ArghDesign#4: Starck x starck

Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

.

Você acredita no design?

.

Há cerca de um ano atrás, um nobre amigo escreveu um texto curto sobre o não-acreditar em design. Nele, o Ceviano em questão (Eduardo Gonçalves) afirmava que voltou a acreditar no design como peça fundamental para a melhoria do mundo depois de um tempo de crise, mas que não via “como exercer o design desta maneira no mundo como ele está hoje”. Ele não é o único.

.

Em março deste ano, Philippe Starck, o renomado designer francês que nos brindou com sua fabulosa versão do que um espremedor de laranja não deve ser, respondeu à uma entrevista para uma revista alemã onde afirmava, melancólico: “O design está morto”. E complementou, dizendo que todo o trabalho de sua vida foi desnecessário e inútil. Com estas frases, Starck deixou de acreditar no design. Lucidez tardia?

.

A entrevista gerou respostas diversas. Sydney Glover, colunista do The Sydney Morning Herald, foi enfático: “Bem, o resto de nós poderia ter dito isso para ele”. Bruce Nussbaum, da revista americana BusinessWeek, citou alguns exemplos de designs que passaram longe de serem inúteis para a sociedade (ainda que não sejam obra do polêmico entrevistado) e preferiu abrir a questão para debate. Jill Fehrenbacher, do blog Inhabitat indagou se não era algum tipo de “crise de meia idade”.

.

.

Menos de um mês depois, o mesmo Starck ressurge dizendo que está “de volta no jogo” e que agora apenas produzirá peças que colaborem para a sustentabilidade do mundo. O anúncio foi realizado em uma mostra paralela do salão de Milão intitulada “Greenergy Design”, onde Starck nos apresentou seu novo brinquedo – “Democratic Windmill”, uma turbina eólica caseira (maneira cool de dizer “cata-ventos”) que qualquer um (?) pode ter em casa a partir de setembro e assim suprir até 60% da necessidade de energia do lar. Derivados o petróleo, nunca mais. Envergonhem-se, fãs da Alessi. Assim como meu colega, Starck voltou a acreditar no design… mas como apontou Nussbaum e provou Gonçalves ainda ano passado, com um pouco de atraso.

.

Enquanto o Starck (Phillipe) passava por suas crises, outro Stark (o Tony) faturava milhões em bilheteria mundo afora. Tony Stark, como todos sabem, é o Homem de Ferro, um empresário milionário inteligentíssimo da indústria bélica que, após uma crise de consciência, monta uma armadura fantástica e vira super-herói. Eu proponho uma troca: ao invés do Phillipe, vamos tornar o Tony o exemplo-mor a ser seguido de designer contemporâneo. Como todo designer, ele passou por uma crise pessoal (foi sequestrado e passou a ver o mundo com outros olhos) e passou a usar suas habilidades fantásticas para o bem, produzindo uma (por que não?) obra-prima do design. Em meu outro artigo, eu escrevi que não existem designers super-heróis. Errei! Descobri vários. Não podemos esquecer também do saudoso MacGyver.

.

Em Terra Brasilis, um terceiro Stark dá uma aula do que é acreditar no design. Produzido pela TAC (Tecnologia Automotiva Catarinense) e desenhado pela Questto Design de São Paulo, o Jipe Stark é, sob vários aspectos, um paradoxo industrial. Em um mercado dominado por grandes montadoras mutinacionais, um grupo de empresários convenceram investidores, convenceram parceiros e, principalmente, convenceram a si mesmos. E acreditaram no design. E pra eles, acreditar ou não no design não é um luxo retórico, como no caso do Starck (o Phillipe) e outros designers, mas simplemente uma questão de sobrevivência. São as regras do mercado em sua aparência mais crua. (O jipe chegou a ser exposto no Museu da Casa Brasileira, em dezembro de 2007)

.

Existem “acreditares” e “acreditares” em design, mas há uma diferença entre o acreditar da indústria e o do designer. A indústria é pragmática: ela quer resultados. Já os designers podem até se deixar levar pro suas incertezas, mas estas devem ficar restritas a nossas próprias discussões – ao nosso próprio mundinho. Você contrataria alguém que não acredita em si mesmo?

.

O exemplo dos três Star(c)ks ilustra bem isso. O terceiro Stark é o design pragmático e sem crises de identidade aplicado na prática. Em se tratando de projetos de risco, não há lugar para incerteza. O segundo Stark mostra que mesmo quando não quer, a ficção imita a realidade (ou é a realidade que imita a ficção?). E o primeiro mostra o designer em crise consigo mesmo – a crise que passou pelo Tony e nem chegou no jipe. Mas Phillipe Starck é Phillipe Starck. Ele pode.

.

E você, com qual Starck se identifica?
(Eu sou mais o Tony Stark. A casa dele é muito mais legal e ele tem a Gwyneth Paltrow)

.

—————–

Luiz Fernando Pizzani é coordenador geral do Projeto Empreendedorargh!, uma iniciativa de cursos de curta duração, palestras e pesquisas itinerante sobre mercado de trabalho e empreendedorismo em design no Brasil. É bacharel em desenho industrial – projeto de produto pela PUCPR, pós-graduando em CBA de Gestão de Negócios pela Estação-Ibmec Business School e presta serviços de consultoria para empresas de design recém-formadas ou em fase de formação. É viciado em molho barbecue e pede sinceras desculpas por ter publicado este artigo com 24 horas de atraso. Não necessariamente nesta ordem.

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.
Distribua

8 comentários

  • O Philipetas tem 3 apartamentos exatamente iguais, fatura a editora da Vogue e praticamente mora num jatnho particular pq tem q atender os clientes em tudo quanto é canto do mundo... Se pensar que ele é de verdade, que o Tony Pinga é de mentira e que no universo de mentirinha tem uma penca de cara mais legal, seja o Bátema que é mais ou menos isso só que ouvindo metal na juventude ou o Parker que inventou o lançador de teias no seu quartinho enquanto a tia May fazia biscoito e ainda é casado com a Mary Jane (top model, ruiva, e com um nome ambiguo) fica pqueno pro lado do homem de ferro. Nerdices a parte eu já me vejo mais do lado do philipetas mesmo, mas sem passar a vida toda fazendo coisas vazias, muito provavelmente por já ter nascido num mundo condenado, ter 8 anos de idade quando rolou a ECO 92 e diferente da grande maioria das pessoas q cai nessa área já tive bastante contato com a natureza, morei no sítio, estudei em escola de sítio, etc. Eu acho mega importante que o design tenha seus estudiosos teóricos, que sejam criadas novas teorias, que haja embasamento, mas com certeza sou mais da prática, de traçar um objetivo absurdo rumo a um produto sustentável e execeder as espectativas. Se não tivesse nego loco assim não existia purificador de água portátil, nem insulina, nem teoria da relatividade nem herman miller. ou não...
  • Bacana... Se pudesse escolher entre esses 3 starcks, eu escolheria o Peter Parker, muito bem citado pelo Fernando... O Homem aranha é demais, esses 3 num chegam nem perto dele! Ele até ao criar seu lançador de teia, as fez sustentáveis, já que não geram lixo (se dissolvem depois de uma hora)! O homem de ferro não, ele sai poluindo tudo por aí com sua butina tunada! rs As coisas tem caminhado aparentemente para uma tomada de consciencia geral... espero! Embora eu seja mais academico que prático (sempre tem alguém que tem q dar aulas de hist do design, né?), acredito que é muito impportante uma tomada de consciência por parte de todos. E essa mudança tem que ser feita cedo, não 80 milhões de anos depois, que nem o philipinho... E pra algumas pessoas, a mudança é outra ainda, a de resolver levar o design a sério, desde a universidade, seja gráfico, seja produto, seja web, seja ambiental, seja moda, seja cake design (?!). O arrependimento é válido, mas um direcionamento certo desde o princípio é melhor ainda. abs
  • Oi, Luiz! Já eu sou a favor de um mundo cheio de Starks (gosto muito dos três!). Mas sinceramente, acho essa implicância gratuita com o espremedor do Philippe meio datada - todo designer "cabeça" tem que criticar o tal espremedor e tudo o mais que o cara se mete a fazer, mesmo que nunca tenha testado o produto. O que eu posso dizer é o seguinte: tenho o espremedor há mais de 10 anos e ele funciona direitinho, além de ser lindo. Sempre levo o dito cujo para a sala de aula com algumas laranjas para os alunos testarem - só depois é que eles podem formar uma opinião e até sair criticando, se assim o desejarem. De resto, quero também os produtos dos outros Starks, principalmente o jipe amarelo!!! Abraços,
  • Jipe amarelo? Eu quero é aquela amradura voadora amarela...isso sim. E uma Gwyneth de brinde. Nunca testei o espremedor, mas já vi até professor do Poli.Milano dizendo que não funciona, mas vende. A implicância transcende fronteiras.