... Como se diz no interior do estado de São Paulo....vamos por paaaartes!!! Caro Prof., como eu disse já antes eu não conheço o cara mas já vi as simulações que ele fazia ou faz para a Revista FLAP INTERNACIONAL. Um bom operador de Photoshop!. Lamento, concordo que para nossa profissão o resultado da Azul é ridículo,mas o Beting é sim muito conceituado pelas grandes agências, inclusive com a denominação de Designer, vá reclamar com elas que dão esse abono para ele e não comigo. Porquê o mercado premia esse cara e não um Designer? Faça essa pergunta! O Design "apropriado" para essa turma não é o critério que você quer passar. Agência de propaganda não tem esses "critérios" que nós temos. Nossos objetivos são outros, em agência vale você criar algo visualmente agradável e que atinja o "target" definido. Se vai ser um mapa do Brasil ou um desenho rococó, não interessa, o que vale é atingir os objetivos mercadológicos. O negócio é venda!!! Quanto ao critério de se usar o mínimo de "entradas de máquina", também não interessa, o negócio é engordar a "conta" . Agência ganha por serviço feito e pelo "volume" do serviço também. Como dizia o grande filósofo Brasiliense Nelson Piquet, o negócio é Grana! Bufunfa! O caso da Apple não serve, a maçã ficou com uma cor neutra preto ou branca, por causa da "amplitude" do novo mercado da Apple hoje e não por causa de economia. No início a maçã era um arco-íris por causa das possibilidades de côres da tela e depois do hardware. A Apple foi que iniciou o contexto de computador "gráfico", portanto de côres. Hoje ela não só "atua" no contexto computador mas também de eletroeletrônicos. Ipod, Iphone e etc. Daí a mudança de "marca". Pelo Steve Job,o arco-íris continuaria ,mas não denotaria essa amplitude de áreas de atuação, sem cor. ITunes, por exemplo. Vou citar um caso clássico no Brasil: Uma agência fez a "Programação Visual" de uma grande cadeia de lojas! Essa agência de São Paulo simplesmente se apropriou do simbolo de mulher das caixas do Tênis feminino da NIKE. O cliente usou por vários anos até que recebeu um processo de uso indevido de marca da NIKE. A Agência???!!! Faturou horrores! Aonde está o critério de Design nisso??? Lamento, só pirataria!!! Ricardo, eu já usei os "swooshes" também, mas por causa de critérios de criação e não de simplesmente usá-los para a marca ficar bonitinha. Eu os usei como solução para marcas que necessitavam desse elemento. Nem por isso a marca não "ficou única" . Os swooshes que critiquei são aqueles que são colocados para "embelezar" a solução gráfica e não como elemento de informação necessária a uma marca. São os piduricalhos gráficos. Ou o modismo gráfico. Eu não estou externando minha opinião que um Designer tem que "dançar conforme a música", isso acontece todo dia! É o nosso dia-a dia! Agora, que eu tento fazer, dentro do possivel, o uso de critérios técnicos /teóricos de design, lá isso tento. Já disse, são poucos os Designers que tem a oportunidade de fazer o que bem entende no mundo e ser respeitado por isso. Estou como vocês, tentando chegar lá! E, pelo amor de Deus, não diga que eu não tenho bagagem teórica ou apenas a praxis, sou formado e passei pelas mãos de excelentes professores, mas junto com eles eu procurei o que falta em muitos cursos, a realidade do mercado cedo. Quanto a fundamentação, por melhor que ela seja ou mais embasada pelos livros, ela só será aceita se ela estiver de acordo com a finalidade do cliente e este enxergar nela que é a solução que precisa. Fora isso, me desculpe, não há como você enfiar teorias no cliente. Catequese funciona até certo limite, o resto o mercado manda....infelizmente. Agora, já disse que a última Programação Visual, digna de nota, em empresa aérea no Brasil, foi da finada VASP. Quem teve o manual de identidave visual nas mãos, ficaria impressionado com os critérios e detalhes nas possiveis aplicações da marca VASP, antes do Canhedo é claro. Isso sim que deve servir de referência para nós. Por incrivel que pareça foi feito pela DPZ, uma agência de São Paulo,mas que tinham como sócios pessoas que conhecem bem o que é Design e fizeram questão de separar Propaganda de Design, na sua agência, na época. Prof. Ricardo, eu sei que nas salas das faculdades tem muito professor que só transmite o que aprendeu nos livros e sem praxis nenhuma. Concordo que os teóricos na nossa profissão serão futuramente extintos, a não ser nas matérias eminentemente teóricas. Eu acredito que o curso de Design (Em qualquer área) irá e deve se tornar um dos cursos de graduação mais caros do país, exatamente por causa do peso necessário do conhecimento no fazer, trabalhar,fabricar, imprimir, gerar e produzir. As escolas de Design no exterior, principalmente nos EUA, são na verdade vestíbulos de laboratórios de inúmeros clientes de design, exatamente para que o professor e o aluno saiam formados para o mercado, mas com uma boa capacidade teórica e principalmente prática / criativa. Por último Prof. Ricardo, se o Beting tinha ou não conhecimento disso e daquilo ao fazer a marca da Azul, eu acho que não, pela simples razão que eu expliquei o critério dele para se chegar a esse resultado e qual a finalidade dele, inclusive no site. Que infelizmente não tinha nada de Design. Daí! Eu, você e todos, temos que apenas lamentar a magnífica oportunidade perdida. Abraços! Rogério Foster Vidal Designer, com a sua aprovação..... Professor.
  • Acho que os erros quando mencionaram "logomarca" "logo" "logotipo" "ícone" e tal são totalmente perdoáveis. Não se trata de um artigo para designers, se trata de um site para a população brasileira em geral. Muitos designers já fazem confusão com isso, quem dirá os reles mortais, brasileiros? Também não gostei do "brasilzinho" (para não correr o risco de falar errado), achei que transmite uma idéia de moderno que se tinha quando eu nasci. Não gostei da crítica, salvo algumas partes, achei os comentários do Foster melhor embasados.
  • Olá Foster, Li seus comentários e agradeço pelas informações novas que eles trouxeram à discussão. Sua experiência no setor aeronáutico é importante e com certeza pode contribuir para o diálogo neste assunto da Identidade Visual, assim como todos os demais leitores do site. No entanto, quero responder alguns argumentos que você utilizou nos seus comentários, pois tenho uma visão diferente de alguns deles. ----------------------------------------------------- AGÊNCIAS X DESIGN 1. "O cara é considerado pelas maiores agências de Marketing e Propaganda do Brasil e do exterior como Designer, inclusive especializado na área de aviação e vencedor de vários prêmios internacionais na nossa profissão. Ele é afamado e considerado pelas grandes agências do Brasil e do mundo como um excelente Diretor de Arte e portanto um excelente Designer.(Segundo eles)" >>>> O fato de alguém ser considerado "designer" não é prova de que ele possui as competências para tal. Se as agências consideram um diretor de arte como designer, tudo bem, desde que isso se confirme na prática, já que, como você mesmo diz, existe uma distância entre discurso e ação. Mas, o que vimos nesse projeto específico, foi um conjunto de falhas primárias em design, que se confirmam não apenas pela minha opinião, mas pela de muitos outros. 2. "O que é o bom Design??? Para as Grandes Agências de Propaganda do Brasil a Marca da Azul o é! Elas é que mandam no mercado de Design Gráfico." >>>> Em primeiro lugar, não existe essa história de "bom" design. Isso seria um juízo de valor, completamente subjetivo. O que existe é design "apropriado", levando em conta aspectos formais, funcionais, simbólicos e metodológicos. Se uma agência levou em conta todos esses aspectos e ainda continua achando que esse projeto é "adequado", então eles precisam avaliar seus critérios. 3. "Logomarca, termo amplamente usado pelo pessoal de agência, baseado na minha experiência profissional." >>>> Novamente, se muita gente usa esse termo "logomarca" pra definir uma expressão visual de marca, isso não quer dizer que muita gente entenda a profundidade do que seja projetar um sistema de identidade visual, nem que eles tenham real noção do que estejam falando. O mesmo acontece com o uso da palavra "conceito", que é usada a torto e à direita para explicar as escolhas feitas por designers, mas que nem sempre é apropriada dentro do contexto. É uma palavra que serve como coringa pra dizer tudo, mas que às vezes não diz nada.
  • ----------------------------------------------------- SOLUÇÃO GRÁFICA 4. "Vou fazer uma pergunta para você, qual é o alfabeto que denota o BRASIL? Qual família? Me diga o nome e o da “casa” dele? Me desculpe, mas eu não conheço." >>>> Quando eu disse que o uso da Helvética, tipografia associada à Suíça, era inadequado no caso de uma empresa que pretendia "homenagear" o Brasil, não quis dizer que era pra escolher um tipo "brasileiro" e usar na identidade visual. Usar uma família tipográfica feita por um estrangeiro ou em outros países não é nenhum problema. O problema é quando a escolha da Helvética denuncia falta de conhecimento tipográfico na construção da identidade visual, como parece ter sido neste caso. 5. "O conceito de Identidade Visual de “economizar” nas cores... nas agências de propaganda e marketing não vigora mais. Se o cliente tem “bala na agulha” isso é desnecessário." >>>> Então diga o nome de um empresário que, sabendo que poderia obter os mesmos resultados gastando menos, escolheria o caminho que gasta mais. Empresas que são conhecidas por ter "bala na agulha", muito dinheiro, como a Apple, no passado utilizavam um logo com 6 cores, e hoje tem um símbolo que usa uma cor só. Empresas que sofrem uma pressão extrema para redução de custos não iriam gostar de saber que estão gastando dinheiro onde não precisam. E tem empresas aéreas que reduzem custos até na azeitona do lanche oferecido para os clientes! Vai me dizer agora que quem se preocupa com "azeitona" não vai estar interessado em reduzir desperdícios por meio do design? Especialistas apontam que dentre as razões dos problemas da Varig (http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR74522-6009,00.html), estão "disputas políticas internas, uma relação de altos e baixos com o governo, mudanças no cenário internacional, decisões erradas de negócio e SIMPLES DESPERDÍCIO." E usar cores só porque se tem dinheiro, "bala na agulha" é desperdício.
  • 6. "A solução da Azul é a mesma do anúncio do Banco Itaú na televisão. reparem só! O “cofre” pixelado” “Entelado” com tvs de LCD ou monitores de computador. Isso em propaganda é comum, estilos de grafimos que são adaptados para várias finalidades!" >>>> Nós não estamos falando de propaganda, estamos falando de identidade visual. E na identidade, repetir soluções COMUNS dos outros e deixar de ser original é um problema sério, conforme qualquer especialista em identidade corporativa pode confirmar. Copiar a identidade dos outros ou se tornar parecido com alguém só é vantagem para quem deseja tirar proveito da imagem alheia, como é o caso dos piratas, que fazem bolsas, tênis, aparelhos, roupas "parecidas", para confundir a cabeça dos consumidores. 7. "Quem não se lembra do “sublinhado” em baixo de logos ou compondo o simbolo das “novas” empresas???!!! Surgiram Trocentas marcas com isso. Sublinhado: Faixa em forma de arco com pontas finas engrossando no meio" >>>> Sim, surgiram muitos logos que utilizam esses arcos, também chamados de anéis de saturno, swooshes etc. (Veja o texto em http://www.thestreet.com/tech/internet/986150.html) Mas isso é um exemplo do que "não fazer". Usar elementos de marca que são repetidos com frequência é ir contra a essência da identidade visual, que é tornar a empresa única, estabelecer uma diferença e criar um espaço mental individual.
  • ----------------------------------------------------- MERCADO X SALA DE AULA 8. "Você diz: "O conceito de Design que nós ou o Prof. Ricardo e a Ligia e todos que são Designers formados temos, não vale nada nesse mercado, vale o que os profissionais de Marketing dizem...de sua sala de aula para o mercado empresarial tem uma baita diferença e nesse mercado o Designer ainda dança conforme a musica..." >>>> Compreendo que essa é sua visão pessoal, Foster. Se a sua opinião não vale nada no mercado, se entre a sua opinião e a dos profissionais de marketing prevalece a opinião deles, você não pode generalizar e achar que todos os designers sofrem do mesmo mal. >>>> Essa visão de que "os conceitos dos designers não valem nada no mercado" é precipitada. Em primeiro lugar, médicos, advogados, costureiras, vendedores, enfim, qualquer profissão pode ter conceitos que não valem nada no mercado e isso não é um problema da profissão. Isso é um problema do profissional, que se apóia em conceitos falhos, questionáveis, sem fundamentação ou apenas na famosa "experiência de anos no mercado". >>>> Em segundo, mesmo que alguns designers tivessem problemas ao serem ouvidos no mercado, isso não poderia ser generalizado, pois há designers que são respeitados sim, não pelo que falam, mas pela consistência dos resultados que apresentam, e pela responsabilidade que demonstram ao lidar com o dinheiro do cliente ou com seu papel social, coisa que não aconteceu no projeto da Azul. >>>> Em terceiro, "da sala de aula para o mercado pode existir uma baita diferença, e os designers podem sambar conforme a música", quando estes professores dão os mesmos conteúdos há 10, 15, 20 anos, quando deixaram de se atualizar, quando optaram pelo caminho do conformismo, e passaram a considerar o mercado como algo que acontece "lá fora". >>>> No entanto, há professores que além de dar aula também estão atuando como designers, procuram se manter em dia sobre as mudanças que surgem na sociedade, questionam conteúdos considerados como "verdade do design", confrontam idéias diferentes entre si para crescer pela diferença etc. Esses professores tem uma idéia de que o Design deve ser ensinado não apenas para os alunos, mas também para os clientes, que devem ser educados sobre o seu papel. E isso acontece muitas vezes onde há designers responsáveis, que não enxergam clientes como inimigos ignorantes, mas como parceiros que aceitam ser orientados e conduzidos para o melhor resultado, pelo melhor caminho. Nestes casos, a opinião do designer vale sim, e muito.
  • Acredito que todos que postaram aqui são designers. Eu sou aluno do curso de design e há muito tempo venho acompanhando artigos, textos impressos e de web, sobre o que há de novo no design gráfico e a minha pergunta é a seguinte: com tanta gente qualificada no mercado, porque é que, somente após a divulgação de algum trabalho, bom ou ruim, é que aparecem os "profissionais da área" que sabem tudo? Vão desde o recém formado até o último título disponível. A crítica tem muito mais substância do que a ação de participar e fazer a coisa certa. Nós sabemos tudo o que precisamos para encarar qualquer desafio, mas ficamos atrás da moita, esperando o primeiro colocado passar para sentar o pau nele. Eu vejo ótimos exemplos mas, que nos últimos 10 anos, ou sei lá quantos, se formaram mais críticos de arte com conhecimentos técnicos do que profissionais capazes de dar bons exemplos. E afirmo em dizer que estes profissionais e nossos professores de hoje, tem muito mais substância na hora de criticar.
  • Independente de qualquer profissão, é necessário que haja conhecimento na área para se obter um resultado interessante e ser reconhecido pelo seu trabalho. No entanto, é um grande problema ao se realizar um projeto, acreditar naquilo que se está fazendo como algo concreto e perfeito sem uma visão autocrítica. Ninguém tem a verdade em suas mãos. A certeza não existe e a perfeição nunca se alcança. Porém, se fazer um projeto que não agrada a quem deveria agradar é muito preocupante, pois é a visão externa que avalia e faz funcionar um projeto de design. Esta é minha opinião e não tenho a menor intenção de compartilhá-la.
  • Olha....acima de toda essa discussão, porque não apimentá-la fazendo nossos designers sugerirem um logotipo/logomarca melhor, de SUA PRÓPRIA AUTORIA, no lugar desse que já foi apresentado ? Seria uma forma de mostrar o que poderia ser feito(!), já que essa é a questão do ARTIGO, como também "promoverá" quem o fizer ! Abrçs !
  • "O Design “apropriado” para essa turma não é o critério que você quer passar. Agência de propaganda não tem esses “critérios” que nós temos. Nossos objetivos são outros, em agência vale você criar algo visualmente agradável e que atinja o “target” definido. Se vai ser um mapa do Brasil ou um desenho rococó, não interessa, o que vale é atingir os objetivos mercadológicos. O negócio é venda!!!" Mas afinal de contas, se queremos atingir determinado target, não precisamos de uma identidade bem estruturada? Se o objetivo da agencia é vender, não seria ela a primeira a se interessar por produzir uma marca forte? Da forma como colocou, parece que todo o processo criativo é descartável, o que interessa apenas é ter uma marca simpática no final das contas! E isso está longe de ser verdade.
  • Bom, meu comentário pra isso é o link abaixo, onde o tema também foi abordade (nao com tanta propriedade, quanto a do Prof. Ricardo). Porem la o clima esquentou também. http://logobr.wordpress.com/2008/08/25/logos-companhia-aerea-internacional-nacional/
  • Ricardo, parabéns pela feliz análize! O que realmente falta nesse nosso país em relação ao Design Gráfico são estas críticas fundamentadas para que os empresários percebam que fazer design não é abrir um programa e sair desenhando e colorindo. Eu acho uma pena em nosso país os profissionais do Design Gráfico não sejam levados em consideração nas hora que precisam. Usar a Helvetica como família tipográfica me desanima demais... É incrível uma empresa nova no mercado usar um logotipo poluido querendo passar praticidade, eu adoraria ver a aplicação desse logotipo em uma cor... A única coisa que sinto em relação a esse logotipo da Azul é vergonha.
  • Impressionante... Antes de ler o artigo abri o site e dei uma navegada durante uns segundos... (além do SIV, o site também parece não ter sido tão bem feito quanto dizem ^^) e a minha impressão oif das piores... uso de cores..erros de gramática... falta de coesão textual...incoerência... achei de tudo e o principal, eles abriram o processo utilizado para o público, o que torna todo projeto passível e análise do cliente, que pode ficar sabendo de algo que não gostaria de saber e desistir de ser cliente da 'AZUL'... erros néh... Depois fui ler o Artigo... fiquei maravilhado com a certeza das suas palavras, essas sim passam segurança *:) Quando eu li o que você falou sobre a Helvética, fiquei com curiosidade para saber do seu currículo, ainda não procurei, mas vou querer saber onde você estudou, que cursos fez... sei que muito veio do seu esforço, mas você deve possuir uma bagagem invejável no currículo... parabéns !!! Abraços, me tornei mais um leitor do seu fantástico BLOG.
  • Obrigado Rodrigo e Bruno, já fico feliz em perceber que alguém entendeu a essência das minhas palavras (e que nem são só minhas, pois muita gente pensa assim, mas não tem tempo para expor suas idéias em forma de texto). Se quiserem, podem me adicionar no msn, pra gente trocar idéias. O meu msn é kore.coeur@hotmail.com Abs, Ricardo
  • O que vejo nessas companhias aéreas brasileiras é decepcionante! Ninguém ousa criar algo diferente, com personalidade, é tudo copiado, porque não criar uma identidade visual que seja de estilo diferente, porque copiar é mais fácil? Olhem a Gol, Webjet, a nova VARIG etc. Chega desses "vetorzinhos" esferas, quadrados, cores que agridem a visão, fontes sem graça e simples demais, linhas que não dão a lugar algum, chega do comum! Copiar é comodo e barato né!
  • Este é o mais excelente texto de análise de marcas gráficas que já encontrei, em língua portuguesa (e brasileira!). Gostaria de saber qual é a referência bibliográfica que você traz ao dizer: "A teoria que explica como associamos determinada tipografia a uma marca, idéia, pessoa ou nome é a mesma do condicionamento clássico. Segundo ela, toda vez que apresentamos um determinado estímulo (ENC) acompanhado de outro (EC), obtemos uma reação não-condicionada (RNC)". Se possível, envie a resposta para meu e-mail. Abraços!
  • Pessoal, O que sinto é que o concurso da denominação da nova empresa aérea foi como se chama em propaganda um grande "teaser" ou efeito de espectativa sobre um produto. Peço a todos que se dirijam ao site da AZUL e vejam a biografia do Diretor de Marketing. Ele é afamado e considerado pelas grandes agências do Brasil e do mundo como um excelente Diretor de Arte e portanto um excelente Designer.(Segundo eles) Eu fiz uma pergunta nesse referido site: O que é o bom Design??? Para as Grandes Agências de Propaganda do Brasil a Marca da Azul o é! Elas é que mandam no mercado de Design Gráfico. O conceito de Design que nós ou o Prof. Ricardo e a Ligia e todos que são Designers formados temos, não vale nada nesse mercado,vale o que os profissionais de Marketing dizem. Abraços para todos do Foster. Ps.: A solução da Azul é a mesma do anúncio do Banco Itaú na televisão. reparem só! O "cofre" pixelado" "Entelado" com tvs de LCD ou monitores de computador. Isso em propaganda é comum, estilos de grafimos que são adaptados para várias finalidades! Quem não se lembra do "sublinhado" em baixo de logos ou compondo o simbolo das "novas" empresas???!!! Surgiram Trocentas marcas com isso. Sublinhado: Faixa em forma de arco com pontas finas engrossando no meio com várias cores ou uma cor só! Ou também ondulada e etc. Veja a maravilhosa programação visual da LAN CHILE. Tem sublinhado e é uma excelente Identidade Visual. Para mim a melhor Identidade Visual já feita foi da finada VASP onde o nosso colega Hugo Kovadloff (SAO / DPZ) junto com o Mestre Alexandre Wollner e implantada seguindo a risca o manual, pelo Arquiteto (?) Ricardo Guerra Florez. Antes do Wagner Canhedo por favor!
  • Ricardo! Parabéns pelo Artigo. Para mim, o maior problema havia sido o fato de ter feito 80 provas, mas agora, acompanhando esse texto, vejo que o prêmio vai pelo "conjunto da obra" mesmo. Hehehehe.
  • Ricardo, Ligia e a tchurma toda que ficou AZUL! Como professor de Faculdade e profissional da área de Design Gráfico, gostei muito de suas colocações sob esse seu prisma. Como falei anteriormente, eu sou especialista na área de Aviação e Designer Gráfico & Industrial como muitos de vocês aqui. Não conheço o Gianfranco Beting pessoalmente e só vi no site da AZUL a biografia profissional dele agora. O que eu quero e coloquei aqui neste site é a diferença entre o que é ideal e o que o mercado ou ambiente profissional faz. Para isso peço a você para ir até esse link indicado, onde esse tema também é discutido de uma forma, digamos, mais erudita: http://foroalfa.org/A.php/El_diseno_y_la_realidad/151 A sua chiadeira é o que seria correto na mão de um Designer e não de um profissional de Marketing, só tem um problema, o cara é considerado pelas maiores agências de Marketing e Propaganda do Brasil e do exterior como Designer, inclusive especializado na área de aviação e vencedor de vários prêmios internacionais na nossa profissão. Veja a biografia do cara no site da AZUL. ATENÇÃO! Não estou defendendo o cara, como já disse antes,apenas disse que imagino o que deve ter acontecido para se gerar essa "Logomarca", termo amplamente usado pelo pessoal de agência, baseado na minha experiência profissional. Outro reparo, o Neeleman é Brasileiro, nasceu em São Paulo, filho de americanos, viveu nos EUA e fundou a JETBLUE, a empresa lider no mercado americano de lowcost, com uma identidade visual razoável, mas não no padrão de uma AMERICAN, NorthWest e etc. Vide o site da AZUL e da JETBLUE Vou fazer uma pergunta para você, qual é o alfabeto que denota o BRASIL? Qual família? Me diga o nome e o da "casa" dele? Me desculpe, mas eu não conheço. Quanto ao "mapa", realmente pode se ter "n" soluções para se criar uma excelente simbolo para AZUL, acredito que praticamente todos que estejam lendo essas linhas podem e devem dar uma solução melhor que essa......mas sob seu brieffing pessoal. Eu disse que imagino o Brieffing que deve ter sido feito, mas esse, como corretamente você sentiu, já era de carta marcada. Inclusive eu sugeri nomes para empresa no site e nem esses foram cogitados. Essa diferença do ideal x realidade é dura para todos nós, eu dei a pista do que deve ter ocorrido e a razão da solução, principalmente porque eu trabalhei no departamento de Design do fabricante das aeronaves e me coloquei no lugar desse meu colega que está liberando os desenhos de pintura agora. O conceito de Identidade Visual de "economizar" nas cores para simplificar o processo de impressão e de implantação da marca, nas agências de propaganda e marketing não vigora mais. O que vale é o volume / tamanho da conta. Se o cliente tem "bala na agulha" isso é desnecessário. Vide a Identidade Visual da TRANSBRASIL, que era um arco-iris, criação da filha do finado presidente Omar Fontana, não Designer. Identidade visual amplamente elogiada no meio aeronáutico. ATENÇÃO! Em aviação isso implicava em problemas de estoque /custos de tintas muito sério, que a TRANSBRASIL bancava. Tecnologia da época. Hoje esse "mapa" pixelado, eu tenho certeza, deve estar sendo impresso em vinil 3M e adesivado no avião. Tecnologia atual. Por último, porque desse mapa? Puro Marketing político! O Neeleman é ainda considerado Americano como você Ricardo disse acima, e ele tem que tirar essa "pecha" de cima para se tornar um Brasileiro nato e convencer o governo Brasileiro e a ANAC disso. Se vocês não sabem, é proibido pelo Código Aeronáutico Brasileiro o sócio majoritário de uma empresa aérea ser estrangeiro, daí..... Quanto a pixelização, é uma empresa lowcost que ligará pontos do Brasil, termo usado pelo pessoal de empresa aérea, os pixels são para dizer que a maior parte das vendas serão feitas pela internet ou por terminais informatizados, economizando em pessoal de check-in nos aeroportos. Isso a JETBLUE faz nos EUA. Isso tudo resultou no que estamos vendo, quanto ao site, tem que ser simples mesmo, pois ele tem que ser acessado até de computador movido a fifó! (Lamparina). No máximo os scripts de itinerário e compra. Não estou defendendo o que foi feito, apenas mostrando a você Prof. Ricardo, a Ligia e a todos que estão lendo, que de sua sala de aula para o mercado empresarial tem uma baita diferença e nesse mercado o Designer ainda dança conforme a musica, como já disse antes. Se vocês estão chiando, porquê a ADG, não chiou? Na época da VARIG foi a mesma coisa e a diretoria da ADG chiou, principalmente pelo alfabeto do "Brasil" dourado na fuselagem, extremamente Brasileiro pelo prisma da maior empresa de Comunicação e Design do mundo e especializada em esquemas de pintura e Identidade Visual de empresas Aéreas do mundo. A LANDOR Associates SA, braço de design da Young & Rubican. Um prédio de 25 andares especializados em Design. É triste, mas é a nossa realidade profissional hoje e isso não se ensina nas Faculdades ,só na vida. Foster Designer Gráfico / Industrial /Aeronáutico.
  • qual o alfabeto que faz alusão ao brasil? Confesso também não conhecê-lo mas se não tem, projeta um ueh! Estamos falando de algo tão importante. Do alto da minha relis opnião de estudante, vou tecer apenas mais um comentário, quando fala-se em pixealizar porque as vendas serão online etc. Só me vem algo que li em algum lugar, sobre o que algo diz, e o que você quer dizer, acho que quem fez o projeto deve imaginar isso sobre a venda dos sites, no mais acho que o peso maior ainda é o comentado no post sobre, delimitação , fronteiras. Bem acho que se ele quer fazer o "H" como dizem por aqui , ou seja adular, teriam varias formas melhores de fazer isso. ah! estou sim defendendo a classe a boa qualidade de projetos.
  • Cezar, Mais do que importante! Isso descamba para uma dúvida que perdura até hoje....qual a cara do Design Brasileiro? O que denota que um produto,gráfico ou industrial é Brasileiro? Isso é uma discussão que vem de décadas! Os estrangeiros acham que é de um jeito, nós achamos que possivelmente é de outro. Foi o que falei acima..... Você como todos aqui, estamos defendendo o tempo todo a boa qualidade do Design Brasileiro, não só de projetos, sim conceitos, idéias,atitudes,pesquisas ,ensino e tudo que possa engrandecer e melhorar o nosso Design perante o nosso Brasil e o mundo. Senão...qual a razão desse quebra pau aqui? Por último, você tem seu jeito....ele teve esse jeito, outros terão vários outros jeitos....não devemos cometer o erro de certos "clientes" nossos que querem por que querem que o Design seja uma "coisa" igual a um parafuso que se pega na prateleira, uma "coisa" fixa! Nós todos sabemos que não é isso e sim, muito pelo contrário. Afinal, o que é ser um bom projeto? O que é ser um bom Design? Isso vai longe.....como também já disse acima. Esse é o segredo do Design. Foster
  • Mais 80 propostas e essa foi a melhor!? tadibrincadeira! Acho que,mais que o conceito, que é importantissimo, é o resultado final. E resultado só se traz com um bom estudo, boa pesquisa boa conceituação etc... Parece que pularam várias etapas de processo. E saiu isso aí. Por mais que expliquem (ou tentem explicar) o conceito, não resultou em algo agradável. Esse é o ponto. Mas quem se importa né?? o importante é ter passagens baratas! Simbora viajar.
  • Foster, concordo com alguns aspectos, mas acho que é praticamente um consenso que alguem que manda 80 layouts provavelmente não sabe o que está fazendo. Agora já esta feita, e quem sabe um dia faça um redesign.
  • E quanto a questionar o que é bom projeto, aí é cair num relativismo absurdo. Deixa que apareçam mais e mais micreiros, pois quem disse que eles não tem um trabalho tão bom quanto um designer diplomado? E todas os estudos sobre equilibrio, composição, cor, etc. da gestalt, deixa pra lá, pois que disse que ser equilibrado é ser bom? E quem disse que combinar cores da forma que foi feita no logo é desarmonico? E quem disse que Paulo Coelho é ruim? Quem tem a capacidade de julgar isso? E quem disse que o logo do metrô é bom? Num pode ser ruim? Foster, esse lance de "o que é bom projeto?" nem sempre rola... Até minha mãe quando mostrei ela falou que estava um horror... E ela num é designer... Ela é bancária. Se a ADG se manifesta ou não, isso não quer dizer que o projeto é melhor ou pior. E isso de que o abismo entre sala de aula e mercado é enorme, me pergunto nesse momento então como que conseguimos ter tantos bons projetos desenvolvido dentro do mercado por tanta gente, de maneiras corretas... (por favor, não pergunte "o que é certo o que é errado?"!) Uma coisa quando é ruim, é ruim. Ovo podre é ovo podre e fede. Marketeiro fazendo design é ovo podre. E fede.
  • Cada vez que abro aquele site da empresa, penso mais e mais no amadorismo das pessoas que o construiram... O título da página é o próprio site!? Desculpe, Foster... Mas não há desculpa nem motivo nenhum para tanta incompetência por parte deles...
  • Não conheço a identidade visual da Azul. Os argumentos me parecem bons> Desde a chamar a atenção para o uso de "logomarca", alerta para a confusão entre "Imagem" e "identidade" e aponta inúmeros vícios de criação. VR
  • Quando eu vejo pequeninas empresas, fazendo símbolos esquisitos, feios eu não me importo. Pra ser sincero as vezes ate acho legal, daquela barraquinha da esquina fazer um logo tosco, isso mostra que eles têm uma noção da importância dos símbolos gráficos. Agora, quando uma empresa que tem porte para criar (pagar) uma identidade visual de qualidade faz uma coisa dessas, é decepcionante. Mas sou um otimista, acho que as coisas estão melhorando...
  • Ah gente, os oitenta layouts, foram feitos pelos sobrinhos e priminhos (que estão no jardim de infância) dos executivos desta brilhante empresa. Quando vejo que o Seu Fulano da farmácia, pediu pro sobrinho dele que gosta de usar o computador, fazer a "logomarca" de seu estabelecimento compreendo que ele não tem a mínima noção de que há pessoas que estudam anos pra fazer trabalhos de qualidade. Mas aí uma empresa, que pretende atender um país tão grande como o Brasil, cujo trabalho vai chegar a um grande número de brasileiros, de diferentes formações e opiniões, que tem cacife pra contratar um escritório design, resolve entregar um aspecto tão importante nas mãos de diretores-de-marketing-arte-arquideuses e executivos (isso pra não falar nos sobrinhos do jardim de infância...), fico no mínimo decepcionada em saber que o mercado para o qual estou me preparando tem essa visão tacanha do design. Sou estudante de desenho industrial de uma das escolas mais importantes do país para o design. E gostaria de saber, qual seria a reação dos arquideuses se nós designers nos metessemos a sair cidade a fora construindo prédio e pontes? E os marketeiros? Eles gostariam se fossemos nós a darmos a última palavra num trabalho de marketing? (não me interpretem como uma Anti-arquitetos!) Mas acho q cada macaco no seu galho, sem perturbar o macaco vizinho. Parafraseio algo que li num blog essa semana: "Quando estamos doentes vamos ao médico ou ao curandeiro?" E mais uma vez, eu me pergunto: será que tudo o que é pra pobre tem que ser feio ou mal feito?
  • Ricardo, eh triste mesmo ver uma empresa q entra no mercado para concorrer com TAM e Gol levar essa questão da Identidade Visual de forma tão amadora... Eles estão botando tudo a perder não é mesmo? Achei muito boa sua análise sobre o processo de construção da Identidade Visual da Azul. É bem fundamentada e mostra uma boa percepção sua não só acerca das tendências no design gráfico, mas no mundo dos negócios. Isso é importantíssimo para entender muitas das decisões das empresas nas áreas de marketing, comunicação e design. Só acho que você abusa do sarcasmo e da ironia. É possível fazer as mesmas críticas de uma forma mais ética e respeitosa. Mas entendo que estilo de linguagem não se discute. Respeitosamente, davicoelho
  • Mais um texto pra eu enviar pro meu irmão, aficcionado em aviação comercial e o primeiro a me mostrar a revista alguns meses atrás, com a foto do avião, e me perguntar: "tu que estudas design, o que achaste?" Ele, médico e [mais uma vez] aficcionado em aviação comercial e tudo o que se relaciona a ela [mercado, engenharia, marketing, etc], já tinha achado medonho. Gostei, Ricardo! Colocou argumentos bem mais consistentes que os que eu [reles estudante] havia colocado pra ele!
  • Ricardo, fiquei muito feliz de encontrar seu blog, especialmente este post. Esse "case" me incomoda tanto que eu provavelmente vou fazer um post sobre ele no meu blog. Pra início de conversa, o que me salta aos olhos é o fato desse projeto do Gianfranco Beting ser uma solução reaproveitada de um outro cliente, com um histórico, metas diferentes e características diferentes da Azul. Como um profissional de comunicação pode se propor à um papel desse? "Senhores, já tenho uma proposta de nome e identidade visual para a empresa. Venham comigo." Só esse argumento é suficiente para questionar a validade e eficiência do design concebido. No Jetsite ele fala: "Mas, voltando ao branding, nesse primeiro encontro com David, mostrei os primeiros 17 caminhos criativos, com sugestões de nomes, identidade visual e sua aplicação nas aeronaves. Foi também quando comecei a receber de David um briefing mais definitivo sobre o posicionamento de marca e imagem corporativa que ele desejava para sua mais nova empresa aérea." Primeiro: branding e identidade visual são coisas COMPLETAMENTE distintas e fica bem claro no texto dele que ele não faz essa diferenciação. Segundo: Só depois de apresentar 17 layouts, um verdadeiro "chinese buffet" do design, ele começa a receber informações completamente cruciais pro início de qualquer projeto, como proposta de posicionamento. Depois ele segue: "Ele queria uma identidade visual elegante, sóbria, sem nada que remetesse a algo excessivamente colorido. Queria uma marca e nome que pudessem agradar a todos, sem gerar polêmicas, sem gerar controvérsias." Sinceramente, isso era coisa que eu inventava no meu primeiro ano de universidade, na época que eu comecei a estudar design. Um "marca" não pode, nem deve, agradar a todos. Isso indica falta de posicionamento, invisibilidade. E isso é conceito que se aprende, SIM, quando se estuda design como disciplina. E quando eu digo "estudar", não quero dizer apenas cursar em um instituto de ensino superior. É preciso ser curioso, se informar, estar em dia com o mercado, com o usuário, com os hábitos de consumo e estilos de vida de novos públicos. A Lígia Fascioni, que também comenta aqui, é um grande exemplo de como um bom designer e brand manager pode surgir de profissionais de outras áreas. Ela é engenheira e uma pessoa super ligada no que há de mais novo na indústria de design e liderança. Parabéns, novamente, pelo post, Ricardo. Um abraço Ana Barroso