Design de Interiores/Ambientes x Arquitetura de Interiores x Decoração

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Este texto faz parte de minha monografia de pós. Vou começar a dividi-lo em partes para poder postá-los para que algumas pessoas não reclamem dos tamanhos de meus textos.

Para perfeita delimitação das áreas de atuação de um profissional de DA, há que se destacar a diferença de atuação dos diversos profissionais que atuam neste mercado.

Para o público, os profissionais são e fazem a mesma coisa. Genericamente, na cabeça dos clientes todos são arquitetos. Decorador e Designer são sinônimos de arquiteto. Porém, para esclarecer e delimitar as áreas e atuações faz-se necessário o entendimento claro de cada um desses profissionais e de seus trabalhos:

a) Decoração: é aquele profissional que buscou aqueles cursos de curta duração oferecidos por escolas como SENAC ou até mesmo aqueles autodidatas. Suas atribuições são bastante restritas uma vez que o seu conhecimento sobre vários elementos componentes de um projeto é inexistente ou nulo. As suas funções restringem-se à escolha de acessórios (vasos, almofadas, cortinas, outros), móveis, cores para paredes e poucas coisas mais. Param por aí, pois não possuem o conhecimento necessário para interferências mais pesadas no ambiente. Não há projeto e detalhamento de mobiliários específicos.

b) Arquitetura de Interiores: está bem distante da realidade da Decoração ou do Design. O uso deste termo como algo similar ou referente ao DA fez-se tão somente por causa do status e valor – glamour – que o termo arquitetura agrega ao trabalho profissional. Na realidade, Arquitetura de Interiores diz respeito à parte estrutural interna da edificação e dentre essas temos as aberturas, fechamentos, janelas, portas, colunas, vigas, escadas estruturais, mas tem a ver também com a relação entre os espaços, destinação e usos destes espaços, enfim, tudo o que faz parte do esqueleto é Arquitetura de Interiores. É o antes do Design. Apesar de alguns arquitetos¹ alegarem que tiveram durante a sua formação essa disciplina e que ela os habilita para atuação em Design de Interiores, é uma afirmação inverídica, pois no Brasil apenas em cinco cursos constam em suas matrizes curriculares disciplinas específicas em Interiores – e mesmo assim nada de Design aparece nem no nome da disciplina nem no ementário. Este profissional, raramente projeta e detalha móveis e, assim como o Decorador, busca opções já prontas no mercado como móveis de linha ou planejados. Adrian Forty, historiador britânico e crítico de arquitetura, que foi o organizador de um extenso volume da editora britânica Phaidon, “Arquitetura Moderna Brasileira” noz diz:

 “Houve algumas mudanças no status da arquitetura brasileira na cena mundial. O Pritzker dado a Mendes da Rocha certamente foi importante. Mas eu ainda tenho a impressão de que o Brasil persiste um tanto isolado em termos de cultura arquitetônica.” (Folha de São Paulo, Ilustrada, 17/06/07).

Anamaria de Moraes, já em 1994 quando da concepção da Matriz Curricular da Especialização em Design de Interiores, quando atuava como docente da Faculdade da Cidade, no Rio de Janeiro, vislumbrava as diferenças entre as áreas e da necessidade e importância da atuação conjunta dos profissionais de arquitetura com os designers na concepção dos projetos de DA quando, nos objetivos do curso coloca, entre outros:

“Integrar o design e a arquitetura de interiores num projeto que considere a otimização espaço, o conforto ambiental e o bem estar do usuário.” (MORAES, 1994)

Já Francesco Iannone, arquiteto italiano, entende que o trabalho multidisciplinar é fundamental, mesmo para a solução de problemas de menor complexidade. Em uma entrevista sua para a revista Lume Arquitetura (2007), ele desconstrói toda a visão totalitarista e onipresente que a arquitetura emprega quando deixa claro o papel do arquiteto e a real necessidade destes profissionais em realizar essas parcerias pelo simples fato de reconhecer que a sua formação não é tão perfeita como alguns arquitetos afirmam. E esta é a característica principal da visão que alguns arquitetos e até mesmo alguns órgãos e associações ligadas direta ou indiretamente à arquitetura no Brasil tem: somos perfeitos e completos.

Aproveito para fazer um aparte neste ponto. Acho engraçado como alguns arquitetos teimam em atacar e atrapalhar o trabalho dos Designers. Digo isso pois pelo visto não deve haver nada de mais importante e sério para eles fazerem como, por exemplo, dentro de suas próprias cidades, junto à administração pública, buscar soluções para as mazelas urbanas. É mais fácil atacar quem está quieto fazendo o seu trabalho para o qual foi devidamente capacitado, treinado e habilitado e não tem poderio de fogo que as prefeituras e câmaras de vereadores exigindo das mesmas que realizem melhorias. Outra coisa é que adoram criticar a péssima fiscalização do CREA sendo que não se dispõem a ajudar. Só coloquei estes dois exemplos para incitar a análise de quem lê este trabalho. Se formos olhar bem para nosso bairro, cidade, estado, país ou planeta não é nada difícil perceber o tanto de trabalho realmente arquitetural há por se fazer. Há coisas mais importantes a se fazer senhores alguns arquitetos.

c) Design de Interiores/Ambientes: o profissional de Design é habilitado para atuar em intervenções que possa ocorrer já desde o momento da concepção do projeto arquitetônico auxiliando o arquiteto a resolver os espaços da edificação de forma a atender melhor as necessidades do cliente. Após a obra pronta, o designer entra em cena para fazer o fechamento/coroamento da obra através da escolha das cores, texturas, revestimentos, mobiliário, os layouts ergonomicamente corretos, a iluminação adequada, o ajuste de algum elemento arquitetônico que esteja atrapalhando ou que esteja esteticamente desagradável. Enfim, o profissional de DA carrega um vasto conhecimento sobre como as pessoas habitam e usam seus espaços. Ele não se preocupa com a escultura que é a edificação e por isso tende a realizar os projetos com maior complexidade e perfeição.

Diferente do que prega um grande arquiteto brasileiro em um livro de sua autoria onde narra uma história ocorrida com uma cliente sua. A mesma foi reclamar com ele pois seu filho pequeno caiu de um beiral com 1,5m de altura e fraturou a perna. Em resposta, ele simplesmente diz que agora ele aprendeu que não se deve chegar próximo do beiral. Um profissional de DA certamente não daria uma resposta absurda dessa apenas com a intenção de proteger a sua escultura, obra de arte.

[1] Antes de qualquer confusão ou generalização como tem ocorrido em alguns fóruns de discussões sobre os assuntos aqui abordados, deixo claro que em nenhum momento eu ou qualquer um dos outros Designers que compartilham desta mesma opinião estamos generalizando. O grifo sobre “alguns arquitetos” (que usarei a todo momento que esta referência aparecer neste trabalho) serve para chamar a atenção ao sentido exato da colocação: ALGUNS profissionais de arquitetura e não TODOS como tem sido interpretada esta colocação exatamente por estes “alguns” com a intenção explícita de provocar todos os outros arquitetos contra os Designers.

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26 comentários

  • Uma observação sobre o texto: quando cito o SENAC, estou me referindo àqueles antigos cursos que eram oferecidos por esta e outras instituições, de curta duração e conteúdos menos que básicos. Não me refiro aos modelos atuais técnicos, e de formação superior - incluindo pós - oferecidos hoje em dia.
  • Realmente, o texto é preconceituoso, pedante, arrogante, e certamente inseguro. mas você deve ser um excelente design de interiores, já que usa essa prepotência para diminuir os outros profissionais e ganhar mercado. isso é típico de quem não tem conteúdo, então precisa de atributos como a arrogância. PARABÉM PELO TRABALHO
  • Muito bom! E acho que não houve preconceito algum, pois como vc mesmo disse, o arquiteto possui uma área de mercado/atuação muito grande para estar fazendo trabalhos de um profissional que é mais capacitado para área de interiores e sem falar que se denominam "designers de interiores" sem nem mesmo estudar design (isso falo de alguns casos que ngm pode negar que ocorre). Estais certo mesmo! Muito esclarecedor! Só espero que enfatize mais o trabalho do Designer de interior. Parabéns!
  • ola ... meu nome e Aline Almeida , estou cursando o ensino medio e logo vou prestar vestibular . Atraves desse texto esclareci algumas duvidas em relação a que profissão seguir. parabens pelo seu trabalho....
  • ola ... meu nome e Aline Almeida , estou cursando o ensino medio e logo vou prestar vestibular . Atraves desse texto esclareci algumas duvidas em relação a que profissão seguir. Parabens pelo maravilhoso trabalho exercido.
  • Seu texto é maravilhoso, muito útil e completo é muito bom saber que cada um têm sua função e fico muito ofendida quando alguém denomina o Design de Interiores como mero Decorador, não dismerecendo esse profissional mais é que não têm nada ver...
  • Olá Joyce, não me espantam as suas colocações, já cansei de ouvi-las e lê-las por aí... Como já citei em outros artigos, inclusive em minha monografia de pós de onde o trecho acima foi extraído, é fácil falar sem conhecer na realidade do que se está falando. O curso se chama DESIGN exatamente por ter um forte elo de ligação com o de Desenho Industrial, inclusive no que diz respeito à produção industrial, linha de produção, etc etc etc. Desenho de interiores quem faz é decorador e arquiteto, não os designers de interiores/ambientes. Pelo visto você é daquelas que confundem design com artesanato a tirar pela tua colocação em teu comentário. Mostra claramente que não sabe distinguir uma coisa da outra. Design é design, artesanato é artesanato. Sim, até que usamos vez ou outra elementos artesanais, mas são em quantidades pífias diante do todo que compreende um projeto de Design de Interiores/Ambientes. Bom, não vou entrar no mérito dos "pseudos deuses" que você coloca no seu comentário pois não vale a pena pelo simples fato de você, definitivamente, desconhecer a formação de um Designer de Interiores/Ambientes. Sim, nós também coordenamos equipes enormes, incluindo arquitetos quando necessário na obra. Pense que um Designer não atua somente em obras novas, ou aquelas que estão sendo construídas mas sim, e especialmente, nas antigas que estão precisando de remodelações para atender as necessidades de seus atuais usuários. Daí o seu engano na colocação: "devem ser pensados já no estudo preliminar e não depois da obra pronta, como um fato isolado do todo, como por exemplo a luminotécnica, tipos de revestimentos e outros. Isso com certeza iria acarrear obras extras desnecessárias." Por um lado vc erra ao pensar que nós só trabalhamos em obras prontas e por outro erra por pensar que o Designer é um profissional dispensável desde o estudo preliminar. Pelo contrário, este profissional DEVE estar presente desde o inicio, preferencialmente, desde a fase de brifagem do cliente. Assim, certamente, os erros e adequações projetuais serão bem menores. A satisfação do cliente será garantida. Luminotecnica, revestimentos e tudo o resto, nós fazemos tudo isso com a mesma capacidade e formação que vocês tiveram, portanto, esse trecho de teu comentário é dispensável. Podemos até mesmo propor derrubadas de paredes para melhorar e otimizar os ambientes. Porém sempre deixo a execução dessas áreas "duras" com meus parceiros engenheiros e arquitetos. O resto, eu resolvo. Olha, eu não diria que o arquiteto é indispensável, dependendo do projeto. Isso seria pedantismo demais. Ninguém é indispensável. Trabalho em parceria com vários arquitetos e a troca de experiencias e informações é sempre positiva, pois estes já sacaram a real importancia de um Designer junto a eles desde o momento inicial do projeto. Portanto, antes de sair atirando, procure informar-se melhor sobre as coisas. Você realmente não tem a menor noção da formação de um designer de interiores/ambientes. Sucesso a vc.
  • Li seu artigo e fiquei espantada. Sou arquiteta e fiquei preocupada com a distorção de suas colocações. Em primeiro lugar para esclarecimento geral, alguns cursos de "design" já começam com um erro na nomenclatura, já que todos sabemos que o termo "design" se destina a produção industrial de certa escala. Portanto, os cursos citados deveriam se denominar desenho de interiores, assim como desenho de jóias, de moda ...quando se destina a projetar algo artesanal ou único. Os arquitetos, sim, com certeza recebem formação para exercer a totalidade dos serviços de projeto e obra e portanto só eles são capazes de coordenar equipes interdisciplinares aí incluindo o decorador, o desenhista de interiores, o cadista, engenheiros,etc., todos com suas capacitações técnicas específicas. Além disso, os diversos fatores que envolvem um projeto de interiores relativo a um determinado espaço devem ser pensados já no estudo preliminar e não depois da obra pronta, como um fato isolado do todo, como por exemplo a luminotécnica, tipos de revestimentos e outros. Isso com certeza iria acarrear obras extras desnecessárias. Para tal o arquiteto é indispensável em todas as fases de desenvolvimento do projeto e da obra.
  • Considero nosso amigo Paulo um grande frustado, e sem a menor preocupação em disfarçar isso, como pode demonstrar muito bem no texto acima. Necessita menosprezar o trabalho alheio, achando que apenas os profissionais de DA tem "vasto conhecimento" e que "são os únicos capazes de realizar projetos com maior complexidade e perfeição". Caro amigo, sou Arquiteta, Urbanista e Design de Interiores, se vc quer ser respeitado como profissional ao menos, aprenda a respeitar os outros profissionais e não subestime nossos clientes, eles sabem muito bem diferenciar um Arquiteto de um Decorador, e também sabem identificar um profissional completo. Não continue assim tão frustado, adquira mais conhecimentos, nunca é demais, e pare de criticar os outros profissionais isso não é nada louvável.
  • Acho que delimitaste bem as profissões, é uma pena que para isso tenha utilizado de recursos frágeis. Penso que se queremos ser respeitados no mercado, temos que mostrar nosso trabalho sem precisar diminuir o trabalho dos outros profissionais, como preconceitos demonstraste nos textos. Vejo que se tens este preconceito com os nossos colegas da decoração e da arquitetura a eles é reservado o direito de pensar o mesmo sobre nós, designers de interiores. Precisamos provar a eficácia do nosso trabalho, com bons trabalhos e não perdendo tempo escrevendo coisas como "decorador é limitado" e o arquiteto respondeu"Em resposta, ele simplesmente diz que agora ele aprendeu que não se deve chegar próximo do beiral. Isto demonstra insegurança e precisar diminuir o trabalho do outro para favorecer o seu. Se entramos no mercado recentemente, temos que provar para o cliente o quanto bom somos, se nos preocuparmos em ficar criando "picuinhas" nunca vamos ser respeitados e não vamos legitimar nossa profissão diante nossos clientes!
    • Boa a sua colocação! Sou ARQUITETO - não temho preconceito nenhum, quanto ao DECORADOR, e muito menos com DESIGNE DE INTERIORES/AMBIENTES, mesmo porque tenho meu espaço conquistado com muito trabalho, por isso sou convidado para trabalhos em diversos paises e tenho, acreditem, muitos clientes de gosto refinado, inclusive faz parte da minha equipe DESIGNE DE INTERIORES/AMBIENTES com muito talento e fazemos verdadeiras parcerias. Lamento que tenha pessoas que tenha esse tipo de pensamento estremamente infeliz. Procure trabalhar mais e seja o melhor profissional para os seus clientes, isso é que importa. Grande abraço a todos os colaboradores da ARQUITETURA/DESIGNE DE INTERIORES/AMBIENTES/DECORADOR. Sejam felizes e profissional sempre.
  • Eh muito bom encontrar artigos que favorecem e valorizam nossa profissão de DA. Essa diferenciação de "papeis", deve estar primeirmente intronizado nos profissionais acima citados... assim teremos cada um atuando em sua area especifica, se valorizando e se respeitando ... e principalmente somando!! Quem ganha com isso: todos!! O cliente principalmente! abraços..
  • GOSTEI MUITO DOS ESCLARECIMENTOS ACIMA DESCRITOS. PENA QUE NÃO TOMEI CONHECIMENTO ANTES, POIS EM RAZÃO DE FALTA DE CONHECIMENTO, CONTRATEI UM PROFISSIONAL ARQUITETO PARA UM PROJETO DE REFORMA SEM SABER SE REALMENTE SE TRATAVA DO PROFISSIONAL DE QUE EU REALMENTE PRECISAVA. CONCLUSÃO, DEPOIS DE ME INTEIRAR SOBRE O ASSUNTO, FECHEI CONTRATANDO NOVAMENTE COM OUTRO PROFISSIONAL PARA FAZER O SERVIÇO COMPLETO COM ARQUITETURA, DESIGN E DECORAÇÃO, UMA VEZ QUE DESCOBRI QUE O PROFISSIONAL CONTRATADO ANTERIORMENTE NÃO EXERCIA TAIS FUNÇÕES. ESTOU FICANDO COM O PREJUIZO.